Perfeita simetria

Toda vez que toca o telefone, eu penso que é você
Toda noite de insônia eu penso em te escrever
Pra dizer que teu silêncio me agride
E não me agrada ser um calendário do ano passado
Pra dizer que teu crime me cansa
E não compensa entrar na dança
Depois que a música parou
A música parou (parou!)

Toda vez que toca o telefone, eu penso que é você
Toda noite de insônia eu penso em te escrever
Escrever uma carta definitiva
Que não dê alternativa pra quem lê
Te chamar de carta fora do baralho
Descartar, embaralhar você
E fazer você voltar

Ao tempo em que nada nos dividia
Havia motivo pra tudo e tudo era motivo pra mais
Era perfeita simetria
Éramos duas metades, iguais

Ao tempo em que nada nos dividia
Havia motivo pra tudo e tudo era motivo pra mais
Era perfeita simetria
Éramos duas metades, iguais

Teu maior defeito talvez seja a perfeição
Tuas virtudes talvez não tenham solução
Então pegue um telefone ou um avião
Deixe de lado os compromissos marcados
Perdoa o que puder ser perdoado
Esquece o que não tiver perdão
E vamos voltar àquele lugar
Vamos voltar

Ao tempo em que nada nos dividia
Havia motivo pra tudo e tudo era motivo pra mais
Era perfeita simetria
Éramos duas metades, iguais

Ao tempo em que nada nos dividia
Havia motivo pra tudo e tudo era motivo pra mais
Era perfeita simetria
Éramos duas metades, iguais

Vamos voltar
Vamos voltar
Vamos voltar
Vamos voltar!

Ao tempo em que nada nos dividia
Havia motivo pra tudo e tudo era motivo pra mais
Era perfeita simetria
Éramos duas metades, iguais

O Papa é pop

Todo mundo tá relendo o que nunca foi lido
Todo mundo tá comprando os mais vendidos
É qualquer nota, qualquer notícia
Páginas em branco, fotos coloridas
Qualquer nova, qualquer notícia
Qualquer coisa que se mova é um alvo
E ninguém tá a salvo

Todo mundo tá revendo o que nunca foi visto
Tá na cara, tá na capa da revista
É qualquer nota, uma nota preta
Páginas em branco, fotos coloridas
Qualquer rota (rotatividade)
Qualquer coisa que se mova é um alvo
E ninguém tá a salvo

Um disparo
Um estouro

O Papa é pop, o Papa é pop
O pop não poupa ninguém
O Papa levou um tiro à queima roupa
O pop não poupa ninguém

O Papa é pop, o Papa é pop (o presidente é pop, um indigente é pop)
O pop não poupa ninguém (nós somos pop também)
O Papa levou um tiro à queima roupa (a minha mente é pop, a tua mente é pop)
O pop não poupa ninguém (o pop não poupa ninguém)

Uma palavra na tua camiseta
O planeta na tua cama
Uma palavra escrita a lápis
Eternidades da semana

Qualquer nota, qualquer notícia
Páginas em branco, fotos coloridas
Qualquer coisa quase nova
Qualquer coisa que se mova é um alvo
E ninguém tá a salvo

Um disparo
Um estouro

O Papa é pop, o Papa é pop
O pop não poupa ninguém
O Papa levou um tiro à queima roupa
O pop não poupa ninguém

O Papa é pop, o Papa é pop (o presidente é pop, um indigente é pop)
O pop não poupa ninguém (nós somos pop também)
O Papa levou um tiro à queima roupa (antigamente é pop, atualmente é pop)
O pop não poupa ninguém (o pop não poupa ninguém)

Toda catedral é populista, é pop
É macumba pra turista
E afinal, o que é rock’n’roll?
Os óculos do John ou o olhar do Paul?

O Papa é pop, o Papa é pop
O pop não poupa ninguém
O Papa levou um tiro à queima roupa
O pop não poupa ninguém

O Papa é pop, o Papa é pop
O pop não poupa ninguém
O Papa levou um tiro à queima roupa
O pop não poupa, o pop não poupa
O pop não poupa ninguém

Simples de coração

Volta pra casa
Me traz na bagagem
Tua viagem sou eu

Novas paisagens
Destino, passagem
Tua tatuagem sou eu

Casa vazia, luzes acesas
Só pra dar a impressão
Cores e vozes, conversas animadas
É só a televisão

Já perdemos muito tempo
Brincando de perfeição
Esquecemos o que somos:
Simples de coração

Volta voando
Vinda do alto
Derrete o chumbo do céu

Antes que eu saia
Pela tangente
No giro do carrossel

Falta uma volta
Ponteiros parados
Tudo dança em torno de ti

Volta voando
Fim da viagem
Bem vinda à vida real

Já perdemos muito tempo
Brincando de perfeição
Agora é bola pra frente
Agora é bola no chão

Já brincamos muito tempo
Até perder a direção
Na santa paz de Deus
No mais perfeito caos

Toda forma de poder

Eu presto atenção no que eles dizem
Mas eles não dizem nada (Yeah, yeah)
Fidel e Pinochet tiram sarro de você que não faz nada
(Yeah, yeah)
E eu começo a achar normal que algum boçal
Atire bombas na embaixada
(Yeah yeah, uoh, uoh)

Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer tudo que eu vi
Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer

Toda forma de poder é uma forma de morrer por nada
Toda forma de conduta se transforma numa luta armada
A história se repete
Mas a força deixa a história mal contada

Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer tudo que eu vi
Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer

E o fascismo é fascinante
Deixa a gente ignorante e fascinada
É tão fácil ir adiante e se esquecer
Que a coisa toda tá errada
Eu presto atenção no que eles dizem
Mas eles não dizem nada

Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer tudo que eu vi
Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer

Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer tudo que eu vi
Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer

