Qual foi o mal que eu te fiz

Diz
Qual foi o mal que eu te fiz?
Eu não
Te farei essa ingratidão
Foi um palco contra nossa amizade
Não creias, não pode ser verdade

Não creias nestas mentiras
Que roubam nossa alegria
Os invejosos se vingam
Armados de hipocrisia

A mentira infelizmente
O mais forte amor destrói
Mas se eu não tenho remorso
O meu coração não dói

Diz
Qual foi o mal que eu te fiz?
Eu não
Te farei essa ingratidão
Foi um palco contra nossa amizade
Não creias, não pode ser verdade

Disseste que te enganei
Não sou tão fingido assim
Talvez queiras um pretexto
Para viver longe de mim

Disseram que eu traia
A nossa grande amizade
E tão criminosa a culpa
Que não pode ser verdade

Divina dama

Tudo acabado
E o baile encerrado
Atordoado fiquei
Eu dancei com você
Divina dama
Com o coração
Queimando em chama

BIS 1ª parte

Fiquei louco
Pasmado por completo
Quando me vi tão perto
De quem tenho amizade
Na febre da dança
Senti tamanha emoção
Devorar-me o coração
Divina dama

BIS 1ª parte

Quando eu vi
Que a festa estava encerrada
E não restava mais nada
De felicidade
Vinguei-me nas cordas
Da lira de um trovador
Condenando o teu amor
Tudo acabado

Que infeliz sorte

Que infeliz sorte !
Que infeliz sorte !
O que vale que o meu coração,
Pra resistir essa paixão é forte.

E não passava,
As maiores dores,
Pela ingratidão,
Que me fez Dolores.

Passas por mim,
Rindo, cantando,
Dá com os ombros,
Arrastando rapazes,
Me debochando,
E finge para todas,
Estou vingada.

É só pra morrer,
Sem amar não acho prazer.

Que infeliz sorte !
Que infeliz sorte !
O que vale que meu coração,
Pra resistir essa paixão é forte.

E não passava,
As maiores dores,
Pela ingratidão,
Que me fez Dolores.

Tu não mereces ,
Ser recompensada,
Me enganar,
E dizer a todos,
Estou vingada.

E também é mais fraco,
O juízo teu,
Sem acreditar,
No amor meu….

Sandália de prata

Querendo ver 
Pega logo um pandeiro 
Põe na mão de um brasileiro 
Vê como ele dá no couro 
Pega uma sandália cor de prata 
Põe nos pés de uma mulata 
Vê como ela vale ouro. 

Quem quiser viver contente 
Como a vida deve ser 
É olhar pra essa gente 
Que tão bem sabe viver. 
Nesta terra camarada 
A gente vive como quer 
Tem luar,tem batucada, 
Tem carinho de mulher.

Aquarela mineira

Negras redondas de gordas
Levando a comida dos negros suados,
Dos negros cansados de capinar;
Bate o monjolo a cadência do milho socado.
“- Moleque, olha o gado, inda está no curral
Põe prá pastar!”
Roda o engenho de cana, de cana caiana
É de manhãzinha…
A vida começa, na Fazenda da Barrinha
Minas Gerais, ó meu Minas Gerais,
Se eu pudesse voltar a trinta anos atrás
Tocava os meus bois,
Fumava escondido entre os cafezais.
Ó tempinho bom, que não volta mais!

Em Minas Gerais, tem ferro, tem ouro, tutu
Tem gado Zebú,
Tem também, umas toadas,
Alma sonora das quebradas…
Encantos das noites de luar…
E a história do Brasil
Tem muitas páginas heróicas, imortais
Escritas, com sangue mineiro,
Salve, o meu estado de Minas Gerais!

Amar a uma só mulher

Amar a uma só mulher
Deixando as outras todas
Sempre em vão
Pois a uma só a gente quer
Com todo o fervor do coração

Quem pintou o amor foi um ceguinho
Mas não disse a cor que ele tem
Penso que só deus dizer-nos vem
Ensinando com carinho
A pura cor do querer bem

Quem pintou o amor foi um enxerido
Decorou também a ingratidão
E deixou rascunhos da paixão
Como lema preferir
A uma só no coração

Deixa ela

Deixa ela! deixa ela!
Que esta moça é donzela

Esta moça é donzela
Gosta muito de brincar
Mas não vá você pensar
Que ela queira se casar

