Maria Rita

Encontros e Despedidas

Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço
Venha me apertar
Tô chegando
Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero

Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar

E assim, chegar e partir
São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida

0 comentário sobre “Encontros e Despedidas

  • Sérgio disse:

    Dyl, boa tarde.
    Gostaria de dar uma pequena contribuição na interpretação deste texto de Milton/Brandt. Esta música foi feita inspirada num contraponto entre as origens dos autores (as “geraes” de Minas) e o perfil absolutamente religioso, principalmente de Milton.
    Milton, apesar de ter nascido carioca, se criou em Três Rios, pequena cidade encravada nos vales de Minas, onde a principal atração era justamente a estação de trem. Aliás, em várias obras ele faz referências a mesma, da mesma forma que sempre procura homenagear personalidades mineiras ilustres.
    Em “Encontros e Despedidas” a referência é o espiritismo de Chico Xavier.
    Assim, os autores traçam uma engenhosa relação entre o vai-e-vem de uma estação e a doutrina espírita.
    Para os artistas, as relações são claras: Quem perdeu um ente querido fica querendo ter notícias do outro, na outra dimensão da vida, ou seja, “do lado de lá”. E quem partiu pede um carinho, um abraço, uma lembrança boa, uma prece de quem ficou.
    O melhor da vida é o esquecimento do passado e não saber quando, não ter plano para partir. E se o espírito for um pouco evoluído, poderá voltar e ver os entes queridos quando quiser.
    Para os autores, a vida é uma estação e todos os dias é um vai e vem. Alguns renascendo e outros desencarnando. Tem aqueles que vêm pra ficar e cumprir o seu planejamento reencarnatório todo, tem outros que vão pra nunca mais porque já estão muito evoluídos e só voltarão se quiserem, em alguma missão. Têm aqueles que renascem porém estão com medo dos compromissos e das provas, por isso querem voltar. Tem outros, tão apegados à vida material que vão mas querem mesmo é ficar por aqui. Têm espíritos cuja prova é só vir, olhar e voltar, por isso tem espíritos a sorrir e a chorar. Os que sorriem à chegada de um bebê e os que choram a partida de um amor. Assim, renascer e desencarnar “são só dois lados da mesma viagem”. “O trem que chega” (o processo de justiça da reencarnação) é o mesmo da desencarnação.
    Conclusão: A vida é a plataforma da estação de chegada e partida dos espíritos pela Lei de Justiça, Amor e Caridade…
    Espero que minha contribuição tenha sido útil. Boa sorte.

    42
    1
    • Antonio Marmo disse:

      Amo essa música, interpretada pela Simone. Nunca passou pela minha cabeça o cunho espírita à essa linda canção .
      Quando era criança, minhas viagens, de férias, eram feitas de trem (para o Rio, BH, Santos e Cruzeiro, esta última no Vale do Paraiba).
      Ficava nas estações observando o movimento e, a letra da música se encaixa, perfeitamente, ao movimento de vai e vem dos passageiros e dos habitantes das cidades, todos bem vivos.

    • Fico sem graça em comentar que antes sentia um estranhamento em ouvir essa música e não entendia o porquê. Ele me dizia algo implicito. Depois que descobri que sou sensitiva. Pude entender melhor esse meu estranhamento. A sua interpretação condiz muito oque representa a música. Gratidão.

  • Por isso q detesto essa música, quem morreu não fica vagando… quem vaga é demônio!!! vamos pedir p Deus abrir essas visões espirituais básicas e camufladas q as pessoas tem, espiritismo não existe, ou inferno ou vida eterna!

    2
    25
    • Paulo Farias disse:

      Compartilho da mesma crença, ou seja, não acredito na reencarnação. Entretanto devemos respeitar a fé alheia. Todo mundo tem a liberdade de acreditar no que quiser. O que está sendo aqui abordado é apenas o contexto de letra da música.