(Yeah yeah uoh)

Museu de Cera

Quem quiser saber por que
e não tiver o que perder
não pode acreditar em tudo
não pode duvidar de nada
se não tiver instinto
se ficar distante
se ficar com medo quando chegar o instante
forças ocultas tomam de assalto
ouvintes incautos de uma cult band
tem que pagar pra ver
tem que ver pra crer
quem viver verá
a cara desses caras num museu de cera
quem quiser saber por que
e não quiser se arrepender
não pode acreditar em tudo
tem que acreditar em algo
se não tiver instinto
se não estiver atento
se ficar com medo no exato momento
alguém muito à toa soa o alarme
veste o uniforme e transforma tudo em exceção
tem que pagar pra ver
tem que ver pra crer
quem viver verá
a cara desses caras num museu de cera
Em
museu de cera quem será?
Em
imagens de arquivo de quem será?
Em
inconsciente coletivo por que será?
Em
o mundo é dos vivos sempre será!
Em
museu de cera quem será?
Em
quem me dera poder esperar!
Em
a vida inteira quando será?
Em
sexta feira… no mais tardar!
tem que pagar pra ver
tem que ver pra crer
Em
tem que jogar pra ganhar
tem que correr atrás
tem que pagar pra ver
tem que ver pra crer
Em
quem viver verá
a força bruta
a face oculta
Em
num museu de cera

Surfando Karmas & DNA

Quantas vezes eu estive
Cara a cara com a pior metade?
A lembrança no espelho
A esperança na outra margem

Quantas vezes a gente sobrevive
À hora da verdade?
Na falta de algo melhor
Nunca me faltou coragem

Se eu soubesse antes o que sei agora
Erraria tudo exatamente igual

Tenho vivido um dia por semana
Acaba a grana, mês ainda tem
Sem passado nem futuro
Eu vivo um dia de cada vez

Quantas vezes eu estive
Cara a cara com a pior metade?
Quantas vezes a gente sobrevive
À hora da verdade?

Se eu soubesse antes o que sei agora
Iria embora antes do final

Surfando karmas e DNA
Eu não quero ter o que eu não tenho
Eu não tenho medo de errar!

Surfando karmas e DNA
Não quero ser o que eu não sou
Eu não sou maior que o mar

Na falta do que fazer, inventei a minha liberdade!

Surfando karmas e DNA
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Parabólica

Ela para e fica ali parada
Olha-se para nada
Paraná
Fica parecida, paraguaia
Para-raios em dia de sol
Para mim

Prenda minha parabólica
Princesinha parabólica
O pecado mora ao lado
E o paraíso paira no ar

Pecados no paraíso

Se a TV estiver fora do ar
Quando passarem
Os melhores momentos da sua vida
Pela janela, alguém estará
De olho em você
Paranoica

Prenda minha parabólica
Princesinha Clarabólica
Paralelas que se cruzam
Em Belém do Pará

Longe, longe, longe aqui do lado
Paradoxo
Nada nos separa

Eu paro e fico aqui parado
Olho-me para longe
A distância não separabólica

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Terra De Gigantes

Hey mãe!
Eu tenho uma guitarra elétrica
Durante muito tempo isso foi tudo
Que eu queria ter

Mas, hey mãe!
Alguma coisa ficou pra trás
Antigamente eu sabia exatamente o que fazer

Hey mãe!
Tenho uns amigos tocando comigo
Eles são legais, além do mais,
Não querem nem saber
Mas agora, lá fora,
Todo mundo é uma ilha
A milhas e milhas e milhas de qualquer lugar

Nessa terra de gigantes
(eu sei, já ouvimos tudo isso antes)
A juventude é uma banda
Numa propaganda de refrigerantes

As revistas
As revoltas
As conquistas da juventude
São heranças
São motivos
Pr’as mudanças de atitude
Os discos
As danças
Os riscos da juventude
A cara limpa
A roupa suja
Esperando que o tempo mude

Nessa terra de gigantes
(tudo isso já foi dito antes)
A juventude é uma banda
Numa propaganda de refrigerantes

Hey mãe!
Já não esquento a cabeça
Durante muito tempo isso foi
Só o que eu podia fazer
Mas, hey mãe!
Por mais que a gente cresça
Há sempre coisas que a gente
Não pode entender

Por isso mãe!
Só me acorda quando o sol tiver se posto
Eu não quero ver meu rosto
Antes de anoitecer
Pois agora lá fora

O mundo todo é uma ilha
A milhas e milhas e milhas…

Nessa terra de gigantes
Que trocam vidas por diamantes
A juventude é uma banda
Numa propaganda de refrigerantes
Continue lendo

Era Um Garoto

Era um garoto
Que como eu
Amava os Beatles
E os Rolling Stones..

Girava o mundo
Sempre a cantar
As coisas lindas
Da América…

Não era belo
Mas mesmo assim
Havia mil garotas à fim
Cantava Help
And Ticket To Ride
Oh Lady Jane, Yesterday…

Cantava viva, à liberdade
Mas uma carta sem esperar
Da sua guitarra, o separou
Fora chamado na América…

Stop! Com Rolling Stones
Stop! Com Beatles songs
Mandado foi ao Vietnã
Lutar com vietcongs…

Tatá-tá tá tá…
Tatá-tá tá tá…
Tatá-tá tá tá…
Tatá-tá tá tá…
Tatá-tá tá tá…
Tatá-tá tá tá…
Tatá-tá tá tá…

Era um garoto
Que como eu!
Amava os Beatles
E os Rolling Stones
Girava o mundo
Mas acabou!
Fazendo a guerra
Do Vietnã…

Cabelos longos
Não usa mais
Nem toca a sua
Guitarra e sim
Um instrumento
Que sempre dá
A mesma nota
Ra-tá-tá-tá…

Não tem amigos
Não vê garotas
Só gente morta
Caindo ao chão
Ao seu país
Não voltará
Pois está morto
No Vietnã…

Stop! Com Rolling Stones
Stop! Com Beatles songs
No peito um coração não há
Mas duas medalhas sim….

