O Rappa

Tribunal de Rua

A viatura foi chegando devagar
E de repente, de repente resolveu me parar
Um dos caras saiu de lá de dentro
Já dizendo, ai compadre, cê perdeu
Se eu tiver que procurar cê ta fodido
Acho melhor cê i deixando esse flagrante comigo
No início eram três, depois vieram mais quatro
Agora eram sete os samurais da extorsão
Vasculhando meu carro, metendo a mão no meu bolso
Cheirando a minha mão

De geração em geração
Todos no bairro já conhecem essa lição

E eu ainda tentei argumentá
Mas, tapa na cara pra me desmoralizar
Tapa, tapa na cara pra mostra quem é que manda
Porque os cavalos corredores ainda estão na banca
Nesta cruzada de noite, encruzilhada
Arriscando a palavra democrata
Como um santo graal
Na mão errada dos hômi
Carregada em devoção

De geração em geração
Todos no bairro já conhecem essa lição

O cano do fuzil
Refletiu o lado ruim do Brasil
Nos olhos de quem quer
E quem me viu, único civil
Rodeado de soldados
Como seu eu fosse o culpado
No fundo querendo estar
A margem do seu pesadelo
Estar acima do biótipo suspeito
Nem que seja dentro de um carro importado
Com um salário suspeito
Endossando a impunidade
A procura de respeito

(Mas nesta hora) só tem (sangue quente)
Quem tem (costa quente, quente, quente)
Só costa quente, pois nem sempre é inteligente
(Peitar) peitar, peitar (um fardado alucinado)
Que te agride e ofende (pa te levar, levar, levar)
Pra te levar alguns trocados (diz aê)
Pra te levar, levar, levar
Pra te levar alguns trocados (segue a mão)

Era só mais uma dura
Resquício de ditadura
Mostrando a mentalidade
De quem se sente autoridade
Nesse tribunal de rua
Nesse tribunal
Nesse tribunal de rua

0 comentário sobre “Tribunal de Rua

  • Thiago Barros disse:

    Uma menção aos ocorridos nos anos 90 nas grandes periferias no Brasil, que ganharam muita enfase com casos famosos como o do policial rambo em SP e Chachina da Candelária entre outras, como a de Vigário Geral que é citada na música com “os cavalos corredores”. Mostra também o lado preconceituoso do poder público e pensamentos e reações de vítimas desses abusos.

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  • marcia regina ribas disse:

    Essa música diz simplesmente que o Rappa é foda , e conhece bem a realidade das diferenças sociais, do despraparo da instituição Policia no Brasil ,SALVE SALVE FAMÍLIA O RAPPA

  • Letícia disse:

    No final dessa musica no DVD do O Rappa na Rocinha , Falcão fala q isso foi um acontecimento com um deles. E mostra claramente que o “tribunal de rua” existe, qrem julgar as pessoas ai e resolverem do jeito deles”Mostrando a mentalidade de quem se sente autoridade”

  • Simples, essa musica é muito literal. Conta a história de um jovem usuário de maconha que tinha acabado de fumar um baseado e foi abordado por policiais.
    1-“vasculhando meu carro, metendo a mão no meu bolso, cheirando a minha mão” -> Tipica abordagem da PM procurando flagrante de maconha.
    2-“De geração em geração
    Todos no bairro já conhecem essa lição” -> Uso de violencia por parte da policia existe desde o passado, ja esta enraizado na cultura brasileira.
    3-“E eu ainda tentei argumentá
    Mas, tapa na cara pra me desmoralizar
    Tapa, tapa na cara pra mostra quem é que manda
    Porque os cavalos corredores ainda estão na banca
    Nesta cruzada de noite, encruzilhada
    Arriscando a palavra democrata
    Como um santo graal
    Na mão errada dos hômi
    Carregada em devoção-> Aqui continua a abordagem da PM.
    4-“O cano do fuzil
    Refletiu o lado ruim do Brasil
    Nos olhos de quem quer
    E quem me viu, único civil
    Rodeado de soldados
    Como seu eu fosse o culpado
    No fundo querendo estar
    A margem do seu pesadelo
    Estar acima do biótipo suspeito
    Nem que seja dentro de um carro importado
    Com um salário suspeito
    Endossando a impunidade
    A procura de respeito” -> Critica do abordado em relação a PM que pra ela e pra sociedade eles tão agindo certo atacando a parte ruim do Brasil e escolhendo de acordo com a aparencia do cidadão.
    5- Por fim, Tribunal de Rua fala da acusação precoce da sociedade e da PM sempre colocando a culpa em jovens de classe baixa e usuários de drogas. E faz questão de lembrar da violência das “autoridades”.

    • Douglas Jácome Ferreira disse:

      Também acredito que é usuário de droga quando fala: ”e eu ainda tentei argumentar”, típica reação de usuário quando é abordado pra não ser preso como traficante

      • Hipólito disse:

        Não há nada que mostre que ele é usuário. Pelo contrário: sem achar nada, 3 policiais chamam mais 4. E ele é agredido, extorquido e se sente injustiçado “como se eu fosse culpado”. Já cometeram 2 crimes conta ele para tentar flagrar 1. Ele sabe que é porque tem um “biotipo suspeito”. A situação é tão traumática que ele DESEJA ser traficante, porque se tivesse num carro importado, com um salário suspeito, poderia ficar acima disso. “Endossando a impunidade, à procura de respeito”.

  • Coloca essa letra para um Rastafári e lhe caíra como sua realidade, ou seja a minha !

    Essa música descreve minha realidade!

  • No livro do “Não se preocupe comigo”, uma biografia do Marcelo Yuka, ele conta que estava voltando de uma festa com uns amigos e isso aconteceu com ele.

  • winycios bsf disse:

    musica e como a biblia , cada um esculta aquilo que quer ou precisa ouvir , vc pode pegar uma musica romantica e ouvir deus falando nela , ou vc pode pegar uma musica gospel e achar que ela se encaixa perfeitamente no romance que se esta vivendo , ser um artista e saber traduzir o que se presencia na sua breve existencia na terra , e o rappa sabe muito bem mostrar isso , o cotidiano

  • essa musica retrata uma bela critica ao sistema, não apenas a PM e sim ao sistema que se estruturou de uma forma arbitrária que ocorre desde o comeco da humanidade com a criação do estado, ele cita o santo graal, calice em que cristo consagrou o vinho como seu sangue e foi sinonimo de poder durante o inicio do cristianismo guardando um segredo desde a época das cruzadas e toda guerra santa que trazia essa desculpa para a centralização de poder nas mãos dos cristãos. e até hj acontece a repreção e a impunidade do estado para com o povo utilizando de suas forças (PM) para reprimir o povo.
    SALVE ORAPPA

  • Nilson Correia dos Santos disse:

    Essa poesia, uma letra linda.
    É o relato de uma polícia treinada para ser capitã do mato, capanga da elite.
    Onde de em vez de ser uma polícia que previne e reprime o crime, esta sendo treinada e usada para oprimir os pobres.
    Um preconceito social velado, disfarçado.

  • Hipólito disse:

    Não há nada que mostre que ele é usuário. Pelo contrário: sem achar nada, 3 policiais chamam mais 4. E ele é agredido, extorquido e se sente injustiçado “como se eu fosse culpado”. Já cometeram 2 crimes conta ele para tentar flagrar 1. Ele sabe que é porque tem um “biotipo suspeito”. A situação é tão traumática que ele DESEJA ser traficante, porque se tivesse num carro importado, com um salário suspeito, poderia ficar acima disso. “Endossando a impunidade, à procura de respeito”. Muito foda.

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