Fdp 3

Os filha da puta vivem arrumando desculpa 
E motivos pra te pegar te usar e depois te desprezar 
Te tomam tudo, a vida, a grana e a alma 
E ainda querem que você tenha calma
Por isso eu vou falar (pode falar)
Vou contar (pode contar) 
Sobre os filha da puta que só querem te roubar 
Fundam uma igreja ora veja onde já se viu
Enriquecer com a fé alheia (puta-que-pariu)
E é inútil tentarmos abrir os olhos do povo 
Pois se um abre os olhos mil olhos fecham de novo 
E eles dizem que você está com o demônio 
Mas o demônio habita no seu patrimônio 
E eles farão o “favor” de tomar toda sua grana 
Porque a grana pra eles é uma coisa profana 
Só que aí o demônio vai parar com quem? 
No bolso do filha da puta que fica rico dizendo amém

Filha da puta filha da puta filha da puta
Filha da puta filha da puta filha da puta
Filha da puta filha da puta filha da puta
Filha da puta filha da puta filha da…

E tem outra raça de filha de puta que é uma desgraça 
Eles se acham os predadores e você a caça 
Com um uniforme padrão, uma bota preta 
Um cassetete na mão, na outra uma escopeta
Eles invadem uma casa onde uma família luta 
Pra sobreviver (Pode crer, filha da puta!) 
Eles te humilham, te matam, te caçam por prazer 
E dizem ser o dever, mas é difícil entender 
Por que pra eles qualquer um é um marginal 
Logicamente com seus parentes não será igual
Porque eles julgam as pessoas pela cor 
Procuram causar a dor 
Procuram causar terror 
Mas nós não vamos ficar aqui abobalhados fugindo da luta
Vamos mandar tomar no cú esses filhas da puta

Filha da puta filha da puta filha da puta
Filha da puta filha da puta filha da puta
Filha da puta filha da puta filha da puta
Filha da puta filha da puta filha da…

Filha da puta, escuta o que eu vou te dizer
Você está no poder agora mas um dia vai se fuder
Você está numa boa rindo a toa cheio de graça
Mas todos nós ainda vamos ver a sua desgraça
Você se esconde em Brasília essa ilha cercada de filha da puta
De político fajuto me escuta seu puto
Aprovando leis só para vocês e sua cambada
Arranjando obras superfaturadas
Eles te exploram te chupam o sangue
Só pensam no lucro da sua gangue
Então escuta, pensa e responda a pergunta:
– Todo político é um filha da puta?

Filha da puta filha da puta filha da puta
Filha da puta filha da puta filha da puta
Filha da puta filha da puta filha da puta
Filha da puta filha da puta filha da…

E tem outra espécie
De filha da puta que me emputece
É o pai desnaturado machão frustrado que se esquece
De que o tempo das cavernas já passou
E bate na família quando não devia nem bater com uma flor
Na mulher nas crianças mostrando toda a autoridade
De um homem primata no seu machismo covarde
Quando você vê na rua uma mulher com o olho roxo
Tenha certeza que ela é a mulher de um frouxo
Um Zé Ruela que com ela é agressivo, sem diálogo
Trata como égua porque é um cavalo
O autoritário da família, não tem autoridade além da força bruta
Bate no filho e na filha porque é um…

Filha da puta filha da puta filha da puta
Filha da puta filha da puta filha da puta
Filha da puta filha da puta filha da puta
Filha da puta filha da puta filha da…

Um Minuto

um minuto da sua atenção
isso é o que salva o conduto
pra falar sobre o produto que eu escuto
e que eh fruto de muita inspiração
e milhares de minutos de estudo no estúdio
e eu disponho de um minuto
pausa pra respiração
um minuto é muito pouco
um minuto de duração
um minuto
eu disse que um minuto é muito pouco
mas agora eu volto atráz
um minuto agora me parece pouco tempo
mas tem hora que um minuto pode ser tempo demais
um minuto de tormento pode ser muito mais lento do que um minuto
de paz
27, 28…
metade do meu tempo de um minuto já passou
e com o tempo eu não discuto
por que o tempo me ensinou a aproveitar cada minuto como o
último minuto
e minuto após minuto eu cheguei aonde estou
um minuto de amor tem mais valor
um minuto de prazer pode valer mais do que um dia
e um minuto de reflexão,
é melhor do que um livro de minutos de sabedoria
um minuto por favor professor,
um minuto de prorrogação e não vai ter desconto
o minuto é decisivo intão eu chuto pro gol
e um minuto de apresentação do disco já está pronto
depois de um minuto escutandu a minha voz,
com vocês,
memê, e nóis.

Xaxado Chiado

Eu botei o som na caixa e testei o microfone no capricho mas o som saiu chiado
Eu tentei fazer um xote, um chorinho ou um maxixe mas não sei quem foi que disse que o que eu fiz era xaxado
Ó xente, vixe! Um xaxado diferente, de repente tá chegando pra ficar
Resolvi dar uma chegada lá no Sul pra mostrar o meu xaxado porque achei que lá embaixo iam gostar
Chinelo, chapéu, xampu
Enchi minha mochila e parti pro Sul
Encaixei um toca-fitas no chevete e achei o meu cassete do Raúl
Na estrada eu nem parei na lanchonete porque eu tinha pouco cash e esperei até chegar
Em território gaúcho só pra rechear o bucho de chuleta na chapa na churrascada de lá

Ó xente, vixe! É o xaxado é o maxixe!
Não se avexe, chefe, chega nesse show só de chinfra
Ó xente, vixe! É o xaxado é o maxixe!
Não se avexe, se mexe, meu chefe, chama na xinxa!
Uai, sô! Que trem doido sô! Que som doido sô! Que troço doido é esse?
Uai, sô! Quem trem doido sô! Que som doido sô! Que trem bão!

Fui mostrar meu xaxado pra gauchada
Mas rachou o chassi e eu vendi o chevete
Cheguei no “buxixo” de charrete
E xavequei uma mulher que parecia uma chacrete
Vê um x-salsicha e uma chícara de chá
Aqui aceita cheque?
– Mas claro, tchê! Bah!
Tomei um chimarrão e a chacrete confundiu o sanduíche com chiclete mastigando sem parar
– Chegaí… quer ketchup?
Ela não gostou da expressão
Armou o maior chilique e chamou o leão-de-chácara que veio me chutando e me jogando no chão
Ô xará, eu não fiz nada demais!
Peraí, vâmo fumar um cachimbinho da paz
O Schwarzenegger não quis nem saber
E me torturou que nem o Pinochet!
Não era tiazinha mas me encheu de chicotada
E me deixou chorando com a cara inchada
Xi… o xerife já chegou rachando o bico
– Barranqueiro!
Calma chefia, eu explico…
Ele me fechou no xilindró, puxou a minha ficha
E achou que eu tinha chamado ele de bicha
Mas o gaúcho era macho
Parecia uma rocha e usava bombacha
– Aqui no Sul, o buraco é mais embaixo!
Eu não gosto de deboche e vou te encher de bolacha!

Refrão

Paguei minha fiança com a grana do chevete
E armei um cambalacho pra não ir a julgamento
Tentei fazer pechincha mas o cana me driblou feito Garrincha e me deixou sem argumento
Procurei um rasta-pé e fui parar na dança chula mas a festa tava cheia de mulher
As gaúcha pareciam com a Xuxa, pimba na gorducha, se der bola eu tô pé
Tinha uma gostosa de cabelo cacheado que eu fiquei apaixonado só de olhar
Ela de shortinho dava um show
E eu de cachecol sentindo um frio de rachar
Bicho, ela tinha um remelexo de fazer cair o queixo de qualquer cristão
E eu que não sou frouxo decidi dar um arrocho na cabroxa e chamei ela pro meio do salão
Pôxa, que coxa! Puxei ela com força, ela chiou, aí eu disse “não se avexe”
Relaxa, chinoca… relaxa… se mexe, se mexe, se mexe, se mexe, se mexe
Se mexe, se mexe, se mexe, se mexe, se mexe, se mexe, se mexe, gaúcha
Me empurra que eu te puxo, se eu te empurro cê me puxa
Se mexe, se mexe, se mexe, se mexe, se mexe, se mexe que o seu remelexo me deixou maluco, cheio de tesão
E quando eu disse isso eu não sei que bicho deu nessa gaúcha que ela me deu um chupão
E cochichou que queria aprender o meu xaxado e me ouvir falar chiado no colchão
Se fosse no chevete era chocante
Mas na falta do possante eu fui pra beira de um riacho
Senti um cheiro estranho mas o bicho foi pegando… Hum! Me machuquei no fecho ecler, que esculacho!
O cheiro era de peixe e eu achei que era do rio mas me deu um calafrio quando eu vi que era chulé
Broxei no mesmo instante porque o cheiro da mulher era broxante e eu nem sei se era do pé
Aí chegou o namorado da gaúcha, chupado, esquelético que nem um raio-x
Ó xente, vixe! Tá chapado de haxixe, diz que eu vou me arrepender do que eu fiz
– Você? Me bater? Só se for com o chifre! ‘se enxerga, xinxeiro magricela!
Mas o cara era faixa-preta, me acertou que nem boliche e me deixou com olho roxo e banguela
Eu só levei preju na viagem pro Sul
Agora eu vou pro estrangeiro pra tentar esquecer
Vou mostrar o meu xaxado viajando o mundo inteiro
E comprar outro chevete com o dinhiro do cachet

Ê, meu rei, que som massa, véio
Que som “loco”, mano, que som da hora esse
Ê, meu rei, que som massa, véio
Que som “loco” mano, que som dez

Tudo na Mente

Com a cabeça na parede eu já bati / encontrei o óvulo, é óbvio, estou aqui / a gente desde o ventre vem de um beco sem saída / mas saiu de lá com vida; eu saí / todo Clark Kent pode ser um super-homem / todo e qualquer homem pode ser um Clark Kent / tudo vai e volta feito um bumerangue / todo sangue bom pode virar um suga-sangue

Conheço gente que tem tudo na vida / conheço gente que não tem quase nada / conheço gente que tem pouco mas divide o que tem / conheço gente que tem muito e divide também / na minha vida eu vi que a grande verdade / é que toda verdade pode ser questionada / só duvido de quem chega como dono da verdade / porque essa é a mentira mais contada

Tá tudo na mente! Se é que você me entende
Tá tudo na mente! Quem sabe sabe, quem não sabe aprende
Tá tudo na mente! E o que tá nela ninguém tira da gente
Tá tudo na mente.

Já passei pelo sucesso e já passei pelo fracasso / passei pelo calor e pelo frio, passei pelo mormaço / passei por muita coisa, muita casa, muito gelo, muita brasa /fiz gol contra e fiz golaço / fui pedra, vidraça, fogo, fumaça / passei pelo palanque, passei pela mordaça / passei pelo milagre e pela dor / pela ovelha desgarrada do rebanho e liberta do pastor / pela cama, pela mesa e pelo banho / pelos rituais estranhos do sexo e do amor / pela perda e pelo ganho já passei / pelo crime e pela lei / pelo inferno e pelo céu, como reú e como rei! / pelas minas onde brota o diamante e pelas minas que te explodem num instante, já passei / passei pela guerrilha e pela trégua / muita trilha, muita tralha, muita milha, muita légua / muita língua, muita lábia e muita malícia / já passei pelo boato e já passei pela notícia

Refrão

Mas não vai ter fruto sem folha (não tem) / e nem vai ter folha sem caule (não tem) / e nem vai ter caule se não tiver raiz (não tem) / não plantou não vai colher… / se não plantou não vai brotar (não tem) / se não brotou não tem raiz (não tem) / não tem raiz não vai ter caule, não tem caule não tem folha, não tem folha não tem fruto, não tem! / os frutos que eu desfruto eu que plantei / gosto do que eu faço e faço isso porque eu gosto e sei / a minha lei é um pouco diferente / obedeço a minha consciência e ela é desobediente / a minha moda sempre muda, sou eu que dito / não me incomodo se a manada não achar bonito / a minha fé nunca removeu montanhas / mas me fez passar por cima de milhões de situações estranhas / a minha casa tem vários endereços / eu vou batendo as asas e me sinto em casa onde eu desço / a minha rota é feito a do morcego / guiado pelo som, é assim que aonde eu quero eu chego.

Tá tudo na mente

Tudo Certo

Posso? (Pode, tá bom)
Demorou
Ah

Quero que a sorte me ajude
Nas batalhas que eu travo
Mas do berço ao ataúde
Vou manter minha atitude
Não importa a latitude ou longitude
Povo que não tem virtude
Acaba por ser escravo

Nem centavo, nem milhão
Nem o dobro, nem metade
Nem a prata, nem o ouro
Nem o Euro, nem o Dólar
Nem fortuna, nem esmola
Nada do que eu conheço paga o preço de viver sem liberdade
Felicidade não é coisa do outro mundo
E eu não sou um vagabundo, mas sei vagabundear
Trabalho duro, penso no futuro
Mas o presente eu vou desembrulhar

É como disse a Berenice
Falou e disse
Vamo parar de meninice
Falou e disse
Eu nunca fujo do perigo
Falou comigo?
Amiga chama as amigas que eu vou chegar com os amigos

Confie em mim que no fim dá
Tudo certo
Avisa pras amigas que tá
Tudo certo
Eu chego com os amigos e tá
Tudo certo
Se ainda não deu certo é porque ainda não chegou no fim

E no fim dá
Tudo certo
Avisa pras amigas que tá
Tudo certo
Eu chego com os amigos e tá tudo (certo)

Ae, churrascada lá em casa
Traz a carne pro espeto
Traz o gelo pra gelada
Traz o verde pra salada
É sempre um bom motivo pra juntar a rapaziada

O chimarrão na praia ou no rincão
Representa a tradição que passa de mão em mão
Da mão que passa pra boca
Da boca pra outra mão
Que passa pra outra boca com sorriso de satisfação
Abre a roda do chima, deixa eu chegar
Deixe que murcha a bomba até a cuia roncar
Damas primeiro, mas vai devagar
Cuidado que é pra não se queimar

É como disse a Berenice
Falou e disse
Vamo parar de meninice
Falou e disse
Eu nunca fujo do perigo
Falou comigo?
Amiga chama as amigas que eu vou chegar com os amigos
Tô chegando

Confie em mim que no fim dá
Tudo certo
Avisa pras amigas que tá
Tudo certo
Eu chego com os amigos e tá
Tudo certo
Se ainda não deu certo é porque ainda não chegou no fim

E no fim dá
Tudo certo
Avisa pras amigas que tá
Tudo certo
Eu chego com os amigos e tá tudo (certo)

Gosto do que é bom e o que é bom não enjoa
Curto a minha vida que ela é curta mas boa
Não tem carne eu como peixe
Não tem mate eu bebo água
Não tem festa, a gente faz a festa de duas pessoas
Eu e você, você e eu, chega mais perto
Por que cê ta tão longe
Não esconde esse sorriso assim
Confie em mim
Que no fim dá tudo certo
Se ainda não deu certo é porque ainda não chegou no fim

Me dá um pouco da boca
Me dá um naco da nuca
Não se preocupe eu não to louco, nem você maluca
Agora é tarde pra tremer de medo
E ainda é cedo pra morrer de culpa
É Como disse a Berenice
Falou e disse
Vamo parar de meninice
Falou e disse
Eu nunca fujo do perigo
Falou comigo?
Amiga chama as amigas que eu vou chegar com os amigos
Chega aí

Confie em mim que no fim dá
Tudo certo
Avisa pras amigas que tá
Tudo certo
Eu chego com os amigos e tá
Tudo certo
Se ainda não deu certo é porque ainda não chegou no fim

E no fim dá
Tudo certo
Avisa pras amigas que tá
Tudo certo
Eu chego com os amigos e tá tudo (certo)
(Tudo certo)

“Churrasco, bom chimarrão
Fandango, trago e mulher
É disto que o velho gosta
É isto que o velho quer”

“Churrasco, bom chimarrão
Fandango, trago e mulher
É disto que o velho gosta
É isso que o velho quer”…

Confie em mim que no fim dá
Tudo certo
Avisa pras amigas que tá
Tudo certo
Eu chego com os amigos e tá
Tudo certo
Se ainda não deu certo é porque ainda não chegou no fim

E no fim dá
Tudo certo
Avisa pras amigas que tá
Tudo certo
Eu chego com os amigos e tá tudo (certíssimo)

Todo Mundo É Igual (Mas Eu Não)

Todo mundo esconde o sentimento
Todo mundo esquece o coração
Todo mundo sente o sofrimento
Todo mundo sente a solidão

Todo mundo se sente por dentro
Feito um inocente na prisão

Você também, vai ser
Mas eu não vou ser assim não!
Você também, você mas eu não vou
Ser você também, vou ser sim
Mas eu não vou ser, não!

Todo mundo é igual, mas eu não!

Todo mundo esconde o pensamento
Todo mundo na competição
Todo mundo luta contra o tempo
Todo mundo pede explicação

Todo mundo teve um nascimento
Todo mundo acaba num caixão

Tô Contigo e Não Abro

Você tem coragem de dizer “eu não confio em você” prum amigo?
Não?
Então você tá numa má posição
Eu tenho amigos que chamo de amigos só por educação
Mas se eles perguntam se eu confio neles eu digo
Não
Porque são meus conhecidos que nunca fizeram nada de mal comigo
Mas se fizerem não há perigo
D’eu me sentir traído
Pois nunca confiei e o tempo voa e agora eu sei que confiança não se gasta a esmo
Desde criança aprendi a confiar em mim mesmo porque eu sou meu amigo como poucos outros são
Aceito meus defeitos com a calma e a compreensão
Que um amigo de verdade deve sempre demonstrar
Defendendo a amizade em qualquer lugar
Custe o que custar, pois como diz o Milton Nascimento
Amigo é coisa pra se guardar (dentro) do lado esquerdo do peito
Ajeito então alguns aqui no coração
Não são muitos mas pra não ter confusão
Eu vou chamar de irmãos todos aqueles
Amigos verdadeiros que confiam em mim e eu confio neles
Nada é mais repugnante do que a falsidade
Por causa de olho grande já perdi uma grande amizade
Foi à toa me desliguei da pessoa
Hoje nos vemos mas não temos aquela coisa boa
De união feito “Janjão e Pequeno”
Com o tempo já perdemos
Sem razão
Eu lamento
Mas eu era criança e não raciocinava assim (dessa maneira)
Vivendo e aprendendo nunca mais eu vou perder um amigo assim (de bobeira)
Tem gente que cria fofoca e intriga e instiga a briga
Quando vê dois amigos duas amigas ou um amigo e uma amiga
Se dando bem
Mas não vem que não tem, mané
Não perco uma amizade por nada nem por mulher
Nem por dinheiro porque isso não tem preço que pague
“Amigos amigos, negócios à parte”(Tá me devendo hein cumpádi)
Desgraçado é o coitado que não tem amigos porque é metido ou mesquinho
(é impossível ser feliz sozinho)
Abre o caminho!
No sapatinho
(ôe bichinho!!)
Tem mais um pássaro no ninho
Amizade é igual cachaça
É o que tem de mais forte
O tempo passa passa passa mas ela dura até que a morte nos separe
Quando ela é pura ela é eterna
Por ela eu cravo unhas e dentes
Por ela eu travo uma guerra

O melhor amigo do homem num é o cão!!
Mas eu te ataco feito um pit-bull se mexer com meu irmão!!
Tô contigo e não abro!!
Fecho! Fecha o tempo! Fecho a mão!
Um passo em falso é o seu nocaute!
Eu viro Tyson! Vai pro chão!

Você “meu amigo de fé” meu “irmão camarada”
Por você eu troco tiro ou então entro na porrada!
E se for furada
Se algo acontecer comigo
Fica calmo não tem nada foi por um amigo um bom motivo
Eu luto eu brigo
Eu faço o que puder
Amigo saiba eu tô contigo “pro que der e vier”
Um por todos e todos por um esse é meu lema
Tô contigo e não abro!!
Vamos enfrentar qualquer problema juntos
Pois pra mim a amizade é isso
É estar juntos por prazer e não por compromisso
Os amigos são o que temos de máximo valor
Nos acompanham na tristeza felicidade alegria ou dor
Amor é sinônimo de amizade
Eu passo mal ao menor sinal de falsidade
É a mentira é a pior coisa que existe
(Foi mal pô, não minto mais)… Não insiste (desiste!)
Vacilou comigo é só uma vez
Eu não gosto de vacilo e não vou virar freguês de vacilação
Isso não! Pra mim amigo é irmão
Pode não ser de sangue mas é de coração
Que maravilha
É como uma família (é sim)
Nossa amizade é sólida como a muralha da China (não é Berlim)
Não vamos brigar por migalhas nem por meninas
Por que vagina também tem várias em qualquer esquina
Esse é o clima tá tudo em cima (tá tudo certo)
Se é gente fina chega mais (e se num for?) nem chega perto
Eu tô em paz com meus irmãos rapá
Num vem se intrometer
Senão o bicho vai pegar pra cima de você

Refrão

Somente com meus amigos me sinto completo
Meus amigos são pra mim como as asas prum inseto
Que voa
Um mosquito ou um besouro!
Em minha vida eles são o maior tesouro
Eu fico louco como um touro
Em plena arena
Se mexer com meus irmãos
É melhor não (Não vale a pena)
Não cutuque a onça com vara curta
Pois meus amigos são responsa e com eles vou à luta
Não mexa em casa de marimbondo nem em colméia de abelha
É só não mexer com a gente que a gente não te pentelha
Estamos bem não queremos brigas com ninguém
Entre nós tá tudo em casa já basta as que a gente tem (tem?)
Tem. Tem amigos que tão sempre discutindo mas depois já tão sorrindo
Tudo calmo tudo lindo
Tenho aqui um exemplo disso
A pessoa com quem eu mais discuto e xingo (Qualé mané)
Meu irmão nos dois sentidos
Meu melhor e mais antigo amigo
Tá comigo desde que tá vivo (positivo)
Unidos feito “Fred e Barney!!”
Unha e carne
Um só
Gabriel O Pensador e Tiago Mocotó

Refrão

Tempestade

Não tenho tempo a perder
a vida é muito curta pra fazer todas as coisas que eu quero fazer
pra viver tudo que eu quero viver, pra dizer tudo que eu quero dizer
pra ver tudo que eu quero ver
pra entender algúma coisa do que vale a pena, só do que vale a pena
e aprender a esquecer tudo o que faz a minha alma se sentir pequena
quem me envenena de um jeito traiçoeiro
esquece que o feitiço às vezes vira contra o feitiçeiro
mas tô ligeiro, um dia é do caçador, outro da caça
nada nessa vida a gente ganha de graça
eu fui na raça e no peito e vim no peito e na raça
passei na tempestade e vi que a tempestade passa
tá na correria? Vai nessa
mas onde você vai com tanta pressa?
tem armadilha na trilha, tem armadilha na trilha
tem armadilha na trilha, tem armadilha
Passei por toda tempestade e sei que toda tempestade passa
agora faz calor, depois também faz frio
a vida é feito um mar e eu vou que nem um rio
correndo sem parar, sei que vou chegar
sei que vou chegar, apesar dos meus desvios
sei que vou chegar e que eu não me extravio
sei que vou chegar e que eu não vou vazio
quando a bomba estourar eu quero ‘tar sorridente
quero ‘tar limpando os dentes com um pedaço do pavio
sem perder a perseverança
sem perder o equlíbrio na balança
sem perder a humildade na bonança
que depois da bonança vem tempestade, cumpádi

depois da bonança vem tempestade, cumpádi
depois da bonança vem tempestade
depois da tempestade vem bonança também
atividade enquanto o lobo não vem
tem armadilha na trilha, tem armadilha na trilha
tem armadilha na trilha, tem armadilha
passei por toda tempestade e sei que toda tempestade passa

Nada, nada, respira direito
respira, respira, o ar ficou rarefeito
se a canoa tá virada não tem outro jeito
vai no peito e na raça, vai na raça e no peito

Nada como um nado estilo livre nesse mar
nado de peito que é desse jeito que eu curto nadar
nadar da pedra pra praia, da praia pra pedra, do canto pro meio, do meio pro canto, do raso pro fundo
do fundo do peito, de dentro da onda pra fora da linha da arrebentação da ressaca do mundo
alguns segundos só na apnéia
sem respiração, só pra abrir o pulmão e as idéias
só pra sentir saudade do oxigênio
e respirar de novo e me lembrar de que isso é um prêmio
só pra cuspir com força o gás carbônico
como se eu vomitasse os meus problemas mais recentes e os crônicos
como se eu decolasse naquela asa delta que levou o nosso amigo de repente
e pudesse pousar tranquilamente, talvez no pára-pente, talvez no pára-quedas sobressalente
sorridente como sempre lá no alto, sempre pronto pra dar mais um salto
o nosso encontro tá marcado aí no céu
a gente perde a linha mas não perde o carretel
Não tenho tempo a perder
a vida é muito curta pra fazer todas as coisas que eu quero fazer

Quem tem boca vai a Roma, quem tem barco vai a remo
quem tem burka vai a Meca, quem tem beca vai a festa e parte logo pro ataque
quem tem beque se defende, quem tem craque surpreende com uma jogada de …
estufa a rede, faz um golaço
o lançe é ocupar os espaços
sem perder a perseverança
que depois da tempestade vem bonança

depois da bonança vem tempestade, cumpádi
depois da bonança vem tempestade
depois da tempestade vem bonança também
atividade enquanto o lobo não vem
tem armadilha na trilha, tem armadilha na trilha
tem armadilha na trilha, tem armadilha
passei por toda tempestade e sei que toda tempestade passa

Tem Alguém Aí?

Zero, Um, Dois, Três, Quatro!

Antes era só alegria, o mundo não mordia.
A vida era doce, nem ardia!
Mas aí um dia, ou quem sabe dois ou três, eu… só queria superar a tímidez…

Eu queria fazer parte de alguma coisa.
Se crescer já é difícil, crescer sozinho é mais.
A gente tem que dar um jeito de gostar de alguma coisa.
A gente tem que dar um jeito… de ficar satisfeito!
Mas o tempo passa, e se a vida é sem graça, a gente disfarça,na mesa do jantar.
Pra depois tentar desabafar numa conversa, mas ninguém se interessa, na mesa do bar!

Ninguém tá escutando o que eu quero dizer!
Ninguém tá me dizendo o que eu quero escutar!
Ninguém tá explicando o que eu quero entender! (X2)
Ninguém tá entendendo o que eu quero explicar!

Conversa vazia, cabeça vazia de prazer, cheia de dúvida e de vontade de fazer qualquer loucura que pareça aventura.
Qualquer experiência que altere o estado de consciência.
E que te dê a sensação de que você não tá perdido.
Que alguém te dá ouvidos. Que a vida faz sentido!
Chega! Não, eu quero mais!
Bebe, fuma, cheira, tanto faz.
Droga é aquela substância responsável por tornar a sua vida aparentemente mais suportável.
Confortável ilusão: parece liberdade e na verdade é uma prisão.

Refrão(X2)

Ninguém prepara o jovem, nem os pais nem a TV, pra botar o pé na estrada e não se perder.
Ninguém prepara o jovem pra saber o que fazer quando bater na porta e ninguém atender.
Ninguém me dá a chave pra abrir a porta certa, mas a porta errada eu encontro sempre aberta!
Entrar numa roubada é mais fácil que sair.
Tem alguém aí? (…)

Tem alguém aí ou saiu pra viajar?
Tem alguém aí ou saiu pra passear?
Você tá viajando?
Quando é que você volta?
Onde você quer chegar?