Esta cabocla bonita
Tem uns olhos de matar
Para mim, só tem um defeito
De não querer se casar

Ela já me confessou
Por quem ela tem paixão
Por um caboclo bonito
Que nasceu lá no sertão

A malandragem

A malandragem eu vou deixar
Eu não quero saber da orgia
Mulher do meu bem querer
Esta vida não tem mais valia

Mulher igual
Para gente é uma beleza
Não se olha a cara dela
Porque isso é uma defesa
Arranjei uma mulher
Que me dá toda vantagem
Vou virar almofadinha
Vou deixar a malandragem

Esses otário
Que só sabe é dar palpite
Quando chega o carnaval
A mulher lhe dá o suíte
Você diz que é malandro
Malandro você não é
Malandro é seu abóbora
Que manobra com as mulhé

Ai eu queria

Ai, eu queria
Ir uma vez à Bahia

Conhecer aquele Estado
Porque (De que) falam muito (tanto) bem
Dar um abraço nas baianas
E nos baianos também

Conhecer São Salvador
O Canela até o fim
A Baixa do Sapateiro
Cais Dourado e Bonfim

E depois de tudo isso
Despedir-me da folia
E trazer uma baiana
Para a minha companhia

Boa noite amor

Quando a noite descer
Insinuando um triste adeus
Olhando nos olhos teus
Hei de beijando teus dedos dizer

Boa noite amor
Meu grande amor
Contigo eu sonharei
E a minha dor esquecerei
Se eu souber que o sonho teu
Foi o mesmo sonho meu

Boa noite amor

E sonhe enfim
Pensando sempre em mim
Na caricia de um beijo
Que ficou no desejo
Boa noite meu grande amor
(bis)

Retrato do velho

Bota o retrato do velho outra vez
Bota no mesmo lugar
Bota o retrato do velho outra vez
Bota no mesmo lugar

O sorriso do velhinho faz a gente trabalhar
O sorriso do velhinho faz a gente trabalhar

Eu já botei o meu
E tu não vais botar
Eu já enfeitei o meu
E tu não vais enfeitar

O sorriso do velhinho faz a gente se animar

A mulher que ficou na taça

Fugindo da nostalgia 
Vou procurar alegria 
Na ilusão dos cabarés 
Sinto beijos no meu rosto 
E bebo por meu desgosto 
Relembrando o que tu és

E quando bebendo espio 
Uma taça que esvazio 
Vejo uma visão qualquer 
Não distingo bem o vulto 
Mas deve ser do meu culto 
O vulto dessa mulher…

Quanto mais ponho bebida 
Mais a sombra colorida 
Aparece em meu olhar 
Aumentando o sofrimento 
No cristal em que, sedento 
Quero a paixão sufocar

E no anseio da desgraça 
Encho mais a minha taça 
Para afogar a visão 
Quanto mais bebida eu ponho 
Mais cresce a mulher no sonho 
Na taça, e no coração.

Favela

Favela oi, favela,
Favela que guardo no meu coração
Ao recordar com saudade
A minha felicidade
Favela dos sonhos de amor
E do samba-canção

Hoje tão longe de ti
Se vejo a lua surgir
Eu relembro a batucada
E começo a chorar
Favela das noites de samba
Berço dourado dos bambas
Favela é tudo que eu posso falar.

Favela oi
Minha favela querida
Onde eu senti minha vida
Presa a um romance de amor
Numa doce ilusão
E uma saudade bem rara
Na distância que nos separa
Eu guardo de ti esta recordação.

Nem é bom falar

Nem tudo que se diz se faz
Eu digo e serei capaz
De não resistir
Nem é bom falar
Se a orgia se acabar

(Tu, falas muito, meu bem
E precisas deixar
Tu falas muito, meu bem
E precisas deixar
Senão eu acabo
Dando pra gritar na rua
Eu quero uma mulher bem nua.)

Mas esta vida
Não há quem me faça deixar
Por falares tanto
A polícia quer saber
Se eu dou meu dinheiro todo a você

Até que enfim
Eu agora estou descansado
Até que enfim
Eu agora estou descansado
Ela deu o fora
Foi morar lá na Favela
E eu não quero saber mais dela

Dor de recordar

Não sei por que
se estás ao meu lado
sem nada dizer
sinto em mim o coração amargurado
na aflição de um velho sonho reviver…
o silencio é que fala do passado.