Tatá-tá tá tá…
Tatá-tá tá tá…
Tatá-tá tá tá…
Tatá-tá tá tá…
Tatá-tá tá tá…
Tatá-tá tá tá…
Tatá-tá tá tá…

Ra-tá-tá tá-tá …
Ra-tá-tá tá-tá …
Continue lendo

Eu Que Não Amo Você

Eu, que não fumo, queria um cigarro
Eu que não amo você
Envelheci dez anos ou mais
Nesse último mês

Senti saudade, vontade de voltar
Fazer a coisa certa, aqui é o meu lugar
Mas sabe como é difícil encontrar
A palavra certa, a hora certa de voltar
A porta aberta, a hora certa de chegar

Eu, que não fumo, queria um cigarro
Eu que não amo você
Envelheci dez anos ou mais
Nesse último mês
E eu, que não bebo, pedi um conhaque
Pra enfrentar o inverno
Que entra pela porta
Que você deixou aberta ao sair

O certo é que eu dancei sem querer dançar
E agora já nem sei qual é o meu lugar
Dia e noite, sem parar, eu procurei, sem encontrar
A palavra certa, a hora certa de voltar
A porta aberta, a hora certa de chegar

Eu, que não fumo, queria um cigarro
Eu que não amo você
Envelheci dez anos ou mais
Nesse último mês
E eu que não bebo, pedi um conhaque
Pra enfrentar o inverno
Que entra pela porta
Que você deixou aberta ao sair

O certo é que eu dancei sem querer dançar
E agora já nem sei qual é o meu lugar
Dia e noite sem parar, procurei sem encontrar
A palavra certa, a hora certa de voltar
A porta aberta, a hora certa de chegar

Eu, que não fumo, pedi um cigarro
Eu que não amo você

Eu, que não fumo, pedi um cigarro
Eu que não amo você
Envelheci dez anos ou mais
Nesse último mês
E eu que não bebo, queria um conhaque
Pra enfrentar o inverno
Que entra pela porta
Que você deixou aberta ao sair

Continue lendo

Até o fim

Não vim até aqui
Prá desistir
Agora!
Entendo você
Se você quiser
Ir embora…

Não vai ser a primeira vez
Nas últimas 24 horas
Mas eu não vim até aqui
Prá desistir
Agora!…

Minhas raízes estão no ar
Minha casa é qualquer lugar
Se depender de mim
Eu vou até o fim…

Voando sem instrumentos
Ao sabor do vento
Se depender de mim
Eu vou até o fim…

Eu não vim até aqui
Prá desistir
Agora!
Entendo você
Se você quiser
Ir embora
Não vai ser a primeira vez
Nas últimas 24 horas…

Ainda não se curva
Noite adentro
Vida afora!
Toda vida
O dia inteiro
Não seria
Exagero
Se depender de mim
Eu vou até o fim…

Cada célula
Todo fio de cabelo
Falando assim
Parece exagero
Mas se depender de mim
Eu vou até fim..

Eu não vim até aqui
Prá desistir
Agora!
Não vim até aqui
Prá desistir
Agora!…
Continue lendo

Pose (anos 90)

Vamos passear depois do tiroteio
Vamos dançar num cemitério de automóveis
Colher as flores que nascerem no asfalto
Vamos todo mundo…Tudo que se possa imaginar

Vamos duvidar de tudo o que é certo
Vamos namorar à luz do pólo petroquímico
Voltar pra casa num navio fantasma
Vamos todo mundo… ninguém pode faltar

Se faltar calor, a gente esquenta
Se ficar pequeno, a gente aumenta
E se não for possível, a gente tenta
Vamos velejar no mar de lama
Se faltar o vento, a gente inventa

Vamos remar contra a corrente
Desafinar o coro dos contentes

Vamos velejar num mar de lama
se faltar o vento a gente inventa

Vamos remar contra a corrente
Desafinar o coro dos contentes.
Continue lendo

Infinita Highway

Você me faz, correr demais
Os riscos desta Highway
Você me faz, correr atrás
Do horizonte desta Highway
Ninguém por perto
O silêncio no deserto
Deserta Highway…

Estamos sós
E nenhum de nós
Sabe exatamente
Onde vai parar
Mas não precisamos
Saber prá onde vamos
Nós só precisamos ir
Não queremos
Ter o que não temos
Nós só queremos viver
Sem motivos, nem objetivos
Estamos vivos e isto é tudo
É sobretudo, a lei
Da Infinita Highway…

Quando eu vivia
E morria na cidade
Eu não tinha nada
Nada a temer
Mas eu tinha medo
O medo dessa estrada
Olhe só, vê você
Quando eu vivia
E morria na cidade
Eu tinha de tudo
Tudo ao meu redor
Mas tudo que eu sentia
Era que algo me faltava
E à noite eu acordava
Banhado em suor…

Não queremos
Lembrar o que esquecemos
Nós só queremos viver
Não queremos
Aprender o que sabemos
Não queremos nem saber
Sem motivos, nem objetivos
Estamos vivos e é só
Só obedecemos a lei
Da Infinita Highway
Highway! Highway!…

Escute, garota
O vento canta uma canção
Dessas que uma banda
Nunca toca sem razão
Me diga, garota
Será estrada, uma prisão?
Eu acho que sim
Você finge que não
Mas nem por isso
Ficaremos parados
Com a cabeça nas nuvens
E os pés no chão…

