Pingo D’Água

Eu fiz promessa pra que Deus mandasse chuva,
Pra crescer a minha roça e vingar a criação,
Pois veio a seca e matou meu cafezal,
Matou todo meu arroz e secou todo o algodão!

Nessa colheita, meu carro ficou parado,
Minha boiada carreira quase morreu sem pastar 
Eu fiz promessa que o primeiro pingo dágua
Eu molhava a flor da Santa que estava em frente ao altar.

Eu esperei uma semana, um mês inteiro.
A roça estava seca, dava pena até de ver!
Olhava o céu, cada nuvem que passava
Eu da Santa me lembrava, pra promessa não

Em pouco tempo, a roça ficou viçosa,
A criação já pastava, floresceu meu cafezal!
Fui na capela e levei três pingos dágua 
Um foi o pingo da chuva, dois caíram do meu olhar!

Moda da mula preta

Eu tenho uma mula preta tem sete palmos de altura
A mula é descanelada, tem uma linda figura
Tira fogo na calçada no rampão da ferradura
Com morena delicada, na garupa faz figura
A mula fica enjoada, pisa só de andadura
Ensino na criação vejo quanto ela regula
O defeito do mulão se eu contar ninguém calcula
Moça feia e marmanjão na garupa a mula pula
Chega a fazer cerração todo pulo desta mula
Cara muda de feição, sendo preto fica fula
Eu fui passear na cidade só numa volta que dei
A mula deixou saudade no lugar onde passei
Pro mulão de qualidade, quatro milhões injeitei
Pra dizer a verdade, nem satisfação eu dei
Fui dizendo boa tarde pra minha casa voltei
Soltei a mula no pasto veja o que me aconteceu
Uma cobra venenosa a minha mula mordeu
Com o veneno desta cobra a mula nem se mexeu
Só durou umas quatro horas depois a mula morreu
Acabou-se a mula preta que tanto gosto me deu

Moça boiadeira

Fui negociá uma vacada
Na fazenda Corredêra
Eu levei cinco peão
Capataz Chico Noguêra

Nóis cheguemo na fazenda
Na tarde de quinta-feira
De noite fumo drumi
Pra aliviar a canseira

Levantemo bem cedinho
Pra vê as vaca na manguêra
Na hora da marcação
Acendemo uma foguêra

Tinha uma tipo mestiça
Perigosa e derradêra
Tava cos óio vermeio
Sortando uma faisquêra

Quando eu bati o marcadô
Só vendo que pagodêra
A bicha urrava tão feio
Qe balanceava as parmêra

Rebentô o laço e fugiu
Inté levantô poêra
Toquei meu cavalo em cima
Cerquei a vaca na carrêra

A vaca sumiu de vista
No meio da carrasquêra
Nisso apareceu uma moça
Vestida de boiadêra

Ela me falô sorrindo
Isso é coisa passagêra
Me diga onde foi a vaca
Que eu já passo uma trapêra

A moça tava montada
Numa besta marchadêra
Jogô por cima da vaca
Deu uma laçada certêra

Quando ela vinha de vorta
A turma ficô fancêra
De ver a moça brincando
Com a vaca na chichadêra

Eu quando fui pra ir simbora
Botei a mão na gibêra
Puxei quinhentos cruzêro
E fui dá pra boiadêra

Seu moço guarde o dinhêro
Que eu não sô interessêra
Leve sua boiada embora
Descurpe da brincadêra