Deixa que a boca em tua boca
embriagado de loucura e de esplendor
possa te dizer chorando quanto é pouca
a vida para tanto amor.

Não quero saber mais dela

Por que foi que tu deixaste
Nossa casa na favela
Não quero saber mais dela
Não quero saber mais dela

A casa que eu te dei
Tem uma porta e uma janela
Também não quero saber mais dela
Também não quero saber mais dela

Português, tu não me invoca
Me arrespeita, eu sou donzela
Não vou na sua potoca
Nem vou morar na favela

Eu bem sei que tu és donzela
Mas isto é uma coisa à toa
Mulata, lá na favela
Mora muita gente boa

Aquela crioulinha
Que tu dava tanto nela
Não quero saber mais dela
Não quero saber mais dela

E aquela portuguesa
Que tu te casou com ela
Também não quero saber mais dela
Também não quero saber mais dela

Amor de malandro

Vem, vem
Que eu dou tudo a você
Menos vaidade
Tenho vontade
Mas é que não pode ser

O amor é o do malandro
Oh, meu bem
Melhor do que ele ninguém
Se ele te bate
É porque gosta de ti
Pois bater-se em quem
Não se gosta
Eu nunca vi

O pé de anjo

Eu tenho uma tesourinha
Que corta ouro e marfim
Serve também para cortar
As línguas que falam de mim

Ó pé de anjo, ó pé de anjo
És rezador, és rezador
Tens um pé tão grande
Que és capaz de pisar
Nosso Senhor, Nosso Senhor

A mulher e a galinha
São dois bichos interesseiros
A galinha pelo milho
E a mulher pelo dinheiro.

Samba de nego

Samba de nêgo 

Não se pode freqüentar 

Só tem cachaça 

Pra gente se embriagar 

Eu fui num samba 

Em casa de Mãe Inez 

No melhor da festa 

Fomos todos pro xadrez 

No fim do samba 

Minha caboca chegou 

Virei os óio 

E meu Santo me pegou 

Caí de lado 

Vim de frente, vim de banda 

Meu Santo disse 

Que eu vinha lá de Aruanda

Alivia estes olhos

Eu queria saber por que é
Que este homem bateu na mulher
Que mulher engraçada e adorada
Que se acostumou com a pancada!

Ai, como é bão querer!
Sofrer calado
Sem ninguém saber

Alivia estes olhos pra lá
Que ainda ontem eu fui me rezar
Tenho medo desse olhar
Que procura-me a vida atrasar

A favela vai abaixo

Minha cabocla, a Favela vai abaixo
Quanta saudade tu terás deste torrão
Da casinha pequenina de madeira
que nos enche de carinho o coração

Que saudades ao nos lembrarmos das promessas
que fizemos constantemente na capela
Pra que Deus nunca deixe de olhar
por nós da malandragem e pelo morro da Favela
Vê agora a ingratidão da humanidade
O poder da flor sumítica, amarela
quem sem brilho vive pela cidade
impondo o desabrigo ao nosso povo da Favela

Minha cabocla, a Favela vai abaixo
Ajunta os troço, vamo embora pro Bangú
Buraco Quente, adeus pra sempre meu Buraco
Eu só te esqueço no buraco do Caju

Isto deve ser despeito dessa gente
porque o samba não se passa para ela
Porque lá o luar é diferente
Não é como o luar que se vê desta Favela
No Estácio, Querosene ou no Salgueiro
meu mulato não te espero na janela
Vou morar na Cidade Nova
pra voltar meu coração para o morro da Favela

Fala meu louro

A Bahia não dá mais coco
para botar na tapioca
Pra fazer o bom mingau
para embrulhar o carioca

Papagaio louro do bico dourado
Tu falavas tanto
qual a razão que vives calado

Não tenhas medo
coco de respeito
Quem quer se fazer não pode
Quem é bom já nasce feito

Deusa

Deusa
Visão no céu que me domina
Luz de uma estrela que ilumina
Um coração pobre de amor
Teu trovador
Chorando as mágoas ao luar
Vem aos teus pés para implorar
As tuas graças divinais
Consolação e nada mais

Deusa
Anjo do céu, meu protetor
Nas alegrias e na dor
Sagrado ser a quem venero
Nada mais quero
Se não puder esquecer
Alguém que não mais quero ver
Visão fatal, que foi meu ideal

