Deixa falar

Ary Barroso – Jogo Brasil e Tchecoslováquia.
Entram em campo os checos (vaias).
E agora os brasileiros (aplausos).
Vai começar a partida.
Leônidas entrega a Perácio.
Perácio a Leônidas.
Leônidas avança pelo centro, dribla o
(?), (?), (?), gol! (som de flauta)

(Estribilho)
E todos têm seu valor (deixa falar!)
Este samba tem Flamengo
Tem São Paulo e São Cristóvão
Tem pimenta e vatapá
(Fluminense e Botafogo já têm seu lugar)
E todos têm seu valor (deixa falar!)
Este samba tem Flamengo
Tem São Paulo e São Cristóvão
Tem pimenta e vatapá
(Fluminense e Botafogo já têm seu lugar)

Você pensava que o “Diamante” fôsse jóia
de mentira para tapear
Você pensava que o “Caboclinho” fôsse negro
de senzala para se comprar
Só porque viu que ele tem um pé que deixou
o mundo inteiro em revolução
Quando ele bota aquele pé em movimento,
chuta tudo para dentro e não tem sopa não

(Estribilho)
Quando você dizia que trocava
a gostosa feijoada pelo macarrão
desconfiava que você não era brasileiro,
abençoado deste meu rincão
Você torcia p’ro italiano e apostou
o meu dinheiro e nem sequer me deu
Jogou a minha feijoada fora, falou mal
da minha gente e ainda me bateu

(Estribilho)
AB – E era uma vez a Tchecoslovaqui… (som de flauta)

Sem ela

Eu vivia quieto
No meu canto
Era feliz
Com ela
Tive o seu carinho
E seu encanto
Tudo o que eu quis
Com ela
Nosso barracão
Ninho de amor
Era um céu
Que nos deu
Nosso Senhor
Minha vida
Era seu sorriso
Um paraíso
Com ela
Desse sonho
Um dia despertei
Meu barracão
Vazio encontrei
Eu não sei
O que será de mim
Qual o meu fim
Sem ela

Risque

Risque meu nome do seu caderno
Pois não suporto o inferno
Do nosso amor fracassado
Deixe que eu siga novos caminhos
Em busca de outros carinhos
Matemos nosso passado
Mas se algum dia, talvez
A saudade apertar
Não se perturbe
Afogue a saudade
Nos copos de um bar
Creia
Toda quimera se esfuma
Como a beleza da espuma
Que se desmancha na areia

Quando a noite é serena

Vai… vai
Vai… pra nunca mais
O amor é assim
Um dia chega ao fim
Feliz de quem
Nunca se deixou prender por ninguém

Um chalet pequenino
Um rosal em flor
Um suave recanto
Para o nosso amor
Era todo o meu mundo
Dentro dele alguém
Que não soube nunca me querer bem

Quando a noite é serena
E tranqüilo o mar
Vem de manso a saudade
Me aperrear
E me conta ao ouvido
Coisas que morreram
E acabo por chorar

Por causa desta cabocla

À tarde
Quando de volta da serra
Com os pés sujinhos de terra
Vem a cabocla passar
As flores vão pra beira do caminho
Pra ver aquele jeitinho
Que ela tem de caminhar
E quando ela na rede adormece
E o seu seio moreno esquece
De na camisa ocultar
As rolas
As rolas
Também morenas
Cobrem-lhe o colo de penas
Pra ele se agasalhar
Na noite
Dos seus cabelos,
Os grampos são feitos de pirilampos
Que às estrelas querem chegar
E as águas dos rios
Que vão passando
Fitam seus olhos pensando
Que já chegaram ao mar
Com ela dorme toda a natureza
Emudece a correnteza
Fica o céu todo apagado
Somente com o nome dela na boca
Pensando nesta cabocla
Fica um caboclo acordado

