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Francisco Alves

A mulher que ficou na taça

Fugindo da nostalgia 
Vou procurar alegria 
Na ilusão dos cabarés 
Sinto beijos no meu rosto 
E bebo por meu desgosto 
Relembrando o que tu és

E quando bebendo espio 
Uma taça que esvazio 
Vejo uma visão qualquer 
Não distingo bem o vulto 
Mas deve ser do meu culto 
O vulto dessa mulher…

Quanto mais ponho bebida 
Mais a sombra colorida 
Aparece em meu olhar 
Aumentando o sofrimento 
No cristal em que, sedento 
Quero a paixão sufocar

E no anseio da desgraça 
Encho mais a minha taça 
Para afogar a visão 
Quanto mais bebida eu ponho 
Mais cresce a mulher no sonho 
Na taça, e no coração.