-Tudo bem, garota
Não adianta mesmo ser livre…

Se tanta gente vive
Sem ter como viver
Estamos sós e nenhum de nós
Sabe onde quer chegar
Estamos vivos, sem motivos
Que motivos temos prá estar?
Atrás de palavras escondidas
Nas entrelinhas do horizonte
Dessa Highway
Silenciosa, Highway!
Highway!…

Eu vejo o horizonte trêmulo
Eu tenho os olhos úmidos
Eu posso estar
Completamente enganado
Eu posso estar correndo
Pro lado errado
Mas a dúvida
É o preço da pureza
E é inútil ter certeza
Eu vejo as placas dizendo
Não corra, não morra
Não fume
Eu vejo as placas
Cortando o horizonte
Elas parecem facas
De dois gumes…

Minha vida é tão confusa
Quanto a América Central
Por isso não me acuse
De ser irracional
Escute, garota
Façamos um trato
Você desliga o telefone
Se eu ficar muito abstrato
Eu posso ser um Bealte
Um beatnik, ou um bitolado
Mas eu não sou ator
Eu não tô à toa
Do teu lado…

Por isso garota
Façamos um pacto
Não usar a Highway
Prá causar impacto
110, 120, 160
Só prá ver, até quando
O motor agüenta
Na bôca em vez de um beijo
Um chiclete de menta
E a sombra do sorriso
Que eu deixei…

Numa das curvas
Da Highway
Highway!
Infinita, Highway!
Highway!
Infinita, Highway!
Highway! Highway!
Highway!…
Continue lendo

Dom Quixote

Muito prazer, meu nome é otário
Vindo de outros tempos mas sempre no horário
peixe fora d’água, borboletas no aquário
Muito prazer, meu nome é otário
na ponta dos cascos e fora do páreo
puro sangue, puxando carroça

Um prazer cada vez mais raro
aerodinâmica num tanque de guerra,
vaidades que a terra um dia há de comer.
“Ás” de Espadas fora do baralho
grandes negócios, pequeno empresário.

Muito prazer me chamam de otário
por amor às causas perdidas.

Tudo bem, até pode ser
que os dragões sejam moinhos de vento

Tudo bem, seja o que for
seja por amor às causas perdidas
Por amor às causas perdidas

tudo bem…até pode ser
Que os dragões sejam moinhos de vento

muito prazer…ao seu dispor
Se for por amor às causas perdidas
por amor às causas perdidas
Continue lendo

Piano bar

O que você me pede eu não posso fazer
Assim você me perde, eu perco você
Como um barco perde o rumo
Como uma árvore no outono perde a cor

O que você não pode eu não vou te pedir
O que você não quer…eu não quero insistir
Diga a verdade, doa a quem doer
Doe sangue e me dê seu telefone

Todos os dias eu venho ao mesmo lugar
Às vezes fica longe, impossível de encontrar
Mas, quando o neon é bom
Toda noite é noite de luar

No táxi que me trouxe até aqui
Julio Iglesias me dava razão,
No Clip Paul Simon tava de preto más,
na verdade não era não
Na verdade nada é uma palavra esperando tradução

Toda vez que falta luz
Toda vez que algo nos falta
O invisível nos salta aos olhos
Um salto no escuro da piscina

O fogo ilumina muito
Por muito pouco tempo
Em muito pouco tempo o fogo apaga tudo
Tudo um dia vira luz
Toda vez que falta luz
O invisível nos salta aos olhos

Ontem à noite eu conheci uma guria
Já era tarde, era quase dia
Era o princípio
De um precipício era o meu corpo que caia

Ontem a noite, a noite tava fria
Tudo queimava, nada aquecia
Ela apareceu, parecia tão sozinha
Parecia que era minha aquela solidão

Ontem à noite eu conheci uma guria
Que eu já conhecia de outros carnavais
Com outras fantasias
Ela apareceu, parecia tão sozinha
Parecia que era minha aquela solidão

No início era um precipício
(um corpo que caía)
Depois virou um vício
Foi tão difícil acordar no outro dia
Ela apareceu, parecia tão sozinha
Parecia que era minha aquela solidão

Continue lendo

Somos Quem Podemos Ser

Um dia me disseram
Que as nuvens
Não eram de algodão
Um dia me disseram
Que os ventos
Às vezes erram a direção
E tudo ficou tão claro
Um intervalo na escuridão
Uma estrela de brilho raro
Um disparo para um coração…

A vida imita o vídeo
Garotos inventam
Um novo inglês
Vivendo num país sedento
Um momento de embriaguez…

Somos quem podemos ser…
Sonhos que podemos ter…

Um dia me disseram
Quem eram os donos
Da situação
Sem querer eles me deram
As chaves que abrem
Essa prisão
E tudo ficou tão claro
O que era raro, ficou comum
Como um dia depois do outro
Como um dia, um dia comum…

A vida imita o vídeo
Garotos inventam
Um novo inglês
Vivendo num país sedento
Um momento de embriaguez…

Somos quem podemos ser…
Sonhos que podemos ter…

Um dia me disseram
Que as nuvens
Não eram de algodão
Sem querer eles me deram
As chaves que abrem
Essa prisão
Quem ocupa o trono
Tem culpa
Quem oculta o crime
Também
Quem duvida da vida
Tem culpa
Quem evita a dúvida
Também tem…

Somos quem podemos ser…
Sonhos que podemos ter…
Continue lendo

Pra Ser Sincero

Prá ser sincero
Não espero de você
Mais do que educação
Beijo sem paixão
Crime sem castigo
Aperto de mãos
Apenas bons amigos…

Prá ser sincero
Não espero que você
Minta!
Não se sinta capaz
De enganar
Quem não engana
A si mesmo…