Deusa
Inspiração celestial
Sincera musa divinal
A quem confio meu segredo
Eu tenho medo
De não poder me dominar
Alguém no mundo ainda amar
Para evitar tal traição
Deixo contigo o coração

Deusa
Eu tenho em ti a minha esperança
Tu és a paz, és a bonança
A minha Santa Padroeira
Dá-me a cegueira
Não quero ver a mais ninguém
Nas trevas só me sinto bem
Na escuridão
Viver sem coração

Mas ó mulher
Pensas talvez que me enganavas
Quando a sorrir tu me beijavas
Dizendo, só me pertencer
A mim somente até morrer
Todas iguais
Tu és mulher, e nada mais
Não amarei no mundo, a mais ninguém
A ti somente eu quero bem

Deixa essa mulher chorar

Deixa essa mulher chorar
Deixa essa mulher chorar

Pra pagar o que me fez
Pra pagar o que me fez
Zombou de quem soube amar, por querer
Hoje toca a tua vez de sofrer

Não te lamentes
O mundo é mesmo assim
Chora, que eu já chorei
E tu zombaste de mim
Amei e não venci
Outro não amou, venceu
Foi protegido da sorte
Foi mais feliz do que eu
Oi, deixa essa mulher chorar

Estou bem feliz
Não me fazes mais sofrer
Agora sou eu quem diz
Que não quero mais te ver
Amar como eu te amei
Era para enlouquecer
Juro que nunca pensei
Que pudesse te esquecer
Oi, deixa essa mulher chorar

Nada de novo na frente ocidental

Nada de novo na frente ocidental
As batalhas de confete na avenida central
Paz! Paz! Paz e muita harmonia
Na bateria do carnaval

Nada de novo na frente ocidental
As batalhas de confete na avenida central
Paz! Paz! Paz e muita harmonia
Na bateria do carnaval

O correio chegou
Notícias eu li
O tempo fechou
Touradas de Madrid
A geisha brigou com ling ling lé
Quem vai gozar é o sei la se é

Nada de novo na frente ocidental
As batalhas de confete na avenida central
Paz! Paz! Paz e muita folia
Na bateria do carnaval

Nada de novo na frente ocidental
A batalha de confete na avenida central
Paz! paz! paz e muita folia
Na bateria do carnaval

Nada de novo na frente ocidental
As batalhas de confete na avenida central
Paz! paz! paz e muita harmonia
Na bateria do carnaval

O correio chegou
Chegou de Paris
A guerra acabou
O mundo é mais feliz
É bem melhor viver assim em paz
Com meu amor não brigo nunca mais!

Nada de novo na frente ocidental
As batalhas de confete na avenida central
Paz! paz! paz e muita folia
Na bateria do carnaval

Foi ela

Depois de tudo acostumado, foi pior
Ela me viu, cuspiu de lado, na maior (na maior)
Meu travesseiro tá molhado é o meu suor
Quem precisar de mim me encontre, eu tô na moda
Não tem mais papo, choro nem vela

Foi ela quem invadiu o meu endereço
Fez um fogo no começo
Fez um drama no final

Foi ela — Foi Ela!
Foi ela — Foi Ela!
Foi ela — Foi Ela!
Foi ela que jogou meu violão de estimação pela janela

Foi ela — Foi Ela!
Foi ela — Foi Ela!
Foi ela — Foi Ela!
Foi ela que jogou meu violão de estimação pela janela

Ela é a fera, ela é a bela
Mudou não
Eu fui a farofa amarela, tô na mão (tô na mão)
De novo a velha culpa minha
Solidão, melancolia
O velho tédio, a mão vazia
Não tem remédio, nem me interessa

Senhora do orgulho das serpentes
Me iludiu, mostrou os dentes
Fez de mim um festival

Fora! — Fora!
Fora! — Fora!
Fora! — Fora!
Eu vou uma dentro e amanhã eu dou o fora
Fora! — Fora!
Fora! — Fora!
Fora! — Fora!
Fora! — Fora!
Depois de dar uma dentro, o melhor é dar o fora

Foi ela — Foi Ela!
Foi ela — Foi Ela!
Foi ela — Foi Ela!
Foi ela que jogou meu violão de estimação pela janela

Para me livrar do mal

Estou vivendo com você
Num martírio sem igual
Vou largar você de mão
Com razão
Para me livrar do mal