      19
    • Você não detesta a música por conta das explicações vinculações ao espiritismo. Você detesta todo tipo de arte e de coisa que seja diferente de suas crenças. Você detesta o diferente. O nome disso é preconceito, e nasce da ignorância, da incapacidade de enxergar além da própria cerca. Você detesta porque tem a cabeça pequena, um cérebro robotizado. Você detesta porque a burrice fala mais alto. Você detesta porque é incapaz de analisar e entender a profundidade da arte. Graças a gente como você, os evangélicos tem sido vistos como um amontado de jumentos de cargas, que só servem pra carregar o ouro dos líderes religiosos em seus aviões, fazendas, carros de luxo. Graças a gente como você, a Bíblia é vista como um livro de contos de fadas, livro de loucos. Não, a Bíblia não tem culpa. A culpa é do teu espírito falho d pobre. Mas sempre dá tempo de tentar corrigir e melhorar. Estude, saia da barra das calças dos pastores e pastoras, e torne-se uma pessoa capaz de fazer comentários melhores do que este.

      • Maurício José Falcão Carneiro disse:

        Simplesmente magnífico esse cascudinho, com se diz lá no Ceará! Por conta desses preconceituosos que pensam que só eles têm a verdade, que pensam só eles estar salvos é que criaram-se muitos bolsonaros! Aquele que diz que é preciso matar 30 mil! Jesus Cristo, o “HOMEM” que mais conhece a Bíblia nunca ensinou isso!

  • REGIANE disse:

    E bem isso mesmo e a vida mais ninguem tem o direito de dizer o que e certo ou errado pois só saberemos a verdade quando não estivermos nesse mundo só assim cada um vai saber o que e anjo ou demonio o que e certo ou errado para cada relegioes.Deus e um só ficar dizendo qual e a relegiao correta e ipocrita

  • Joao Carlos disse:

    Sempre ouvi e tentei interpretar esta visao de espirito materia, vou palestrar sobre mundo espiritual e esta musica”voltou a minha mente” achei esta interpretacao e confirma minha visao.
    Vou utiliza la para palestrar.
    Adorei vai ser muito util para outras pessoas, que acreditam no mundo espiritual e respeitam os que nao creem.
    ( mundo espiritual e invisivel, por isso muitos nao creem, Deus e invisivel mais acreditam em Deus, estranho isso nao?
    Muito obrigado

  • Daniele disse:

    Venho aqui agradecer pela “pequena/grande” contribuição do Sérgio que me ajudou muito no melhor entendimento desta letra. Só confirmou as minhas convicções em relação a espiritualidade desta canção.

  • Beatriz de Paula Souza disse:

    Acho que é oque a musica quer dizer literalmente, uma estação, as pessoas (vivas) passam pela nossa vida de várias formas, umas são mais aventureiras, outras você nunca mais vê, outras se aproximam e nunca mais te deixam, e por ai vai.

  • Quero parabenizar o comentário de item 8 (by Sérgio), pois, na minha opinião, foi perfeito.
    Quero também frisar que o espiritismo não foi criado pelo homem, ele é lei de
    Deus e sempre existirá, independente de crer ou não nele, assim como Deus, que é eterno, criador e onipotente e independe de que se creia ou não Nele.
    Aquele que não crê, um dia terá certeza de sua existência, pois Deus é eterno e nos criou eterno e, devido a eternidade, Ele não tem pressa e sabe que um dia o ateu Nele acreditará.

    4
    1
  • Mauricio disse:

    Como tem “religioso” maluco nestas análises. Esse papo de cristão só serviu para sub julgar os povos. Os cristão mataram, roubaram, estupraram em toda a história e vivem pousando de santos, por sinal, santos do pau ocos. Sou ateu, deus só serve para encher o bolso de uma minoria malandra e enganar uma maioria que se assusta até com as folhas das árvores caindo dos galhos.

