Ana Carolina

O Cristo de Madeira

Saiu da cadeia sem um puto
Sol na cara monstruoso
Ele é da alma “trip” dos malucos
Belo, mas nunca vaidoso
Um dia comparado a mil anos
Saiu lendo o evangelho
Vida e morte valem o mesmo tanto
Evolução do novo para o velho
Puxava seus cabelos desgrenhados
Vendo a vida assim fora da cela
Não quis ficar ali parado
Aguardando a sentinela
A vida parecia reticente
Sabia do futuro e do trabalho
Lembrou de sua mãe já falecida
Verdade era seu princípio falho
Pensando com rugas no rosto
Olhava a massa de cimento
A sensação da massa fresca
Transmitia às mãos o seu tormento
Trabalhava, ganhava quase nada
Fazendo frio ou calor
Difícil era quem aceitasse
Um cara que já matou
Se olhou como um assassino
No espelhinho da construção
O que viu foi sua cara de menino
Quando criança com seu irmão
Aonde anda seu irmão?
Em algum buraco pelo chão
Ou frequenta alguma igreja
Chamando a outros de irmãos
Sábios não ensinam mais
Refletiu sua sombra magra
Com o pouco que raciocina
Ele orava, ele orava
Mas o Cristo de madeira não lhe dizia nada
Mas o Cristo de madeira não lhe dizia nada
Mas o Cristo, brincadeira, não lhe dizia nada

Um comentário sobre “O Cristo de Madeira

  • fernanda lopes disse:

    a expectativa de vida para uma pessoa que sai da cadeia e pessima. a sociedade não o aceita como pessoa normal. a questão de vida influencio de forma negativa, quando ele fala de sua mãe, que não deu uma educação. ele fala do imão que não o pocurou mais, talvez pelo fato de estar morto, o estar rm outra igreja chamando a outros de irmãos,ele fala de enganar as pessoas.

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