Supliquei humildemente
Pra você se endireitar
Mas agora, francamente
Nosso amor vai se acabar

Vou embora afinal
Você vai saber porque
É pra me livrar do mal
Que eu fujo de você

Se você jurar

Se você jurar que me tem amor
Eu posso me regenerar
Mas se é para fingir, mulher
A orgia assim não vou deixar

Muito tenho sofrido
Por minha lealdade
Agora estou sabido
Não vou atrás de amizade

A minha vida é boa
Não tenho em que pensar
Por uma coisa à-toa
Não vou me regenerar

A mulher é um jogo
Difícil de acertar
E o home como um bobo
Não se cansa de jogar

O que eu posso fazer
É se você jurar
Arriscar a perder
Ou desta vez então ganhar

Que rei sou eu?

Que Rei sou eu
Sem reinado e sem coroa 
Sem castelo e sem rainha
Afinal que rei sou eu!
(bis)

O meu reinado
É pequeno e é restrito
Só mando no meu distrito
Por que o rei de lá morreu

Não tenho criado de libré
Carruagem sem mordomo
E ninguém beija meus pés!

Meu sangue azul
Nada tem de realeza
O samba é minha nobreza!
Afinal que rei sou eu!

Que Rei sou eu
Um falso Rei?

Onde o céu azul é mais azul

Eu já encontrei um dia alguém
Que me perguntou assim, iá, iá,
O seu Brasil o que é que tem
O seu Brasil onde é que está?
Onde o céu azul é mais azul
E uma cruz de estrelas mostra o sul
Aí, se encontra o meu país
O meu Brasil grande, e tão feliz

E tem junto ao mar palmeirais
No sertão seringais
E no sul verdes pinheirais
Um jangadeiro que namora o mar
Verde mar, a beijar brancas praias sem fim
Quando baila o ar
Um garimpeiro que lá no sertão
Procura estrelas raras pelo chão
E um boiadeiro que tangendo os bois
Trabalha muito prá sonhar depois

E se é grande o céu, a terra e o mar
O seu povo bom não é menor
Mas o que faz admirar
Eu vou dizer guarde bem de cór
Quem vê o Brasil que não tem fim
Não chega saber porque razão
Este país tão grande assim
Cabe inteirinho em meu coração.

Minha terra

Este brasil tão grande amado
É meu país idolatrado
Terra de amor e promissão
Toda verde toda nossa
De carinho e coração

Na noite quente, enluarada
O sertanejo está sozinho
E vai cantar pra namorada
No lamento do seu pinho

E o sol que nasce atrás da serra
A tarde em festa rumoreja
Cantando a paz da minha terra
Na toada sertaneja

Este sol, este luar
Estes rios em cachoeiras
Estas flores, este mar
Este mundo de palmeiras

Tudo isto é teu, oh meu brasil
Deus foi quem te deu
Ele por certo é brasileiro
Brasileiro como eu

Chuvas de verão

Podemos ser amigos simplesmente
Coisas do amor, nunca mais
Amores do passado, no presentem
Repetem velhos temas tão banais
Ressentimentos passam como o vento
São coisas do momento
São chuvas de verão
Trazer uma aflição dentro do peito
É dar vida a um defeito
Que se extingue com a razão
Estranha no meu peito
Estranha na minha alma
Agora eu tenho calma
Não te desejo mais
Podemos ser amigos, simplesmente
Amigos, simplesmente e nada mais.

Cinco letras que choram (Adeus)

Adeus, adeus, adeus
Adeus
Adeus, adeus, adeus
Cinco letras que choram
Num soluço de dor
Adeus, adeus, adeus
É como o fim de uma estrada
Cortando a encruzilhada
Ponto final de um romance de amor

Quem parte tem os olhos rasos d’água
Ao sentir a grande mágoa
Por se despedir de alguém
Quem fica, também fica chorando
Com o coração penando
Querendo partir também
Adeus, adeus, adeus
Adeus, adeus, adeus

Eu brinco

Com pandeiro ou sem pandeiro
Eh eh eh eh, eu brinco
Com dinheiro ou sem dinheiro 
Eh eh eh eh eu brinco

No céu a lua caminha 
Tão triste sozinha
Pra não ser triste também
com pandeiro ou sem pandeiro
meu amor, eu brinco