Refrão (X2)

Eu sei que depende, mas se você depende da droga ela é a falsa rebeldia que te ajuda se enganar – a mentira que vicia – porque parece bem melhor do que a verdade do outro dia.
Falsa fantasia é a droga, que parece mais real do que esse mundo de hipocrisia que te afoga!
A droga é só mais uma ferramenta do sistema, que te envenena e te condena.
Overdose de veneno só te deixa pequeno!
Muito álcool, muito crack, muita coca!
A vida de sufoca!
E vai batendo a onda a onda bate a onda soca!
A onda bate forte!
Apressando a morte feito um trem.
Você sabe que ele vem, mas se amarra bem no trilho, suicida!
A doença tem cura pra quem procura.
Pra quem sabe olhar pra trás nenhuma rua é sem saída.

Refrão (X4)

Supertrabalhador

Quem trabalha e mata fome não come o pão de ninguém
Mas quem come e não trabalha tá comendo o pão de alguém
Quem trabalha e mata a fome não come o pão de ninguém
Mas quem come e não trabalha tá comendo o pão de alguém
É pra ganhar o pão tem que trabalhar Missão para os heróis que estão dentro do seu lar
O seu pai, sua mãe, são trabalhadores
São os super-heróis, verdadeiros protetores
A superjornalista, o superdoutor
O supermotorista, o supertrocador
O superguitarrista, o superprodutor
E a superprofessora, é que me ensinou
E o supercarteiro, quê que faz, quê que faz?
Manda carta e manda conta pra mamãe e pro papai
E o supergari, o lixeiro, o quê que faz?
Bota o lixo no lixo que aqui tem lixo demais
Cada um faz o que sabe, cada uma sabe o que faz
Ninguém menos ninguém mais, todo mundo corre atrás
E volta pra casa com saudade do filho
Enfrentando o desafio, desviando do gatilho
Mais uma jornada, adivinha quem chegou?
São as aventuras do supertrabalhador

Sou o supertrabalhador
Alimento minha família com orgulho e amor
Supertrabalhador
São as aventuras do supertrabalhador
Sou o Supertrabalhador
Enfrento os desafios, o perigo que for
Supertrabalhador
São as aventuras do Supertrabalhador
Demorou

Quem trabalha e mata fome não come o pão de ninguém
Mas quem come e não trabalha tá comendo o pão de alguém
Quem trabalha e mata a fome não come o pão de ninguém

E pra fazer o pão tem que colher o grão
Separar o joio do trigo na plantação
O superlavrador falou com o agricultor,
Que sabe que precisa também do motorista do trator
na cidade, o engenheiro precisa di pedreiro
Mas pra fazer o prédio tem que desenhar primeiro
O sonho do arquiteto, bonito no projeto, virando concreto
Vai virando o concreto!

Eu sou o supertrabalhador
Alimento minha família com orgulho e amor
Supertrabalhador
São as aventuras do supertrabalhador
Sou o Supertrabalhador
Enfrento os desafios, o perigo que for
Supertrabalhador
São as aventuras do Supertrabalhador
Demorou

Quero ser trabalhador, quem não é um dia quis
Minha mãe sempre falou:”Quem trabalha é mais feliz”
Mas tem que suar pra ganhar o pão
E ainda tem que enfrentar o leão
O leão quer morder nosso pão
Cuidado com o leão, que ele come o nosso pão
O leão quer morder nosso pão
Cuidado com o leão, não dá mole não

Eu sou o supertrabalhador
Alimento minha família com orgulho e amor
Supertrabalhador
São as aventuras do supertrabalhador
Sou o Supertrabalhador
Enfrento os desafios, o perigo que for
Supertrabalhador
São as aventuras do Supertrabalhador
Demorou

Supertrabalhador
Taxista, motoboy, assistente, diretor
Supertrabalhador
Pipoqueiro, pedagogo, poteiro, pesqisador
Supertrabalhador
Ambulante, feirante, astronauta, ilustrador
Supertrabalhador
Comandante, comissário, caixa, vendedor
Supertrabalhador
Cozinheiro, garçon, bibliotecário, escritor
Supertrabalhador
Maquinista, sambista, surfista, historiador
Supertrabalhador
Marceneiro, carpinteiro, ferreiro, minerador
Supertrabalhador
Telefonista, salva-vidas, bombeiro, mergulhador
Supertrabalhador
Pára-quedista, arqueólogo, filósofo, pintor
Supertrabalhador
Sapateiro, boiadeiro, farmaucêtico, cantor
Súper

Sou Carioca, Sou do Rio de Janeiro (c/ Martinho da Vila)

Tô contrito
Concentrado
Tô pensando
Pensando em quê?
No Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, de janeiro, de janeiro
Sou carioca, sou do Rio de Janeiro
E o nosso Rio não é só Março e Fevereiro
Tem pagode o ano inteiro
Alô bloco do pagodão
Alô Cacique de Ramos
Galera do Terreirão
Martinho, e sambanejo é samba?
É Gabriel, é parente (há controvérsias)
Mas não é igual, alô Fundo de Quintal
Poucos conservam o samba tradicional
É raiz é musica original
É Rio de Janeiro, é mundo inteiro, é Brasil
Mas vem uns pela saco me falar que o samba bom sumiu
Caiu, caiu primeiro de Abril…
Maio, Junho, Julho, Agosto
Setembro – Salve as crianças
Outubro – Tá esquentando
Novembro – tá quente
Dezembro – é verão
Janeiro – quarenta graus
Fevereiro – é carnaval
E salve a Banda de Ipanema!
E o Cordão do Bola Preta
É carnaval…
Depois vem quarta-feira de cinzas, que legal
Ah… Legal?
(Mas a quaresma lá no morro é colorida)
Sim Gabriel. Resultado dos desfiles…
Mais o que?, abertura dos envelopes, (dez, nota dez), broncas, comemorações…
Tem mais?
Chope de graça nas quadras dos campeões
E sexta-feira?
Tem o Baile das Cremações
É o Baile do Diabo
Em plena Quaresma
Que pecado…
Pecado nada
Deus perdoa
Deus perdoa porque Deus é carioca
É carioca, é carioca, é carioca
Jesus Cristo é carioca…
Ih! Me lembrei da Candelária
(E o Vigário) Geral… Oh Jesus!
Cristo Redentor
Braços abertos…
Jesus Cristo é carioca xará
Será?
Ih!… agora me confundiu
Aqui tem chacina
(é o bicho, é o bicho…)
Linchamento, seqüestro, arrastão…
É, tem pivete, pedinte, contrabandista, traficante
Polícia, ladrão, rua esburacada… Falta saneamento
Falta condução, falta condição geral, falta educação, saúde
Pão e segurança pros adultos, pras crianças
Essa cidade é o caos
Quem fala aumenta…
Aumenta mas não mente
O carioca vive perigosamente…
Calma, calma, calma
E também não é só aqui…
Falou legal xará!
Pelo menos por aqui (?) quando tudo se acalma
Rola uma lourinha espumante
Refrigerante
Chopinho é coisa nossa
Caipirinha é coisa nossa
Angu à baiana, feijoada…
E o mocotó? (que coisa!)
Filé com fritas…
Rabada com agrião
Mulher boa é aqui
Ah!… Peraí, peraí
Mulher boa dá em qualquer lugar…
E o cara… aí
Espada!

Mas todas acabam vindo pra cá,
Gabriel (Melhor)
Se cariocar (pode chegar)
Pegar molejo, cadência no andar, é beleza…
E mulher feia?
Não existe mulher feia gente boa
Mulher é que nem lua
(Diz aí)
Se gordinha, se cheinha, se minguante, se crescente
Se é nova, bem magrinha
Sempre tem algo atraente…
Falou tudo…
Mulher brasileira, cidadã brasileira
E mulher burra?
Ih… Não me fale em mulher burra
Não importa se é gostosa, não importa se é bonita
Se é lourinha, se é morena, se é pretinha
Gente burra me irrita
Aí, me irritei, tchau
Eu também, tchau
(Fui… vou nessa, vou nessa…)
Peraí Martinho, vai lá pra onde?
Eu vou… pra Vila Isabel
Ih, eu nasci lá…
Oba, Oba (Quem nasce lá na Vila…)
Então vem com a gente, xará
Que vamos descolar umas mulheres inteligentes…
Ah!… aí derepentemente tá voltando até o bom humor…
É e a gente vai conversando sobre a nossa cidade…
Sou carioca, sou do Rio de Janeiro
Do Rio de Janeiro, de Janeiro, de Janeiro…
Tô contrito
Concentrado
Tô pensando

Sorria

Não coma de boca aberta,
Não fale de boca cheia;
Não beba de barriga vazia
Não fale da vida alheia,
Não julgue sem ter certeza e
Não apoie os cotovelos sobre a mesa
Não pare no acostamento,
Não passe pela direita,
Não passe embaixo de escada que dá azar
Não cuspa no chão da rua,
Não cuspa pro alto,
Não deixe de dar descarga depois de usar
Não use o nome de Deus em vão
Não use o nome de Deus em vão,irmão
Não use o nome de Deus em vão
Não use remédios sem orientação

SORRIA! Você tá sendo filmado
SORRIA! Você tá sendo observado
SORRIA! Você tá sendo controlado
‘Cê tá sendo filmado! ‘cê tá sendo filmado!

Não coma de boca aberta, não fale de boca cheia,
Não toque nos produtos se não for comprar
Não pise na grama, não faça xixi na cama;
Não ame quem não te ama [não ame quem não te ama!]
Não chame os elevadores em caso de incêndio
Não entre no elevador sem antes verificar
Se o mesmo encontra-se neste andar
Não chupe balas oferecidas por estranhos
Não recuse um convite sem dizer obrigado
Não diga palavras chulas na frente dos seus avós
Não fale com o motorista; apenas o necessário
Não se deixe levar pelos instintos carnais
Não desobedeça seus pais
Não dê esmola aos mendigos,
Não dê comida aos animais
Não dê comida aos animais,
Não dê esmola aos mendigos
Não coma de boca aberta,
Não fale de boca cheia,
Não dê na primeira noite,
Não coma a mulher do amigo.

Refrão

Não use o nome de Deus em vão
Não use o nome de Deus em vão, irmão
Não use o nome de Deus em vão
Não use remédios sem orientação

Não se deixe levar!
Não se deixe levar!
Não se deixe levar!
Não se deixe levar! (2x)

Coma de boca aberta, coma de boca fechada
Coma nos elevadores
Em caso de incêndio coma nas escadas
Coma no chão da rua, coma na grama, coma na cama
Ame quem não te ama,
Não recuse balas oferecidas por estranhos
Não dê esmola aos mendigos sem dizer obrigado
Não chupe os animais,
Não desobedeça aos seus instintos carnais
Não dê na primeira noite na frente dos seus avós
Não use o nome de Deus se não for comprar
Não coma a mulher do amigo sem antes verificar
Se o mesmo encontra-se neste andar.

Sem Saúde

Pelo amor de Deus alguém me ajude!
Eu já paguei o meu plano de saúde
mas agora ninguém quer me aceitar
E eu tô com dô, dotô, num sei no que vai dá!
Emergência! Eu tô passando mal
Vô morrer aqui na porta do hospital
Era mais fácil eu ter ido
direto pro Instituto Médico Legal
Porque isso aqui tá deprimente, doutor
Essa fila tá um caso sério
Já tem doente desistindo de ser atendido
e pedindo carona pro cemitério
E aí, doutor? Vê se dá um jeito!
Se é pra nós morrê nós qué morrê direito
Me arranja aí um leito que eu num peço mas nada
Mas eu num sou cachoro pra morrer na calçada
Eu tô cansado de bancar o otário
Eu exijo pelo menos um veterinário

Me cansei de lero lero
Dá licença mas eu vou sair do sério
Quero mais saúde
Me cansei de escutar…

“Doutor, por favor, olha o meu neném!
Olha doutor, ele num tá passando bem!
Fala, doutor! O que é que ele tem!?”
– A consulta custa cem.
“Ai, meu Deus, eu tô sem dinheiro”
– Eu também! Eu estudei a vida inteira pra ser doutor
Mas ganho menos que um camelô
Na minha mesa é só arroz e feijão
Só vejo carne na mesa de operação
Então eu fico 24 horas de plantão
pra aumentar o ganha pão
Uma vez, depois de um mês sem dormir,
fui fazer uma cirurgia
E só depois que eu enfiei o bisturi
eu percebi que eu esqueci da anestesia
O paciente tinha pedra nos rins
E agora tá em coma profundo
A família botou a culpa em mim
E eu fiquei com aquela cara de bunda
Mas esse caso não vai dar em nada
Porque a arma do crime nunca foi encontrada
O bisturi eu escondi muito bem:
Esqueci na barriga de alguém

Me cansei de lero lero
Dá licença mas eu vou sair do sério
Quero mais saúde
Me cansei de escutar…

Socorro! Enfermeira! Urgente!
Tem uma grávida parindo aqui na frente!
…Ninguém me deu ouvidos
E eu dei um nó no umbigo do recém-nacido
Mas o berçario tá cheio então eu fico
com o bebê no meu colo aqui no meio da rua
E lá dentro o doutor tá botando o paciente no colo:
– “Por favor, fique nua!”
“Quê isso doutor?! Tem certeza?”
– “Confie em mim. É terapia chinesa. Tira a roupa!”
“Mas é só dor de dente”
– “Então abre a boca! (Ahhh) Beleza!”
“Ai, doutor, tá doendo!”
– “É isso mesmo, o que arde cura”
“Não! Pára! Não! Pára doutor! Não pára, doutor! Ai… Que loucura!!!)
– “Pronto, passou, tudo bem.
Volta na semana que vem!”
Ela vai voltar pra procurar o doutor
Essa vai voltar, pode escrever!
Mas só daqui a nove meses,
com um filho da consulta na barriga querendo nascer

Me cansei de lero lero
Dá licença mas eu vou sair do sério
Quero mais saúde
Me cansei de escutar…

Que calamidade!
Dos bebês que nascem virados pra lua
e conseguem um lugar na maternidade
A infecção hospitalar mata mais da metade
E os que sobrevivem e não são sequestrados
devem ser tratados com todo o cuidado
Porque se os pais não tem dinheiro pra pagar hospital
uma simples diarreia pode ser fatal
– “Come tudo, meu filho, pra ficar bem forte”
“Ah, mãe! Num aguento mais farinha!”
– “Mas o quê que tu quer? Se eu num tenho nem talher?”
“Pô, faz um prato diferente, maínha!”
– “Eu ia fazer a tal da ‘autopsia’
mas eu não tenho faca de cozinha!!”
Tá muito sinistro! Alô, prefeito, governador, presidente, ministro, traficante, Jesus Cristo, sei lá…
Alguma autoridade tem que se manifestar!
Assim num dá! Onde é que eu vou parar?
Numa clínica pra idosos? Ou debaixo do chão?
E se eu ficar doente? Quem vem me buscar?
A ambulância ou o rabecão?
Eu Tô sem segurança, sem transporte, sem trabalho, sem lazer
Eu num tenho educação, mas saúde eu quero ter
Já paguei minha promessa, não sei o que fazer!
Já paguei os meus impostos, não sei pra quê?
Eles sempre dão a mesma desculpa esfarrapada:
“A saúde pública está sem verba”
E eu num tenho condições de correr pra privada
Eu já tô na merda.

Sem Parar

A vida é feito andar de bicicleta: se parar você cai.
Vai em frente sem parar, que a parada é suicida, porque a vida é muito curta e a estrada é comprida.
Você sobe e você desce na escada da vida e às vezes parece que a batalha tá perdida e que você voltou pro ponto de partida.
Vai à luta, levanta, revida!
Vai em frente, não se rende, não se prende nesse medo de errar, que é errando que se aprende que o caminho até parece complicado e às vezes tão difícil que você se surpreende quando sente de repente que era tudo muito simples – vai em frente que você entende.
Boa sorte, firme e forte, vai com a força da mente.
Vai sabendo que não há nenhum peso que você não agüente.
Vai na marra, vai na garra, vai em frente.
E se agarra no seu sonho com unhas e dentes.
Pra saber o que é possível é preciso que se tente conseguir o impossível, então tente!
Sempre alimente a esperança de vencer.
Só duvide de quem duvida de você.

Sem parar, sem parar, se parar você cai!
Demorou, demorou! Pedala aí!
Então não pára o movimento, vai em frente, vai!
Sem parar, sem parar, se parar você cai!
Demorou, demorou! Pedala aí!
Não repara no mau tempo que o sol já sai.
Vai em frente, sem parar que se parar você cai!
Vai em frente, enfrente, enfrenta, vai!

Vai agora, não chora.
Ignora a energia negativa lá fora, porque dentro de você existe um poder bem maior do que você pensa.
Vai atrás da recompensa e se houver inveja e se ouvir ofensa você responde com a força do perdão.
E aumenta sua crença cada que vez ouvir um não, porque todo não esconde um sim.
Ainda é só o começo, vá até o fim.
Aprenda nos tropeços, não olhe pro chão.
Olhe pro céu.
Olhe pra vida sempre de cabeça erguida que no fim do túnel tem uma saída, mesmo quando você não consegue ver a luz.
Feche os olhos que uma força te conduz.
Vai em frente, vai seguro, faz um furo nesse muro que o escuro se esclarece.
Vai em frente, simplesmente vai em frente que o futuro é um presente que a vida te oferece.

Sem parar, sem parar, se parar você cai!
Demorou, demorou! Pedala aí!
Então não pára o movimento, vai em frente, vai!

É na dor que o recém-nascido aprende a chorar.
Pra encontrar a cura você tem que procurar.
É no choro que o recém-nascido aprende a respirar.
Então respira fundo que a vitória tá no ar.
Vai indo, vai na tua, vai você.
Vai nessa, vai na boa, vai vencer.
Acredite no bem, que fazer o bem faz bem.
Faça o bem que faz acontecer.
Vai na fé, vai a pé, vai do jeito que der.
Vai até onde puder, vai atrás do que tu quer.
Vai andando, vai seguindo, vai pensando, vai sentindo, vai amando, vai sorrindo, vai cantando, vai curtindo, vai plantando e vai colhendo, vai lutando pela paz – vai dançando no ritmo que o tempo faz.
Vai de peito aberto.
Vai dar certo.
Confiante que o distante num instante fica perto.
Fica esperto, vai! Com a força de vontade.
Vai à vera, não espera a oportunidade.
Não aceita humilhação mas não perde a humildade.
E nunca abra a mão da sua dignidade.

Sem parar, sem parar, se parar você cai!
Demorou, demorou! Pedala aí!
Então não pára o movimento, vai em frente, vai!
Se parar você cai, se cair cê levanta.

Sem Neurose

E aí meu cumpádi, tranquilidade?
Vim matar minha saudade da comunidade
Esse é o motivo da visita, então se liga nessa fita
Não é seu aniversário mas eu vim te desejar felicidades
E aí? como é que vão as coisas?
Me conta as novidades, começando pelas boas
É, o tempo voa, eu sei, é sempre assim
Começa pelas boas que já soube há muito tempo das ruins
Vira essa boca pra lá, o show não pode parar
O mundo tá pirando, mas desde quando é crime pirar?
Deixa o mundo girar, bota a bola no chão, deixa a bola rolar
Deixa o bong passar que eu não sei pra onde ele vai nem de onde vem
Não tem problema não, que tem problema tem, mas também tem solução
Me mandaram andar na linha mas eu vi que vinha o trem na contramão.

Sem neurose, sem grilo, na tranquilidade, tranquilo
Demorou, cumpadi, tranquilo, sempre sem perder o estilo
Sem neurose, sem grilo, na tranquilidade, tranquilo
Na tranquilidade, tranquilo, na tranquilidade, tranquí, tranquilo

Foi por engano que eu entrei nesse planeta
Cê pode achar que é brincadeira minha mas não é
Minha mãe e meu pai esqueceram a camisinha
Num passeio de fusquinha na praia de jaconé
É, fui na fé, fecundei, virei um embrião
E fiquei lá de patrão, no aconchego
Carregado com cuidado e alimentado só por um cordão
Mas de repente acabou meu sossego
Cordão umbilical é feito a corda do ditado: arrebenta no lado mais fraco
Eu vim do saco do meu pai, pro útero da mãe
Mas quando eu vim pra fora deu vontade de voltar pro saco
Um monte de maluco me empurrando e me puxando, minha mãe gritando…
É, malandro, o parto foi um parto
Alguém me deu um tapa, e eu não consegui chorar
Tinha muito médico no quarto
Cê pode achar ridículo mas eu não consegui nem respirar
Fui posto num cubículo e fiquei por lá
Sobrevivi ao parto prematuro
E os médicos diziam que eu não teria futuro
Futuro ninguém tem mas já faz tempo que eu tô nessa
E ainda não entendi por que é que eu tive tanta pressa
Mas hoje eu tô num ritmo tranquilo
Criança não se estressa mamando no mamilo.

Sei Lá

Sei lá, tanta coisa eu tenho aqui pra te dizer…
Tanta coisa eu tenho em mim pra falar pra você.
Tanta coisa eu tinha mas não tenho mais, tanta coisa que ficou pra trás, mas agora vai.
Agora vai ficar meio ridículo, como todas as cartas de amor, que eu nunca te escrevi.
Agora, se você tivesse aqui, se você quisesse ouvir, agora, se você pudesse me seguir, eu ia te levar pra conhecer todo aquele sentimento que eu não soube te dizer.
Se você pudesse vir, se você pudesse ver, aqui dentro, onde o tempo não soprou o vento que faz esquecer, eu ia dizer tudo de uma vez…
Não sei, eu acho que eu não ia dizer nada.
Ou fazia tudo ao mesmo tempo, gritando o meu silêncio na nossa voz calada.

Um lábio sabe mais que um sábio diz saber.
Sei lá… A língua lambe mas não sabe o que dizer.
Sei lá… A lábia fala mas não faz acontecer.
Sei lá… E o silêncio fica imenso sem você.

Vem aprender, deixa a vida ensinar.
Se a vida não souber a gente pode improvisar.
Se você tivesse aqui pra me ajudar, trazendo o seu perfume pra desentristecer meu ar…
Ah, que perfume bom, Djavan no som, o gosto bom do seu batom…
Um sonho quando é bom não devia ter fim.
E quando vira pesadelo fica tão ruim.
A sua imagem na imaginação, mas sem você na cama é sempre a mesma solidão.
A solidão que dói, a solidão que mói, a solidão que me destrói.

Refrão

Antes, o som do silêncio era excitante, só que sem você é sufocante.
Dizem que o amor deixa a gente mais completo, mas eu sou metade, só metade sem você por perto.
E se você consegue rir me vendo chorar, eu não preciso saber.
Vira o seu riso pra lá.
Mas se você prefere me ver numa boa, por que não?
Pode te dar mais prazer do que me ver no chão.
Se você passar por cima assim você me pisa, com essa pose de desprezo, com esse peso que me pira e que me tira toda chance de recuperação.
Que piração: tô na procura por uma cura pro meu coração.
E na loucura da procura eu procurei você, e fiz uma procuração.
É, pro coração, pra curar o coração e deixar o cara são…
Pronto pra outra lição.

Se Liga Aí

A gente pensa que vive num lugar onde se fala o que pensa.
Mas eu não conheço esse lugar.
Eu não conheço esse lugar!
A gente pensa que é livre pra falar tudo que pensa mas a gente sempre pensa um pouco antes de falar!

Se liga aí, se liga lá, se liga então!
Se legalize nessa comunicação.
Se liga aí, se liga lá, se liga então!
Se legalize a liberdade de expressão!
Se liga aí, se liga lá, se liga então!
Se legalize nessa comunicação.
Se liga aí, se liga lá, se liga então!
Se legalize a opção!

Pensa! O pensamento tem poder.
Mas não adianta só pensar.
Você também tem que dizer! Diz!
Porque as palavras têm poder.
Mas não adianta só falar.
Você também tem que fazer! Faz!
Porque você só vai saber se o final vai ser feliz depois que tudo acontecer.
E depois a gente pensa.
E depois a gente diz.
E depois a gente faz… o que tiver que fazer!
O que tiver que fazer!

Refrão

Deixe ele viver em paz.
Cada um sabe o que faz.
Deixa o homem ter marido.
Deixa a mina ter mulher.
Deixa ela viver em pé.
Cada um sabe o que quer
O que é que tem demais cada um ser o que é?
Deixa ele chorar em paz.
Cada um sabe o que fez.
Deixa o tempo dar um tempo.
Cada coisa de uma vez.
Deixa ele sorrir depois.
Deixa ela sorrir também.
O que é que tem demais cada um ser dois ou três?

Refrão

Diz o que cê quer dizer, fala o que cê quer falar, faz o que cê quer fazer, pensa o que cê quer pensar!
Fala o que cê quer falar, diz o que cê quer dizer, pensa o que cê quer pensar, faz o que cê quer fazer!

Refrão

Liberdade relativa não é liberdade.
Liberdade atrás da grade não é positiva.
Liberdade negativa é negar a verdade.
Liberdade de verdade é vida, viva, viva!
Viva, viva, viva, viva!
Viva, viva, viva!
Live, live, live, live!
Live, live, live!
Vida, vida, vida, vida!
Vida, vida, vida!
Livre, livre, livre, livre!
Livre, livre, livre!!

Rap do Feio

Dois irmãos gêmeos, um bonito e um feio
desde cedo o bonito sacaneava o feioso
dizendo que ele mais tarde ia trabalhar num rodeio fazer careta pro touro e deixar o bicho nervoso
“Cala a boca, pentelho!”, repondia o feinho
“Vai casar com o espelho? Então fica sozinho”
e o feio saía sempre fazendo amizade, sem a menor vaidade
popular na cidade
na adolescência, malandro, mandava bem nas festinhas
e o bonito bolava se aparecia um espinha
“Que espinha nem cravo, meu irmão, não esquenta! Eles apagam a luz antes da música lenta!”

“Uh, uh, uh, que beleza!”

E muito tempo depois, vendo o seu irmão tão lindo e tão mal humorado
o feio, sorrindo, criou um belo ditado:
“A beleza é passageira, mas feiúra é um bem que a gente tem pra vida inteira”
A mulherada gostava, a natureza foi sábia
ele perdia em boniteza mas ganhava na lábia:
“aí, gatinha, chega aí, chega mais perto, Não tema
eu sou 100% feio, eu sei, qual o problema?
eu sou feio mas te faço feliz, com palavras gentis
um papaya com licor de cassis
o feio sabe o que faz, o feio sabe o que diz
os detalhes sutis, você vai pedir bis
mais vale um feio maduro que dez galãs infantis
então pensa num ator, que eu penso numa atriz
apaga a luz e vem que o amor é cego, meu bem
abre a porta e vai entrando que eu entro também”

“Uh, uh, uh, que beleza!”

É dos feios que elas gostam mais
o feio não vacila, o feio corre atrás
e corre na frente, é valente, chega junto
um feio inteligente nunca fica sem assunto
já o bonito é diferente
confia na beleza e fica meio… diz, displicente
e nesse meio tempo em que o bonito só pensou no visual
o feio se arrumou e ganhou na moral
na real, o bonito se dá mal geral
quando é festa, churrasco, pagode ou carnaval
porque sempre que a mulher acompanhada perde a linha
só olha pro bonito
“Nossa, que gracinha!”
mas aí o maridão, que já tá cheio de cana
junta logo os outros cornos pra juntar o bacana
e se tiver tiro, o bonito é que morre
o corno corre, a mina chora e adivinha quem socorre?
acertou em cheio quem achou que é o feio
que executa a mulher do alheio sem tiroteio
e se a própria mulher depois resolve contar
e o marido traido se recusa a acreditar:
“Quem?! Aquele cara ali? Ah, fala sério! Se é com ele pode ir.”

“Uh, uh, uh, que beleza!”
Eu sou feio mas eu faço bonito
E as mulhé dão grito, e as mulhé dão grito!
Eu sou feio mas a sorte me escolhe
E as mulhé dão mole, e as mulhé dão mole!