  • Vinicius Claudio disse:

    Parabéns ao Sérgio (comentário de 03/09/08)pela interpretação da música. Lembro-me da primeira vez que ouvi “Encontros e Despedidas”, uma das obras-primas de Fernando Brandt e Milton Nascimento. A primeira impressão é a própria beleza da música, seus tons, chamadas…perfeitas. Depois veio a minha primeira interpretação, encontros e despedidas que acontecem todos os dias sejam em portos, aeroportos, rodoviáiras, pontos de ônibus, etc. e todas as sensações envolvidas nestas despedidas e encontros. E aí com o passar do tempo vamos apurando a mensagem, que é passada de forma bem subliminar, bem sutil, de acordo com o que o Sérgio descreveu.
    Nossa compreensão materialista ainda é muito pequena perto da mensagem retratada na canção, mas a inspiração de Milton e Brandt assim como as parábolas de Jesus nos explicam de uma forma mais simplista como devemos proceder nesta “plataforma da estação”.
    A interpretação da Maria Rita é excelente, mas ainda prefiro na voz do Milton Nascimento.
    Abraços a todos.

  • sozinho disse:

    Como é engraçado. Vários pontos de vista sobre a mesma coisa. Mas e aí? Quem será que tem razão? Quem é prepotente para dizer sou eu?!?!? E que é humilde para dizer: Acho que posso estar certo.
    Valeu senhores, um abraço.

  • Li o comentario de Sergio de 3 de setembro de 2008. Não gostei penso que a analise do texto tem que se levar em conta os encontro e despedidas que a vida reserva a todas as pessoas. O texto não foi escrito para justificar doutrina alguma.

    • Jucilene Batista Cruz disse:

      Boa noite, Pedro e demais participantes desse exercício. Entendo que o autor fala da vida que se renova através de atitudes, decisões, mudanças e escolhas que fazemos durante toda a nossa existência. Mudanças que afetam inclusive os que estão ao nosso entorno e que não tiveram poder de decidirem por tais mudanças.

  • Olá, apesar de ter gostando muito da interpretação de Sérgio e realmente acreditar nela, já ouvi dizer sobre a música, possivelmente, ser para os exilados na ditadura. O que acham ?

  • Guadalupe disse:

    A música é belíssima em todos os sentidos e interpretação fica da forma como cada um sente, ouve e do momento que vive, quando foi lançada lá atrás com o MIlton…minha visão era exatamente como estar em um banco de uma estação observando o ir vir de um trem e e ida vinda dos passageiros, observando seus gestos e rostos, alegres ou tristes, enfim…hoje além dessa visão, posso interpretar entender comoo Sergio, de uma forma espiritualizada, que também consigo sentir assim e juntando as duas formas consigo entender a vida de cada um levamos, são vários encontros e despedidas que temos dia a dia….

  • Primeiramente, concordo com a Eleonora. Não colocar o autor da letra é uma baita falta de respeito, no mínimo. Em segundo, é uma ltra muito bonita, independente de qualquer vinculação política ou religiosa ou outra coisa qualquer. Sou simplista e acho que a letra diz exatamente o que está escrito, e já muito linda.

  • Vitor Araújo disse:

    Em minha opinião essa música se bem analisada daria um excelente cântico Espírita Kardecista, leiam e de preferência escutem também, ela fala sobre Reencarnação as idas e vindas do Espírito!

  • Amaury de Almeida Costa disse:

    Muito se falou do desrespeito em não informar o nome do autor. Mas aqui se trata de analisar a letra. Portanto, o autor é Fernando Brant. Milton Nascimento fez a melodia.

  • Lígia Mendes disse:

    Minha interpretação é de encontro da vida e da morte, isto é, enquanto uns morrem outros nascem, uns (que desencarnam) querem ficar do lado de lá e outros querem voltar pra cá

  • Emerson Miranda disse:

    Bom dia a todos. Peço a Deus que abençoe a vida e a família cada leitor.