Nós dois temos
Os mesmos defeitos
Sabemos tudo
A nosso respeito
Somos suspeitos
De um crime perfeito
Mas crimes perfeitos
Não deixam suspeitos…

Prá ser sincero
Não espero de você
Mais do que educação
Beijo sem paixão
Crime sem castigo
Aperto de mãos
Apenas bons amigos…

Prá ser sincero
Não espero que você
Me perdoe
Por ter perdido a calma
Por ter vendido a alma
Ao diabo…

Um dia desse
Num desses
Encontros casuais
Talvez a gente
Se encontre
Talvez a gente
Encontre explicação…

Um dia desses
Num desses
Encontros casuais
Talvez eu diga:
-Minha amiga
Prá ser sincero
Prazer em vê-la!
Até mais!…

Nós dois temos
Os mesmos defeitos
Sabemos tudo
A nosso respeito
Somos suspeitos
De um crime perfeito
Mas crimes perfeitos
Não deixam suspeitos…
Continue lendo

Alivio Imediato

o melhor esconderijo
a maior escuridão
já não servem de abrigo
já não dão proteção
a Líbia bombardeada
a libido e o vírus
o poder, o pudor
os lábios e o batom

que a chuva caia
como uma luva
um dilúvio
um delírio
que a chuva traga
alívio imediato

que a noite caia
de repente caia
tão demente
quanto um raio
que a noite traga
alívio imediato

há espaço pra todos
há um imenso vazio
nesse espelho quebrado
por alguém que partiu
a noite cai
de alturas impossíveis
e quebra o silêncio
e parte o coração

há um muro de concreto
entre nossos lábios
há um muro de Berlim
dentro de mim
tudo se divide
todos se separam
duas Alemanhas
duas Coréias
tudo se divide
todos se separam
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Algo Por Voce

Hey, garota, não fique esperando o telefone tocar
Os homens são o que são e são todos iguais
O difícil é saber quem é clone de quem

Hey, garota, não fique esperando o telefone tocar
De volta ao passado, tecendo tapetes,
Esperando o guerreiro voltar

Já lhe fizeram sofrer demais
Já lhe fizeram feliz demais
Tá na hora de você mesma fazer
Algo por você
Só você pode fazer

Hey, garota, o dia já passou, não deixe a noite passar
Passe um batom, ou não, e vá se divertir
Você vai descobrir quem é clone de quem

Hey, garota, faça um favor: não fique esperando
Faça algo por você
Hey, garota, faça um favor: não fique esperando
Faça algo por você

E só você pode fazer
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Alem dos Outdoors

Além dos Outdoors!
Além dos Outdoors!
Além dos Outdoors!

No ar da nossa aldeia
Há rádio, cinema e televisão
Mas o sangue só corre nas veias
Por pura falta de opção…

As aranhas não tecem suas teias
Por loucura ou por paixão
Se o sangue ainda corre nas veias
É por pura falta de opção…

Você sabe, o que eu quero dizer
Não tá escrito nos outdoors
Por mais que a gente grite
O silêncio é sempre maior…(2x)

No céu, além de nuvens
Há sexo, drogas e palavrões
As coisas mudam de nome
Mas continuam sendo religiões…

No dia-à-dia, da nossa aldeia
Há infelizes enfartados
De informação
As coisas mudam de nome
Mas continuam sendo
O que sempre serão…

Você sabe o que eu quero dizer
Não tá escrito nos outdoors
Por mais que a gente grite
O silêncio é sempre maior…

Você sabe o que eu quero dizer
Não valhe uma canção
Por mais que a gente cante
O silêncio é sempre maior…

No ar da nossa aldeia
Há mais do que poluição
Há poucos que já foram
E muitos que nunca serão…

As aranhas não tecem suas teias
Por loucura ou por paixão
Se o sangue ainda corre nas veias
É por pura falta de opção…

Você sabe o que eu quero dizer
Não tá escrito nos outdoors
Por mais que a gente grite
O silêncio! O silêncio! O silêncio!

Você sabe o que eu quero dizer
Não vale uma canção
Por pura falta de opção
Púrpura, é cor do coração…

Você sabe
O que eu quero dizer
Você sabe
O que eu quero saber
Você sabe dizer
O que eu quero saber
Você sabe saber
O que eu quero dizer
Além disso….

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A Violência Travestida Faz Seu Trottoir

no ar que se respira, nos gestos mais banais
em regras, mandamentos, julgamentos, tribunais
na vitória do mais forte, na derrota dos iguais

a violência travestida faz seu trottoir

Na procura doentia de qualquer prazer
Na arquitetura metafisica das catedrais
Nas arquibancadas, nas cadeiras, nas gerais

a violencia travestida faz seu trottoir

na maioria silenciosa, orgulhosa de não ter
vontade de gritar, nada pra dizer
a violência travestida faz seu trottoir
nos anúncios de cigarro que avisam que fumar faz mal

| a violência travestida faz seu trottoir
| em anúncios luminosos, lâminas de barbear
| armas de brinquedo, medo de brincar
| a violência travestida faz seu trottoir

no vídeo, idiotice intergaláctica
na mídia, na moda, nas farmácias
no quarto de dormir, na sala de jantar
a morte anda tão viva, a vida anda pra trás
é a livre iniciativa, igualdade aos desiguais
na hora de dormir, na sala de estar

a violência travestida faz seu trottoir

uma bala perdida encontra alguém perdido
encontra abrigo num corpo que passa por ali
e estraga tudo, enterra tudo, pá de cal
enterra todos na vala comum de um discurso liberal

| a violência travestida faz seu trottoir
| em anúncios luminosos, lâminas de barbear
| armas de brinquedo, medo de brincar
| a violência travestida faz seu trottoir

| a violência travestida faz seu trottoir
| em anúncios luminosos, lâminas de barbear
| armas de brinquedo, medo de brincar
| a violência travestida faz seu trottoir