Rabo de Saia

Quando nascemos fomos programados
Pra conquistar muitas mulheres
Se quisermos ser considerados
Homens com H, homem de bem
Um cabra macho, macho, macho man
Existem vários rótulos, chame como quiser
Mas o caso é que os moleques são treinados pra caçar mulher
E isso vem desde o berçario
Se você não azarar a enfermeira boa vai crescer otário
Ou então vai ser da turma do Lafond – Luana!!
(Pára com isso, eu sou o Haroldo, o hétero machão!)
Que que há… Não precisa desfarçar…
(O que falam de mim são calúnias!)
Ah! Vai devagar!
A escolha é sua, liberdade sexual
Mas se você quiser ser hétero e poder dizer
“Eu sou normal!”
Mesmo assim você passa por um processo educacional
Que supervaloriza o sexo
Mas se você for fêmea tem que reprimir
Ou vai levar má fama
(Joga pedra na Geni!)
Desde pequeno você recebe as influências
O que é um exemplo pros meninos
Pras meninas é uma indecência
Todo pai quer que seu filho seja um…
(Pensador?)
Não um…
(Cavalheiro?)
Não um… comedor!
Um Don Juan, rei da cocada preta
(Ah, é pra comer cocada pai?)
(Não filhão, é pra comer…)
(Paiê, como é que a barriga da gente cresce?)
(Minha filha agora não, vai brindar de boneca e esquece
E você filhão, vai brincar de médico lá na vizinha!)
É assim que o cidadão aprende a ser galinha
Chamar as donzelas de cadelas
Olhar as bundas na praia
Correr feito um cão abanando o rabo por um rabo de saia
Não posso ver um rabo de saia!
Não passo sem um rabo de saia!
Preciso
(de quê?) de um rabo
(de quê?) de um rabo
(de quê?) de um rabo de saia!

Tenho que assumir que isso é como um vício
(Homem submisso)
Hã, pára com isso!
Não é qualquer rabo de saia que me domina
Tem menina com quem eu só saio por causa da vagi…E do… Ahn!
Peraí! Tô meio confuso!
Só sei que não é pra fazer amor
(Faz o que então?)
Eu cruzo, uso e abuso
Satisfaço minhas necessidades
Mas no fundo o que eu procuro é uma mulher de verdade
E a mulher que me mereça merece que eu seja fiel
(Triiiimm!)
Peraí, deixa eu atender o GramBell
(Alô! Eu sei que você tá namorando mas sai comigo hoje Biel?)
Ai meu Deus não faz isso, assim eu não vou pro céu!
Mas “saber que vou pro céu não me deixa feliz”
(A carne é fraca!)
É, adivinha o que que eu fiz?
(Diz!)
Eu vou dizer mas se é pecado foi Deus quem criou
E como diz o ditado “O diabo aperfeiçoou”
Hora do rango:
(O senhor aceita uma panela de Salmão?)
Não, meu prato predileto é a costela…. de Adão!
(Não serve um peito de Peru com ovos?)
Eu nem provo e reprovo
Me vê um rabo de saia, e traz logo!

Refrão

As vezes é esculacho
Não sei com qual cabeça eu penso
Se com a de cima ou com a… ah, ah!
Eu acho que talvez seja melhor seguir o instinto
(Vem cá mulher! Você pinta como eu pinto?)
Ah! Assim não! Tem que ter um papo cabeça, um caô!
(Qual é teu signo?
Vamos pro motel?)
(Demorou!)
Eu nem quero saber se é a mulher de alguém
Eu vou fazer que nem o Pac Man
Que que tem se a sua namorada me dá mole, hein?
Tem culpa eu?
(Tem!)
Oba! Me dei bem!
(Tem fogo?)
Que? Tô mais aceso que um isqueiro
Se tu quiser eu apago teu fogo feito bombeiro
E depois te jogo num cinzeiro
Mas primeiro eu te como, te bebo, te cheiro, te fumo!
Pois aprendi a ver as mulheres como um objeto de desejo
Um sonho de consumo!
Nesse imenso shopping center um bom par de pernas
Deixa agente feito “Capitão Caverna!”
Um primata!
Mas não sou maluco feito Paiakan
Diz aí Maluf:
(Estupra mas não mata!)
Se é a mulher que me provoca eu não sou de aço
Eu viro um Tyson!
Mas não me jogue atrás das grades longe da gandaia
Eu passo fome mas não passo sem um rabo de saia

Refrão

Minha alma não é pequena
Mas nem tudo vale a pena, entende?
Tem coisas de que agente se arrepende
Tem rabo de saia que você olha depois e se pergunta:
Pelo amor de Deus! Como é que foi possivel?
Baixei o nível!
Que coisa horrivel!
(Isto é incrivel!)
Mas não me chamem de mal comportado gente!
Eu me comporto exatamente de acordo com o modelo existente
Para o homem do mundo atual
Não sou nenhum tarado, nenhum maníaco sexual
Atire a primeiras pedra quem nunca pecou!
Ih! Parou!
(Que foi?)
Sujou! Minha namorada chegou…

(Que isso, que papo é esse de rabo de saia?
Cachorro!
Sai, sai!)
Que é que tem mulher?
(Que é que tem? Cara-de-pau!
Larga! Que baixaria!)
Dá um beijinho, dá!
(Que mané beijinho! Sai pra lá!
…)

Porca Miséria

A lingüiça tá vazia, eu tirei a carne
Eu não como porco, tia
I don’t eat swine
A barriga tá vazia e eu tô no rango
Vô encher essa lingüiça com carne de frango
Eu peguei uma panela pra fazer uma canja
Mas o frango olhou pra ela e fugiu da granja
Tem o frango congelado no supermercado
Mas o meu cartão de crédito tá bloqueado
Yo tengo hambre, as hungry as an elefant
Se eu tivesse money, hombre, comeria um restaurant
Se eu tivesse no natal até comia peru
Se eu tivesse no Japão comia peixe cru
Só que lá no japonês eu não tenho vez
Eu não sei comer com dois pauzinhos nem com três
A minha vara de pescar tá quebrada
E o meu peixe… até agora “nada”
Eu já quebrei a vara e já quebrei a banca
O peixe custa os olhos da cara e eu só como carne branca
A carne moída dá água na boca
Mas é que eu tenho medo de pegar uma “vaca louca”
O povo come ovo e o meu ovo ia pro prato
Mas eu peguei o ovo e atirei no candidato
Porque eu já enchi o saco dessa porcaria:
Encheção de lingüiça e a barriga vazia

Eu não como porco! Eu como farelo!
Eu não como porco! Eu como farelo!
Eu não como porco! Eu como farelo!
Os porcos me comeram de verde e amarelo!
Sujaram meu chiqueiro! Fizeram porcaria!
Limparam meu dinheiro e a barriga tá vazia!

Porcos, querem que eu mantenha a esperança
Mas como é que eu faço pra encher a minha pança?
Diz como é que eu posso acreditar numa mudança
Se nossas barrigas só se enchem com crianças
Ou então com gazes, ou então lombriga
E as nossas bocas só se enchem de formigas
Quando agente fala muito e de repente some
Ou quando alguém mata um homem pra matar a fome
Saco vazio não pára em pé
Tá me dando calafrio mas eu tenho fé
Que eu vou conseguir alguma forma de alimento
Nem que seja um pão com água ou pastel de vento
Tem farofa no despacho da esquina
Tem cachaça mas eu quero vitamina!
Vitamina de banana, caldo de feijão
Olha, gente fina, eu tô comendo até ração!
Enquanto os porcos tão comendo a nação
Tão comendo com os olhos toda a minha refeição

Refrão

Se correr… o bicho pega, se ficar o bicho come
Então eu vou andar pra ver se mato a minha fome
Rapadura lá no Ceará eu sei que tem
Tacacá em Macapá, açaí em Belém
Amazonas tem as frutas lá da Zona Franca de Manaus
E no Rio tem “filé miau”
Quero virado à paulsita, tutu à mineira
Picanha gaúcha e piranha pantaneira
Moqueca capixaba caprichada, rapá Goiás, pequi, Bahia, vatapá
Piauí, Paraíba, Paraná…
Pimenta malagueta pro planeta balançar!
Tô na boa em Boa Vista, Acre doce, tô que Tocantis!
Natal, Porto Velho, tô que tô a fim de acarajé, Aracaju, jacaré, pirarucu
Ou pode ser um camarão do Maranhão ou um filé de tubarão lá de Pernambuco
Alagoas! Ah! Eu tô maluco!
Com um lombinho que eu conheci em Santa Catarina
Mas não é de porco que eu não como suína.

Refrão

Pega Ladrão

Pega ladrão! No governo!
Pega ladrão! No congresso!
Pega ladrão! No senado!
Pega lá na câmara dos deputados!
Pega ladrão! No palanque!
Pega ladrão! No tribunal!
É por causa desses caras que tem gente com fome, que tem gente matando, etc e tal.

Pega, pega!
Pega, pega ladrão!!
Pega, pega!
Pega, pega ladrão!!
Pega, pega!
Pega, pega ladrão!!
A miséria só existe porque tem corrupção.
Pega, pega!
Pega, ladrão!!
Pega, pega!
Pega, pega, ladrão!!
Pega, pega!
Pega, pega ladrão!!
Tira do poder!
Bota na prisão!!

E você, que é um simples mortal, levando uma vidinha legal,alguém já te pediu um real? Alguém já te assaltou no sinal?
Você acha que as coisas vão mal?
Ou você tá satisfeito? Você acha que isso é tudo normal?
Você acha que o país não tem jeito?
Aqui não tem terremoto, aqui não tem vulcão.
Aqui tem tempo bom, aqui tem muito chão.
Aqui tem gente boa, aqui tem gente honesta, mas no poder é que tem gente que não presta.
“Eu fui eleito e represento o povo Brasileiro.
Confie em mim que eu tomo conta do dinheiro”.

(refrão)

Tira esses malandro do poder executivo!
Tira esses malandro do poder judiciário!
Tira esses malandro do legislativo!
Tira do poder que eu já cansei de ser otário!
Tira esses malandro do poder municipal!
Tira esses malandro do governo estadual!
Tira esses malandro do governo federal!
Tira a grana deles e aumenta o meu salário!
– Tá vendo esta mansão sensacional? Comprei com o dinheiro desviado do hospital.
– E o meu cofre, cheio de dólar? É o dinheiro que seria pra fazer mais uma escola.
– Precisa ver minha fazenda! Comprei só com o dinheiro da merenda!
– E o meu filhão? Um milhão só de mesada! E tudo com o dinheiro das criança abandonada.
– E a minha esposa? Só não me leva à falência porque eu tapo esse buraco com o rombo da previdência.
– Vossa excelência… Ce não viu meu avião! Comprei com uma verba que era pra construir prisão!
– E a superlotação?
– Problema do povão! Não temo imunidade? Pra nós não pega não.

(refrão)

A miséria só existe porque tem corrupção.
Desemprego só aumenta porque tem corrupção.
Violência só explode porque tem tanta miséria e desemprego.
Porque tem tanta corrupção!
“Todos que me conhecem sabem muito bem que eu não admito o enriquecimento do pobre e o empobrecimento do rico!”
E você, que nasceu nesse país.
E que sonha e que sua pra ser feliz.
Você presta atenção no que o candidato diz?
Ou cê vota em qualquer um, seu babaca?
E depois da eleição, você cobra resultado?
Ou fica aí parado, de braço cruzado?
Cê lembra em quem votou pra Deputado?
E quem você botou lá no Senado?

Pé D´Água

Vivemos na correria;
Estamos sempre apressados.
Prá lá e prá cá todo o dia;
Todo mundo estressado.

Às vezes até encontramos;
Um conhecido do bairro.
Dizemos um, “Oi, tudo bem”?
Tchau, estou atrazado!

Andamos pela cidade;
No meio da multidão.
Sempre muito calados;
Cheios de solidão.

O nosso tempo é contado;
Não dá prá ficar parado.;
Há tanta coisa a fazer;
Corremos prá todo lado.

Mas, Deus as vezes intervem;
E nos dá uma colher de chá;
Manda uma chuva ligeira;
E nos obriga a parar.

E mesmo contrariados;
Buscamos injuriados;
Onde nos abrigar.
Até a chuva passar.

E quando corremos zangados;
Debaixo de uma marquize.
Olhamos prá quem está ao lado;
E como estamos parados;
Sem nada para fazer;
Começamos a dizer:
Que tempo mais esquisito!
Isso é hora de chover?

O tempo mudou de repente;
Saí de casa com sol!
E vem essa chuvarada;
Que só empata a gente!
Meu carro está longe daqui;
Eu não quero me molhar.
Meu patrão que me desculpe;
Só saio se a chuva parar.

E a moça bonita ao lado;
Fala agoniada:
-O ponto do ônibus é longe;
E essa chuva danada!
Tenho consulta marcada;
Taxi nem aparece;
E já estou atrasada;
Que dia! Ninguém merece!

E outro comenta também;
O clima mudou, com certeza.
É tudo culpa do homem;
Que destrói a natureza.
Esse pé d’agua vai longe;
Olha só a correnteza!
Me empresta o telefone;
Vou avisar a Teresa.

E continuam a conversa;
Falam dos compromissos;
Mas, já que perderam a hora;
Contam aonde moram;
Onde é seus “serviços”;
Dos filhos que moram “fora”;
Do surto de gripe da hora;
Da inflação que assola.

Falam da insegurança;
Que assola o nosso país;
Da pobreza que só cresce;
Do dólar que sobe e desce;
Daquele acidente infeliz;
Do time do coração;
E com esperança diz:
Ah, vai ser campeão!

Enquanto a chuva cai;
A prosa fica até boa;
Mas, é só dar um estio;
E todo mundo se vai;
Cada um pro seu destino;
Sem perceber o presente;
De Deus juntando pessôas;
Numa chuva irreverente!

Paz

Aqui se planta, aqui se colhe, mas para a flor nascer é preciso que se molhe, é preciso que se regue pra nascer a flor da paz, é preciso que se entregue com amor e muito mais. É preciso muita coisa e que muita coisa mude, muita força de vontade e atitude, pra poder colher a paz, tem que correr atrás e tem que ser ligeiro! Pra poder colher a fruta é preciso ir a luta, e tem que ser guerreiro!
(PELA PAZ A GENTE CANTA A GENTE BERRA, PELA PAZ EU FAÇO MAIS EU FAÇO GUERRA)
Eu vou a luta, eu vou armado de coragem e consciência, amor, esperança, a injustiça é a pior das violências, eu quero paz, eu quero mudança. É, dignidade pra todo o cidadão, mais respeito, menos discriminação, desigualdade, não, impunidade, não, não me acostumo com essa acomodação. Eu me incomodo e não consigo ser assim, porque eu preciso da paz, mas a paz também precisa de mim, a paz precisa de nós,
a paz precisa de nós, da nossa luta, da nossa voz. Paz, aonde tu estas? Aonde você vive? Aonde você jaz? É… Onde você mora? Onde te encontramos? Onde você chora? Onde nós estamos? Onde te enterramos? Que lar você habita? Onde nó erramos? Volta, ressuscita! Será que a paz morreu? Será que a paz tá morta? Será que não ouvimos quando a paz bateu na porta? A paz que não tem vaga na porta da escola, a paz
vendendo bala, a paz pedindo esmola, a paz cheirando cola, virando a adolescência, atrás de uma pistola, virando violência. Será que a paz existe? Será que a paz é triste? Será que a paz se cansa da miséria e desiste? A paz que não tem vez, a paz que não trabalha, a paz fazendo bico, ganhando uma migalha, no fio da navalha, dormindo no jornal, atrás de uma metralha, virando marginal.
(PELA PAZ A GENTE CANTA A GENTE BERRA, PELA PAZ EU FAÇO MAIS EU FAÇO GUERRA)
Será que a paz ataca, será que a paz tá fraca? Será que a paz quer mais do que viver numa barraca? A paz que não tem terra, a paz que não tem nada, a paz que só se ferra, a paz desesperada, a paz que é massacrada lutando por justiça, atrás de uma enxada, virando terrorista. Será que a paz assusta? Será que a paz é justa? Será que a paz tem preço? Quanto é que o preço custa! A paz que não tem raça, nem boa aparência, a
paz não vem de graça, a paz é conseqüência, a paz, que a gente faça, sem peso e sem medida, a paz dessa fumaça, a paz virando vida. A paz que não tem prazo, a paz que pede urgência, não vai ser por acaso, a paz é conseqüência, não é coincidência nem coisa parecida, a paz a gente faz feito um prato de comida.
(PELA PAZ A GENTE CANTA A GENTE BERRA, PELA PAZ EU FAÇO MAIS EU FAÇO GUERRA)
Eu vou à luta eu vou armado de coragem e consciência, amor e esperança, a injustiça é a pior das violências, eu quero paz, eu quero mudança. A violência não é só dos traficantes, a covardia não é só a dos policiais, a violência também é dos governantes, dos homens importantes, não sei quem mata mais! Como é que a gente faz, pra medir a violência na emergência dos hospitais, a dor e o sofrimento, os filhos que não nascem,
os pais que morrem sem atendimento, qual é a gravidade de um roubo milionário praticado por alguma autoridade, que tem imunidade e compra a liberdade, enquanto o cidadão honesto vive atrás das grades, com medo de um assalto à mão armada, pagando imposto alto e não recebendo nada, qual é o grau do perigo, da falta de escola e de emprego de prisão e de abrigo, qual é o pior inimigo? Os pais da corrupção ou os filhos do
mendigo? Quem é o grande culpado? O ladrão que tem cem anos de perdão ou você que vota errado?
(PELA PAZ A GENTE CANTA A GENTE BERRA, PELA PAZ EU FAÇO MAIS EU FAÇO GUERRA)
Vou lutando pela paz…

Pátria que me Pariu

(4x)Pátria que me pariu!
Quem foi a Pátria que me pariu!?

Uma prostituta, chamada Brasil se esqueceu de tomar a pílula,
e abarriga cresceu
Um bebê não estava nos planos dessa pobre meretriz de dezessete anos
Um aborto era uma fortuna e ela sem dinheiro
Teve que tentar fazer um aborto caseiro
Tomou remédio, tomou cachaça, tomou purgante
Mas a gravidez era cada vez mais flagrante
Aquele filho era pior que uma lombriga
E ela pediu prum mendigo esmurrar sua barriga
E a cada chute que levava o moleque revidava lá de dentro
Aprendeu a ser um feto violento
Um feto forte escapou da morte
Não se sabe se foi muito azar ou muita sorte
Mais nove meses depois foi encontrado, com fome e com frio,
Abandonado num terreno baldio.

(4x)Pátria que me pariu!
Quem foi a pátria que me pariu!?

A criança é a cara dos pais mais não tem pai nem mãe
Então qual é a cara da criança?
A cara do perdão ou da vingança?
Será a cara do desespero ou da esperança?
Num futuro melhor, um emprego, um lar
Sinal vermelho, não da tempo prá sonhar
Vendendo bala, chiclete…
“Num fecha o vidro que eu num sou pivete
Eu não vou virar ladrão se você me der um leite, um pão, um vídeo game e uma televisão, uma chuteira e uma camisa do mengão.
Pra eu jogar na seleção, que nem o Ronaldinho
Vou pra copa vou pra Europa…”
Coitadinho!
Acorda moleque! Cê num tem futuro!
Seu time não tem nada a perder
E o jogo é duro! Você não tem defesa, então ataca!
Pra não sair de maca!
Chega de bancar o babaca!
Eu não aguento mais dar murro em ponta de faca
E tudo o que eu tenho é uma faca na mão
Agora eu quero o queijo. Cade?
To cansado de apanhar. Tá na hora de bater!

(4x)Pátria que me pariu!
Quem foi a pátria que me pariu!?

Mostra tua cara, moleque! Devia tá na escola
Mas tá cheirando cola, fumando um beck
Vendendo brizola e crack
Nunca joga bola mais tá sempre no ataque
Pistola na mão, moleque sangue bom
E melhor correr que lá vem o camburão
É matar ou morrer! São quatro contra um!
Eu me rendo! Bum! Clá! Clá! Bum! Bum! Bum!
Boi ,boi, boi da cara preta pega essa criança com um tiro de escopeta
Calibre doze na cara do Brasil
Idade catorze, estado civil morto
Demorou, mais a pátria mãe gentil conseguiu realizar o aborto.

(4x)Pátria que me pariu
Quem foi a Pátria que me pariu?

Paradoxo

Em nome da segurança;
Nós nos refugiamos.
Em condomínios fechados.
Cada um no seu quadrado.

Somos sempre vigiados.
Câmeras por todos os lados.
Nos muros arame farpado.
Cada um no seu quadrado.

Somos monitorizados.
Por alguém terceirizado.
Que nem sabemos o nome.
Cada um no seu quadrado.

Todos nos encontramos;
Na escada e elevador.
Olhamos pro chão ou pro lado.
Cada umno seu quadrado.

Dividimos as despesas;
Sem saber quem mora ao lado.
Não dividimos amor.
Não fazemos favor.
Cada um no seu quadrado.

Pelas portas e nos portões;
Nos cruzamos todo dia.
E nem sequer nos saudamos;
Às vezes um bom dia rosnado;
Automaticamente,
Sem importar realmente;
Cada um no seu quadrado.

Temos centenas de amigos.
Quase todos virtuais.
Mas na parede ao lado;
Não ouvimos os ais;
De alguém agoniado;
Sózinho, desesperado;
Cada um no seu quadrado.

E no salão social;
Festas que lembram velório.
Meia dúzia de parentes;
E a panelinha do escritório;
O vizinho não é convidado;
Mesmo que more ao lado;
Cada um no seu quadrado.

E os empregados humildes;
Trabalham sempre calados.
Passamos por eles sem ver;
Sem nunca ter perguntado;
Sem nunca querer saber;
Como vai meu irmão?
Cada um no seu quadrado.

Pão de Cada Dia

Mais um dia de trabalho querido diário
Eu ralo feito otário e ganho menos do que eu valho mas necessito de salário que é bem menos que o necessário
Hoje os rodoviários tão em greve por melhores honorários e eu procuro um que me leve
Eu tenho horário
Não posso chegar atrasado não posso ser descontado
Se eu falar que foi greve meu chefe pode ficar desconfiado
E se o desgraçado quiser me dar um pé na bunda eu vou pro olho da rua e rapidinho ele arruma outro pobre coitado
Desempregado desesperado é que mais tem (olha o ônibus!!) Hein?
Já vem lotado gente pra cacete vidro quebrado (Foi piquete) motorista com um porrete do lado
Ele furou a greve porque também teme ficar desempregado
Deixar seu filho desamparado
Quem sabe ser despejado do barraco
(E o aluguel lá no morro também já ta puxado
Eu nem sei se eu tô sendo otário ou esperto
Eu tô aqui mas também tô torcendo pra greve dar certo)
Eu fico calado porque eu também tô preocupado
O meu salário até o fim do mês já ta contado e o meu moleque tá todo gripado
Se eu tiver um imprevisto eu vou ter que comprar remédio
Num sei como é que eu faço
Eu num sô médico
Se precisar eu vou ter que pedir um vale na batalha
Como um esfomeado pede uma migalha
E o canalha lá pode até negar e aí vai ser pior
Porque o meu único ganha-pão é esse meu suor

Preciso do pão de cada dia e num sô filho do padeiro
Então preciso do dinheiro

Eu tô no meu carro
Me olho no espelho…
Eu acho hilário
Eles acham que eu num trabalho só porque eu sou um “empresário”
Meus funcionários devem achar que eu sou um porco mercenário
Mas eu num sô nenhum milionário
Pra ser mais claro eu tô num mato sem cachorro
Se eu corro o bicho pega
Se eu fico o bicho come
Pra quem vou pedir socorro?
Chapolim? Super-homem?
As despesas me consomem
Os lucros são poucos e ainda tenho que pagar meus homens e zelar pelo meu nome
Que Sufoco! O governo num ajuda
Empréstimo de banco nem pensar!
Sem contar faculdade dos filhos pra pagar
Eles pensam que eu sou marajá!! (Num dá?)
Não vai dar “Insensível você diz” mas é impossível eu te aumentar “impossível te fazer feliz”
Eu nunca quis ver meus empregados cansados com fome
Mas o aumento tá negado
Agora some que eu tô ocupado no telefone
Eu não sou Raul Pelegrini
Essas coisas me deprimem e tal “Mas é que eu tenho que manter a minha fama de mau”
Durão afinal eu sou o patrão
Não posso ser sentimental
Porque eu não tenho dinheiro de sobra
Talvez tenha que demitir mão de obra com urgência
Eu não consigo dormir
Não consigo superar a concorrência
Não sei se eu vou infartar ou se eu vou à falência

Refrão

(Melhor do que dar um peixe a um homem é ensiná-lo a pescar)
Então em ensina onde eu pesco grana porque peixe só tem se comprar
Tem que pagar pra comer
Tem que pagar pra dormir
Tem que pagar pra beber pra esquecer e até pra morrer tem que ter pois vão te pedir (dinheiro) pro enterro (dinheiro) pro caixão (dinheiro) pro velório (dinheiro) pro sermão
Também é caro parir
Pagaram pr’eu entrar e eu rezo pra num sair daqui
E eu tenho que me cuidar porque o dinheiro mesmo pode interferir no nosso destino
Fazer o sino tocar
Influenciar qualquer menino a nos matar
Você não sabe o que é capaz de fazer por dinheiro alguém que não tem nada a perder e vê a TV do mundo inteiro mostrar tudo o que há pra se ganhar pra quem está no fundo do poço
O único caminho é pro alto nem que seja por cima do seu cadáver
Moço
Eu vejo isso o tempo inteiro
Eu sou coveiro (sério?)
Sem mistério
No cemitério é onde eu cavo o meu pouco dinheiro
Eu sou importante Deus ta de prova
A todo instante ele me manda gente e eu sempre abrindo as covas
Até hoje eu não sei se ele me perdoou do dia em que eu mexi naquele defunto cheio de dente de ouro
Dei uma de dentista e deixei o rosto do corpo todo torto
Mas é que eu ganho muito pouco
Aliás eu num tenho nem onde cair morto

Refrão

Eu sou PM
Não pense que é fácil
Tem que ser malandro pra viver se arriscando rondando pra cima e pra baixo
Na corda bamba
Posso tombar na próxima curva e minha mullher em casa estraga as unhas com medo de ser viúva
E os meus nervos também não são de aço
Meu caráter muito menos por isso eu sempre faço meus cambalachos
Com o tráfico eu já tô mancomunado
Quando eu não tô dormindo ou tô trincando ou extorquindo os viciados
Eu fico rindo e o bolso do uniforme fica inchado
Hí!Hí! Um cafezinho aqui!
Uma cervejinha ali (tô ligado)
Rá! Eu sei que eu não presto!
Meu colega diz (cê tá exagerando…) Ah você que é muito honesto!
Detesto lição de moral cê devia fazer igual e abusar da autoridade
Esse é o único poder que essa droga de sociedade me dá o prazer de sentir o gostinho
Não tô nem aí se você prefere bancar o policial bonzinho
Perfeito
Mas vou continuar do meu jeito
Não sou super herói
E pimenta nos olhos dos outros não dói
E assim como o rato rói a roupa do rei de Roma eu vou roendo grana
O poder me corrói
Tá me corrompendo e a soma vai crescendo (Manda!)
Morrer é o que num posso mas quanto aos negócios fica frio…
Enquanto houver crime no Rio eu num volto pra casa de bolso vazio

Refrão

E eu sou o dinheiro
Todos me amam todos me querem todos adoram sentir meu cheiro
Mas eu não sou democrático
Eu sou ingrato
Quem mais produz riqueza é quem tem menos na mesa
Que chato
Pra quem me controla a carne sobra no prato
Enquanto outros não me conhecem e comem rato
É fato real
Rato sem sal
Saiu no jornal
Eu sou imundo
Que tal?
Eu sou o grande culpado nesse mundo tão desigual
E gero o preconceito social: Quem me tem vive bem quem num tem passa mal (sera?)
Loto
Jogo do bicho
Cês sonham comigo o tempo inteiro
O capitalismo é que nem Silvio Santos (Oi Tudo por dinheiro!)
É que vocês pensam pequeno
Vocês são um bicho muito ingênuo
O que parece ser o antídoto pode ser o próprio veneno
E o que parece essencial talvez seja supérfulo
E o que cês sonham encontra lá longe tão perto!
A felicidade é uma muleta e vocês são todos mancos
Ela não cabe numa maleta
Não cabe no cofre
Não cabe em bancos
Qualquer que seja a profissão que você exerça
Não deixe que a sua (fixação) por Tio Patinhas lhe suba a cabeça
Vocês humanos estão cegos
Me supervalorizam demais
Cada vez mais
A cada segundo que passa
Deixam seu mundo em constante ameaça me pondo acima de Deus e o diabo
Desse jeito eu acabo com a sua raça.