    “Alguém disse que quanto mais se relaciona com os homens, mais ama os animais”. Vou explicar…

    O que fica mais evidente e me entristece nos homens, especialmente nessa tal pós- modernidade é a falta de amor, de compaixão, de respeito pela vida. Nos debatemos por coisas inúteis, como se a razão fosse o troféu da nossa avareza intelectual, quando na verdade deveríamos entender que estamos vivendo num tempo de tantas decepções e separações afetivas, que um simples aperto de mão, um abraço, um beijo na face, tendo estes brotados na raiz da alma, podem produzir no outro coisas infinitamente maiores e melhores do que meras explicações e conceitos. Será que não estamos fechando os olhos para as coisas que realmente edificam em detrimento de outras tantas? Ás vezes me vem uma interrogação: “Se não conseguimos cumprir a missão de amar e servir quem está do nosso lado, a nossa mesa, etc. como queremos desvendar e explicar e provar ao próximo, aquilo que ainda não conhecemos de fato?” Isso nos distancia. Como podemos estar perto de Deus se não conseguimos ser irmãos aqui? Fico triste quando no dia-dia vejo ou tenho atitudes egoístas e vaidosas. Penso que temos de evoluir muito como pessoa que faz diferença na vida de alguém aqui, para, depois, disso, querer buscar o próximo degrau. É conseqüente.

    Um grande abraço. Fiquem com Deus.

  • Joaquim disse:

    Sinceramente, não sei o porquê de as pessoas fazerem associação dessa letra, no meu entender simples e direta, à doutrina espírita. A música retrata os muitos lugarejos perdidos nesse Brasil em que a única atração era esperar o trem passar indo e vindo todos os dias. Esqueçam o mundo atual com celular, internet. A letra é o retrato de uma época ingênua e que já foi, não volta mais. E nesse momento, a plataforma (Estação de Trem desses lugarejos) se tornava o lugar mais atrativo do local. Pessoas indo e vindo, parentes se despedindo e/ou recebendo os demais parentes e conhecidos. Quem nunca levou parentes para viajar em rodoviárias, estações de trem, não sabe o que é isso. O trem que chega traz as pessoas, mas também é o mesmo que levará as outras que já estão esperando para partir. Cada um toma pra si o que quer sentir dessa letra, mas esse é o meu sentimento dessa música.

  • Ângela Ferreira disse:

    Na verdade a letra foi feita no período da ditadura, por se tratar de uma época em que pessoas queridas eram exiladas e se distanciavam dos amigos, da sua terra natal…
    Mas a obra pode ser estendida livremente a interpretações diversas. Fazer analogia com vida e morte é uma maneira maravilhosa de interpretar a música. Como também podemos associá-la com a própria vida que é repleta de encontros e desencontros. Enfim, a obra literária é livre e da mesma forma a sua compreensão.

  • Glaide Coelho disse:

    Sempre entendi a letra da música como usando a metáfora da movimentação de uma estação com a própria vida mesmo.

  • “Mande notícias do mundo de lá
    Diz quem fica”
    Pela minha humilde interpretação da letra, está mais que claro que não somos nós quem decide ficar na vida terrena, somente o nosso Pai. Eu acredito na doutrina espírita, para que possamos ter a compreensão de que a vida não é uma só. Qual seria o sentido, se Deus é justo, bom, onipotente, criador desse universo imenso, se a vida fosse uma só?! É importante o estudo da doutrina, ler as obras básicas de kardec para um melhor esclarecimento. Entendo que para algumas pessoas, é dificil entender por estarmos em um mundo materialista, então certas letras de músicas são ininspirada por compositores através da mediunidade que todos nós possuímos. Indico a musica “Tocando em frente” é belíssima e o sentimento ao escuta-la é tão emocionante qnto esta. Abraços.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você pode usar estas HTML tags e atributos:

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>