Com pandeiro ou sem pandeiro
Eh eh eh eh eu brinco
Com dinheiro ou sem dinheiro
Eh eh eh eh eu brinco

Tudo se acaba na vida
Morena querida 
Se o meu dinheiro acabar
Com dinheiro ou sem dinheiro
Meu amor, eu brinco

Nervos de aço

Você sabe o que é ter um amor, meu senhor
Ter loucura por uma mulher
E depois encontrar esse amor, meu senhor
Nos braços de um outro qualquer
Você sabe o que é ter um amor, meu senhor
E por ele quase morrer
E depois encontrá-lo em um braço
Que nem um pedaço do seu pode ser

Há pessoas de nervos de aço
Sem sangue nas veias e sem coração
Mas não sei se passando o que eu passo
Talvez não lhe venha qualquer reação

Eu não sei se o que trago no peito
É ciúme, despeito, amizade ou horror
Eu só sei que quando a vejo
Me dá um desejo de morte ou de dor

A dama de vermelho

Sob a mesma solidão 
Que ontem, meu coração 
Viveu, sofreu, quase morreu 
No inferno da recordação 
No inferno de uma saudade 
Da noite da felicidade 
Noite que o enganou 
Depois, passou 
Sinto-o hoje a perguntar 
Porque insisto em procurar 
A dama que me fez vibrar 
Pelo salão 
Esta dama que eu amei 
Num vestido de tão viva cor 
Que no fim vestiu 
A minha vida de dor

(coro)

Dança no ar 
A ilusão que eu sentia 
No teu beijo, mulher fantasia 
Vai, sai, some de mim, 
Não me torture assim, ilusão 
Faz a lua dormir 
Manda o sol despertar 
Deixa meu coração descansar !

Dama das camélias

A sorrir você me apareceu 
E as flores que você me deu

Guardei no cofre da recordação 
Porém depois você partiu

Prá muito longe e não voltou 
E a saudade que ficou

Não quis abandonar meu coração 
A minha vida se resume

Oh! Dama das Camélias 
Em duas flores sem perfume

Oh! Dama das Camélias.

Canta, Brasil

As selvas te deram nas noites seus ritmos bárbaros…
Os negros trouxeram de longe reservas de pranto…
Os brancos falaram de amores em suas canções…
E dessa mistura de vozes nasceu o teu pranto…
Brasil
Minha voz enternecida
Já dourou os teus brasões
Na expressão mais comovida
Das mais ardentes canções…
Também,
A beleza deste céu
Onde o azul é mais azul
Na aquarela do Brasil
Eu cantei de Norte a Sul
Mas agora o teu cantar,
Meu Brasil quero escutar:
Nas preces da sertaneja,
Nas ondas do rio-mar…
Oh!
Este rio turbilhão,
Entre selvas e rojão,
Continente a caminhar!
No céu!
No mar!
Na terra!
Canta, Brasil !!!

Cai cai balão

Cai, cai, balão!
Você não deve subir
Quem sobe muito
Cai depressa sem sentir
A ventania
De sua queda vai zombar
Cai, cai, balão!
Não deixe o vento te levar

Numa noite na fogueira
Enviei a São João
O meu sonho de criança
Num formato de balão
Mas o vento da mentira
Derrubou sem piedade
O balão de meu destino
Da cruel realidade

Atirada pelo mundo
Eu também sou um balão
Vou subindo de mentira
No azul da ilusão
Meu amor foi a fogueira
Que bem cedo se apagou
Hoje vivo de saudade
É a cinza que ficou!

Isaura

Ai, ai, ai, Isaura
Hoje eu não posso ficar
Se eu cair em teus braços
Não há despertador
Que me faça acordar
Eu vou trabalhar

O trabalho é um dever
Todos devem respeitar
Ô, Isaura, me desculpe
No domingo eu vou voltar

Seu carinho é muito bom
Ninguém pode contestar
Se você quiser eu fico
Mas vai me prejudicar
Eu vou trabalhar

Fracasso

Relembro sem saudade o nosso amor
O nosso último beijo e último abraço
Porque só me ficou
Da históris triste deste amor
A história dolorosa de um fracasso.

Fracasso
Por te querer assim como eu quis
Fracasso
Por não poder fazer-te feliz
Fracasso por te amar
Como a nenhuma outra eu amei
Chorar o que já chorei
Fracasso eu sei.