Palavras Repetidas

A Terra tá soterrada de violência
de guerra, de sofrimento, de desespero
a gente tá vendo tudo, tá vendo a gente
tá vendo, no nosso espelho, na nossa frente
tá vendo, na nossa frente, aberração
tá vendo, tá sendo visto, querendo ou não
tá vendo, no fim do túnel, escuridão
tá vendo no fim do túnel escuridão
tá vendo a nossa morte anunciada
tá vendo a nossa vida valendo nada
tô vendo, chovendo sangue no meu jardim
tá lindo o sol caindo, que nem granada
tá vindo um carro-bomba na contramão
tá vindo um carro-bomba na contramão
tá vindo um carro-bomba na contramão
tá vindo o suicida na direção

“É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã
porque se você parar pra pensar, na verdade não há”

A bomba tá explodindo na nossa mão
o medo tá estampado na nossa cara
o erro tá confirmado, tá tudo errado
o jogo dos sete erros, que nunca pára
7, 8, 9, 10… cem
erros meus, erros seus e de Deus também
estupidez, um erro simplório
a bola da vez, enterro, velório
perda total, por todos os lados
do banco do ônibus ao carro importado
teu filho morreu? meu filho também
morreu assaltando, morreu assaltado
tristeza, saudade, por todos os lados
tortura covarde, humilha e destrói
eu vejo um Bin Laden em cada favela
herói da miséria, vilão exemplar
tortura covarde, por todos os lados
tristeza, saudade, humilha e destrói
as balas invadem a minha janela
eu tava dormindo, tentando sonhar

“É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã
porque se você parar pra pensar, na verdade não há”

Sou um grão de areia no olho do furacão
em meio a milhões de grãos
cada um na sua busca, cada bússola num coração
cada um lê de uma forma o mesmo ponto de interrogação
nem sempre se pode ter fé
quando o chão desaparece embaixo do seu pé
acreditando na chance de ser feliz
eterna cicatriz
eterno aprendiz das escolhas que fiz
sem amor, eu nada seria
ainda que eu falasse a língua de todas as etnias
de todas as falanges, e facções
ainda que eu gritasse o grito de todas as Legiões
palavras repetidas
mas quais são as palavras que eu mais quero repetir na vida?
Felicidade, Paz, fé…
Felicidade, Paz, Sorte
nem sempre se pode ter Fé, mas nem sempre
a fraqueza que se sente quer dizer que a gente não é forte

O Resto do Mundo

Eu queria morar numa favela
Eu queria morar numa favela
Eu queria morar numa favela
O meu sonho é morar numa favela
Eu me chamo de cheiroso como alguém me chamou
Mas pode me chamar do que quiser seu dotô
Eu num tenho nome
Eu num tenho identidade
Eu num tenho nem certeza se eu sou gente de verdade
Eu num tenho nada
Mas gostaria de ter
Aproveita seu dotô e dá um trocado pra eu comer…
Eu gostaria de ter um pingo de orgulho
Mas isso é impossível pra quem come o entulho
Misturado com os ratos e com as baratas
E com o papel higiênico usado
Nas latas de lixo
Eu vivo como um bicho ou pior que isso

Eu sou o resto
O resto do mundo
Eu sou mendigo um indigente um indigesto um vagabundo
Eu sou… Eu num sou ninguém

Eu tô com fome
Tenho que me alimentar
Eu posso num ter nome mas o estômago tá lá
Por isso eu tenho que ser cara-de-pau
Ou eu peço dinheiro ou fico aqui passando mal
Tenho que me rebaixar a esse ponto porque a necessidade é maior do que a moral
Eu sou sujo eu sou feio eu sou anti-social
Eu num posso aparecer na foto do cartão postal
Porque pro rico e pro turista eu sou poluição
Sei que sou um brasileiro
Mas eu não sou cidadão
Eu não tenho dignidade ou um teto pra morar
E o meu banheiro é a rua
E sem papel pra me limpar
Honra?
Não tenho
Eu já nasci sem ela
E o meu sonho é morar numa favela
Eu queria morar numa favela
Eu queria morar numa favela
Eu queria morar numa favela
O meu sonho é morar numa favela
A minha vida é um pesadelo e eu não consigo acordar
E eu não tenho perspectivas de sair do lugar
A minha sina é suportar viver abaixo do chão
E ser um resto solitário esquecido na multidão

Eu sou o resto
O resto do mundo
Eu sou mendigo um indigente um indigesto um vagabundo
Eu sou o resto do mundo
Eu num sou ninguém
Eu num sou nada
Eu num sou gente
Eu sou o resto do mundo
u sou mendigo um indigente um indigesto um vagabundo
Eu sou o resto
Eu num sou ninguém

Frustração
É o resumo do meu ser
Eu sou filho da miséria e o meu castigo é viver
Eu vejo gente nascendo com a vida ganha e eu não tenho uma chance
Deus! Me diga por quê?
Eu sei que a maioria do Brasil é pobre
Mas eu num chego a ser pobre eu sou podre!
Um fracassado
Mas não fui eu que fracassei
Porque eu num pude tentar
Então que culpa eu terei
Quando eu me revoltar quebrar queimar matar
Não tenho nada a perder
Meu dia vai chegar
Será que vai chagar?
Mas por enquanto

Eu sou o resto
O resto do mundo
Eu sou mendigo um indigente um indigesto um vagabundo
Eu sou o resto do mundo
Eu num sou ninguém
Eu num sou nada
Eu num sou gente
Eu sou o resto do mundo
u sou mendigo um indigente um indigesto um vagabundo
Eu sou o resto
Eu num sou ninguém

Eu num sou registrado
Eu num sou batizado
Eu num sou civilizado
Eu num sou filho do Senhor
Eu num sou computado
Eu num sou consultado
Eu num sou vacinado
Contribuinte eu num sou
Eu num sou comemorado
Eu num sou considerado
Eu num sou empregado
Eu num sou consumidor
Eu num sou amado
Eu num sou respeitado
Eu num sou perdoado
E também sou pecador
Eu num sou representado por ninguém
Eu num sou apresentado pra ninguém
Eu num sou convidado de ninguém
E eu num posso ser visitado por ninguém
Além da minha triste sobrevivência eu tento entender a razão da minha existência
Por quê que eu nasci?
Por quê tô aqui?
Um penetra no inferno sem lugar pra fugir
Vivo na solidão mas não tenho privacidade
E não conheço a sensação de ter um lar de verdade
Eu sei que eu não tenho ninguém pra dividir o barraco comigo
Mas eu queria morar numa favela amigo
Eu queria morar numa favela
Eu queria morar numa favela
Eu queria morar numa favela
O meu sonho é morar numa favela.

Nádegas a Declarar

Ordem e progresso
Sua bunda é um sucesso
Nádegas a declarar!
Nádegas a declarar!
Ordem e progresso
Sua bunda é um sucesso
Nádegas a declarar!

Nádegas a declarar?
Claro que não!
Eu tenho opinião
Nesse papo de bundão
E vou dizer
Mas primeiro você
Fernanda!
Primeiro as damas
O que que cê manda?

Aí, Gabriel!
Vou logo deixar claro
Não é lição de moral
Todo mundo tá sabendo
Que sambar é tropical
No país do futebol e carnaval
Mexer essa bundinha
Até que é natural
No meu ponto de vista
Sem querer ser feminista
A bundalização
É bastante estimulada
Por essa cultura machista
Cê sabe! Tá cheio
De porco-chauvinista
Por isso que esse papo
Não é só pras menininhas
É prá todos esses caras
Que dão força que dão linha
No concurso
Na promessa de um futuro
No programa de TV
E no rádio
Toda hora prá você!

A-aha! Arrebita a rabeta!
A-aha! E me diz, meu bem
O que mais que você tem?
A-aha! Arrebita a rabeta!

Arrebita bem a bunda
Vagabunda!
Que a bunda é tudo de bom
Que você tem
O quê que você tem de bom
Além do bumbum?
Um talento, algum, dom?
Ou as suas qualidades
Estão limitadas ao balanço
Dessa bunda arrebitada?
O que que você tem
Além da bunda?
Pense bem
Que a pergunta é profunda
Não, não é isso, menina!
Eu não tô falando
Da sua virilha
Que deve ser uma maravilha
Mas seu cérebro é menor
Do que um caroço de ervilha!

Ô minha filha!
Acorda prá vida
A sua bunda tá em cima
Mas sua moral tá caída
A dignidade tá em baixa
Você só rebola, só rebola
Só rebola e se rebaixa
E se encaixa no velho perfil:
Mulher objeto
Em pleno ano dois mil
E um, e dois, e três
Sempre tem alguém
Prá ser a bunda da vez
Te chamam de celebridade
E você acredita
Enche o rabo de vaidade
E arrebita!

A-aha! Arrebita a rabeta!
A-aha! E me diz, meu bem
O que mais que você tem?
A-aha! Arrebita a rabeta!

Arrebita bem a bunda
Vagabunda!
Que a bunda é tudo de bom
Que você tem
Você tira até retrato
Três por quatro de costas
Pensa com a bunda
E quando abre a boca
Só sai bosta
Talvez você nem seja
Tão piranha
Mas qualquer concurso
Miss bumbum que tem
Você se assanha
A-aha! E tira foto
Fazendo pose
De garupa de moto
A-aha! Vai sair na revista
E o povo vai dizer
Que você é artista
Porque agora bunda é arte
É cultura, é esporte
É até filosofia
Quase uma religião
E se você tiver sorte
Pode ser seu passaporte
Para fama ou prá cama
Pode ser seu ganha-pão
Bunda conhecida
Bunda milionária
Bonitinha mas ordinária
Que nem otária na TV
De perna aberta
Queima o filme das mulheres
E se acha muito esperta
Vai, vai lá!
Vai entrar na dança
Vai usar a poupança
Vai ficar orgulhosa
Sem saber o mau exemplo
Que tá dando pras crianças
Adolescentes, adultas
E adultos retardados
Que idolatram
Um simples rebolado
Bando de bundão!
Aplaudindo a atração
Não pelas idéias
Mas pelo burrão!

A-aha! Arrebita a rabeta!
A-aha! E me diz, meu bem
O que mais que você tem?
A-aha! Arrebita a rabeta!

Arrebita bem a bunda
Vagabunda!
Que a bunda é tudo de bom
Que você tem!

-Ordem e progresso
Sua bunda é um sucesso
-Ai, nádegas a declarar!

Lombo ambulante
Burrão ignorante!
Sua bunda é alucinante
A rabeta arrebenta
Mas beleza não é tudo
Além da forma
Tem que ter conteúdo
Senão você
Se torna descartável
Que nem uma boneca inflável
Então encare a realidade
Com seu olho da frente
E veja a vida
De uma forma diferente
Porque uma mulher decente
Pode ser muito mais atraente
Que uma bunda sorridente
Então, garota sangue bom
Se liga na missão
Se liga nesse toque
Ser ou não ser
Eis a questão!
A vida é bem mais
Que um número no Ibope
Deixe a sua mente
Bem ligada
Ou vai ficar injuriada
Reclamando
Que não é valorizada
Pára prá pensar
Bota a bunda no lugar
E a cabeça prá funcionar!

A-aha! Arrebita a rabeta!
A-aha! E me diz, meu bem
O que mais que você tem?
A-aha! Arrebita a rabeta!

Arrebita bem a bunda
Vagabunda!
Que a bunda é tudo de bom
Que você tem
Solta essa bundinha
Solta o verso
Solta a rima minha filha
Solta o verbo
Na cara do Brasil
Que atrás de você
Virão mais de mil!

Eu também não sou chegado
Em celulite
Mas eu vou te dar um palpite
Exercite a tua mente
E não se irrite
Se eu tô sendo muito franco
Mas atualmente
Ela só pega no tranco
Amanhã
Você vai olhar prá trás
E vai ver que o seu colã
Já não entra mais
Vai querer fazer uma lipo
Vai querer meter silico
E vai continuar
Pagando mico! Ah!

A-aha! Arrebita a rabeta!
A-aha! E me diz, meu bem
O que mais que você tem?
A-aha! Arrebita a rabeta!

Arrebita bem a bunda
Vagabunda!
Que a bunda é tudo de bom
Que você tem!

Ordem e progresso
Sua bunda é um sucesso
Nádegas a declarar!
Nádegas a declarar!
Ordem e progresso
Sua bunda é um sucesso
Nádegas a declarar!…(2x)

Na Casa da Vovó Bisa

Na casa da vovó bisa tem: gostosura
Na casa da vovó bisa tem: travessura
Na casa da vovó bisa tem: travesseiro
Na casa da vovó bisa tem: brigadeiro
Na casa da vovó bisa tem: tem um cheiro
O cheiro do pescoço da vó bisa é bom demais
(Oh! cheirinho bom do pescoçinho da vovó)

Na casa da vovó bisa tem: campainha
Na casa da vovó bisa tem: revistinha
Na casa da vovó bisa tem: … (Hum?)
Na casa da vovó bisa tem: -adivinha?
Na casa da vovó bisa tem: tem cosquinha
Cosquinha no pescoço e no sovaco e cafuné
(Oh! cafunézinho da vovó bisa…cata piolho vovó)

Na casa da vovó bisa tem: bombom
Na casa da vovó bisa tem: batom
Na casa da vovó bisa tem: Monteiro Lobato
Na casa da vovó bisa tem: canjica no prato
Na casa da vovó bisa tem porta-retrato com foto da familía reunida no Natal
Tem titio, tem titia, tem o primo, tem a prima
Tem o neto, tem a neta, tem a filho, tem a filha
Tem o dindo, tem a dinda e vai chegando mais gente ainda
Olha só que maravilha, olha! Que coisa linda!
Olha só que coisa linda, olha só que maravilha
Já chegou toda a família e vai chegar mais gente ainda
Olha só o bebezinho, é a cara do vô biso
Todo mundo com sorriso na casa da vovó bisa
Padrinho, madrinha, padrasto, madrasta
O genro, a nora, o sogro, a sogra
O cunhado, a cunhada, a enteada, o enteado
Todo mundo reunido, todo mundo convidado
Todo mundo convidado, todo mundo reunido
O enteado, a enteada, a cunhada e o cunhado
Padrinho, madrinha, padrasto, madrasta
O sogro, a sogra, o genro, a nora
Todo mundo tá chegando, mas ninguém quer ir embora

Na casa da vovó bisa tem
Na casa da vovó bisa tem
Na casa da vovó bisa tem
Na casa da vovó bisa tem
Na casa da vovó bisa tem

Na casa da vovó bisa tem: almofada
Na casa da vovó bisa tem: gargalhada
Na casa da vovó bisa tem: gargarejo
Na casa da vovó bisa tem: pão de queijo
Na casa da vovó bisa tem: tem um beijo
Um beijo na bochecha e um na testa pra sonhar

Na casa da vovó bisa tem: bombom
Na casa da vovó bisa tem: batom
Na casa da vovó bisa tem: Monteiro Lobato
Na casa da vovó bisa tem: canjica no prato
Na casa da vovó bisa tem porta-retrato com foto da familía reunida no Natal
Tem titio, tem titia, tem o primo, tem a prima
Tem o neto, tem a neta, tem a filho, tem a filha
Tem o dindo, tem a dinda e vai chegando mais gente ainda
Olha só que maravilha, olha! Que coisa linda!
Olha só que coisa linda, olha só que maravilha
Já chegou toda a família e vai chegar mais gente ainda
Olha só o bebezinho, é a cara do vô biso
Todo mundo com sorriso na casa da vovó bisa
Padrinho, madrinha, padrasto, madrasta
O genro, a nora, o sogro, a sogra
O cunhado, a cunhada, a enteada, o enteado
Todo mundo reunido, todo mundo convidado
Todo mundo convidado, todo mundo reunido
O enteado, a enteada, a cunhada e o cunhado
Padrinho, madrinha, padrasto, madrasta
O sogro, a sogra, o genro, a nora
Todo mundo tá chegando, mas ninguém quer ir embora

Na casa da vovó bisa tem
Na casa da vovó bisa tem
Na casa da vovó bisa tem
Na casa da vovó bisa tem
Na casa da vovó bisa tem
(Vovó bisa eu sei que tem, num esconde a guloseima que eu tô chegando. Eu quero, eu quero, eu quero mais!!)

Não Dá Pra Ser Feliz (Menino Guerreiro)

Entregue à própria sorte, nessa selva, onde a lei é a do mais forte, indefeso, carregando todo o peso
O homem não consegue suportar
Não sabe como lidar com a vida que a vida lhe dá
Está de mãos e pés atados, incapacitado de fazer o que é capaz
Jaz morto-vivo no mundo
Reduzido a vagabundo
Sem poder sorrir, sem poder sonhar, sem poder,
Sempre no mesmo lugar
Sem trabalho, sem sustento, sem moral
Rendido, ao relento, feito um animal
“Eu vejo que ele berra, eu vejo que ele sangra
A dor que tem no peito, pois ama e ama…
Não dá pra ser feliz, não dá pra ser feliz…”
O destino testa a sua paciência
Instigando o seu instinto de sobrevivência
Vergonha, estresse, medo
Engolindo seco, respirando azedo
O bicho-homem atrás de migalha
O homem-máquina precisando de batalha
Desativado, vivendo de favor
Lutador que não pode jogar a toalha
Tentando manter sua dignidade
À procura de uma oportunidade
Na guerra contra o tempo tá ficando tarde
Inocente cumpre pena num sistema covarde
“Guerreiros são pessoas tão fortes, tão frágeis
Guerreiros são meninos no fundo do peito…
Não dá pra ser feliz, não dá pra ser feliz…”
O homem, bicho, domesticado, se vê desesperado se vê sua ração no mercado
Mas não pode pagar
E vê sua razão sem saber o que falar
E a necessidade lhe dizendo pra comer
Custe o que custar: matar, morrer…
“O homem também chora…”
O homem não é fera
Foi jogado fora
Foi violentado em seu direito de viver
Vive sem vontade, morre sem saber
Perde o equilíbrio, cai
Se destrói
E o mundo se distrai
O mundo se desfaz com tanta disputa
E faz que não escuta
A sua voz que diz:
“O que será que eu fiz?
Só tenho cicatriz
Não dá pra ser feliz”
“O homem se humilha se castram seus sonhos
Seu sonho é sua vida e vida é trabalho
E sem o seu trabalho o homem não tem honra
E sem a sua honra, se morre, se mata
Não dá pra ser feliz, não dá pra ser feliz…”

Mucama

O Quê Se Espera De Uma Nação
Que o Herói é a Televisão?
Que Passa Todos Os Seus Meses Mal,
Melhora Tudo no Natal!
Até Presente Dá Pra Dar
Só Não Se Sabe o Que Vai Receber.
Pano De Prato Ou Dedal.
Escolha o Mais Caro Que Eu Quero Ver!
Mucama… (Mucama!)
Na Cama Do Patrão.
Me Chama… (Me Chama!)
Me Chama De Negão.
Me Paga… (Me Paga!)
Salário De Bufão.
Mas Come… (Mas Come!)
O Que a População Não Come!
Não Come!

O Quê Se Espera De Uma Nação
Que o Herói é a Televisão?
Que Passa Todos Os Seus Meses Mal,
Melhora Tudo, no Carnaval!
Dá Pra Brincar, Dá Pra Comemorar!
Só Não Se Sabe Muito Bem Por Quê.
Entrou De Cara na Realidade,
Na Quarta-feira Que Eu Quero Ver!

Gabriel, o Pensador):
Na Quarta-feira Volta Pra Realidade!
Que Arde,
Acaba a Comemoração, Apaga a Televisão Pra Não Gastar Eletricidade!
Como na Cinderela a Carruagem Volta a Ser Abóbora
Na Favela o Carro Alegórico Some!
E Volta Às Sobras:
Sobra De Feira,
Sobra De Terra,
Sobra De Chão,
Sobra De Lama,
Sobra De Bala Perdida
E Sobra De Comida
Pra Mucama,
Mucama Que Nada Exclama,
Que Não Reclama,
Que Não Se Inflama,
Se Acalma Vendo Novela, Pois na Tela Todo Mundo Ama Todo Mundo
Mas na Vida Real Todo Mundo se Odeia!
E Ódio Gera Ódio, Um Sobe no Pódio, Outro Serve a Ceia!
Ceia no Natal
Luxo no Carnaval
Mucama Deitando na Cama
Beijim, Beijim, Pau, Pau
Tchau!
Eu Só Vou Te Usar
Você Não é Nada Pra Mim
Já Temos Outra Pra Botar no Seu Lugar
Pirlimpimpim!
Abra-cadabra, Como Mágica, Mas Não é Abra-te-sésamo!
Porque Aqui As Portas Só Se Fecham: Bum!
É Menos Uma Oportunidade, Não é Só a Quarta-feira Que é De Cinzas
Na Verdade é a Semana Inteira:
Quinta, Sexta, Sábado e Domingo e Segunda!
E o Povo-mucama Continua Sorrindo, Levando Nas Coxas, Levando na Bunda!
Mas Não Faz Mal!
Porque Depois Melhora Tudo(Hen!)
No Carnaval…

Mucama… (Mucama!)
Na Cama Do Patrão
Me Chama… (Me Chama!)
Me Chama De Negão
Me Paga… (Me Paga!)
Salário De Bufão
Mas Come… (Mas Come!)
O Que a População Não Come!
Não Come!

Mentiras do Brasil

Era uma vez duas criancinhas
Um mundo do faz de conta era onde eles viviam
Seus nomes eram José e Maria
E verde e amarelo era a bandeira que vestiam
Queriam viver com felicidade mas pra isso era preciso saber sempre a verdade
Os adultos hipócritas provocavam sua ira
Pois quem é puro não gosta de conviver com a mentira
Mas Zezinho e Maria eram puros porém sabidos
Deixavam tapados um dos lados de seus ouvidos
Pra não entrar por aqui e sair por ali
O que escutavam e achavam importante refletir
E na TV as histórias que os adultos contavam
Eles gostavam de ver
Mas nem sempre acreditavam
Se revoltavam vendo coisas que até cego já viu
E resolveram fazer uma lista com…

As maiores mentiras do Brasil
Vocês e suas mentiras vão pra… (primeiro de abril!)
As maiores mentiras do Brasil
Vocês e suas mentiras vão pra… (primeiro de abril!)

E uma mentira absurda encabeçava o rol:
Deus é brasileiro… (Só se for no futebol!)
Certas frases conhecidas são mentiras e ninguém nega
(por exemplo?) “A justiça é cega!”
Quem prega isso é canalha (psh! Não espalha)
Porque aqui a justiça tarda… E falha!
E o Zezinho gargalha com outra mentira boçal
(qual?) “O brasileiro é cordial” aha!
Mas que gracinha, imagina se não fosse!
Se o brasileiro é amável, Adolf Hitler é um doce
Porque a lei de Gérson é o nosso evangelho
Todos querem se dar bem e não se respeita nem os velhos
Dizem também que o pobre é malandro
Mas o povão tá só ralando e quem tá armando são os grandes empresários e empreiteiros
Mas até hoje só prenderam o PC e os bicheiros
No país da impunidade tudo é contraditório
Deixam o resto em liberdade em troca de um simples bode expiatório
Que situação patética
É real ou ilusório o processo de restauração da ética?
Será que é boato? Zezinho e Maria perguntavam
E enquanto isso anotavam…

Refrão

Mentira tem perna curta e se desmente facilmente
Zezinho estava em frente a uma loura linda e inteligente
E tem gente que diz que toda mulher bonita é burra
Quem acredita merece uma surra
Dizem que o bebê vem da cegonha
E que cresce pelo mão se bater uma bronha
Mas o pequeno Zé não acreditava
E se crescesse ele raspava
A lista de mentiras aumentava:
Comunista come criancinha, Aids é doença de gay
“Mentira!” (seu comunista, bota camisinha!)
Mariazinha ficou mocinha e descobriu que era caô
Que só existia sexo com amor
Aprendeu a falar inglês e viu que não é só filme brasileiro que tem muito palavrão
Pois foi no cinema e ouviu tudo o que eles cortam na legenda e na dublagem da televisão
Queriam as verdades sem cortes
Queria liberdade
Queriam independência ou morte
Perguntaram ao fantasma de Cabral a história real entre Brasil e Portugal:
“Não foi sem querer que descobrimos vosso país
Nós portugueses não somos burros como se diz!”
Outra piada que não era nada séria era que a seca do Nordeste era a culpada da miséria
Desculpa esfarrapada puro blá, blá, blá…
Pois se os políticos quisessem eles faziam o sertão virar mar!
Tem também a lenda eterna da falta de verbas
As moscas mudam mas é sempre a mesma merda…
E a lista continua sem parar
Com mentiras que o Pinóquio teria vergonha de contar

Refrão

Diziam que o Brasil é o país do futuro
Mas eles viram que o melhor era viver o presente
Zezinho e Maria decidiram mostrar pra todo mundo que é mentira que o Brasil não vai pra frente!
Eram crianças
Tinham muita esperança
Mas não queriam esperar pois quem espera nunca alcança
Acharam nojento todo aquele fingimento
E começaram a ficar violentos
(O brasileiro tá cansado de ser enganado
Daqui pra frente os mentirosos serão enforcados)
E começaram assim uma revolução
Controlaram todos os meios de comunicação
E revelaram sua lista com as milhões de mentiras
Que atrasavam a ordem e o progresso da nação
Só tinham uma saída pro país
Acabar com as mentiras pela raiz
E como toda revolução deixa cicatriz
O sangue jorrou feito um chafariz
Foi uma vitória do povo e no final da conquista
Zezinho e Maria puseram fogo na lista das…

Refrão

E ao voltarem pra casa encontraram seu pai emocionado por tudo que eles tinham aprontado
Uma nova era tinha começado e não era à toa que os olhos do coroa estavam encharcados
Uma lágrima desceu e Zezinho percebeu que descobria mais uma mentira nessa hora…
Homem também chora

Martelo

Pena leve prega a batida do martelo
Martelo de carpinteiro pena leve cela
Martelo de homem simples só pega
Pancada do martelo que o juiz prega

Pena escreve a batida do martelo
Pancada do martelo prega pesada pena
Batida do martelo prega a peça
Pancada do martelo causa pena

Homem sem cabeça, cabeça de prego
Há pena sem cela e cela sem pena
A pena e o martelo, martelo e a pena
A pena é do juiz, o carpinteiro é do martelo

Bandido não tem pena, martelo de dor
Sentença amordaçada, pena sem valor
A pena que faz versos martela o coração
A dor que vale a pena martelo de paixão

Martelo de carpinteiro e pena
Martelo de juiz dita a pena
Marginal martela a pena e diz
Eu hoje
Eu quebro a pena com o martelo do juiz

Ordem no tribunal! Ordem!

