Engenheiros do Hawaii

A fábula

Era uma vez um planeta mecânico
Lógico, onde ninguém tinha dúvidas
Havia nome pra tudo e para tudo uma explicação
Até o pôr-do-sol sobre o mar era uma gráfico

Adivinhar o futuro não era coisa de mágico
Era um hábito burocrático, sempre igual
Explicar emoções não era coisa ridícula
Havia críticos e métodos práticos

Cá pra nós, tudo era muito chato
Era tudo tão sensato, difícil de agüentar
Todos nós sabíamos decor
Como tudo começou e como iria terminar

Mas de uma hora pra outra
Tudo que era tão sólido desabou, no final de um século
Raios de sol na madrugada de um sábado radical
Foi a pá de cal, tão legal

Não sei mais de onde foi que eu vim
Por que é que estou aqui
E para onde devo ir
Cá pra nós, é bem melhor assim
Desconhecer o início e ignorar o fim
Da fábula

0 comentário sobre “A fábula

  • Raí Mariano disse:

    Na minha opinião essa música retrata bem o que se fala no livro “um discurso sobre as ciências” em que é posto toda a história da ciência com seus paradigmas e crises desde o século XVI até os dias de hoje.
    O planeta mecânico seria a predominância das ciências naturais (paradigma da ciência moderna) como a mais pura ciência para explicar todas as coisas (séc. XVI até o século XVIII).
    Adivinhar o futuro e explicar emoções já seriam mostras da crise da ciência moderna para a pós-moderna em que se revela vários autores de ciências sociais como Karl Marx e Freud.
    Após a ciência pós-moderna só nos resta especular, já que o que vale na ciência é o bom-senso (a pá de cal). Humberto Gessinger assume uma postura também descrita no livro que é a de assumir a dúvida ao invés de sofrer com ela em suas dualidades. Assume também a insegurança ao invés de fugir dela: “Cá pra nós, é bem melhor assim
    desconhecer o início e ignorar o fim da fábula”

  • Ricardo disse:

    Eu penso que é retrata uma quebra de um paradigma mecanicista, onde se pode prever tudo. E no final de um século (XIX) tudo começa a se transformar. A Ciência muda completamente… EX: Quântica, relatividade e o efeito borboleta na teoria do Caos… Nada mais é visto como previsível, fácil de se decifrar. Cá pra nós, um mundo sem essas idéias determinísticas é bem mais real. “Cá pra nós, é bem melhor assim
    desconhecer o início e ignorar o fim da fábula”

  • Flávio Amorim disse:

    Bom amigos,
    Conhecendo Engenheiros do Hawaii como conheço, a letra mostra ilustradamente um casamento no seu fim… vejam a letra com esse olhar, dá certinho, bem figuradamente.

    Espero ter contribuído.

    Abçs

    Flávio A Amorim
    [email protected]

  • Acredito que a música fale sobre como as pessoas sempre têm a necessidade de procurar motivos e razões para tudo, até mesmo para sentimentos; têm dificuldade de aceitar que talvez nem tudo tenha uma explicação.
    E que alguma hora esse hábito de justificar e buscar motivos para tudo acabará atrapalhando a qualidade de vida das pessoas, porque em vez de procurarem aproveitar as coisas, ficam preocupadas com o que estas significam; pois no fundo é mais importante aproveitarmos o agora do que ficar tentando entendê-lo.

  • Marcos Lupp disse:

    A música me lembra a frase “a ignorância é uma benção”. O conhecimento é um dom e uma maldição e acumulá-lo pode se tornar um grande fardo. É sensato dizer que pessoas com um alto QI tem dificuldades em relacionamentos por exemplo.

    Outra questão sobre os malefícios do acúmulo de conhecimento e explicações que talvez caibam no contexto da música é a questão dos alimentos. Sempre há alguma informação que diz que a sua alimentação faz mal e cria-se essa paranóia toda.

    A simplicidade no entendimento da vida pode torná-la mais agradável.

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