Tudo que ele deixou foi uma carta de amor pra uma apresentadora de programa infantil. Nela ele dizia que já não era criança, e que a esperança também dança como monstros de um filme japonês. Tudo que ele tinha era uma foto desbotada, recortada de revista especializada em vida de artista. Tudo que ele queria era encontrá-la um dia (todo suicida acredita na vida depois da morte). Tudo que ele tinha cabia no bolso da jaqueta. A vida quando acaba, cabe em qualquer lugar.
E a violência travestida faz seu trottoir…

não se renda às evidências
não se prenda à primeira impressão

eles dizem com ternura:
“o que vale é a intenção”
e te dão um cheque sem fundos
do fundo do coração

no ar que se respira
nessa total falta de ar
a violência travestida
faz seu trottoir

em armas de brinquedo, medo de brincar
em anúncios luminosos, lâminas de barbear
nos anúncios de cigarro que avisam que fumar faz mal

a violência travestida faz seu trottoir
a violência travestida faz seu trottoir
Continue lendo

A Verdade a Ver Navios

na hora "h"
no dia "d"
na hora de pagar pra ver
ninguém diz o que disse
(não era bem assim)

na hora "h"
no dia "d"
na hora de acender a luz
ninguém dá nome aos bois
(tudo fica pra depois)

na hora "h"
no dia "d"
ninguém paga pra ver
tudo fica prá trás
(querem mais é esquecer)

mas é impossível repetir
o que só acontece uma vez
é impossível reprimir
o que acontece toda vez
que alguém acorda
porque já não aguenta mais
e a corda arrebenta
no lado mais forte

é muito engraçado
que todos tenham os mesmos sonhos
e que o sonho nunca vire realidade

é muito engraçado
que estejam do mesmo lado
os que querem iluminar
e os que querem iludir

é muito engraçado
que todo mundo tenha
armas capazes de tudo
de todo mundo acabar
no dia "d", na hora "h"

mas é impossível repetir
o que só acontece uma vez
é impossível reprimir
o que acontece toda vez
que alguém acorda
porque já não aguenta mais
e a corda arrebenta
no lado mais forte

é impossível repetir
o que só acontece uma vez
é impossível reprimir
o que acontece toda vez
que chega a hora
de dizer chega…

…a hora…
…de dizer chega…

não pagar pra ver
a verdade a ver navios
onde já se viu?

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A Revolta dos Dândis

Entre o rosto e o retrato, o real e o abstrato
Entre a loucura e a lucidez
Entre o uniforme e a nudez
Entre o fim do mundo e o fim do mês
Entre a verdade e o rock inglês
Entre os outros e vocês

Eu me sinto um extrangeiro
Passageiro de algum trem
Que não passa por aqui
Que não passa de ilusão

Entre mortos e feridos
Entre gritos e gemidos
A mentira e a verdade
A solidão e a cidade
Entre um copo e outro da mesma bebida
E entre tantos corpos com a mesma ferida

Eu me sinto um extrangeiro
Passageiro de algum trem
Que não passa por aqui
Que não passa de ilusão

Entre a crença e os fiéis
Entre os dedos e os anéis
Entra ano e sai ano, sempre os mesmos planos!

Wntre a minha boca e a tua há tanto tempo, há tantos planos
Mas eu nunca sei pra onde vamos

E eu me sinto um extrangeiro
Passageiro de algum trem
Que não passa por aqui
E que não passa de ilusão

Que não passa por aqui, não
E que não passa de ilusão!
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A Promessa

Não vejo nada.
O que eu vejo, não me agrada.
Não ouço nada.
O que eu ouço, não diz nada
Perdi a conta
Das pérolas e porcos
Que eu cruzei, pela estrada…

Estou ligado à cabo
A tudo que acaba
De acontecer…

Propaganda
É a arma do negócio.
No nosso peito bate
Um alvo muito fácil.
Mira à laser,
Miragem de consumo,
Latas e litros
De paz teleguiada.
Estou ligado à cabo
A tudo que eles tem
Pra oferecer…

O céu é só uma promessa.
Eu tenho pressa,
Vamos nessa direção.
Atrás de um sol
Que nos aqueça
Minha cabeça
Não aguenta mais…(2x)

Tu me encontrastes
De mãos vazias;
Eu te encontrei
Na contramão.
Na hora exata,
Na encruzilhada,
Na Highway da
Super-informação.
Estamos tão ligados
Já não temos o que temer…

O céu é só uma promessa.
E eu tenho pressa,
Vamos nessa direção
Atrás de um sol
Que nos aqueça.
Minha cabeça
Não aguenta mais…

O céu é só uma promessa
Eu tenho pressa,
Vamos nessa direção
Atrás de um sol
Que nos aqueça.
Minha cabeça
Não aguenta mais.
Não aguenta mais
Não aguenta mais
Não aguenta mais…

O céu é só uma promessa
Eu tenho pressa
Vamos nessa direção…
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A Perigo

Planos de vôo
Tava tudo em cima: céu de brigadeiro sobre nós
Pane… pânico
Perdemos a altura… puxaram o tapete voador
Hoje estamos a perigo
Hoje estamos separados, divididos
Mas um dia, um dia, nós seremos a maioria

Pane…! que pena!
Panos quentes
Fica tudo como está; no mesmo lugar… impunemente
Hoje estamos a perigo
Hoje estamos separados, divididos
Mas um dia, um dia, nós seremos a maioria

Eu sigo em frente, pra frente eu vou
Eu sigo em frente, pra frente eu vou
Eu sigo em frente, pra frente eu vou
Eu sigo enfrentando a onda
Onde muita gente naufragou

Nós seremos a maioria
Seremos a maioria
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A onda