Fracasso
Por compreender que devo esquecer
Fracasso
Por que já sei que não esquecerei
Fracasso, fracasso, fracasso
Fracasso afinal
Por te querer tanto bem
E me fazer tanto mal.

Bahia com H

Dá licença, dá licenca
Meu senhor
Da licença, dá licença pra ioiô
Eu sou amante da gostosa Bahia porém
Pra saber seus segredos 
Serei baiano também 
Dá licança de gostar um pouco só 
A Bahia eu não vou roubar, tem dó
Ai, já disse um poeta 
Que terra mais linda não há
Isto é velho, é do tempo 
Em que a gente escrevia Bahia com H

Qiero ver com meus olhos de amante 
Saudoso a Bahia do meu coração
Quero ver 
Baixa do sapateiro
Chariot, Barroquinha
Calçada, Taboão

Sou amigo que volta
Feliz pra teus braços abertos Bahia
Sou poeta e não quero
Ficar assim longe da tua magia

Deixa ver
Teus sobrados, igrejas
Teus santos, ladeiras e montes 
Tal qual um postal

Dá licenca 
De rezar por senhor do Bomfim
Salve a Santa Bahia imortal
Bahia dos sonhos mil
Eu fico contente em saber que Bahia é Brasil

Dá nela

Esta mulher
Há muito tempo me provoca
Dá nela! Dá nela!

É perigosa
Fala mais que pata choca
Dá nela! Dá nela!

Fala, língua de trapo
Pois da tua boca
Eu não escapo

Agora deu para falar abertamente
Dá nela! Dá nela!

É intrigante
Tem veneno e mata a gente
Dá nela! Dá nela!

Aquarela do Brasil

Brasil, meu Brasil brasileiro
Meu mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
O Brasil, samba que dá
Bamboleio que faz gingar
O Brasil do meu amor
Terra de Nosso Senhor
Brasil! Brasil!
Pra mim… Pra mim…

Ô, abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do cerrado
Bota o rei congo no congado
Brasil! Brasil!

Deixa cantar de novo o trovador
À merencória luz da lua
Toda a canção do meu amor
Quero ver essa dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado
Brasil! Brasil!
Pra mim… Pra mim…

Brasil, terra boa e gostosa
Da morena sestrosa
De olhar indiscreto
O Brasil verde que dá

Para o mundo se admirar
O Brasil do meu amor
Terra de Nosso Senhor
Brasil! Brasil!
Pra mim… Pra mim…

Ô, esse coqueiro que dá coco
Oi onde amarro minha rede
Nas noites claras de luar
Brasil! Brasil!

Ô, oi essas fontes murmurantes
Oi onde eu mato a minha sede
E onde a lua vem brincar
Oi, esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil brasileiro
Terra de samba e pandeiro
Brasil! Brasil!
Pra mim… Pra mim…

Odete

Odete ouve o meu lamento
Lamento de um coração magoado
Atenda o seu pobre seresteiro
Vem de novo pro terreiro
Se juntar a sua gente
Não ouve o seu coração que ele mente

Lá no morro da mangueira
Quando sol vai se escondendo as cabrochas vão saindo, procurando a batucada
E a noite vem chegando e a lua vem surgindo
Há tanta gente que sobe, só você não vem subindo, Odete

Olha, que o primeiro ensaio é no dia vinte e sete!

Esses moços (Pobres moços)

Esses moços, pobres moços
Ah! Se soubessem o que eu sei
Não amavam, não passavam
Aquilo que já passei
Por meu olhos, por meus sonhos
Por meu sangue, tudo enfim
É que peço
A esses moços
Que acreditem em mim

Se eles julgam que há um lindo futuro
Só o amor nesta vida conduz
Saibam que deixam o céu por ser escuro
E vão ao inferno à procura de luz
Eu também tive nos meus belos dias
Essa mania e muito me custou
Pois só as mágoas que trago hoje em dia
E estas rugas o amor me deixou

Esses moços, pobres moços
Ah! Se soubessem o que eu sei
Não amavam, não passavam
Aquilo que já passei
Por meu olhos, por meus sonhos
Por meu sangue ,tudo enfim
É que peço
A esses moços
Que acreditem em mim

Serra da Boa Esperança

Serra da Boa Esperança,
Esperança que encerra
No coração do Brasil
Um punhado de terra
No coração de quem vai,
No coração de que vem,
Serra da Boa Esperança,
Meu último bem

Parto levando saudades,
Saudades deixando,
Murchas, caídas na serra,
Bem perto de Deus
Oh, minha serra,
Eis a hora do adeus
Vou-me enbora
Deixo a luz do olhar
No teu luar
Adeus!