Ocultei

Ocultei
Um sentimento de morte
Temendo a sorte
Do grande amor que te dei
Procurei
Não perturbar nossa vida
Que era florida
Como, a princípio, sonhei
Hoje, porem,
Abri as portas do destino
Mandei andar o amor
Um mero clandestino
Encerrei, este episódio funesto
Agora, detesto
Aquele a quem mais amei
O meu ardente desejo
Que Deus me perdoe o pecado
É que outra mulher ao teu lado
Te mate na hora de um beijo

O correio já chegou

O correio já chegou ô, ô
Nem uma cartinha de você
Todo o dia a mesma coisa
E eu de longe, sem saber porque
Longe dos olhos
Longe do coração
É o ditado mais certeiro
Deste mundo de ilusão
Amor, como é triste a minha sorte
Só espero, agora, a morte
É tudo que me resta pra consolação
O correio já chegou ô, ô
Nem uma cartinha de você
Todo o dia a mesma coisa
E eu de longe, sem saber porque
A minha mágoa
Vem da confiança
Que em você depositava
Minha única esperança
Amor
Já que tudo está perdido
Só lhe faço este pedido
Apaga-me de todo de sua lembrança

Nem ela

Neste carnaval
Não tive gosto pra brincar
Nem ela
Nem ela
Não fui à cidade
Ver o meu cordão passar
Nem ela
Nem ela
Nos ensaios
Tudo caminhava muito bem
Eu, no tamborim
Ela, na voz como ninguém
Mas, naquela noite
Zé Mulambo me avisou
E Margarida
Nunca mais voltou
Posso permitir
Que a mulher seja fingida
Vício maldito, vício maldito
Porém, fazer da traição
Modo de vida
Não permito, não, não permito

Malandro sofredor

Quem vai a um samba em Mangueira
Chorando o fino a noite inteira
Chorando a noite inteira
Sabe que o malandro canta penando
Um amor que já foi seu
Mas tão depressa se perdeu
E é a mágoa dessa gente
Que sabe que essa vida não tem valor
E o samba traduz, na harmonia e na cadência
Malandro, sempre foi um triste sofredor
Quando a noite é de luar
Também vem pro terreiro
A lua lá no céu
Escutar o pandeiro
Há no samba uma tristeza
Que não posso cantar
É a própria natureza
Que quis dar ao malandro
A graça de entender
O que o samba quer dizer
Quem vai a um samba em Mangueira..

Folha morta

Sei que falam de mim
Sei que zombam de mim
Oh, Deus!
Como eu sou infeliz!
Vivo à margem da vida
Sem amparo ou guarida
Oh, Deus!
Como eu sou infeliz!
Já tive amores
Tive carinhos
Já tive sonhos
Os dissabores
Levaram minh’alma
Por caminhos tristonhos
Hoje sou folha morta
Que a corrente transporta
Oh, Deus!
Como eu sou infeliz!
Infeliz!
Eu queria um minuto apenas
Pra mostrar minhas penas
Oh, Deus!
Como eu sou infeliz!

Foi ela

Depois de tudo acostumado, foi pior
Ela me viu, cuspiu de lado, na maior (na maior)
Meu travesseiro tá molhado é o meu suor
Quem precisar de mim me encontre, eu tô na moda
Não tem mais papo, choro nem vela

Foi ela quem invadiu o meu endereço
Fez um fogo no começo
Fez um drama no final

Foi ela — Foi Ela!
Foi ela — Foi Ela!
Foi ela — Foi Ela!
Foi ela que jogou meu violão de estimação pela janela

Foi ela — Foi Ela!
Foi ela — Foi Ela!
Foi ela — Foi Ela!
Foi ela que jogou meu violão de estimação pela janela

Ela é a fera, ela é a bela
Mudou não
Eu fui a farofa amarela, tô na mão (tô na mão)
De novo a velha culpa minha
Solidão, melancolia
O velho tédio, a mão vazia
Não tem remédio, nem me interessa

Senhora do orgulho das serpentes
Me iludiu, mostrou os dentes
Fez de mim um festival

