Na Hora do Almoço

Belchior

Compositor(a) da letra: Belchior

Álbum da letra: A palo seco

Ano de lançamento: 1974

3 comentários

No centro da sala, diante da mesa
No fundo do prato, comida e tristeza
A gente se olha, se toca e se cala
E se desentende no instante em que fala

Medo, medo, medo, medo, medo, medo

Cada um guarda mais o seu segredo
A sua mão fechada, a sua boca aberta
O seu peito deserto, sua mão parada
Lacrada e selada
E molhada de medo

Pai na cabeceira: É hora do almoço
Minha mãe me chama: É hora do almoço
Minha irmã mais nova, negra cabeleira
Minha avó me reclama: É hora do almoço!

Ei, moço!
E eu inda sou bem moço pra tanta tristeza
Deixemos de coisas, cuidemos da vida
Senão chega a morte ou coisa parecida
E nos arrasta moço sem ter visto a vida

Ou coisa parecida, ou coisa parecida
Ou coisa parecida, aparecida
Ou coisa parecida, ou coisa parecida
Ou coisa parecida, aparecida




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3 comentários para a letra “Na Hora do Almoço

  1. ana lia disse:

    a música fala e enfatiza a sociedade patriarcal, que pode ser inserida dentro do contexto, ainda, colonial. Pelo temor que o pai, nesse caso, causa, a filha nao fala, apenas ele, a mãe e a vó.

  2. MARCOS DE ALMEIDA PALMA disse:

    A música fala sobre a fome do sertanejo e do medo da morte. Nossa senhora da Aparecida representa a esperança do nordestino na religião. Ao final acaba com canto fúnebre conhecido como incelença.

  3. MATHEUS RODRIGUES MONTEIRO disse:

    A música apesar de retratar e desenhar com letras uma situação de algumas décadas atrás, não seria tão perfeita para a atual situação da sociedade, se tivesse sido escrita na semana passada. Fala sobre aquela “proximidade” que temos em nossas famílias,simbolismos de união, como almoçar todos juntos na mesa, mas ali, sabemos que cada um tem um segredo mais podre que o outro, a inimizade também é nítida, apesar de tentarmos as aparências. Cada um com suas angústias, suas iras e desencontros pessoais. Por mais que haja comida no prato, a tristeza vem acompanhando.