Todo Mundo quer viver feliz
Em Gaza ou em Jerusalém
E eu aqui na minha casa, nessa terra de ninguém, também
Vendo as fotos das crianças mortas nos jornais
O Oriente Médio não tem paz
Mas tem menos ou tem mais
Nessa parte aqui do mapa

Nossas crianças mortas já não saem nem na capa
Só saem nos jornais de vez em quando
Se o crime for bem bárbaro, com câmera filmando
Feito João Roberto de três anos
No carro dos seus pais
Metralhados por policiais
Que confundiram uma criança
E sua família com bandidos
Depois foram julgados e absolvidos
Juiz não teve pena
Nem responsabilidade

Tá faltando pena e tá sobrando impunidade
Impunidade é a mãe da covardia
No país verde amarelo
Tem inocente na cela
E tem bandido no castelo

Bandido não tem pena, martelo de dor …

Arrastado pelo carro João Helio
Da janela Isabela
E quantos mais anônimos nas roças, nas favelas
Crianças estupradas, famílias destroçadas
Chacinas, extermínios e ninguém faz nada

Ninguém perdeu o sono
Por saber que seu milhão
Deixou grávida e sem leite
E natimortos pelo chão
Esgoto a céu aberto
Crack, pó, fuzil, pistola
Prostitutas de 10 anos, estudantes sem escola
Se matam inocentes, se a doméstica é espancada
Se a presa adolescente vai parar na cela errada
Violentada pelos outros presos
Todo mundo sabe tudo mas ninguém sabe de nada

Tá faltando pena, tá faltando pena
Quando um bandido queima
Quando a polícia invade
Lá na periferia ou no centro da cidade
Lá na cidade grande
Ou na cidade pequena

Tá me dando pena das crianças que morreram
E tá me dando pena das crianças que nasceram
Que futuro elas vão ter
Nesse tipo de sistema
Onde pra ganhar dinheiro tudo vale a pena
Tudo vale a pena
Porque a alma é tão pequena
Tudo vale a pena porque a alma é tão pequena

Masturbação Mental

Ontem eu te liguei, só pra dar um oi.
Mas você não tava, eu gostaria imensamente de saber onde “cê” foi.
Por que não me chamou?
Eu tô aqui à toa sem saber qual é a boa sem saber aonde eu vou
(achar algum remédio, que faça algum efeito contra a falta de respeito e dê um jeito nesse tédio).
Alguma vitamina, que force uma mudança nessa falta de assunto e dê um break na rotina.
Repetição!
Eu tô cansado de ficar aqui parado só nessa masturbação mental.
Prefiro algo mais original.

Masturbação mental!
Tá me fazendo mal, tá me fazendo mal!
Masturbação mental!
Se isso for normal eu quero ser anormal!
Masturbação mental!
Tá me fazendo mal, tá me fazendo mal!
Masturbação mental!
Se isso é diferente eu prefiro ser igual!

Hoje eu acordei meio indisposto.
E resolvi ouvir um som bem diferente pra poder mudar o gosto.
Indigesto!
E me peguei assobiando aquela música cafona que eu detesto, mas que me emociona, porque me lembra alguém que me fez bem e depois me pôs na lona.
Fazer o quê?
A gente cospe no prato que come, pra depois querer comer no prato que cuspiu.
A vida continua e eu agora tô a mil!
Agora eu sou mais eu!
Você que eu não vou ser.
Mas pra ter liberdade de verdade eu aprendi a desaprender o que só me prendia.
A mente é livre, livre mente, a gente é livre, Deus me livre dessa rebeldia que fala e não diz nada.
Ouvi dizer que a vida recomeça a cada dia e aprendi essa piada.
Depois talvez esqueça.
O mundo muda, tudo muda, todo mundo muda mas só mudo minha cabeça se for melhor pra mim (quando eu achar que é, e se eu tiver afim).

(Refrão)

Amanhã não sei.
Bola de cristal nunca funcionou comigo porque eu não consigo fazer tudo sempre igual, a não ser que eu tente.
Só que eu nunca tento sempre invento um movimento cada vez mais diferente.
Não que eu só acerte, mas errar também faz parte em qualquer parte eu não vou ficar inerte, esperando a morte.
Não reclamo do azar porque o azar às vezes vem trazendo sorte.
Saúde! Vitamina C, pode crer, pode ser que o tempo mude…
Eu já cansei de ouvir o que eu já cansei de ouvir!
Eu já cansei de ouvir o que eu já cansei de ouvir!
Eu já cansei de ouvir o que eu já cansei de ouvir!
Eu já cansei de ouvir o que eu já cansei de ouvir!
Eu vou gozar, Maria, eu vou gozar, José.
Eu vou gozar a vida do jeito que eu quiser.
E se eu fizer cagada, eu sei limpar.
Não vem cagando regra. Na regra que cê caga eu vou pisar.
Não vem ditando norma… Pensando bem, tô pensando de outra forma.
Você acha que é loucura? Eu acho que é careta.
A vida é muito curta pra ficar nessa punheta.
Ontem eu te liguei. Onde você foi?
Eu gostaria imensamente de te achar mas era só pra dar um oi.
Ouvi dizer que a vida recomeça a cada dia e aprendi a dar risada.

Mário

O pequeno Mário, dentro do berçário, era feito carta em envelope sem destinatário.
Um menino sem destino, se nome no cartório, ficou num orfanato até o sexto aniversário.
E foi parar num seminário, onde um padre fez o Mário conhecer o ABCDário.
Aprendeu a ler a bíblia e o dicionário.
E aos doze já sabia escrever um diário.
O diário era o seu melhor amigo, onde o Mário confessava o seu desejo proibido de ser bibliotecário… e conhecer uma mulher… e todos os gêneros literários.

Mário! Você conhece o Mário?
Cansou de ser otário.
Mudou de profissão, virou revolucionário.
Vai Mário, vai Mário, vai Mário!
Você conhece o Mário?
Cansou de ser otário.
O Mário tá na área e não tem páreo para o Mário.
Vai Mário, vai Mário!

O garoto Mário, lá no seminário, era feito um peixe fora d’água, preso num aquário.
Preferiu ir pra cidade, mais um operário.
Quinze anos de idade, menos de um salário.
Menos do que o necessário; vida dura dividida entre a leitura e o trabalho.
Aos 16 já era um líder comunitário, era um jovem lutador e solidário.
Aos 17 era boy num escritório.
Aos 18 fez serviço militar obrigatório.
Mataram um soldado e precisavam de um bode expiatório.
O Mário era rebelde e foi pro interrogatório.
Inocente até que provem o contrário, foi torturado e virou presidiário.
E lá dentro teve tempo de arrumar seus pensamentos de um modo extraordinário.

Mário! Você conhece o Mário?
Cansou de ser otário.
Mudou de profissão, virou revolucionário.
Vai Mário, vai Mário, vai Mário!
Você conhece o Mário?
Cansou de ser otário.
O Mário tá na área e não tem páreo para o Mário.
Vai Mário, vai Mário!

Soltaram o Mário antes do horário – a imprensa descobriu seu julgamento arbitário.
Divulgou a sua estória e os seus comentários, sua vida e o seu discurso libertário:
– Todo ser humano tem direito a ser alguém e tem direito a ter um bem do bom e do melhor.
Melhor pra todos nós se todo ser humano tem direito à sua vez e tem direito à sua voz.
Padres e mendigos, freiras, prostitutas, todos são iguais, todos têm direito à paz, todos têm direito à luta.
Direito e dever de saber e de ver e fazer acontecer.
Todos têm direito de mudar!
Nem todos que sonharam conseguiram, mas pra todos conseguirem todos têm que ter a chance de tentar.
Não tem pra ninguém!
Mas tem que ter pra todo mundo e pra mim também!

Refrão

Missionário sem religião (sem religião!), conquistou uma legião, uma multidão, na sua missão contra a omissão em todos os cenários:
urbanos, suburbanos e agrários.
Mas o seu discurso igualitário foi ficando cada vez mais duro, mais maduro, incendiário!
Incomodando os poderosos e reacionários, que já queriam ver seu nome no obituário.
Mas o Mário tava em todos os noticiários, nas escolas, nos “campus” universitários, nas favelas, nas bocas, nas bancas, nas ruas, nas fábricas, em todos os lugares! – E o Mário rebate qualquer argumento contrário ao seu ideário.
Debate com qualquer político, autoridade ou autoritário; do executivo, do legislativo ou judiciário; latifundiário ou megaempresário; qualquer mercenário do Fundo Monetário…
Ninguém nesse mundo é páreo pro Mário!
E o Mário, que era só um João Ninguém, leu, escreveu, conheceu e foi reconhecido.
Cansou de ser otário. E pra quem ta cansado também, o Mário é um exemplo a ser seguido.

Mandei Avisar

Vou dizer pro mundo inteiro nesse som
Vou dizer pro mundo inteiro como é bom
Como é bom ouvir a ciência
De um amigo
Que te traz um incentivo
Vou dizer pro mundo inteiro nesse som
Vou dizer pro mundo inteiro como é bom
Como é bom ouvir a ciência de um amigo
Que te traz um pensamento positivo
E te deixa até mais
Vivo, por incrível que pareça
Por incrível que pareça, combustível pra cabeça
Combustível pra cabeça, pra cabeça e pra alma
Muita calma nessa hora, nessa hora muita calma
Eu tava meio sem gás, estressado demais
Meu amigo não é Cristo mas foi ele que me trouxe paz
E me trouxe mais luz, mesmo não sendo Jesus, nem Davi nem Maomé
Meu amigo me encheu de fé
É, tô falando de uma coisa normal
Que acontece com as pessoas
Normais, mortais, de carne e osso
Não é religião, mas também tem um lado espiritual
E pode te tirar do fundo do poço

Mandei avisar
Pro mundo inteiro
Que amizade, meu irmão
Vale mais que dinheiro

Sei que pode parecer clichê
Mas não é preciso ter muito pra perder
Dinheiro vem, dinheiro vai
Dinheiro vai, dinheiro vem
Saúde e paz, infelizmente também
E é aí que você vê quem é quem
Mas tem mais Deus pra dar do que o Diabo pra tirar
Tem mais Deus pra dar do que o Diabo pra tirar
Amizade de verdade é semente bem plantada e forte
É semente bem plantada
Que floresce nas melhores e piores condições
Principalmente nas piores
E da mesma maneira que não existe amor sem perdão
Não existe amizade sem a convicção de que é preciso continuar
É preciso continuar; apesar de tudo, é preciso continuarconfiando
Pra não endurecer como as cidades
Nem tudo é consumo, nem tudo é lobby, nem oportunidade
De usar as pessoas em busca de alguma recompensa
Amizade é a semente que eu rego, o amuleto que eu carrego ealimenta minha crença
De que a força dessa cumplicidade
É o que faz a diferença
E é por isso que esse refrão faz bem a gente lembrar
É por isso que esse refrão faz bem a gente cantar
E é por isso que esse refrão faz bem
Faz bem a gente mandar avisar, avisar

Mandei avisar
Pro mundo inteiro
Que amizade, meu irmão
Vale mais que dinheiro.

Lôrabúrra

Existem mulheres que são uma beleza
Mas quando abrem a boca
Hmm que tristeza!
Não não é o seu hálito que apodrece o ar
O problema é o que elas falam que não dá pra agüentar
Nada na cabeça
Personalidade fraca
Tem a feminilidade e a sensualidade de uma vaca
Produzidas com roupinhas da estação
Que viram no anúncio da televisão
Milhões de pessoas transitam pelas ruas mas conhecemos facilmente esse tipo de perua
Bundinha empinada pra mostrar que é bonita
E a cabeça parafinada pra ficar igual paquita

Lôrabúrra!

Elas estão em toda parte do meu Rio de Janeiro
E às vezes me interrogo se elas tão no mundo inteiro
À procura de carros
À procura de dinheiro
O lugar dessas cadelas era mesmo no puteiro
Só se preocupam em chamar a atenção
Não pelas idéias mas pelo burrão
Não pensam em nada
Só querem badalar
Estar na moda tirar onda beber e fumar
Cadelinhas de boate ou ratinhas de praia
Apenas os otários aturam a sua laia
E enquanto o playboy te dá dinheiro e atenção
Eu só saio com você se for pra ser o Ricardão

Lôrabúrra!

Não eu não sou machista
Exigente talvez
Mas eu quero mulheres inteligentes
Não vocês
Vocês são o mais puro retrato da falsidade
Desculpa amor
Mas eu prefiro mulher de verdade
Você é medíocre e ainda sim orgulhosa
É mole?
Não tá com nada e tá prosa
E o seu jeito forçado de falar é deprimente
Já entendi seu problema
Vocês tão muito carentes
Mas eu só vou te usar
Você não é nada pra mim
(Hmm meu amor
Foi bom pra você?)
…Ah deixa eu dormir
Pra que dar atenção pra quem não sabe conversar?
Pra falar sobre o tempo ou sobre como estava o mar? Não
Eu prefiro dormir
Sai daqui
Eu já fui bem claro mas vou repetir
E pra voce me entender vou ser ate mais direto:
Lôrabúrra, cê não passa de mulher-objeto

Lôrabúrra!

Escravas da moda vocês são todas iguais
Cabelos, sorrisos e gestos artificiais
idéias banais e como dizem os Racionais:
(Mulheres vulgares
Uma noite e nada mais)
Lôrabúrra você e vulgar sim
Seus valores são deturpados você é leviana
Pensa que está com tudo mas se engana em sua frágil cabecinha de porcelana
A sua filosofia é ser bonita e gostosa
Fora disso é uma sebosa tapada e preconceituosa
Seus lindos peitos não merecem respeito
Marionetes alienadas vocês não têm jeito
Eu não sou agressivo
Contundente talvez
O Pensador dá valor às mulheres
Mas não vocês
Vocês são o mais puro retrato da falsidade
Desculpa amor
Mas eu prefiro mulher de verdade

Lôrabúrra!

É o problema não tá no cabelo
Tá na cabeca
Não se esqueça
Nem todas são sócias da farmácia (Lorácia)
Tem muita Lôrabúrra de cabelo preto e castanho por aí
É… Lôrabúrra morena, ruiva, preta…
Lôrabúrra careca
E tem a Lôrabúrra natural também (Loraça belzebúrra)
Cada Lôrabúrra é de um jeito mas todas sao iguais
Cê tá me entendendo?
(Eu gosto é de mulher)

Lôrabúrra!

Indecência Militar

Na porta do local do alistamento militar (indecência) esperando pela hora de entrar
De saco cheio estava eu lá (paciência)
Sem nenhuma mulher pra agarrar e nenhum som pra escutar
E um monte de marmanjo do meu lado eu vi
Então pensei: “Porra. O quê que eu tô fazendo aqui?”
(Pergunta sem resposta) e raiva lá dentro
Foi assim que eu fiz o rap pra passar o tempo

Porque o serviço militar obrigatório é uma indecência
Um ano sem mulher batendo continência
Escravidão numa democracia é uma incoerência
Um ano sem mulher batendo continência

Um ano sem mulher
Só ralando (E o salário…)
Não leve a mal mas isso é coisa pra otário
Alguns podem até gostar da brincadeira
Mas o serviço só é bom pra quem quer seguir carreira militar
Mas rapá… pro Pensador não dá
Servindo o Exército, Marinha, Aeronáutica ou qualquer porra dessa
Num interessa
Eu ia ser um infeliz e ia ficar revoltado como eu nunca quis
Servindo quem montou a ditadura aqui no meu país!
Usando farda
Lavando o chão
Sem reclamar de nada pra num ser jogado na prisão
(Hum mas que situação)
Batendo continência e fazendo flexão
Para os caras que prenderam meu pai e mataram tantos outros institucionalizando a repressão (Não!)
Agora acorda e concorda com esse refrão
(E porque não?)

Porque o serviço militar obrigatório é uma indecência
Um ano sem mulher batendo continência
Escravidão numa democracia é uma incoerência
Um ano sem mulher batendo continência

Nas mãos dos militares muito jovem já morreu
Num quero ser soldado
Quem manda em mim sou eu
Isso é o defeito da nossa sociedade
Exijo mais respeito pela minha liberdade
Um ano da minha vida não pode ser gasto assim
Escravizado por quem nunca fez nada de bom por mim
Essa contradição alguém me explique um dia
Serviço obrigatório não combina com democracia
A porta abre e todos entram
Torcendo pra sobrar
Enquanto isso dá vontade de cantar:

Porque o serviço militar obrigatório é uma indecência
Um ano sem mulher batendo continência
Escravidão numa democracia é uma incoerência
Um ano sem mulher batendo continência

To Feliz (Matei o Presidente)

Chegou a hora de acabar com os marajás…
Ouçam todos! Foi executado o nosso presidente
-Peraí, peraí, o que essa música tá fazendo aí? É flashback, disco, é flashback?
-Flashback não, porra, é tua primeira música, de 92, tá cuspindo no prato que comeu?
-Não rapá, isso aí já passou, hoje eu tô feliz, ‘cê tá feliz? Já tamo em outra, pô!
-Que outra o que mané, cê vai censurar tua própria música do disco agora?
-Ah, tá bom, tá certo. Vai como recordação pra quem já ouviu então. E pra quem não ouviu, rola aí, DJ Frias!

Chegou a hora de acabar com os marajás…
Ouçam todos! Foi executado o nosso presidente. Aqui Agora. Vamos escutar Gabriel, o Pensador, principal suspeito do crime.
-Suspeito não, culpado rapá, pode falar aí que eu assumo mesmo.
Como aconteceu a tragédia?
-Encontrei ele e a mulher na rua e não resisti. Peguei uma pedaço de pau que tava no chão e aí…
Atirei o pau no rato, mas o rato não morreu
Dona Rosane admirou-se do ferrão três-oitão que apareceu

“aaaahhhhh Minha gente, amigos”

Todo mundo bateu palma quando o corpo caiu
Eu acabava de matar o Presidente do Brasil
Fácil um tiro só, bem no olho do safado
Que morreu ali mesmo, todo ensangüentado
Quê? Saí voado com a polícia atrás de mim
E enquanto eu fugia eu pensava bem assim:
“Tinha que ter tirado uma foto na hora em que o sangue espirrou
Pra mostrar pros meus filhos, que lindo, pô”
Eu tava emocionado mas corri pra valer
E consegui escapar, hã, tá pensando o quê?
E quando eu chego em casa o que eu vejo na TV
Primeira dama chorando perguntando (Por quê?)
Ah, Dona Rosane, dá um tempo, não enche, não fode
Não é de hoje que seu choro não convence
Mas se você quer saber porque eu matei o Fernandinho
Presta atenção, sua puta, escuta direitinho
Ele ganhou a eleição e se esqueceu do povão
E uma coisa que eu não admito é traição
Prometeu, prometeu, prometeu e não cumpriu
Então eu fuzilei, vá pra puta que o pariu
É “podre sobre podre” essa novela, é Magri, é Zélia
É Alceni com bicicleta e guarda-chuva
LBA Previdência, chega dessa indecência
Eu apertei o gatilho e agora você é viúva
E não me arrependo nem um pouco do que fiz
Tomei uma providência que me fez muito feliz

(Refrão)
Hoje eu tô feliz! (Minha gente!) (3x)
Hoje eu tô feliz, matei o presidente!

Eu tô feliz demais então fui comemorar
A multidão me viu e começou a festejar
(É Pensador, é Pensador, é Gabriel O Pensador) (4x)
Me carregaram nas costas, a gritaria não parou
Eu disse “Eu sou fugitivo, gente, não grita o meu nome por favor!”
Ninguém me escutou e a polícia me encontrou
Tentaram me prender mas o povo não deixou
(O povo unido jamais será vencido)
Uma festa desse tipo nunca tinha acontecido
Tava bonito demais, alegria e tudo em paz
E ninguém vai bloquear nosso dinheiro nunca mais
Corinthiano e Palmeirense, Flamenguista e Vascaíno
Todos juntos com a bandeira na mão, cantando o hino
(“Ouviram do Ipiranga às margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante”)
E começou o funeral e o povo todo na moral
Invadiu o cemitério numa festa emocionante
Entramos no cemitério cantando e dançando
E o presidente estava lá, já deitado, nos esperando
Todos viram no seu olho a bala do meu três-oitão
E em coro elogiamos nosso atleta no caixão:
(Bonita camisa Fernandinho!
Bonita camisa Fernandinho!
Bonita camisa Fernandinho!
Você nessa roupa de madeira tá bonitinho!)
E como sempre lá também tinha um grupo mais exaltado
Então depois de pouco tempo o caixão foi violado
O defunto foi degolado, e o corpo foi queimado
Mas depois não vi mais nada porque eu já tava cercado de mulheres
E aquilo me ocupou
(Ai, deixa eu ver seu revólver Pensador!)
Então eu vi um pessoal numa pelada diferente
Jogando futebol com a cabeça do Presidente
E a festa continuou nesse clima sensacional
Foi no Brasil inteiro um verdadeiro carnaval
Teve um turista que estranhou tanta alegria e emoção
Chegando no Brasil me pediu informação:
(O Brasil foi campeão? Tá todo mundo contente!)
Não amigão, é que eu matei o presidente!

Refrão

E o velório vai ser chique, sem falta eu tô lá
Ouvi dizer que é o PC que vai pagar

Refrão

Filho da Pátria Iludido

Quando eu vejo um filho da pátria com a camisa dos Estados Unidos
Eu fico puto
Eu fico louco
Eu fico logo mordido
Porque se fosse um americano eu já não ia gostar
Mas o pior é brasileiro quando cisma de usar
Uma jaqueta ou uma camiseta com aquela estampa
D’aquela porra de bandeira azul vermelha e branca!
Eu não suporto ver aquilo no peito de um brasileiro
Me dá vontade de manchar tudo de vermelho
Vermelho sangue
Do sangue do otário
Que não soube escolher a roupinha certa no armário
E saiu de casa crente que tava abafando
Eu vô tentar me segurar mas eu não tô mais agüentando!!

Quando eu vejo um filho da pátria com a camisa dos Estados Unidos (cores dos States com as estrelas e as listras)
Quando eu vejo um filho da pátria com a camisa dos Estados Unidos (não somos patriotas nem nacionalistas)
Quando eu vejo um filho da pátria com a camisa dos Estados Unidos (como Tio Sam sempre quis)
Quando eu vejo um filho da pátria com a camisa dos Estados Unidos (amigo vai nessa que tu tá é fudido)

E ele saiu de casa crente que tava abafando
Eu fico puto
Eu fico triste
Eu fico quase chorando
De pena de raiva de tristeza de vergonha
Quando eu vejo esses babacas esses panacas esses pamonhas
Que têm coragem de ir pra rua com boné ou camiseta
Com as cores da bandeira mais nojenta do planeta!
Tem azul com estrelinha
Tem branquinho e tem vermelho
O filho da pátria é burro cego ou a casa dele não tem espelho?
Eu acho que é burro mesmo
Coitado
Sem rumo sem governo totalmente alienado
Bitolado do tipo que acredita no enlatado
Que passou no Supercine desse sábado passado
Eu tento me controlar conto até dez respiro fundo
Ô filho da pátria é assim que cê pensa que vai chegar no 1º mundo?
Vestindo essa bandeira de outro povo
Vestindo essa roupa escrota de submisso baba-ovo
Que vergonha que vexame que tragédia que fiasco:
O enforcado desfilando com a bandeira do carrasco!
Condenado
Parece que merece a morte
Me enraivece um colonizado usar a bandeira da metrópole!
E não espere eles invadirem a Amazônia
Pra saber que não passamos de uma mísera colônia
Em pleno século vinte e um beirando o ano dois mil
Por essas e outras devemos usar a bandeira do Brasil
E lutar por um país fudido
No quadro internacional
Tira a camisa dos Estados Unidos seu débil mental!

Refrão

I’m an American and I’m pround of my flag
But Gabriel is my friend and I understand what he said
You gotta have personality keep your own nationality
Look at yourself
Try to live your reality
And maybe we will all have just one nation some day
But now use your own flag let me be USA
Each one has his own country but life is way above
We aint’t talking about hate
It’s all about love…
Amigo cê tá perdido enganado iludido
Já devia ter sabido o que são os Estados Unidos
Um país infeliz
O mais hipócrita da terra
Malucos suicidas e imbecis que adoram guerra
Misturados num lugar cheio de farsa e preconceito
Me diz porque essa merda de bandeira no seu peito?
O quê que cê quer dizer quando veste uma camisa exaltando as belas cores dos opressores que te pisam?
O quê que cê quer passar pra pessoa que olhar pro seu peito e num entender de que lado você tá?
Mas não precisa responder
Cê tá do lado de baixo
Você é uma fêmea no cio e o Tio Sam é o seu macho
Você é o capacho dos norte-americanos
Por isso ainda acho que existe algum engano
Porque eu não me rebaixo a passear vestido
Com a roupa do inimigo: os Estados Unidos

Festa da Música

Há muito tempo tá rolando essa festa maneira
Da música popular brasileira ninguém me convidou mas eu queriaentrar
Peguei o 175 e vim direto pra cá pra
Festa da Música Tupiniquim
Que tá rolando aqui na rua Antônio Carlos Jobim
Todo mundo tá presente e não tem hora pra acabar
E muita gente ainda tá pra chegar

Na portaria o segurança pediu o crachá do Gilberto Gil
Ele apenas sorriu
Acompanhado por Caetano, Djavan, Pepeu, Elba, Moraes, AlceuValência
(Xá comigo! Da licença! Abre essa porta, cabra da peste)
E foi assim que eu penetrei com a galera do Nordeste

Baby tá na área, senti firmeza! E aí Sandra de Sá!
_”Bye bye tristeza…”
Birinight á vontade a noite inteira
Olha o Ed Motta assaltando a geladeira
Olha quanta gata bonita e gostosa! Olha o Tiririca com uma negracheirosa

Ué! Cadê os críticos?! Ninguém convidou? “Barrados no Baileuouou”
Não é festa do cabide mas o Ney tirou a roupa
Bzzz… Paulinho Moska pousou na minha sopa
Cidade Negra apresentou um reggae nota cem
Tá rolando um Skank também! E o Tim Maia até agora nem pintou
Mas o Jorge Benjor trouxe a banda que chegou “Pra animar afesta”

Festa da Música Tupiniquim
Que tá rolando aqui na rua Antônio Carlos Jobim
Todo mundo tá presente e não tem hora pra acabar
E muita gente ainda tá pra chegar

A festa tá correndo bem
O lobão até agora não falou mal de ninguém
O Barão e o Titãs tão tocando Raulzito
A Rita Lee tá vindo ali…ãnh? Não acredito! Ela olhou pra mim e disse “baila comigo”
Eu senti aquele frio no umbigo
Mas é claro que adorei o convite e fui dançar ouvindo o som doKid Abelha, Paralamas e a Blitz

(Isso aqui tá muito bom, isso aqui tá bom demais…) “Segura o tchan, amarra o tchan”
(Xô, Satanás!) Há há! Lulu Santos acabou de chegar com a pimentamalagueta pro planeta balançar
O Chico César, Science, e o Buarque observam um pessoal dançandobreak no chão
E no andar lá de cima um do donos da festa. Tá na boa, tá em paz,tá tocando um violão:
“Festa estranha com gente esquisita, eu não tô legal, não aguentomais birita”

Festa da Música Tupiniquim
Que tá rolando aqui na rua Antônio Carlos Jobim
Todo mundo tá presente e não tem hora pra acabar
E muita gente ainda tá pra chegar

Chopp na tulipa, vinho na taça (camisinha na boquinha da garrafa)… Salve-se quem puder!
Ih… o João Gordo vomitou no meu pé
Fui limpar e dei de cara com os Raimundos que me contaram queentraram pelos fundos

Perguntei pelo banheiro e fiz papel de Mané os sacanas memandaram pro banheiro de mulher
As meninas tavam lá e foi só eu entrar que a Cássia Eller, ZiziPossi e a Gal comçaram a gritar (Ahhhhh!)
Quanta saúde! Fernanda Abreu, Daniela Mercury, Marisa Monte,Daúde… calma, eu não vi nada! A Ângela Rô
Rô queria me dar porrada

Mas os três malandros, Moreira, Bezerra e Dicró, me ajudaram aescapar da pior
Fui pro fundo de quintal, casa de bamba todo mundo bebe todomundo samba
Beth Carvalho, Alcione, Zeca Pagodinho Neguinho daBeija-Flor…Diz aí Martinho!
Comé que é, professor?
_”É devagar, é devagar, devagarinho”

Festa da Música Tupiniquim
Que tá rolando aqui na rua Antônio Carlos Jobim
Todo mundo tá presente e não tem hora pra acabar
E muita gente ainda tá pra chegar

Essa festa é uma loucura
Olha lá o Carlinhos Brown com o pessoal do Sepultura vieram comos índios Xavantes
E a polícia veio atrás tentando dar flagrante E-e-e-ê! O índiotem apito e eu não entendi porquê
Começaram a apitar quando a polícia chegou mas a galera do Cachimbo da Paz nem escutou
Porque o Olodum tava fazendo um batuque maneiro

Até chegarem milhares de funkeiros
Eram tantas duplas que eu até me confundi
Chamei Leandro & Leonardo de MC! E o Zezé de Camargo & Luciano ficaram me zuando
E o funk rolando! Aah… vocês tinham que ver! Chitãozinho &Xororó gritando Uh! Tererê!