Fora! — Fora!
Fora! — Fora!
Fora! — Fora!
Eu vou uma dentro e amanhã eu dou o fora
Fora! — Fora!
Fora! — Fora!
Fora! — Fora!
Fora! — Fora!
Depois de dar uma dentro, o melhor é dar o fora

Foi ela — Foi Ela!
Foi ela — Foi Ela!
Foi ela — Foi Ela!
Foi ela que jogou meu violão de estimação pela janela

Falta de consciência

Meu pobre coração
Você maltrata por querer
E faz sofrer, ingrata
Já é não ter um pingo só
De consciência
Tenha paciência, tenha dó
De quem no mundo vive só
Eu faço por tirar
Do pensamento esta lembrança
Que me domina
Irei cumprir a minha sina
O esquecimento será minha vingança
Eu sei, arranjaste outro amor
E da vida, fingida
Tenho fé que tudo há de passar
Então irei gozar!
Quem despreza um coração,
Sem ter razão, só por prazer
Mais tarde irá se arrepender
Porque o mundo é mesmo assim
Um tormento sem fim
E a mulher, abismo de maldade,
Eis a verdade!
É difícil se viver sem padecer
Não há ninguém… vá lá!
Há mal que vem pra bem

Faceira

Foi num samba
De gente bamba, oi, gente bamba
Que te conheci, faceira
Fazendo visagem, passando rasteira

Que bom, que bom, que bom

Foi num samba
De gente bamba, oi, gente bamba
Que te conheci, faceira
Fazendo visagem, passando rasteira

E desceste lá do morro
Pra viver aqui na cidade
Deixando os companheiros tristes
Loucos de saudade

Mas, linda criança
Tenho fé, tenho esperança
Que, um dia, hás de voltar
Direitinho ao seu lugar

Foi num samba
De gente bamba, oi, gente bamba
Que te conheci, faceira
Fazendo visagem, passando rasteira

Quando rompe a batucada
Fica a turma aborrecida
O pandeiro não dá nada
A barrica recolhida

Tua companhia
Faz falar a bateria
Encantando o tamborim
Vem pro samba, vai por mim

Eu vou pro Maranhão

Eu vou
Eu vou
Pro Maranhão
Pra deixar o meu amor na mão
Eu vou me embora
Carregadinho de saudade
Fiz o que pude
Nosso gênio não combina
Eis a verdade
Perdi contigo
O melhor tempo desta vida
Tinha a ilusão
De mais tarde ser feliz
Minha querida !
Quando eu voltar
Espero encontrar-te bem mudada
Porque no mundo
A mulher sem coração
Não vale nada

Eu sonhei

Eu sonhei, eu sonhei
A noite inteirinha, oi
Com você
Acordei, eu não sei, Meu Deus, pra que
Sonhei que eu era de você
É um feitiço qualquer
Tenho certeza, mulher
Até no céu
Em cada estrela a reluzir
Eu vejo você a me sorrir
Eu sonhei, eu sonhei
A noite inteirinha, oi
Com você
Acordei, eu não sei, Meu Deus, pra que
Sonhei que eu era de você
Não sei que devo fazer
Pra sua imagem esquecer
Não há remédio
O meu futuro a Deus entrego
O passado foi teu
Isso eu não nego

É mentira, oi!

É mentira, oi!
É mentira, oi!
O meu amor nunca te dei
Eu sou pobre, mas já me conformei
(arranje outro)
Andas por aí falando
Tanta coisa a meu respeito
Eu juro, é despeito
Mas não estou ligando.
Este mundo é uma escola
Já quebrei minha cachola
Hoje, eu sei me defender
(Oi, é mentira, oi lá se…)
Quem se dá comigo sabe
Que agora eu ando liso
Quem ama por amor
Sempre toma prejuízo
Perde o tempo no chamego
Passa a vida sem sossego
Este é o meu segredo
(Oi, é mentira, oi lá se…)