Força não há capaz de enfrentar
Uma idéia cujo tempo tenha chegado
A força não é capaz de salvar
Uma idéia cujo tempo tenha passado

Força não há capaz de enfrentar
Uma idéia cujo tempo tenha chegado
É impossível domar a força do mar
Pra pegar a onda tem que estar
Na hora certa num certo lugar
Pra pegar a onda, deixa estar:
Deixa a onda te pegar

Pra pegar a onda tem que estar
Na hora certa num certo lugar
Pra pegar a onda, deixa estar:
Deixa a onda te pegar
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A Montanha

Nem tão longe que eu não possa ver
Nem tão perto que eu possa tocar
Nem tão longe que eu não possa crer que um dia chego lá
Nem tão perto que eu possa acreditar que o dia já chegou

No alto da montanha, num arranha-céu
No alto da montanha, num arranha-céu

Se eu pudesse, ao menos
Te contar o que se enxerga lá do alto
Com céu aberto, limpo e claro ou com os olhos fechados
Se eu pudesse, ao menos, te levar comigo lá

Pr’o alto da montanha, num arranha-céu
Pr’o alto da montanha, num arranha-céu
Sem final feliz ou infeliz…atores sem papel
No alto da montanha, à toa, ao léu

Nem tão longe, impossível
Nem tampouco lá… já

No alto da montanha, num arranha-céu
No alto da montanha, num arranha-céu
Sem final feliz ou infeliz…atores sem papel
No alto da montanha, num arranha-céu

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A Ilha Não se Curva

presente em tudo que eu faço
em qualquer hora e lugar
em toda esquina em cada passo:
profana luz a me guiar
…vida a fora…noite a dentro…

impressa em cada gesto meu
brilha a luz no fim do túnel
cores capazes de cegar
quem tem medo de entregar-se
…vida a fora…noite a dentro…

inimigos na trincheira
guantanamera militar
e a ilha não se curva
às águas turvas desse mar
…vida a fora…noite a dentro…

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A Ferro e Fogo

Eu não preciso que ninguém me diga
Se é pra brigar ou pra fugir da briga
Eu não preciso que ninguém me siga
Eu tô na minha, eu vou na manha (da aranha)
Eu não preciso que ninguém me diga
Se é pra brigar ou pra fugir da briga
Eu não preciso que ninguém me siga
(até duvido que alguém consiga)
A ferro e fogo…eu nasci
A ferro é fogo…eu morri
Mais de mil vezes
Velocidade é tudo que eu preciso
Me poupe do que não é necessário
Eu não preciso que ninguém me siga
Até duvido que alguém consiga
A ferro e fogo…eu vivi
A fero e fogo…eu morri
Mais de mil vezes
Eu não preciso que ninguém me diga
Mais de mil vezes
Se é pra brigar ou pra fugir da briga
Eu não preciso que ninguém me siga
Até duvido que alguém consiga
(a ferro e fogo…mais de mil vezes)
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A fábula

Era uma vez um planeta mecânico
Lógico, onde ninguém tinha dúvidas
Havia nome pra tudo e para tudo uma explicação
Até o pôr-do-sol sobre o mar era uma gráfico

Adivinhar o futuro não era coisa de mágico
Era um hábito burocrático, sempre igual
Explicar emoções não era coisa ridícula
Havia críticos e métodos práticos

Cá pra nós, tudo era muito chato
Era tudo tão sensato, difícil de agüentar
Todos nós sabíamos decor
Como tudo começou e como iria terminar

Mas de uma hora pra outra
Tudo que era tão sólido desabou, no final de um século
Raios de sol na madrugada de um sábado radical
Foi a pá de cal, tão legal

Não sei mais de onde foi que eu vim
Por que é que estou aqui
E para onde devo ir
Cá pra nós, é bem melhor assim
Desconhecer o início e ignorar o fim
Da fábula
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A Conquista do Espelho

Eu roubei esses versos
Como quem rouba pão
Com a mão urgente
Com urgência no coração
Eu contei stórias
Inventei vitórias
Como quem tem preguiça
Como quem faz justiça
Com as próprias mãos

Eu roubei quase tudo que eu tenho
Só pra chamar a atenção
E, quando cheguei em casa
Vi que lá morava um ladrão
Eu perdi quase tudo que eu tinha
A paz
A paciência
A urgência que me levava pela mão

Uma noite interminável
Numa cela escura
!!! sentido !!!
… senhores…
Censores sem poder de censura
O ruído dos motores
Numa sala de torturas
…. senhoras e senhores…
Censores sem talento sensorial

Nunca mais saiu da minha boca
O gosto amargo da palavra traição
Nunca mais saiu da minha boca
Nenhum elogio a nenhuma paixão

Uma noite mal dormida
Um país em maus lençóis
FSem sono
Sem censura
100% de nada não é nada:
É muito pouco

Sem sono
Sem censura
100% de nada não é nada:
É muito pouco
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A Conquista do Espa

Costas quentes (sempre em frente)
Frente fria (sempre me frente)
Sangue quente (sempre em frente)
Demente sangria (sempre, sempre)

Passo à passo à eternidade
Um passo em falso: a cara no chão
Um grande passo pra humanidade
Um pequeno veneno pra cada um de nós

– Lá do alto deve ser bonito!
– Aqui de cima é muito legal…
– No asfalto meus tênis derretem!
– Aqui em cima nem frio nem calor…

Bola nas costas (sempre em frente)
Atrás vem gente (sempre em frente)
Sempre alerta (sangue frio)
Sempre em frente (sempre, sempre)

Passo à passo-pégasus
Pegadas pelo espaço a conquistar
Bola de neve morro àbaixo
sempre em frente, pra cima, pro alto

– Lá do alto deve ser esquisito…
– Aqui de cima até que é normal
… minha cabeça pesa quase dois séculos…
– Meu corpo flutua, peso nenhum!

cara à cara (a conquista do espelho)
passo à passo (a conquista do espaço)

– Lá do alto deve ser bonito!
– Aqui de cima até que é normal…
…Minha cabeça presa entre dois mundos…
-Meu corpo flutua: Mundo nenhum!