O pessoal da Jovem Guarda agitando sem parar
Estavam em outra festa mas vieram pra cá
Passei ali por perto e ouvi o Roberto Carlos comentar: “Ê hei!Que onda, que festa de arromba!”

Todo mundo no maior astral mas rolou um boato que preocupou opessoal
Diziam as más linguas, à boca pequena, que o Michael Jackson tavachegando pra roubar a cena
E foi aí que a Marina ouviu uma buzina e todos foram pra janelana maior adrenalina
Uma brasília amarela dobrava a esquina
Adivinha quem era?

Festa da Música Tupiniquim
Que tá rolando aqui na rua Antônio Carlos Jobim
Todo mundo tá presente e não tem hora pra acabar
E muita gente ainda tá pra chegar

Esperanduquê

Eu nada posso esperar de uma raça que só tem filhadaputa
Se espalha por todo lugar mas tem mais em Brasília
Escuta
No Brasil já teve guerrilha
Com armas
Com tudo
Mas hoje só temos um bando de cego surdo burro e mudo
Ninguém faz nada
Nem os governantes nem a massa dominada
O povo é ignorante e o governo é uma piada
E se você não é um ignorante
Muito bem
Então pelamordeDeus venha se expressar também
A voz do povo é a voz de Deus
Quem disse isso não fui eu
Mas eu acho que quem escreveu essa frase era ateu
Porque esse povo tá sem voz
O povo tá calado
Tá parado esperando Deus batendo palma pro diabo
E enquanto o diabo-rato-porco vai se perpetuando
O povo fica parado debaixo
De quatro
Bobolhando
Bobolhando
Se matando
Sem dinheiro
Esperando deitado de bruços
Esse é o povo brasileiro
Bobolhando
Boboescutando
Boboescutando
É você
Boboesperando
Boboesperando…
Esperando…
Esperanduquê?

É pra rir ou pra chorar

O Brasil proclamou sua independência, mas o filho do rei é que assumiu a gerência.
O povo sem estudo não dá muito palpite, e a nossa república é só pra elite.
(E quem faz greve o patrão ainda demite).
É pra rir ou pra chorar?
O Brasil aboliu a escravidão, mas o negro da senzala foi direto pra favela.
Virou um homem livre e foi pra prisão.
Só que a tal da liberdade não entrou lá na cela.
(E a discriminação ainda é verde e amarela).
É pra rir ou pra chorar?
O Brasil foi parar na mão dos militares, que calaram o povo no tempo da ditadura.
Torturaram e prenderam e mataram milhares, mas ninguém foi condenado pelos crimes de tortura.
(E tem até torturador lançando candidatura).
É pra ri ou pra chorar?
O Brasil conseguiu as eleições diretas, mas a gente que vota ainda é semi-analfabeta.
O Collor foi eleito e roubou até cansar.
O povo deu um jeito de cassar o marajá.
Mas ele não foi preso e falou que vai voltar!
É pra rir ou pra chorar?
O Brasil tem mais terra do que a china tem chinês, mas a terra tá na mão dos grandes latifundiários.
A reforma agrária, ninguém ainda fez.
Ainda bem que os sem-terra não são otários.
(E tudo que eles querem é direito a ter trabalho).
É pra rir ou pra chorar?
O Brasil tem miséria mas tem muito dinheiro, na mão de meia dúzia, no banco suíço.
O rico sobe na vida feito estrangeiro, e o pobre só sobe no elevador de serviço.
(E você aí fingindo que não tem nada com isso?)
É pra rir ou pra chorar?
O Brasil tem um povo gigante por natureza que ainda não percebe o tamanho dessa grandeza.
Sempre solidário no azar ou na sorte, um povo generoso, criativo e risonho.
Poderoso, e tem um coração batendo forte que põe fé no futuro do mesmo jeito que eu ponho.
E vai ter que ser independência ou morte. Um por todos, e todos por um sonho.
É pra rir ou pra chorar?
É pra ir ou pra voltar?
Pra seguir ou pra parar?
Pra cair ou levantar?
É pra rir ou pra chorar?
Pra sair ou pra ficar?
Pra ouvi ou pra falar?
Pra dormir ou pra sonhar?
É pra ver ou pra mostrar?
Aplaudir ou protestar?
Construir ou derrubar?
Repetir ou transformar?
É pra rir ou pra chorar?
Pra se unir ou separar?
Agredir ou agradar?
Pra torcer ou pra jogar?
Pra fazer ou pra comprar?
Pra vender ou pra alugar?
Pra jogar pra perder ou pra ganhar?
Dividir ou endividar?
Dividir ou individualizar?
É pra rir ou pra chorar?!

Deixa Rolar

Essa noite vai ser boa vai sim
Vai ser boa pelo menos pra mim
Nem que seja só por que eu tô afim
Essa noite vai ser boa e foi pra isso que eu vim foi,
O que passou passou pode esquecer
É rolou não sei que lá não sei o que
Mais agora tudo pode acontecer
Chega mais que eu tô sentindo que eu não vou me arrepender vem,
Chega bem chegado meu bem,pô
Já tô te secandofaz tempo,pô
Você se esconde igual nota de cem
Achei pode vim que não tem erro vem que tem,pô
Ti vendo você tá maravilhosa só não quero propaganda enganosa
Tá a vida não é sempre um mar de rosas
Mais a noite tá gostosa

Negra li
Refrão
Se tudo pode acontecer
O que tiver que ser será
E se tiver que ser vai ser (o que tiver que ser vai ser (gabriel))
Se tudo pode acontecer
O que tiver que ser será
E se tiver que ser vai ser(tudo pode acontecer(gabriel))

Os dois
Deixa rolar, deixa rolar, deixa rolar,deixa rolar,deixa rolar,deixa rolar,deixa rolar…

Gabriel
Gostosa na verdade ainda é pouco
Eu sei que eu devo estar ficando louco
Mas já vai amanhecer e eu vou levar você pra ver o sol nascer entre quatro e poucos
Está delirio etá colírio para vista tá
Nem sei se eu tô sonhando me belisca tá
Nem sei se eu sou o peixe ou sou a isca
Mas eu sei que o bicho tá pegando aqui na pista
-ei!será que eu já te vi em algum lugar?
Tá aqui sozinha agora já não tá é….
Aí não sei o que não sei que lá
Tudo pode acontecer e se tiver que ser será
Seria muito triste mas hoje eu poderia estar em casa sem saber se você existe
Mas deus olhou pra gente e te pois na minha frente
E o diabo também quer que eu te conquiste

Negra li
Refrão (1x)
Essa noite vai ser boa vai sim
Vai ser boa pelo menos pra mim
Nem que seja só porque eu tô afim(eu tô afim)

Gabriel
Essa menina quer me enlouquecer
Mas se eu já era maluco agora o que eu vou ser
Agora qual vai ser qual vai ser a minha sina
Essa menina quer me enlouquecer
Essa menina,essa menina
Tá perdendo o respeito
Essa menina quer brincar
Então brinca direito
Eu fui dizer pra ela que eu sou sujeito homem
Ela me disse que não que eu era um homem sujeito
Tá perdendo seu posto com muito jeito eu ainda consigo ser sujeito composto
E ela tem predicado pra me fazer de objeto
Verbal,nominal,indireto e direto
Essa menina quer me enlouquecer
Mas ela vai comigo pro hospicio
Os dois
Refrão (3x)

Deixa Quieto

E aí, menina? Tudo, por aqui tudo tranq’
To assim tipo no ritmo daquela do Skank
Deixo a vida me levar pra onde a vida quiser
Mas às vezes também vou pra onde a vida não quer
E você? Tudo certo contigo?
A cabeça no pescoço e o piercing no umbigo
Aí que mora o perigo
Deus castiga, mas eu sei que você vale o castigo
Deixa quieto (deixa quieto)
Deixa quieto (deixa quieto)
Cê sabe que eu sou mais que discreto
Nunca mais falei contigo, mas te vejo direto
Te gravei na retina, nem lá na Capela Sistina
Vi uma imagem tão bonita refletida no teto
Deixa quieto, menina, cê sabe que eu te achei gente fina
Não é só papo de cama, sauna e piscina
Você nem levou fé, mas era mesmo verdade
Aquela idéia que eu te dei quando eu falei de saudade

Vem, vem sentir o calor dos lábios meus
(E se você me chamar e se você me chamar)
Vem, vem sentir o calor dos lábios meus

Não levo jeito pra isso, cê me conhece
Com a gente é sem compromisso e sem stress
Quando é pra ser, já é
Quando não é, tudo bem
Sou todo seu, mas ninguém é de ninguém (demorô)
Quando é que a gente vai se encontrar pra conversar
Um pouquinho e depois parar de falar?
Acho que sexta eu vou colar lá no pico
Se você brota do meu lado é do teu lado que eu fico
Eu chego devagar, você sabe que eu chego
Depois da meia-noite eu me transformo em morcego
Cê sabe que eu to sosse’, cê sabe que eu to sosse’, tô sim
Você olha pra mim, já acabou meu sossego
Vai com aquele decote (meu coração) já ta batendo mais forte
Eu vou voar no cangote, ainda nem virei morcego e já tô pronto pro bote
Demorô então, vem

Vem, vem sentir o calor dos lábios meus (se tu soubesse)
Vem, vem sentir o calor dos lábios meus

Meu coração não sei por que quando te vê
Sempre me diz pra te dizer que com você fico feliz de verdade
Nosso contrato não tem cláusula de exclusividade
E a gente tem compromisso, mas é com a felicidade
E se você me chamar, eu vou correndo
E se você me chamar, eu já tô lá
Você me pede sorrindo que eu já tô rindo e fazendo
Qualquer coisa cê grita, mas nem precisa gritar
Qualquer coisa cê grita, vê que noite bonita
Quando entrei no chuveiro, me lembrei dessa fita
A gente viu esse filme, não me lembro do fim
Mas a trilha sonora era mais ou menos assim
Aquele som do tubarão quando ataca
Aquele som do Psicose, aquela cena da faca
Alguma coisa parecida com o batuque do surdão da torcida
Quando o meu time é campeão no Maraca

Vem, vem sentir o calor dos lábios meus
Vem, vem sentir o calor dos lábios meus
Meu coração não sei por que (e se você me chamar)
Bate feliz quando te vê (e se você me chamar)
(E se você me chamar) serei feliz, feliz

Cavaleiro Andante

Não me arrependo nem do que eu não fiz
não vou na onda desses imbecis
não tô na boca nem tô no nariz
quem fala muito não sabe o que diz

No meio do caminho pode ter uma pedra
Mas no meio dessa pedra pode ter um caminho
A pedra no caminho pode ser um diamante
Pode ser que ela me atrase, pode que eu me adiante
Toda pedra pode ser um diamante
Todo dia pode ser um grande dia
Toda noite pode ser aquela noite
Aquela noite não foi mas também podia
Aprendi na poesia anestesiante
E na porrada sagrada de cada dia
Que a gente pode e deve ser confiante
Mas não pode dar mole nem quando a gente confia

Não me arrependo nem do que eu não fiz
não vou na onda desses imbecis
não tô na boca nem tô no nariz
quem fala muito não sabe o que diz

Esqueceram um zero na minha conta
Se der mole, vagabundo monta, o esquema é uma cama de gato
Mas não vão me derrubar, não sou eu quem vai pagar o pato
Não sou queijo pra engordar o rato
Não fico de bobeira cafungando nessa ratoeira
Quero ver quem vai dizer quem é ingrato
Tô na dividida mas não entro de primeira
Levei uma rasteira de quem sempre me tabelou comigo
Antes só do que andar com esse tipo de amigo
Malandro é malandro, mané é mané
Mas quem faz pose de malandro é porque não é

Não me arrependo nem do que eu não fiz
não vou na onda desses imbecis
não tô na boca nem tô no nariz
quem fala muito não sabe o que diz

Cavaleiro Andante! Sempre tô de pé
Pro que der e vier, vou do jeito que der
Cavaleiro Andante! Aprendi bastante
Que a cabeça não é só pra segurar o boné
Cavaleiro Andante! Sempre tô de pé
Pro que der e vier, vou do jeito que der
Sei que a pedra no caminho pode ser um diamante
Nem sempre o que parece é, sei que a corda arrebenta no lado mais fraco / Sei que a vida é uma sinuca, mas confio no meu taco
Confio no meu taco, se liga, pela-saco
Na mesa é na caçapa mas no campo é no buraco
Ouvi dizer que se ficar o bicho come, se correr o bicho pega,
Mas a regra vai mudar
Se eu ficar o bicho some, se eu correr o bicho arrega
Se eu quiser pegar o bicho ele se entrega, se eu pedir o bicho dá
Se eu quiser que o bicho pegue aí o bicho vai pegar
A cobra vai fumar, o coro vai comer
O coro tá comendo então vai vendo, pode ver
Eu já cantei a pedra pra você

Não me arrependo nem do que eu não fiz
não vou na onda desses imbecis
não tô na boca nem tô no nariz
quem fala muito não sabe o que diz

Fui Pixote, sei andar na escuridão
Enfrentar moinho, derrubar dragão
Cavaleiro Andante, sei andar sozinho
Dom Quixote não tem medo de alucinação
Desde o saco do meu pai tô na batalha
Não nasci pra ser esparro de canalha!

Como um Vício

Preste muita atenção no que eu falo
Guarde e não esqueça
O hip-hop entra pelos ouvidos e sobe para a cabeça
Estamos aqui falando sobre o que seria do Gabriel e do Leandro sem o RAP hoje em dia
O que seria de nossas vidas sem o hip-hop?
Seríamos cantores ou simplesmente ouvintes de música pop?
Seria menos difícil eu virar ouvinte do que cantor
Porque eu não canto bem
Não sou cantor sou compositor
Um ser humano que se expressa com pressa chamado Pensador
Mas há alguns anos não sabia que estaria onde estou
Não conhecia o dia-a-dia em que eu me envolvi
E hoje estou aqui agradecendo por isso existir
Sei que nada acontece por acaso na vida
E foi por isso que eu conheci essa cultura tão pouco difundida H.I.P. H.O.P.
Parecia magia e eu percebia que mergulhava num poço vivo de sabedoria
Mergulhei fundo entrei de cabeça entrei com a vida
E agora a cabeça está constantemente ativa e sempre erguida
Graças aquele momento do meu descobrimento
Dessa linguagem
Dessa arte
Desse movimento
Do qual estou dentro e que está dentro de mim
Confesso que estou envolvido até o ossos
Não posso sair
Sou viciado apaixonado dependente
Num vício diferente, completamente consciente
Que alimenta minha mente e me leva em frente a cada dia
E eu me pergunto: se eu não estivesse nisso onde eu estaria?
Vício
Alguns podem achar que é fanatismo ou algo parecido
E quem estiver incomodado com o que eu digo tape os ouvidos
Pois eu continuarei cantando como eu não parei de ouvir
Desde a primeira vez que escutei isso mudou minha forma de agir
Pensar
Falar
Me expressar
Nem todos que sonharam conseguiram
Mas pra conseguir é preciso sonhar
Ideologia eu tenho uma pra viver
E poderia perguntar se acontece o mesmo com você
Mas a pergunta agora é outra amigo
Se não fosse o hip-hop o que o destino teria feito comigo?
Seria apenas mais um jovem estudante
Com um boletim no fim do mês e um monte de livros na estante?
Não não me contentaria em ser apenas isso
Graças a Deus, além de livros, a minha estante está cheia de discos
Que me ensinam muito mais do que cê pode estar pensando
Quem conhece o hip-hop sabe bem do que eu tô falando
Dessa cultura: menos música e mais literatura
É mais fácil escrever um rap num livro do que numa partitura
Mas uma coisa eu não responderia
Se a minha vida não estivesse nisso, que vida eu teria?
Vício
Entrei na história do hip-hop e o hip-hop entrou na minha história
Tô cheio de idéias na cabeça e versos na memória
E eu já não sou mais inocente feito uma criança
Mas o meu peito felizmente tem uma ponta de esperança
Sou responsável pela mudança e sinto isso desde o início
É muito forte
É como um vício
É como um vício
É como um vício, é muito mais que um simples compromisso
E se viver é difícil seria bem mais difícil viver sem isso
Ideologia de vida, parece que achei a minha. Tô satisfeito
Sinto que, sem isso, eu sentiria um vazio estranho no peito
Quando estou no palco ou escrevendo um som
Sinto que me encontrei comigo mesmo e isso é muito bom
Sinto que sou aqui meu verdadeiro eu no lugar certo
E se eu não estivesse aqui provavelmente estaria bem perto
Agradeço por eu não estar vivendo em vão
Viver longe de si mesmo é muita solidão
Mas eu não fujo do meu eu, não fujo do meu nome: Gabriel O Pensador
Por isso estou com o microfone
Me expressando com um papel e uma caneta na mão
E cantando pros amigos ou pra multidão
Correndo atrás viajando para qualquer cidade
Meus ideais valem mais que minha privacidade
Amado por poucos
Odiado por outros
Alguns me acham sábio, alguns me acham louco
Só sei que não sou sábio
Só sei que nada sei
Só sei que precisamos aprender
E é isso que eu farei
Conhece-te a ti mesmo
Eu estou tentando
Apenas começando
Aprendendo e ensinando
Tudo isso é minha vida, e eu me pergunto a cada dia:
Se eu não estivesse nisso, onde eu estaria?

Dançando com a Vida

Eu não devo nada a ninguém,
Eu não sou o mal nem o bem,
Tô no meio do caminho
Tô fazendo a minha estrada
Sem pedir carona.

Minha mãe me abençoou,
Meu pai não quis me dizer quem eu sou,
Me mostrou que só eu posso
Fazer minha história.

Eu,
Tô… dançando com a vida,
De rosto colado,
Abraçando apertado,
Que delícia é viver!

Fazendo a minha estrada,
Fazendo a minha história,
Eu faço passo a passo,
Minha humilde trajetória.

Irreverência é uma arte,
E eu faço a minha parte,
Eu improviso,
Eu sei aonde eu piso.

E sei que meu sorriso te incomoda,
E você nem disfarça
E sei que sua força é uma farsa.

E dessa farsa
Não quero ver de mais ninguém,
E não me liga lá,
Pra me falar mal de meu bem.

Eu não ligo, não me diga,
O que a mamãe falou,
Nem vem dizer,
O que ouviu dizer do meu amor.

Não moça, não ouça por favor,
Deve ser alguma engano
Diz que eu não estou.

Alô! cê ta me ouvindo,
Que eu não sei se deu pra entender,
Esquece isso que seu compromisso
É com você.

O que se colhe é o que se planta,
Não adianta regar a planta,
Com veneno na garganta.

Não é assim que a banda toca,
Então se toca,
Não me provoca,
Com esse tipo de fofoca.

Troca o disco,
E bota um som bom pra rola,
Que a minha vida,
Eu já tirei pra dançar.

Refrâo
Que delícia viver!
Refrão,
Que delícia viver!…

Dança do Desempregado

Essa é a dança do desempregado
Quem ainda não dançou tá na hora de aprender
A nova dança do desempregado
Amanhã o dançarino pode ser você

E vai levando um pé na bunda vai
Vai por olho da rua e não volta nunca mais
E vai saindo vai saindo sai
Com uma mão na frente e a outra atrás
E bota a mão no bolsinho (Não tem nada)
E bota a mão na carteira (Não tem nada)
E bota a mão no outro bolso (Não tem nada)
E vai abrindo a geladeira (Não tem nada)
Vai porcurar mais um emprego (Não tem nada)
E olha nos classificados (Não tem nada)
E vai batendo o desespero (Não tem nada)
E vai ficar desempregado

Essa é a dança do desempregado
Quem ainda não dançou tá na hora de aprender
A nova dança do desempregado
Amanhã o dançarino pode ser você

E vai descendo vai descendo vai
E vai descendo até o Paragüai
E vai voltando vai voltando vai
“Muamba de primeira olhaí quem vai?”
E vai vendendo vai vendendo vai
Sobrevivendo feito camelô
E vai correndo vai correndo vai
O rapa tá chegando olhaí sujô!…
E vai rodando a bolsinha (Vai, vai!)
E vai tirando a calcinha (Vai, vai!)
E vai virando a bundinha (Vai, vai!)
E vai ganhando uma graninha
E vai vendendo o corpinho (Vai, vai!)
E vai ganhando o leitinho (Vai, vai!)
É o leitinho das crianças (Vai, vai!)
E vai entrando nessa dança

Essa é a dança do desempregado
Quem ainda não dançou tá na hora de aprender
A nova dança do desempregado
Amanhã o dançarino pode ser você

E bota a mão no bolsinho (Não tem nada)
E bota a mão na carteira (Não tem nada)
E não tem nada pra comer (Não tem nada)
E não tem nada a perder
E bota a mão no trinta e oito e vai devagarinho
E bota o ferro na cintura e vai no sapatinho
E vai roubar só uma vez pra comprar feijão
E vai roubando e vai roubando e vai virar ladrão
E bota a mão na cabeça!! (É a polícia)
E joga a arma no chão E bota as mãos nas algemas
E vai parar no camburão
E vai contando a sua história lá pro delegado
“E cala a boca vagabundo malandro safado”
E vai entrando e olhando o sol nascer quadrado
E vai dançando nessa dança do desempregado

Essa é a dança do desempregado
Quem ainda não dançou tá na hora de aprender
A nova dança do desempregado
Amanhã o dançarino pode ser você

Cara Feia

Cara feia… pra mim é fome
E cara alegre é a cara de quem come
Cara feia… pra mim é fome
E cara alegre é a cara de quem come

É, não me distraí, não me distraí
Me deixa aproveitar a sensação um pouco mais
A sensação de esperança que invadiu o meu peito
Não me envergonha com esse velho preconceito
Não me atrapalha agora não, por favor
Não me apavora com as notícias do terror
O seu terror psicológico e as previsões sinistras dos seus mapasastrológicos
Não vão fazer o papai aqui fazer pipi na cama
Não sou do tipo que tem medo de sair da lama
Nós não somos covardes
E nunca é tarde pra cuidar de quem a gente ama
A gente sabe se amar, a gente sabe se amar, a gente sabe da vida

A gente sabe somar, e quer saborear a soma dividida
A gente sabe se amar, a gente sabe se amar, a gente sabe da vida
A gente sabe sonhar, e desse sonho a gente não duvida
Cara feia… pra mim é fome
E cara alegre é a cara de quem come
Cara feia… pra mim é fome
E cara alegre é a cara de quem come

E quem não mata a fome, a fome mata
Quem não mata a fome some; quem não mata a fome, a fome come
(A fome não é só um nome)
E tem também a outra fome, fora do abdômen
Cara feia… eu vi na cara de um cara que matou um homem, por causa dessa outra fome
Fome de vingança, vingança do destino
E essa cara eu já vi na cara de um menino
E os meninos assassinos vão se renovando
E vão nascendo, vão morrendo e vão matando
É que eles pensam que o crime é o único caminho
Pra chegar em qualquer tipo de comando
Mas se os meninos forem mais malandros
Vão saber que ser trabalhador não é ser otário
Um bom exemplo vem da nossa presidência
Porque lá quem tá mandando é um operário

Refrões

Não faça cara feia de barriga cheia
Não faça cara feia de barriga cheia
Não faça cara feia de barriga cheia
Nem meta a colher em cumbuca alheia
Quem deixa um pé atrás
Nunca chega na frente
Quem tem medo do futuro
Vira escravo do presente
Não me enche com essa fome de derrota
Nem me bota nesse time que defende o pessimismo
Agora eu sei, cansei da linha burra que separa, desune
E empurra todo mundo pro abismo
O caminho é mais pro alto
No mar e no sertão, na favela e no asfalto
Todo mundo sente fome, fome de futuro
Pra que pichar, se eu posso derrubar o muro?
Não é com tanque, nem com trator
Não é com ódio, nem com rancor
Não é com medo, nem com terror
Minha campanha também é paz e amor.

Cachorrada

Sou um vira-lata e tô afim daquela gata
de responsa
Que parece uma onça
Ela é de raça não é nenhuma gata vadia
E quando ela passa o meu pêlo se arrepia

Ela mia, “miau!” e eu passo mau
eu não sou gato eu só lato!
au au algum tagarela me falou que ela é donzela
que é melhor eu desistir e procurar uma cadela

Eu disse: é ruim animal de cachorra eu tô legal
A última que tive me trocou por um Xau Xau é tudo igual
Jeitinho de santa cara-de-pau
e quando ficam no cio faz até bacanal

Eu tô afim de uma gata
mas só tem cachorra! 3X
Eu to afim de uma gata,
mas só acho canina, vou soltar os cachorro em cima

Eu já rezei pra São Bernardo pra conquistar esse amor
e até procurei um pastor mas eu não entendi a oração que o o pastor me passou
Porque o pastor era pastor alemão e eu só sei latir em português
To me sentindo um pequinês

Um conselho, deixa a gata pra lá cê só vai arrumar sarna pra se coçar
ela é muita ração pra sua tigela
Ela mora na mansão você mora na favela
Ela come só salmão tu nem pão com mortadela
Ela torce pro palmeiras, tu é timão
ela é Mangueira e tu Portela

E tu é cão vira-lata ela é gata esquece
que eu te apresento uma poodle mais bonita que a Lescie

Au au alto lá só por que você foi adestrado tá querendo me ensinar?
eu conheço a tua raça quer meter o focinho onde não foi chamado?
Passa passa passa que eu não sou Pitt-Bull mas to ficando nervoso
avisa pra gata que ela vai ter um esposo
que é um vira-lata teimoso
eu não sou nenhum Dalmata mas também sou pintoso!

Eu to afim de uma gata
mas só tem cachorra! 3X
Eu to afim de uma gata,
mas só acho canina, vou soltar os cachorro em cima

-E ai vira-lata.
-fala fila!
-num se finge de morto, não, não vacila aí!
aquele gato ali ta afim da tua gata
e falô que vai na pata com você
quero ver Vai lá mete o canino na orelha do felino
dá-lhe uma dentada feito Tyson atacando Rollyfield
quebra esse Garfield na porrada
encolhe-o na parada
aí, não vai fazer nada?

