Clara Nunes

Canto das Três Raças

Ninguém ouviu
Um soluçar de dor
No canto do Brasil

Um lamento triste
Sempre ecoou
Desde que o índio guerreiro
Foi pro cativeiro
E de lá cantou

Negro entoou
Um canto de revolta pelos ares
No Quilombo dos Palmares
Onde se refugiou

Fora a luta dos Inconfidentes
Pela quebra das correntes
Nada adiantou

E de guerra em paz
De paz em guerra
Todo o povo dessa terra
Quando pode cantar
Canta de dor

ô, ô, ô, ô, ô, ô
ô, ô, ô, ô, ô, ô

ô, ô, ô, ô, ô, ô
ô, ô, ô, ô, ô, ô

E ecoa noite e dia
É ensurdecedor
Ai, mas que agonia
O canto do trabalhador

Esse canto que devia
Ser um canto de alegria
Soa apenas
Como um soluçar de dor

0 comentário sobre “Canto das Três Raças

  • EDILSON VELOSO disse:

    ESTA LETRA RETRATA O SOFRIMENTO DOS NEGROS NA ÉPOCA DA ESCRAVIDÃO. O NEGRO CANTA MAS ERA DE DOR. CANTAR, PRA NÃO CHORAR.

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  • Gerson B disse:

    Não só os negros, essa musica fala das lutas do povo brasileiro, inclui os índios e os inconfidentes (provavelmente mais brancos), fala “TODO o povo dessa terra”. O proprio título inclui as “TRES raças”.

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  • Thiago Antunes disse:

    1 resposta · História

    Melhor resposta
    Interpretando o Texto
    A primeira estrofe já começa sugerindo a nossa ignorância a respeito da própria História do Brasil, ao mesmo tempo em que se transforma numa aula da matéria, ao vivo, contada fora das salas de escolas com Educação Padronizada.
    O primeiro a sofrer as consequências da invasão territorial foi o índio, seguido, já na segunda estrofe, pelo negro escravo, com ambos demonstrando o sofrimento, pelo canto triste do oprimido em, sabe-se lá quantos, movimentos de resistência além do Quilombo dos Palmares, hoje, um mero folclore.
    Ainda na segunda estrofe, surge a terceira raça, a branca, também oprimida desde a, hoje também folclórica, Inconfidência Mineira.
    A terceira estrofe conta das tentativas de resistência, das três raças, que acabaram por resultar em um lamento único, descrito no Refrão, com repetição, logo abaixo.
    A quarta estrofe já nos transporta para a atualidade, onde sugere que a escravidão, a despeito da Abolição Folclórica do Treze de Maio, persiste e faz de todos nós escravos modernos de uma nova colonização, onde o Capital se usa do trabalhador sem os devidos respeito e valorização.
    Independentes de cor ou raça, permanecemos todos escravos, pela Ignorância Cultural Acomodada.
    Mas essa pequena idéia do texto ainda é muito pouco para tentar traduzir a toda a beleza do Samba, pois nos dá, quando muito, uma breve aula de História, mostrando a cultura dos compositores.

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      • Fabiana disse:

        Desculpem a intromissão, só reti
        ficaria a parte do índio, pois o índio referido na música é o negro das tribos africanas.
        Não o índio brasileiro.

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        • Napoleão disse:

          Não, amiga, o próprio autor fez uma análise. Vou colar aqui uma parte do texto onde ele explica:
          “…A Terra foi tomada em nome do rei. E o índio guerreiro foi vencido e escravizado ao trabalho da lavoura, em favor da civilização. E, do cativeiro, ecoaram os primeiros cantos tristes que começaram a definir o nosso canto brasileiro. Dado ao gigantismo da nova nação descoberta, precisavam os conquistadores de muitos e muitos braços para o trabalho, que se prenunciava tão grande quanto o próprio território. E importaram de suas colônias africanas a raça nascida escrava: a raça negra…”

    • Cristiane disse:

      Acho que as respostas está ao contrario das estrofes pq eu acho que a terceira não é a segunda pq fala do lamento

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