Levo na minha cantiga
A imagem da serra
Sei que Jesus não castiga
Um poeta que erra
Nós, os poetas, erramos
Porque rimamos, também
Os nossos olhos nos olhos
De alguém que não vem

Serra da Boa Esperança,
Não tenhas receio,
Hei de guardar tua imagem
Com a graça de Deus!
Oh, minha serra,
Eis a hora do adeus,
Vou-me embora
Deixo a luz do olhar
No teu olhar
Adeus!

Eu sonhei que tu estavas tão linda

Eu sonhei que tu estavas tão linda
Numa festa de raro esplendor
Teu vestido de baile lembro ainda
Era branco, todo branco, meu amor
A orquestra tocou uma valsa dolente
Tomei-te aos braços
Fomos dançando
Ambos silentes
E os pares que rodeavam entre nós
Diziam coisas
Trocavam juras
A meia voz
Violinos enchiam o ar de emoções
De mil desejos uma centena de corações
Pra despertar teu ciúme
Tentei flertar alguém
Mas tu não flertaste ninguém
Olhavas só para mim
Vitória de amor cantei
Mas foi tudo um sonho… acordei!

Não Tem Tradução

O cinema falado é o grande culpado da transformação
Dessa gente que sente que um barracão prende mais que o xadrez
Lá no morro, seu eu fizer uma falseta
A Risoleta desiste logo do francês e do Inglês
A gíria que o nosso morro criou
Bem cedo a cidade aceitou e usou
Mais tarde o malandro deixou de sambar, dando pinote
Na gafieira dançar o Fox-Trote
Essa gente hoje em dia que tem a mania da exibição
Não entende que o samba não tem tradução no idioma francês
Tudo aquilo que o malandro pronuncia
Com voz macia é brasileiro, já passou de português
Amor lá no morro é amor pra chuchu
As rimas do samba não são I love you
E esse negócio de alô, alô boy e alô Johnny
Só pode ser conversa de telefone..

Feitio de Oração

Quem acha vive se perdendo
Por isso agora eu vou me defendendo
Da dor tão cruel desta saudade
Que, por infelicidade,
Meu pobre peito invade

Batuque é um privilégio
Ninguém aprende samba no colégio
Sambar é chorar de alegria
É sorrir de nostalgia
Dentro da melodia

Por isso agora lá na Penha
Vou mandar minha morena
Pra cantar com satisfação
E com harmonia
Esta triste melodia
Que é meu samba em feito de oração

O samba na realidade não vem do morro
Nem lá da cidade
E quem suportar uma paixão
Sentirá que o samba então
Nasce do coração.

Estamos Esperando

Estamos esperando
Vem logo escutar
O samba que fizemos pra te dar
A rua adormeceu
E nós vamos cantar
Aquilo que é só teu
Que nos faz penar

Da tua voz tirei a melodia
E a harmonia eu fiz com teu olhar
Já estava perdendo a paciência
Quando roubei a cadência
Do teu modo de pisar
(Chega à janela…)

E este samba que fiz de parceria
Depois de feito não é dele nem é meu
Escuta o violão que está gemendo
Tuas cordas vão dizendo
Que este samba é só teu
(Até amanhã…)

É Bom Parar

Por que bebes tanto assim, rapaz?
Chega, já é demais!
Se é por causa de mulher, é bom parar
Porque nenhuma delas sabe amar

Se tu hoje estás sofrendo
É porque Deus assim quer
E quanto mais vais bebendo
Mais lembras dessa mulher

Não crês, conforme suponho,
Nestes versos de canção:
Mais cresce a mulher no sonho,
(Oi…) Na taça e no coração¹

Sei que tens em tua vida
Um enorme sofrimento
Mas não penses que a bebida
Seja um medicamento

De ti não terei mais pena
É bom parar por aí
Quem não bebe te condena, oi…
Quem bebe zomba de ti

¹ Versos da valsa-canção A Mulher Que Ficou Na Taça, de Orestes Barbosa e Francisco Alves