Calma aí sem briga
eu quebro esse mané só na idéia, se liga!
– Escuta aqui seu projeto de tamborim
eu não to falando grego nem latindo em latin
eu to afim daquela gata e to sabendo que tu quer levar uns tapas na lata
mas não vô perder meu tempo com muleque brigão
que não tem nada na cabeça e tira onda de machão
tá querendo se atracar comigo
num rola
vai atrás do Piu Piu Frajola

Eu to afim de uma gata
mas só tem cachorra! 3x
Eu to afim de uma gata,
mas só acho canina, vou soltar os cachorro em cima

Tá cheio de hotweiler
cercando a casa dela mas eu to entrando pela janela
pareço até um gato mas não mio nem arranho
Aaúúúú!! ela tá tomando banho
oi minha deusa felina
gostei desse banho de língua cê me ensina???
-Que é isso cachorro me solta!!
-calma gatinha vâmo dar uma volta!

Fica tranquila que eu não vou te morder
encolhe as suas unhas que eu te levo pra ver
o filmaço que eu assisto todo dia
o frango que roda lá na padaria
vamô! foge da mansão!
e venha conhecer a minha vida de cão
que tem mais emoção

Eu to afim de uma gata
mas só tem cachorra!! 3x
Eu to afim de uma gata,
mas só acho canina, vou soltar os cachorro em cima

Bora, gatinha! Cola na minha!
– Pega!!
Ih, babô! a carrocinha.
au au algemaram meu pescoço
onde já se viu me trancaram num canil
se eu tivesse pedigree eu dúvido que eu tivesse aqui
pagando por um crime que eu não cometi
eu não sou lobo e a gata não é ovelha
mas eu também não sou bobo e to com a pulga atrás da orelha
com esse cão policial que fica rindo de mim
tá bancando o Rintintin
mas perece o Rabugento
me tira daqui
eu não tenho sete vidas
preciso aproveitar o meu tempo

Eu to afim de uma gata
mas só tem cachorra!!! 3x
Eu to afim de uma gata,
mas só acho canina, vou soltar os cachorro em cima

Agora eu tô na boa!
A gata me tirou do canil
e pediu pra ser minha patroa
eu nunca fui de baderna
mas também não saio com o rabo entre as pernas
livre sou
pois o o meu dono é liberdade
eu sou duro de roer
pra roer com vontade
é o bicho
quem se empenha chega lá
a gatinha tá prenha
vâmo ver que bicho dá

Eu to afim de uma gata
mas só tem cachorro!!!! 3x
Eu não sou um cão de raça da exposição
mas eu sou um vira-lata com disposição

Brazuca (remix)

Futebol? futebol não se aprende na escola
No país do futebol o sol nasce para todos mas só brilha para poucos e brilhou pela janela do barraco da favela onde morava esse garoto chamado brazuca
Que não tinha nem comida na panela mas fazia embaixada na canela e deixava a galera maluca
Era novo e já diziam que era o novo pelé
Que fazia o que queria com uma bola no pé
Que cobrava falta bem melhor que o zico e o maradona e quedriblava bem melhor que o mané, pois é
E o brazuca cresceu, despertando o interesse em empresários e a inveja nos otários
Inclusive em seu irmão que tem um poster do romário no armário
Mas joga bola mal pra caralho
O nome dele é zé batalha
E desde pequeno ele trabalha pra ganhar uma migalha que alimenta sua mãe e o seu irmão mais novo
Nenhum dos dois estudou porque não existe educação pro povo no país do futebol
Futebol não se aprende na escola
É por isso que brazuca é bom de bola

Brazuca é bom de bola
Brazuca deita e rola
Zé batalha só trabalha
Zé batalha só se esfola
Brazuca é bom de bola
Brazuca deita e rola
Zé batalha só trabalha
Zé batalha só se esfola
Chega de levar porrada
A canela tá inchada e o juiz não vê
Chega dessa marmelada
A camisa tá suada de tanto correr
Chega de bola quadrada
Essa regra tá errada, vâmo refazer
Chega de levar porrada
A galera tá cansada de perder

No país do futebol quase tudo vai mal
Mas brazuca é bom de bola, já virou profissional
Campeão estadual, campeão brasileiro
Foi jogar na seleção, conheceu o mundo inteiro
E o mundo inteiro conheceu brazuca com a dez
Comandando na meiúca como quem joga sinuca com os pés
Com calma, com classe, sem errar um passe
O que fez com que seu passe também se valorizasse
E hoje ele é o craque mais bem pago da europa
Capitão da seleção, tá lá na copa
Enquanto o seu irmão, zé batalha, e todo o seu povão, a gentalhada favela de onde veio, só trabalha
Suando a camisa, jogado pra escanteio
Tentando construir uma jogada mais bonita do que a grama que carrega na marmita
Contundido de tanto apanhar
Confundido com bandido
Impedido
Pode parar!!
Sem reclamar pra não levar cartão vermelho
Zé batalha sob a mira da metralha de joelhos
Tentando se explicar com um revólver na nuca:
Eu sou trabalhador, sou irmão do brazuca!
Ele reza, prende a respiração
E lá na copa, pênalti a favor da seleção
Bola no lugar, brazuca vai bater
Dedo no gatilho, zé batalha vai morrer
Juiz apitou… tudo como tinha que ser:
Tá lá mais um gol e o brasil é campeão
Tá lá mais um corpo estendido no chão

Refrão

O país ficou feliz depois daquele gol
Todo mundo satisfeito, todo mundo se abraçou
Muita gente até chorou com a comemoração
Orgulho de viver nesse país campeão
E na favela, no dia seguinte, ninguém trabalha
É o dia de enterrar o que sobrou do zé batalha
Mas não tem ninguém pra carregar o corpo
Nem pra fazer uma oração pelo morto
Tá todo mundo com a bandeira na mão esperando a seleção no aeroporto
É campeão da hipocrisia, da violência, da humilhação
É campeão da ignorância, do desespero, desnutrição
É campeão da covardia e da miséria, corrupção
É campeão do abandono, da fome e da prostituição

175 Nada Especial

Mais um dia mais um ônibus que eu peguei no rio
Um ônibus tranquilo Estava vazio
E a cidade engarrafada como não podia deixar de ser
Viagem demorada O que fazer?
Sem nenhuma mulher por perto pra bater um papo esperto
Resolvi escrever um rap a mais, Mas não estou bem certo
sobre o que eu vou rimar – Diz aí trocador – (Ah sei lá)
Então eu vou no instinto pego um papel e vamos vê o quê que dá
Foi nesse instante em que eu olhei pela janela
E que susto eu levei Era ela A inflação estampada na vitrine
Atingiu meu coração E deu vontade de partir pro crime
Porque o que eu quero comprar já não dá mais
A não ser que eu faça como fez o Ferrabrás (Quem?)
Então eu tento esquecer Continuar a rimar
Mas o que eu vejo do outro lado é duro de acreditar
Mas é real E a realidade dói demais
São dois mendigosse matando pelos restos mortais
De um cachorro qualquer que foi atropelado
E vai virar rango e se der Talvez seja assado
(Hmmesses nojentos gostam disso?) – Não arrombado
Aquilo é um ser humano que chamaram de descamisado
– Um desesperado Um brasileiro como eu
Que deve sempre perguntar (Será que existe mesmo Deus?)
Não é o pensador que vai tentar responder
Eu continuo rimando tentando esquecer
Porque esse rap não é sobre nada especial
É o rap do 175 que eu peguei na central
E de repente o ônibus começou a encher
Entrou mais gente Houve um tumulto Alguém gritou e eu olhei pra ver
(Quê que é isso? Quê que tá pegando? Quê que tá havendo?)
(É um assalto malandro! Será que você ainda não tá percebendo?)
O desespero do trabalhador começou E eu também tentava esconder meu dinheiro quando alguém falou(Libera esse aí que é o Pensador mané!)
Mas eles eram meus fãs Então levaram meu boné
(Autografado né Pensador se liga!)
Alguns acharam que eu era cúmplice Quase deu briga
Mas a viagem prosseguiu e os ladrões desceram
E aí a raiva que subiu na cabeça dos passageiros
E o mais injuriado era um bigodudo
Que tinha ganhado o salário (Eles levaram tudo)
Entraram dois PMs pelaporta da frente
Estufando o peito e olhando pra gente Impondo respeito
Mas os ladrões já tavam longe Num tinha mais jeito
Pra priorar levaram o bigodudo como suspeito – Ele era preto –
Coisas desse tipo é difícil esquecer
Mas eu vou continuar porque eu já disse a você que
Esse rap não é sobre nada especial
É o rap do 175 que eu peguei na central
Agora estamos passando pela praia de Copacabana
Travestis e prostitutas se acabando por grana
E os gringos vão achando aquilo tudo bacana
(O Brasil é um paraíso! As mulheres são boas de cama)
Ô gringo não força Deixa de ser imbecil
Você que vem lá de fora quer entender do Brasil
(Ha …”O Brasil é um paraíso! – É mole?- E o inferno é onde?!)
-(Peraí Pensador)
E por falar em paraíso Olha que loucura
Subiu no coletivo uma estranhíssima figura
Com uma bíblia na mão e uma cara de débil mental
Pregando a enganação da Igreja Universal
(Ou será que era alguma outra igreja dessas?Ah num faz mal Igreja de enganar otário é tudo igual)
E o coitado foi soltando aquele papo de crente
Eu rezando: Deus me dê paciência!
Mas o pentelho desceu pra alegria da gente
E na saídado ônibus Sofreu um acidente
Se distraiu e foi atropelado pelo caminhão
Morreu esmagado com a bíblia na mão
(É morreu? Melhor doque viver nessa ilusão Num queria Deus? Foi pro céu Então) – (Numsei não)
Enquanto todos se benziam com pena do crente
Eu fui rimando Bola pra frente
Porque esse rap não é sobre nada especial
É o rap do 175 que eu peguei na central
E eu percebi que o trocador ficou fazendo careta
Prum coroa que passou por debaixo da roleta
Era um senhor de óculos,barba branca …
Ei Peraí (Ei professor O quê que o senhor táfazendo aqui? Quê que houve? Foi assaltado? Perdeu o dinheiro?)
-(Não … É … sabe oquê que é … Eu já gastei o salário inteiro)
Hm Hm mudei de assunto ele já tava encabulado
No meio do mês o salário dele já tinha acabado
Era o meu ex-professor da escola(Coitado)
Tá fudido e mal pago Daqui a pouco tá pedindo esmola
Ele é um mestre Um baú de sabedoria
Esse num é o valor que um professor merecia
Profissional de primeira importância pro nosso futuro
Ninguém mais quer ser professor pra num viver duro
E ele desceu em outra escola pra dar mais aula
(É que eu trabalho nos três turnos Chego em casa e ainda corrijo prova) – Tchau professor – (Tchau Pensador)
Desceu mais um trabalhador que tá numa de horror
Mas esse rap não é sobre nada especial
É o rap do 175 que eu pegueina central
E nós agora estamos passando pelo bairro de São Conrado
E como o tempo tá fechando eu tô ficando preocupado Ih! Choveu!
Pronto tudo alagado
Uns vão nadando Outros morrendo afogados
E enquanto na favela tem barraco caindo
Não é que passa o Prefeito sorrindo
E se o nosso ex-presidente estivesse aqui
Ele estaria certamente num belíssimo jet-ski
Mas como nós não temos embarcação pra todo mundo
Essa triste situação tá parecendo o Fim do mundo
Pra quem tá de carro Pra quem tá de ônibus
Nessa Rio-Babilônia No Brasil do abandono
E enquanto os governantes vão boiando sorridentes
Vamos remando Bola pra frente
Porque esse rap não é sobre nada especial
É o rap do 175 que eu peguei na central
E o pior de tudo é que nessa grande viagem
Nada disso do que aconteceu foi novidade
E as autoridades estão defecando
Pro que acontece ao cidadão brasileiro no seu cotidiano
Porque pra eles isso não é nada especial
No dos outros é refresco Num faz mal
E fecham os olhos pro que até cego já viu:
O revoltante retrato da vida urbana no Brasil!
E eu não me refiro ao 175 ou qualquer linha da central
Eu tô falando do dia a dia a qualquer hora em qualquer local
Porque esse rap não é sobre nada especial…

Exttravasa

Dominou geral
Sacudiu a praça
Venha que o som é massa
Rock de timbau
Groove de cabaça
E a galera embala

Dominou geral
Sacudiu a praça
Venha que o som é massa
Rock de timbau
Groove de cabaça
E a galera embala

Tem que ter
Bola na rede pra dizer que é gol
Vem dizer
A todo mundo que no nosso amor
Tem que ter
Uma balada pra gente dançar, ah, ah

Extravasa
Libera e joga tudo pro ar
Eu quero ser feliz antes de mais nada
Extravasa
Libera e joga tudo pro ar, ar, ar, ar, ar, ar, ar

Dominou geral
Sacudiu a praça
Venha que o som é massa
Rock de timbau
Groove de cabaça
E a galera embala

Tem que ter
Bola na rede pra dizer que é gol
Vem dizer
A todo mundo que no nosso amor
Tem que ter
Uma balada pra gente dançar, ah, ah

Extravasa
Libera e joga tudo pro ar
Eu quero ser feliz antes de mais nada
Extravasa
Libera e joga tudo pro ar, ar, ar, ar, ar, ar, ar

O entusiasmo no movimento
A atividade na balada
Mais veloz que o vento
Cheio dito na idéia do meu papo reto
Aumenta o som e dance quando tiver por perto
Chega de problema quero solução
Boca na boca, escute a voz que vem do coração
Radicalizando mas com limite
Hoje é dia de extravasar, meu irmão

Tem que ter
Bola na rede pra dizer que é gol
Vem dizer
A todo mundo que no nosso amor
Tem que ter
Uma balada pra gente dançar, ah, ah, ah

Extravasa
Libera e joga tudo pro ar
Eu quero ser feliz antes de mais nada
Extravasa
Libera e joga tudo pro ar, ar, ar, ar, ar, ar, ar

Extravasa
Libera e joga tudo pro ar
Eu quero ser feliz, ser feliz, ser feliz
Extravasa
Libera e joga tudo pro ar, ar, ar, ar, ar, ar, ar

Lavagem Cerebral

Racismo preconceito e discriminação em geral
É uma burrice coletiva sem explicação
Afinal que justificativa você me dá para um povo que precisa de união
Mas demonstra claramente
Infelizmente
Preconceitos mil
De naturezas diferentes
Mostrando que essa gente
Essa gente do Brasil é muito burra
E não enxerga um palmo à sua frente
Porque se fosse inteligente esse povo já teria agido de forma mais consciente
Eliminando da mente todo o preconceito
E não agindo com a burrice estampada no peito
A “elite” que devia dar um bom exemplo
É a primeira a demonstrar esse tipo de sentimento
Num complexo de superioridade infantil
Ou justificando um sistema de relação servil
E o povão vai como um bundão na onda do racismo e da discriminação
Não tem a união e não vê a solução da questão
Que por incrível que pareça está em nossas mãos
Só precisamos de uma reformulação geral
Uma espécie de lavagem cerebral

Não seja um imbecil
Não seja um Paulo Francis
Não se importe com a origem ou a cor do seu semelhante
O quê que importa se ele é nordestino e você não?
O quê que importa se ele é preto e você é branco?
Aliás branco no Brasil é difícil porque no Brasil somos todos mestiços
Se você discorda então olhe pra trás
Olhe a nossa história
Os nossos ancestrais
O Brasil colonial não era igual a Portugal
A raiz do meu país era multirracial
Tinha índio, branco, amarelo, preto
Nascemos da mistura então porque o preconceito?
Barrigas cresceram
O tempo passou…
Nasceram os brasileiros cada um com a sua cor
Uns com a pele clara outros mais escura
Mas todos viemos da mesma mistura
Então presta atenção nessa sua babaquice
Pois como eu já disse racismo é burrice
Dê a ignorância um ponto final:
Faça uma lavagem cerebral

Negro e nordestino constróem seu chão
Trabalhador da construção civil conhecido como peão
No Brasil o mesmo negro que constrói o seu apartamento ou quelava o chão de uma delegacia
É revistado e humilhado por um guarda nojento que ainda recebe osalário e o pão de cada dia graças ao negro ao nordestino e atodos nós
Pagamos homens que pensam que ser humilhado não dói
O preconceito é uma coisa sem sentido
Tire a burrice do peito e me dê ouvidos
Me responda se você discriminaria
Um sujeito com a cara do PC Farias
Não você não faria isso não…
Você aprendeu que o preto é ladrão
Muitos negros roubam mas muitos são roubados
E cuidado com esse branco aí parado do seu lado
Porque se ele passa fome
Sabe como é:
Ele rouba e mata um homem
Seja você ou seja o Pelé
Você e o Pelé morreriam igual
Então que morra o preconceito e viva a união racial
Quero ver essa musica você aprender e fazer
A lavagem cerebral

O racismo é burrice mas o mais burro não é o racista
É o que pensa que o racismo não existe
O pior cego é o que não quer ver
E o racismo está dentro de você
Porque o racista na verdade é um tremendo babaca
Que assimila os preconceitos porque tem cabeça fraca
E desde sempre não para pra pensar
Nos conceitos que a sociedade insiste em lhe ensinar
E de pai pra filho o racismo passa
Em forma de piadas que teriam bem mais graça
Se não fossem o retrato da nossa ignorância
Transmitindo a discriminação desde a infância
E o que as crianças aprendem brincando
É nada mais nada menos do que a estupidez se propagando
Qualquer tipo de racismo não se justifica
Ninguém explica
Precisamos da lavagem cerebral pra acabar com esse lixo que é uma herança cultural
Todo mundo é racista mas não sabe a razão
Então eu digo meu irmão
Seja do povão ou da “elite”
Não participe
Pois como eu já disse racismo é burrice
Como eu já disse racismo é burrice
Como eu já disse racismo é burrice
Como eu já disse racismo é burrice
Como eu já disse racismo é burrice
E se você é mais um burro
Não me leve a mal
É hora de fazer uma lavagem cerebral
Mas isso é compromisso seu
Eu nem vou me meter
Quem vai lavar a sua mente não sou eu
É você
Continue lendo

Pra Onde Vai?

Mais uma vida jogada fora
Um coração que já não bate mais, descanse em paz
Sonhos que vão embora, antes da hora
Sonhos que ficam pra trás

Pra onde vai você?
Pra onde vai?
Pra onde vai o Sol?
Quando a noite cai?

E agora? A dor é do tamanho de um prédio
A casa sem ele vai ser um tédio
Não tem remédio, não tem explicação, não tem volta
Os amigos não aceitam, o irmão se revolta
A família não acredita no que aconteceu
Ninguém consegue entender porque o garoto morreu
Tiraram da gente um jovem tão inocente
E a sua avó que era crente hoje tem raiva de Deus
O seu pai ficou mais velho, mais sério e mais triste
E a mãe simplesmente não resiste
Além do filho, perdeu o seu amor pela vida
E a nora agora tem tendências suicidas
E a namoradinha com quem sonhava se casar
Todo mundo toda hora tem vontade de chorar
Quando se lembra dos planos que o garoto fazia…
Ele dizia: “Eu quero ser alguém um dia”
Sonhava com o futuro desde menino
Ninguém podia imaginar o seu destino
Mais uma vítima de um mundo violento…
Se Deus é justo, então quem fez o julgamento?

Pra onde vai você?
Pra onde vai?
Pra onde vai o Sol?
Quando a noite cai?

Por quê um jovem que vivia sorridente perde a sua vida assim tão de repente?
Logo um cara que adorava viver
Realmente é impossível entender
Nenhuma resposta vai ser capaz de trazer de novo a paz à família do rapaz
Nunca mais suas vidas serão como antes
E eles olham o seu retrato na estante
Aquele brilho no olhar e o jeitão de criança
Agora não passam de uma lembrança
E a esperança de que ele esteja bem, seja onde for,
Não diminui o vazio que ele deixou
É insuportável quando chega o seu aniversário
E as suas roupas no armário parecem esperar que ele volte de surpresa
Pra ocupar o seu lugar vazio à mesa
A tristeza às vezes é tão forte
que é mais fácil fingir que não houve morte
Porque sempre que ele chega pra matar as saudades
Ele vem com aquela cara de felicidade
Alegrando os sonhos e querendo dizer que a sua alma nunca vai envelhecer
E que sofrer não é a solução
É melhor manter acesa uma chama no coração
E a certeza na mente de que um dia se encontrarão novamente.

Pra onde vai você?
Pra onde vai?
Pra onde vai o Sol?
Quando a noite cai?

Continue lendo

+ 1 Dose

Mais uma dose
É claro que eu tô afim
A noite nunca tem fim
Por que que agente é assim?

Aê! Garçom! Traz aqui pra mim
Mais uma dose, "é claro que eu tô afim"
Tin tin! Como diz o ditado: "A noite é uma criança", mas eu é que tô sempre mamado
É mel na chupeta, pinga na chupeta, cerva na chupeta, vinho na chupeta
Uísque na chupeta, mamãe eu quero mamar
Dá a chupeta pro neném não chorar!
Eu quero álcool! Pode encher a tarça
Nem quero saber se é champanhe ou cachaça
Passa pra cá! Passa o goró
E deixa eu virar num gole só!
… Foi mal, pô
Num tô legal
Tô com muito sangue no meu álcool
Daqui a pouco vou parar num hospital para tomar injeção de glicose
E depois vou acabar num caixão com cirrose
Mas por enquanto eu quero mais uma dose

Mais uma dose
É claro que eu tô afim
A noite nunca tem fim
Porquê que agente é assim?

Quando eu tô triste eu bebo pra esquecer
Quando eu tô feliz eu bebo pra comemorar
Quando eu não tenho motivo pra beber
Eu encho a cara de bebida até vomitar
"Você pensa que cachaça é água, vacilão? Cachaça não é água não"
Não! Nem me fale em água filtrada nem água mineral
Que se eu bebo um troço desse eu passo mal
Água pra mim só se for aguardente
Até pra tomar banho ou escovar os dentes
Sem bebida a vida não presta
Se tem festa eu sou o chato e se tá chato eu sou a festa
Eu num como ninguém, mas eu bebo bem
Da número um a número dez, a número cem, a número mil!! "Eu sou da turma do funil!"
Bebo até cair mas depois me levanto
Abro mais uma e dou um gole pro santo
A birita é sagrada: A minha religião
A dieta equilibrada: É um copo em cada mão
"Uma cervejinha pra abrir o apetite
e mais um chopinho acompanhando a refeição
Depois a caipirinha pra tomar de sobremesa
e só um licorzinho prafazer a digestão
E agora? Vamô embora?"
– Num fala besteira! Garçom, a saideira!

Mais uma dose
É claro que eu tô afim
A noite nunca tem fim

Porque que agente é assim?
Ai… Que ressaca! Minha cabeça tá doendo paca
Eu não passo de um babaca
Corpo podre, mente fraca, que psicose!
Ontem entrei no tapa só por causa de uma dose
Que onda errada!
No fim do mês ainda tenho aquela conta pendurada lá no bar
Vou ter que deixar a metade do salário
Na olimpíada do copo eu sou o primeiro voluntário
Comigo é páreo duro, eu engulo qualquer mistura
Quanto eu tô duro serve até cachaça pura
Loucura? Não. Doença, cara!
Eu nem me lembro como ontem eu cheguei em casa
Só sei que eu acordei com uma baranga do meu lado e lembrei que a minha mina já tinha me abandonado
Ih! Que dia é hoje? Hoje é segunda!
Ah, mas no trabalho eu já levei um pé na bunda
E eu continuo me afogando nessa poça de álcool só que a poça tá ficando muito funda!

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2345meia78

Fim de semana chegando e o coitado tá no osso
Mas acaba de encontar a solução
Coloca um caderninho no bolso,
Apanha umas fichas e corre prum orelhão
É o seu velho caderninho de telefone
Com o nome e o número de um monte de mulhé
E ele vai ligar pra todas até conseguir chamar uma gata pra sair e dar um rolé

2345Meia78!
Tá na hora de molhar o biscoito!
Eu tô no osso mas eu não me canso!
Tá na hora de afogar o ganso!

Letra “A”, vâmo começar: Alô, por favor, Ana Maria está?
(Ela saiu com o namorado. Quer deixar recado?)
Não, obrigado, deixa pra lá.

Letra “B”, vou ligar pra essa Bianca
Tem cara de carranca mas dá pra dar o bote
Desligou na minha cara, que tristeza
Chamei ela de princesa e ela pensou que fosse trote

Que se dane! É até melhor assim
Eu vou ligar pra Dani que ela é gamadinha em mim
“Oi, Danizinha, lembra do animal?!”
(Não conheço ninguém com esse nome. Tchau!)

Deve tá com amnésia, vou pra letra “E”:
2-Bola-gato-69-bola-sete
É a bola da vez da: Elizabete
Dizem as más línguas que ela é boa de (Alô!)
“Alô, a Beth está?
(Tá, mas não pode falar. Ela tá de boca cheia e eu tô comendo,rapá)

Que azar, liguei na hora errada
A hora da refeição é uma hora sagrada
Meu caderninho de telefone parece um cardápio
E faz um tempo que eu não como nada

2345Meia78!
Tá na hora de molhar o biscoito!
Eu tô no osso mas eu não me canso!
Tá na hora de afogar o ganso!

Letra “F”, quem não arrisca, não petisca
“Alô, é da casa da Francisca?”
(Ela se mudou. Casou com um delegado de polícia. Quer onúmero?)
Tô fora, risquei da minha lista

Há muito tempo eu conheci a Dona Guta, uma coroa enxuta
Como será que ela tá?
(Dona Guta? Vou chamar. Vovó! Telefone!)
(Hein!??)
Achei melhor desligar.

Tentei o “H”, o “I”, e o “J”
E até agora não arrumei uma… gata
“L”, “M”, “N”, “O”… A cada letra que passa eu me sinto mais só
“P”, “Q”, “R”, S.O.S!
Socorro! Eu já tô na letra “X”!

Meu caderninho de telefones já tá perto do fim e eu tô longe de um final feliz
2345Meia78!
Tá na hora de molhar o biscoito!
Eu tô no osso mas eu não me canso!
Tá na hora de afogar o ganso!

Ainda falta a letra “Z”
Mas acabaram as fichas, o quê que eu vô fazê?
Disque-Sex? Ah! Qualé?!
Chega de conversa, o que eu quero é uma mulher!

Já sei, vou ligar pro 102, o disque informações,
Não há nada errado nisso
(Informações, Creusa, pois não?)
Só queria uma informação: pode ser ou tá difícil?
(Queira desculpar, mas…)

Vou ligar pra Zumira mas nem adianta
Ela nunca dá mole pra ninguém
Mas eu já levei um fora do alfabeto inteiro
Quê que tem levar um “não” dela também?

_Alô! Zumira? Vai fazê o que hoje?
(Ah, não sei. Vamô num cinema…)
Quando a esmola é demais o santo desconfia
Essa mina deve tá com algum problema…

Chegando no local que ela escolheu:
“Não-sei-que-lá-do-reino-de-Deus”
Olha o nome do filme: “Jesus Cristo é o senhor”
É comédia? (Não é filme, o cinema acabou.
Virou Igreja Evangélica e eu só te trouxe aqui pra’cê comprar pra mim uma vaga lá no céu!)
Ah, irmã, deixa disso,
Minha grana só vai dar pra te levar pra ir rezar lá num motel!

(Ai, senhor, olha onde eu vim parar!)
Ah… relaxa, meu amor… ajoelhou?
Então vai ter que rezar!!

2345Meia78!
Tá na hora de molhar o biscoito!
Eu tô no osso mas eu não me canso!
Tá na hora de afogar o ganso!

