João Bosco

De frente pro crime

Tá lá o corpo estendido no chão
Em vez de rosto, uma foto de um gol
Em vez de reza, uma praga de alguém
E um silêncio servindo de amém

O bar mais perto depressa lotou
Malandro junto com trabalhador
Um homem subiu na mesa do bar
E fez discurso pra vereador

Veio o camelô vender!
Anel, cordão, perfume barato
Baiana pra fazer
Pastel e um bom churrasco de gato

Quatro horas da manhã
Baixou o santo na porta bandeira
E a moçada resolveu
Parar, e então

Tá lá o corpo estendido no chão
Em vez de rosto uma foto de um gol
Em vez de reza uma praga de alguém
E um silêncio servindo de amém

Sem pressa, foi cada um pro seu lado
Pensando numa mulher ou no time
Olhei o corpo no chão e fechei
Minha janela de frente pro crime

Veio o camelô vender!
Anel, cordão, perfume barato
Baiana pra fazer
Pastel e um bom churrasco de gato

Quatro horas da manhã
Baixou o santo na porta bandeira
E a moçada resolveu
Parar, e então

Tá lá o corpo
Estendido no chão

0 comentário sobre “De frente pro crime

  • Essa música narra um crime. Anônimo, violento, periférico. Como tantos que acontecem todos os dias. Rosto coberto de jornal, curiosos, trabalhadores e malandros misturados. A fé e a política na mesma cena. E td tão banal, comércio rolando e o corpo ali, aguardando a remoção. Quem narra não sente piedade, comoção, apenas observa. Até que a sua janela se fecha, de frente pro crime… afinal…

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    • Caio Héber Baldoino disse:

      Excelente interpretação, o próprio João Bosco já disse em entrevistas que essa era de fato a mensagem dessa música.

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