A mídia… A mediocracia
Muito zorro e nenhum sargento garcia
Francamente
Há muito já não somos como já fomos:
Todos iguais
Iguais aos poucos que ainda andam
Iguais a tantos que andam loucos
Iguais a loucos que ainda andam
Iguais a santos que andam loucos de satisfação
Ouvindo pampa no walkman (descubro um passado que não mepertence)
Ouvindo pampa no walkman (3rd world music, mito e nonsense)
Ouvindo pampa no walkman (pertenço a um país que não mepertence)
Ouvindo pampa no walkman (não sou gaúcho: sou portoalegrense)
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98/99

Há quem faça as contas
Há quem vá as compras
Quando mais um ano chega ao fim
Hora de escrever cartões
Hora de rever os planos
Mais um ano chega ao fim

Que venha em paz o ano que vem, que venha em paz o que o futuro trouxer

Cai a neve nas vitrines
e a gente derrete ao sol
Desse natal tropical
Os cachorros da vizinhança vão latir
Sob os fogos de artifício
Pensarão que é fim e será só o início

Que venha em paz o ano que vem
que venha em paz o que o futuro trouxer

Há quem ignore o calendário
Há quem fique de olho no horário
Quando mais um ano chega ao fim…
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9051

Não quero jogar fora o pouco tempo que nos resta
Não quero jogar lenha na fogueira das vaidades
Só tenho uma ficha, uma única certeza:
Ninguém vai aceitar chamadas a cobrar
Ninguém vai aceitar chamadas a cobrar

Não adianta reclamar do pouco tempo que nos resta
Nos resta aproveitar antes que seja tarde
Só temos uma escolha:
Um momento apenas ou a vida inteira pra se arrepender

Caiu, !a última ficha caiu!
!vai cair a ponte!
!nós vamos cair no rio!
Águas vão rolar, o tempo vai passar
E ninguém vai aceitar chamadas a cobrar
Ninguém vai aceitar chamadas a cobrar
Chamadas a cobrar

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Terceira do Plural

Corrida pra vender cigarro
Cigarro pra vender remédio
Remédio pra curar a tosse
Tossir,cuspir,jogar pra fora
Corrida pra vender os carros
Pneu,cerveja e gasolina
Cabeça pra usar boné
E professar a fé de quem patrocina

Eles querem te vender, eles querem te comprar
Querem te matar de rir…querem te fazer chorar
Quem são eles?
Quem eles pensam que são? 4x

Corrida contra o relógio
Silicone contra a gravidade
Dedo no gatilho,velocidade
Quem mente antes diz a verdade
Satisfação garantida
Obsolecência programada
Eles ganham a corrida antes mesmo da largada

Eles querem te vender, eles querem te comprar
Querem te matar a sede, eles querem te sedar
Quem são eles?
Quem eles pensam que são? 4x

Vender…comprar…vedar os olhos
Jogar a rede contra a parede
Querem te deixar com sede
Não querem nos deixar pensar
Quem são eles?
Quem eles pensam que são?
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3 x 4

Diga a verdade
Ao menos uma vez na vida
Você se apaixonou
Pelos meus erros

Não fique pela metade
Vá em frente, minha amiga
Destrua a razão
Desse beco sem saída

Diga a verdade
Ponha o dedo na ferida
Você se apaixonou
Pelos meus erros

E eu perdi as chaves
Mas que cabeça a minha
Agora vai ter que ser
Para toda a vida

Somos o que há de melhor
Somos o que dá pra fazer
O que não dá pra evitar
E não se pode escolher

Se eu tivesse a força
Que você pensa que eu tenho
Eu gravaria no metal da minha pele
O teu desenho

Feitos um pro outro
Feitos pra durar
Uma luz que não produz
Sombra

Somos o que há de melhor
Somos o que dá pra fazer
O que não dá pra evitar
E não se pode esconder

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3 minutos

Se você me der 3 minutos vai entender o que eu sinto
Eu não sou santo, mas não minto
(não vou mentir) se você me der 3 minutos

Se você me der uma chance
Não vou deixar que a gente dance
Esqueça o que pensa que sabe
Duvide da crença e ?quem sabe?

Vai sentir o que eu sinto se você me der 3 minutos
Só acredito no que pode ser dito em 3 minutos
Por isso eu grito, só te peço 3 minutos

No caos me sinto à vontade: a tempestade é meu elemento
No pampa o vento violino minuano

Na fria janela de um apartamento
À espera do salto: perigo, suspense:
No alto inverno portoalegrense

Só acredito no que pode ser dito em 3 minutos
Eu grito e repito, só te peço 3 minutos
Só acredito no que pode ser dito em 3 minutos
Por isso eu peço aos 4 ventos: 3 minutos
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10.000 destinos

Há mais de mil destinos em cada esquina
Outras vidas esperando em cada esquina

Há quase mil motivos pra gente ignorar
O que ouve o que vê em cada esquina

Uma vitrine muito bandeira
Um imã na geladeira
Alça de mira
Lente de aumento
Vampiro em frente ao espelho

?porque será? me diz? porque será?
Que a gente cruza o rio atrás de água

E diz que não está nem aí
Finge que não está nem aí (nem aí)

Gritos na torcida
Sinos na catedral
Uma palavra omitida no hino nacional

Tambores, motores
Pulso e coração
Um minuto de silêncio antes da explosão
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