(Ai isso é tentação do capeta)
Calaboca mulher vem fazer o canguru perneta

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Racismo é Burrice (nova Versão De Lavagem Cerebral)

Salve, meus irmãos africanos e lusitanos, do outro lado do oceano
“O Atlântico é pequeno pra nos separar, porque o sangue é mais forte que a água do mar”
Racismo, preconceito e discriminação em geral;
É uma burrice coletiva sem explicação
Afinal, que justificativa você me dá para um povo que precisa de união
Mas demonstra claramente
Infelizmente
Preconceitos mil
De naturezas diferentes
Mostrando que essa gente
Essa gente do Brasil é muito burra
E não enxerga um palmo à sua frente
Porque se fosse inteligente esse povo já teria agido de forma mais consciente
Eliminando da mente todo o preconceito
E não agindo com a burrice estampada no peito
A “elite” que devia dar um bom exemplo
É a primeira a demonstrar esse tipo de sentimento
Num complexo de superioridade infantil
Ou justificando um sistema de relação servil
E o povão vai como um bundão na onda do racismo e da discriminação
Não tem a união e não vê a solução da questão
Que por incrível que pareça está em nossas mãos
Só precisamos de uma reformulação geral
Uma espécie de lavagem cerebral

Racismo é burrice

Não seja um imbecil
Não seja um ignorante
Não se importe com a origem ou a cor do seu semelhante
O quê que importa se ele é nordestino e você não?
O quê que importa se ele é preto e você é branco
Aliás, branco no Brasil é difícil, porque no Brasil somos todos mestiços
Se você discorda, então olhe para trás
Olhe a nossa história
Os nossos ancestrais
O Brasil colonial não era igual a Portugal
A raiz do meu país era multirracial
Tinha índio, branco, amarelo, preto
Nascemos da mistura, então por que o preconceito?
Barrigas cresceram
O tempo passou
Nasceram os brasileiros, cada um com a sua cor
Uns com a pele clara, outros mais escura
Mas todos viemos da mesma mistura
Então presta atenção nessa sua babaquice
Pois como eu já disse racismo é burrice
Dê a ignorância um ponto final:
Faça uma lavagem cerebral

Racismo é burrice

Negro e nordestino constróem seu chão
Trabalhador da construção civil conhecido como peão
No Brasil, o mesmo negro que constrói o seu apartamento ou o que lava o chão de uma delegacia
É revistado e humilhado por um guarda nojento
Que ainda recebe o salário e o pão de cada dia graças ao negro, ao nordestino e a todos nós
Pagamos homens que pensam que ser humilhado não dói
O preconceito é uma coisa sem sentido
Tire a burrice do peito e me dê ouvidos
Me responda se você discriminaria
O Juiz Lalau ou o PC Farias
Não, você não faria isso não
Você aprendeu que preto é ladrão
Muitos negros roubam, mas muitos são roubados
E cuidado com esse branco aí parado do seu lado
Porque se ele passa fome
Sabe como é:
Ele rouba e mata um homem
Seja você ou seja o Pelé
Você e o Pelé morreriam igual
Então que morra o preconceito e viva a união racial
Quero ver essa música você aprender e fazer
A lavagem cerebral

Racismo é burrice

O racismo é burrice mas o mais burro não é o racista
É o que pensa que o racismo não existe
O pior cego é o que não quer ver
E o racismo está dentro de você
Porque o racista na verdade é um tremendo babaca
Que assimila os preconceitos porque tem cabeça fraca
E desde sempre não pára pra pensar
Nos conceitos que a sociedade insiste em lhe ensinar
E de pai pra filho o racismo passa
Em forma de piadas que teriam bem mais graça
Se não fossem o retrato da nossa ignorância
Transmitindo a discriminação desde a infância
E o que as crianças aprendem brincando
É nada mais nada menos do que a estupidez se propagando
Nenhum tipo de racismo – eu digo nenhum tipo de racismo – se justifica
Ninguém explica
Precisamos da lavagem cerebral pra acabar com esse lixo que é uma herança cultural
Todo mundo que é racista não sabe a razão
Então eu digo meu irmão
Seja do povão ou da “elite”
Não participe
Pois como eu já disse racismo é burrice
Como eu já disse racismo é burrice

Racismo é burrice

E se você é mais um burro, não me leve a mal
É hora de fazer uma lavagem cerebral
Mas isso é compromisso seu
Eu nem vou me meter
Quem vai lavar a sua mente não sou eu
É você.

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Astronauta

Astronauta tá sentindo falta da Terra?
Que falta que essa Terra te faz?
A gente aqui embaixo continua em guerra
Olhando aí pra lua implorando por paz
Então me diz: por que que você quer voltar?
Você não tá feliz onde você está?
Observando tudo a distância
Vendo como a Terra é pequenininha
Como é grande a nossa ignorância
E como a nossa vida é mesquinha
A gente aqui no bagaço, morrendo de cansaço
De tanto lutar por algum espaço
E você, com todo esse espaço na mão
Querendo voltar aqui pro chão?!
Ah não, meu irmão… qual é a tua?
Que bicho te mordeu aí na lua?

Eu vou pro mundo da lua
Que é feito um motel
Aonde os deuses e deusas
Se abraçam e beijam no céu

Ah não, meu irmão… qual é a tua?
Que bicho te mordeu aí na lua?
Fica por aí que é o melhor que cê faz
A vida por aqui tá difícil demais
Aqui no mundo, o negócio tá feio
Tá todo mundo feito cego em tiroteio
Olhando pro alto, procurando a salvação
Ou pelo menos uma orientação
Você já tá perto de Deus, astronauta
Então, me promete
Que pergunta pra ele as respostas
De todas as perguntas e me manda pela internet

Refrão

É tanto progresso que eu pareço criança
Essa vida de internauta me cansa
Astronauta, cê volta e me deixa dar uma volta na nave, passa achave que eu tô de mudança
Seja bem-vindo, faça o favor
E toma conta do meu computador
Porque eu tô de mala pronta, tô de partida
E a passagem é só de ida
Tô preparado pra decolagem, vou seguir viagem, vou medesconectar
Porque eu já tô de saco cheio e não quero receber nenhum e-mailcom notícia dessa merda de lugar

Refrão

Eu vou pra longe, onde não exista gravidade
Pra me livrar do peso da responsabilidade
De viver nesse planeta doente
E ter que achar a cura da cabeça e do coração da gente
Chega de loucura, chega de tortura
Talvez aí no espaço eu ache alguma criatura inteligente
Aqui tem muita gente, mas eu só encontro solidão
Ódio, mentira, ambição
Estrela por aí é o que não falta, astronauta
A Terra é um planeta em extinção
Continue lendo

Estudo Errado

Eu tô aqui Pra quê?
Será que é pra aprender?
Ou será que é pra sentar, me acomodar e obedecer?
Tô tentando passar de ano pro meu pai não me bater
Sem recreio de saco cheio porque eu não fiz o dever
A professora já tá de marcação porque sempre me pega
Disfarçando, espiando, colando toda prova dos colegas
E ela esfrega na minha cara um zero bem redondo
E quando chega o boletim lá em casa eu me escondo
Eu quero jogar botão, vídeo-game, bola de gude
Mas meus pais só querem que eu “vá pra aula!” e “estude!”
Então dessa vez eu vou estudar até decorar cumpádi
Pra me dar bem e minha mãe deixar ficar acordado até mais tarde
Ou quem sabe aumentar minha mesada
Pra eu comprar mais revistinha (do Cascão?)
Não. De mulher pelada
A diversão é limitada e o meu pai não tem tempo pra nada
E a entrada no cinema é censurada (vai pra casa pirralhada!)
A rua é perigosa então eu vejo televisão
(Tá lá mais um corpo estendido no chão)
Na hora do jornal eu desligo porque eu nem sei nem o que é inflação
– Ué não te ensinaram?
– Não. A maioria das matérias que eles dão eu acho inútil
Em vão, pouco interessantes, eu fico pu..
Tô cansado de estudar, de madrugar, que sacrilégio
(Vai pro colégio!!)
Então eu fui relendo tudo até a prova começar
Voltei louco pra contar:
Manhê! Tirei um dez na prova
Me dei bem tirei um cem e eu quero ver quem me reprova
Decorei toda lição
Não errei nenhuma questão
Não aprendi nada de bom
Mas tirei dez (boa filhão!)
Quase tudo que aprendi, amanhã eu já esqueci
Decorei, copiei, memorizei, mas não entendi
Quase tudo que aprendi, amanhã eu já esqueci
Decorei, copiei, memorizei, mas não entendi
Decoreba: esse é o método de ensino
Eles me tratam como ameba e assim eu não raciocino
Não aprendo as causas e conseqüências só decoro os fatos
Desse jeito até história fica chato
Mas os velhos me disseram que o “porque” é o segredo
Então quando eu num entendo nada, eu levanto o dedo
Porque eu quero usar a mente pra ficar inteligente
Eu sei que ainda não sou gente grande, mas eu já sou gente
E sei que o estudo é uma coisa boa
O problema é que sem motivação a gente enjoa
O sistema bota um monte de abobrinha no programa
Mas pra aprender a ser um ingonorante (…)
Ah, um ignorante, por mim eu nem saía da minha cama (Ah, deixa eu dormir)
Eu gosto dos professores e eu preciso de um mestre
Mas eu prefiro que eles me ensinem alguma coisa que preste
– O que é corrupção? Pra que serve um deputado?
Não me diga que o Brasil foi descoberto por acaso!
Ou que a minhoca é hermafrodita
Ou sobre a tênia solitária.
Não me faça decorar as capitanias hereditárias!! (…)
Vamos fugir dessa jaula!
“Hoje eu tô feliz” (matou o presidente?)
Não. A aula
Matei a aula porque num dava
Eu não agüentava mais
E fui escutar o Pensador escondido dos meus pais
Mas se eles fossem da minha idade eles entenderiam
(Esse num é o valor que um aluno merecia!)
Íííh… Sujô (Hein?)
O inspetor!
(Acabou a farra, já pra sala do coordenador!)
Achei que ia ser suspenso mas era só pra conversar
E me disseram que a escola era meu segundo lar
E é verdade, eu aprendo muita coisa realmente
Faço amigos, conheço gente, mas não quero estudar pra sempre!
Então eu vou passar de ano
Não tenho outra saída
Mas o ideal é que a escola me prepare pra vida
Discutindo e ensinando os problemas atuais
E não me dando as mesmas aulas que eles deram pros meus pais
Com matérias das quais eles não lembram mais nada
E quando eu tiro dez é sempre a mesma palhaçada

Refrão

Encarem as crianças com mais seriedade
Pois na escola é onde formamos nossa personalidade
Vocês tratam a educação como um negócio onde a ganância, a exploração, e a indiferença são sócios
Quem devia lucrar só é prejudicado
Assim vocês vão criar uma geração de revoltados
Tá tudo errado e eu já tou de saco cheio
Agora me dá minha bola e deixa eu ir embora pro recreio…

Juquinha você tá falando demais assim eu vou ter que lhe deixar sem recreio!
Mas é só a verdade professora!
Eu sei, mas colabora se não eu perco o meu emprego.
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Retrato De Um Playboy Parte 2

Pergunta pro playboy o que ele pensa da vida.
Sabe o que ele te diz? Nada ele baixa porrada!!!!
É mais ou menos assim.

Sou playboy e meto porrada, eu dou porrada eu enfio a porrada.
Só ando com a galera e bato nos mané,
Mas quando eu to sozinho eu só bato nas mulhé.
Eu pego muita gata no mata-leão.
“É isso meu cumpadre, my brother, meu irmão”.
Se alguma ta na moda, eu faço também,
Eu tenho um pitbull chamado Bush Hussein
O Bush é pitbull mas eu sou mais ainda,
Arranquei a orelha de uma loira burra linda.
Tinha um cara dançando com essa mulher na boate,
Então pensei: “Ta na hora do combate!”
Eu falei: “Tu pisou no meu pé meu irmão”.
Ele disse que não, eu dei logo um socão.
Ele foi pro hospital, ela veio me dar mole.
Eu pedi um chopp ela me pediu um gole,
Ela me levou pro motel, vou contar um segredo,
Quando ela tirou a roupa eu fiquei até com medo.
Veio me beijando me chamando de gostoso,
Veio me abraçando eu fiquei meio nervoso,
Veio se esfregando e eu fiquei com nojo dela,
Eu mandei um mordidão e um chute na costela.

Porque eu sou playboy, filhinho de papai.
Eu tenho um pitbull, e eu imito o que ele faz.
Sou playboy, filhinho de papai.
Eu era um debilóide, fiquei ainda mais.

O papai e a mamãe me dão do bom e do melhor,
Mas quando eles viajam eu fico com a vovó.
Papai é meio ausente e eu sou meio carente.
Mas se falar do meu papai você vai ficar sem dente.
Já sou bem grande, já sei me virar, sei até dirigir, só nãoaprendi a conversar.
Eu não discuto chuto, eu não debato eu bato, não sei bater umpapo mas resolvo no sopapo.
Entro no meu carro e o pedal vai no chão.
“Olha o cara ultrapassando pisa aí meu irmão”.
O cara me encarou aí eu dei uma fechada,
Peguei o extintor e parti pra porrada.
Sai de baixo que eu sou macho,
Que eu sou muito macho,
Pelo menos eu acho.
Macho não vacila, macho arrasa.
Macho não leva desaforo pra casa.
Macho é isso, não brinca em serviço.
Macho é robusto, macho é roliço.
Macho é parrudo, macho é pescoçudo.
Macho é poderoso, macho é tudo.
Macho é o que há, e eu gosto muito, rapaiz.
Macho é lindo, macho é demais

Sou playboy, filhinho de papai.
Eu tenho um pitbull, e eu imito o que ele faz.
Sou playboy, filhinho de papai.
Eu era um debilóide, fiquei ainda mais.

Eu sou igual àquele cara do casseta,
Me sinto mais excitado com uma boa briga do com uma boate, lotada de gata.
Se não tiver porrada, a noitada não tem graça.
Aí é melhor trabalhar os músculos, né
Malhar é melhor do que mulher.
Por falar em malhar, eu lembrei da Maria.
Aquela popozuda que eu peguei na academia.
Levei ela pra praia e eu fiquei amarradão.
A isca perfeita pra arrumar confusão.
O cara olhou pra suas coxas e ficou com a cara roxa,
E o outro olhou pra suas costas e levou fratura exposta.
A Maria se amarrou no meu show,
Mulher adora essas coisa brou.
É até engraçado, to na delegacia encarando o delegado.
Eu não decido nada to esperando advogado,
Papai já ta chegando pra deixar tudo acertado.
Dei até entrevista, vou sair na TV,
Que maneiro, eu adoro aparecer.
E na hora da foto eu fiz cara de mal,
Amanhã minha galera vai me ver no jornal, aí.

Sou playboy, filhinho de papai.
Eu tenho um pitbull, e eu imito o que ele faz.
Sou playboy, filhinho de papai.
Eu era um debilóide, fiquei ainda mais.

Esse é o retrato da nossa gente fina,
Seja lá no açaí ou alí na cocaína.
É assim que cuidamos do futuro do Brasil,
Até que ponto nós chegamos,
Hein, puta que o pariu!!!!

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Retrato De Um Playboy (juventude perdida)

Pergunta prum playboy o quê ele pensa da vida
Sabe o que ele te diz? (Se borra todo) Não
Mais ou menos assim:
“Sou playboy e vivo na farra
Vou à praia todo dia e sou cheio de marra
Só ando com a galera e nela me garanto
Só que quando estou sozinho eu só ando pelos cantos
Porque eu luto Jiu-Jitsu mas é só por diversão
(É isso aí meu “cumpádi” my brother meu irmão)
Se alguma coisa está na moda então eu faço também
Igualzinho a mim eu conheço mais de cem
Se eu faço tudo o que eles fazem então tudo bem
Não quero estudo nem trabalho
Não vem que não tem
Porque eu sou um playboyzinho e disso não me envergonho
Não sei o que é a vida Não penso Não sonho
Praia, surf e chopp essa é a minha realidade
Não saio disso porque me falta personalidade
Não tenho cérebro
Apenas me enquadro no sistema
Ser tapado é minha sina
Ser playboy é o meu problema!
Faço só o que os outros fazem e acho isso legal
Arrumo brigas com a galera e acho sensacional
Me olho no espelho e me acho o tal
Mas não percebo que no fundo eu sou um débil mental!

Eu sou playboy filhinho de papai
Me afundo nessa bosta
Até não poder mais
Sou playboy filhinho de papai
Sou um débil mental
Somos todos iguais

Com a cabeca raspada ou cheia de parafina
Eu tiro onda porque acho que sou gente fina
Mas na verdade eu pertenço à pior raça que existe
Eu sou playboy! Penso que sou feliz mas sou triste
Eu sou pior que uma praga eu sou pior que uma peste
Eu tô em qualquer lugar da superfície terrestre
E digo aonde a playboyzada prolifera-se a mil
É num país capitalista pobre como o Brasil
Onde não somos patriotas ou nacionalsitas
Gosto das cores dos States com as estrelas e as listras
E o que eu sinto pelo país é o que eu sinto pelo povo
Olha só que legal quando eu pego um ovo
E entro no carro com os amigos e levo o ovo na mão
(Olha o ponto de ônibus
Freia aí meu irmão!!)
E eu taco o ovo bem na cara de um trabalhador
Que esperava o seu ônibus que passou e não parou
Que maneiro eu não ligo pra quem tá sofrendo
Em vez de eu dar uma carona eu deixo o cara fedendo
Que legal se um mendigo me pede um cigarro
É apenas um motivo pra eu tirar mais um sarro
Sacanear um mendigo é a maior diversão
Não tem problema há quantos dias ele não come um pão
E por falar em pão que eu como todo dia
Eu me lembrei da empregada que se chama Maria
Ela me dá comida me dá roupa lavada
Mas quando eu tô presente ela é sempre humilhada
Você precisa ver como eu trato a coitada
Eu a rebaixo a esculacho e fico dando risada

Refrão

Eu não sei nada dessa vida e desse mundo onde estou
E é quando eu saio de noite que eu vejo o merda que eu sou
Sem ter o que fazer sem ter o que pensar
Eu encho a cara de bebida até vomitar
E os meus falsos amigos que vão lá me carregar
São os mesmos que depois só vão me sacanear
Mas na cabeca da galera também não tem nada
Somos um bando de merdas dentro da mesma privada
É até engracado
Eu não decido nada
Pela moda sou guiado
Adoro reggae mas não sei o que Bob Marley diz
E se eu soubesse talvez não fosse tão infeliz!
Porque eu sou um otário a minha vida não presta
Inteligencia?
Não tenho – A burrice é o que me resta
Mas agora dá licença que eu vou parar
Minha cabeca tá doendo
Eu vou descansar
E esse lugar tá fedendo
Quem mandou eu pensar? Porque…

Refrão”

Esse é o retrato da nossa juventude
Seja o playboy da maconha ou o playboy da saúde
E se cuidarmos assim do futuro do Brasil
Vamos levar este país para a puta que o pariu!

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Cachimbo da Paz

A criminalidade toma conta da cidade
A sociedade põe a culpa nas autoridades
Um cacique oficial viajou pro Pantanal
Porque aqui a violência tá demais
E lá encontrou um velho índio que usava um fio dental
E fumava um cachimbo da paz
O presidente deu um tapa no cachimbo e na hora
De voltar pra capital ficou com preguiça
Trocou seu paletó pelo fio dental e nomeou
O velho índio pra ministro da justiça
E o novo ministro chegando na cidade,
Achou aquela tribo violenta demais
Viu que todo cara-pálida vivia atrás das grades
E chamou a TV e os jornais
E disse: “Índio chegou trazendo novidade
Índio trouxe o cachimbo da paz

Maresia, sente a maresia
maresia, uuu…
Apaga a fumaça do revólver, da pistola
Manda a fumaça do cachimbo pra cachola
Acende, puxa, prende, passa
Índio quer cachimbo, índio quer fazer fumaça

Todo mundo experimenta o cachimbo da floresta
Dizem que é do bom, dizem que não presta
Querem proibir, querem liberar
E a polêmica chegou até o congresso
Tudo isso deve ser pra evitar a concorrência
Porque não é Hollywood mas é o sucesso
O cachimbo da paz deixou o povo mais tranqüilo
Mas o fumo acabou porque só tinha oitenta quilos
E o povo aplaudiu quando o índio partiu pra selva
E prometeu voltar com uma tonelada
Só que quando ele voltou “sujou”!!!
A polícia federal preparou uma cilada
“O cachimbo da paz foi proibido, entra na caçamba vagabundo!
Vamô pra DP! Ê êê! Índio tá fugindo porque lá o pau
Vai comer!”

Maresia, sente a maresia
maresia, uuu…
Apaga a fumaça do revólver, da pistola
Manda a fumaça do cachimbo pra cachola
Acende, puxa, prende, passa
Índio quer cachimbo, índio quer fazer fumaça

Na delegacia só tinha viciado e delinquente
Cada um com um vício e um caso diferente
Um cachaceiro esfaqueou o dono do bar porque ele
Não vendia pinga fiado
E um senhor bebeu uísque demais, acordou com um travestí
E assassinou o coitado
Um viciado no jogo apostou a mulher, perdeu a aposta
E ela foi sequestrada
Era tanta ocorrência, tanta violência que o índio
Não tava entendendo nada
Ele viu que o delegado fumava um charuto fedorento
E acendeu um “da paz” pra relaxar
Mas quando foi dar um tapinha
Levou um tapão violento e um chute naquele lugar
Foi mandado pro presídio e no caminho assistiu um
Acidente provocado por excesso de cerveja:
Uma jovem que bebeu demais atropelou
Um padre e os noivos na porta da igreja
E pro índio nada disso faz sentido
Com tantas drogas porque só o seu cachimbo é proibido?

Maresia, sente a maresia
maresia, uuu…
Apaga a fumaça do revólver, da pistola
Manda a fumaça do cachimbo pra cachola
Acende, puxa, prende, passa
Índio quer cachimbo, índio quer fazer fumaça

Na penitenciária o “índio fora da lei”
Conheceu os criminosos de verdade
Entrando, saindo e voltando cada vez mais
Perigosos pra sociedade, aí, cumpádi, tá rolando
Um sorteio na prisão pra reduzir a super lotação
Todo mês alguns presos tem que ser executados
E o índio dessa vez foi um dos sorteados
E tentou acalmar os outros presos:
“Peraí…, vamo fumar um cachimbinho da paz
Eles começaram a rir e espancaram o velho índio
Até não poder mais e antes de morrer ele pensou:
“Essa tribo é atrasada demais…
Eles querem acabar com a violência,
mas a paz é contra a lei e a lei é contra a paz”
E o cachimbo do índio continua proibido mas se você quer comprar é mais fácil que pão
Hoje em dia ele é vendido pelos mesmos bandidos que mataram O velho índio na prisão

Maresia, sente a maresia
maresia, uuu…
Apaga a fumaça do revólver, da pistola
Manda a fumaça do cachimbo pra cachola
Acende, puxa, prende, passa
Índio quer cachimbo, índio quer fazer fumaça

Maresia, sente a maresia
maresia, uuu…
Apaga a fumaça do revólver, da pistola
Sente a marisia
Índio quer cachimbo, índio quer fazer fumaça
Apaga a fumaça do revólver, da pistola
Sente a marisia, acende, puxa, prende, passa, uuu…
Apaga a fumaça do revólver, da pistola

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Palavras Repetidas

A terra tá soterrada de violência,
De guerra, de sofrimento, de desespero.
A gente tá vendo tudo tá vendo a gente,
Tá vendo no nosso espelho na nossa frente,
Tá vendo na nossa frente aberração,
Tá vendo tá sendo visto querendo ou não,
Tá vendo no fim do túnel escuridão
Tá vendo no fim do túnel escuridão
Tá vendo a nossa morte anunciada,
Tá vendo a nossa vida valendo nada.
To vendo, chovendo sangue no meu jardim,
Tá lindo o sol caindo que nem granada
Tá vindo um carro bomba na contramão.
Tá vindo um carro bomba na contramão.
Tá vindo um carro bomba na contramão.
Tá rindo um suicida na direção

(REFRÃO)
É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar, na verdade não há

A bomba ta explodindo na nossa mão,
O medo ta estampado na nossa cara,
O erro ta confirmado ta tudo errado,
O jogo dos setes erros que nunca para,
Sete, oito, nove, dez, cem,
Erros meus erros seus e de Deus também,
Estupidez um erro simplório,
A bola da vez, enterro velório,
Perda total por todos os lados,
Do banco do ônibus a carro importado.

Teu filho morreu meu filho também,
Morreu assaltando Morreu assaltado
Tristeza, saudade por todos os lados,
Tortura covarde humilha e destrói.

Eu vejo um Bin Laden em cada favela,
Herói da miséria, vilão exemplar,
Tortura covarde por todos os lados,
Tristeza, saudade, humilha e destrói,
As balas invadem a minha janela,
Eu tava dormindo tentando sonhar.

(REFRÃO)
É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar, na verdade não há

Sou um grão de areia no olho do furacão,
No meio à milhões de grãos,
Cada um na sua busca,
Cada bússola num coração,
Cada um le de uma forma o mesmo ponto de interrogação,
Nem sempre pode se ter fé
Quando chão desaparece embaixo do seu pé

Acreditando na chance de ser feliz,
Eterna cicatriz,
Eterno aprendiz, das escolhas que fiz,
Sem amor eu nada seria,
Ainda que eu falasse a língua de todas as etnias,
De todas as falanges e facções,
Ainda que eu gritasse os gritos de todas as legiões.

Palavras repetidas, mais quais são as palavras que eu mais quero
repetir na vida?
Felicidade, paz, é
Felicidade, paz, sorte.
Nem sempre se pode ter fé
Mais nem sempre a fraqueza que se sente
Quer dizer que a gente não é forte.

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Até Quando?

Não adianta olhar pro céu com muita fé e pouca luta
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e muita greve
Você pode e você deve, pode crer

Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus sofreu
Num quer dizer que você tenha que sofrer

Até quando você vai ficar usando rédea
Rindo da própria tragédia?
Até quando você vai ficar usando rédea
Pobre, rico ou classe média?
Até quando você vai levar cascudo mudo?
Muda, muda essa postura
Até quando você vai ficando mudo?
Muda que o medo é um modo de fazer censura

(Refrão)
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ser saco de pancada?

(Repete refrão)

Você tenta ser feliz, não vê que é deprimente
Seu filho sem escola, seu velho tá sem dente
Você tenta ser contente, não vê que é revoltante
Você tá sem emprego e sua filha tá gestante
Você se faz de surdo, não vê que é absurdo
Você que é inocente foi preso em flagrante
É tudo flagrante
É tudo flagrante

(Refrão x2)

A polícia matou o estudante
Falou que era bandido, chamou de traficante
A justiça prendeu o pé-rapado
Soltou o deputado e absolveu os PM’s de Vigário

(Refrão x2)

A polícia só existe pra manter você na lei
Lei do silêncio, lei do mais fraco:
Ou aceita ser um saco de pancada ou vai pro saco

A programação existe pra manter você na frente
Na frente da TV, que é pra te entreter
Que pra você não ver que programado é você

Acordo num tenho trabalho, procuro trabalho, quero trabalhar
O cara me pede diploma, num tenho diploma, num pude estudar
E querem q’eu seja educado, q’eu ande arrumado q’eu saiba falar
Aquilo que o mundo me pede não é o que o mundo me dá

Consigo emprego, começo o emprego, me mato de tanto ralar
Acordo bem cedo, não tenho sossego nem tempo pra raciocinar
Não peço arrego mas na hora que chego só fico no mesmo lugar
Brinquedo que o filho me pede num tenho dinheiro pra dar

Escola, esmola
Favela, cadeia
Sem terra, enterra
Sem renda, se renda. Não, não

(Refrão x2)

Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente

Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura
Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro

(Refrão)

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