Camisa amarela

Encontrei o meu pedaço na avenida
De camisa amarela
Cantando a Florisbela, oi, a Florisbela
Convidei-o a voltar pra casa
Em minha companhia
Exibiu-me um sorriso de ironia
Desapareceu no turbilhão da galeria

Não estava nada bom
O meu pedaço na verdade
Estava bem mamado
Bem chumbado, atravessado
Foi por aí cambaleando
Se acabando num cordão
Com o reco-reco na mão
Mais tarde o encontrei
Num café zurrapa
Do Largo da Lapa
Folião de raça
Tomando o quarto copo de cachaça
Isto não é chalaça

Voltou às sete horas da manhã
Mas só na quarta feira
Cantando A Jardineira, oi, A Jardineira
Me pediu ainda zonzo
Um copo d’água com bicarbonato

O meu pedaço estava ruim de fato
Pois caiu na cama
E não tirou nem o sapato

E roncou uma semana
Despertou mal humorado
Quis brigar comigo
Que perigo, mas não ligo!
O meu pedaço me domina
Me fascina, ele é o tal

Por isso não levo a mal
Pegou a camisa, a camisa amarela
E botou fogo nela
Gosto dele assim
Passada a brincadeira
E ele é pra mim
Meu Sinhô do Bonfim

Boneca de piche

Venho danado com meus calo quente
Quase enforcado no meu colarinho
Venho empurrando quase toda a gente, Eh! Eh!
Pra ver meu benzinho. Eh! Eh! Pra ver meu benzinho

Nego, tu veio quase num arranco
Cheio de dedo dentro dessas luva
Bem que o ditado diz: nego de branco (Eh! Eh!)
É sinar de chuva. Eh! Eh! É sinar de chuva

Da cor do azeviche, da jabuticaba
Boneca de piche, é tu que me acaba
Sou preto e meu gosto, ninguém me contesta
Mas há muito branco com pinta na testa

Tem português assim nas minhas água
Que culpa eu tenho de ser boa mulata
Nego se tu aborrece minhas mágoa (Eh! Eh!)
Eu te dou a lata, Eh! Eh! Eu te dou lata

Não me farseia ó muié canaia
Se tu me engana vai haver banzé
Eu te sapeco dois rabo-de-arraia, muié (Eh!, Eh!)
E te piso o pé. Eh! Eh! E te piso o pé

Da cor do azeviche, da jabuticaba
Boneca de piche, sou eu que te acaba
Tu é preto e teu gosto ninguém te contesta
Mas há muito branco com pinta na testa

Sou preto e meu gosto ninguém me contesta
Mas há muito branco com pinta na testa

Ai, Geni

Se você quiser
Ai, Geni
Um sincero amor
Eu tenho um violão
Um lindo barracão
Que fiz
pra ser feliz
Ai, ai, Geni
Pelo amor de Deus
Não me diga que não

Isso aqui, o que é

(bis)
Isso aqui oh oh…
É um pouquinho de Brasil, iá iá.
Deste Brasil que canta e é feliz
Feliz, feliz…
É também um pouco de uma raça
Que não tem medo de fumaça, ai ai…
E não se entrega não.

Olha o jeito das cadeiras que ela sabe dar
Olha o tombo dos quadris que ela sabe dar
Olha o passo de batuque que ela sabe dar
Olha só o remelexo que ela sabe dar.

(bis)
Morena boa
Que me faz penar
Bota a sandália de prata
E vem pro samba sambar

(bis)
Isso aqui oh oh…
É um pouquinho de Brasil, iá iá.
Deste Brasil que canta e é feliz
Feliz, feliz…
É também um pouco de uma raça
Que não tem medo de fumaça, ai ai…
E não se entrega não.

Olha o jeito das cadeiras que ela sabe dar
Olha o tombo dos quadris que ela sabe dar
Olha o passo de batuque que ela sabe dar
Olha só o remelexo que ela sabe dar.

(bis)
Morena boa
Que me faz chorar
Põe a sandália de prata
E vem pro samba sambar

Isso aqui oh, oh…