Beira-mar

13 comentários

Zé Ramalho

Eu entendo a noite como um oceano
Que banha de sombras o mundo de sol
A aurora que luta por um arrebol
De cores vibrantes e ar soberano
Um olho que mira nunca o engano
Durante o instante que vou contemplar

Além, muito além onde quero chegar
Caindo a noite me lanço no mundo
Além do limite do vale profundo
Que sempre começa na beira do mar
É na beira do mar

Ói, por dentro das águas há quadros e sonhos
E coisas que sonham o mundo dos vivos
Há peixes milagrosos, insetos nocivos
Paisagens abertas, desertos medonhos
Léguas cansativas, caminhos tristonhos
Que fazem o homem se desenganar
Há peixes que lutam para se salvar
Daqueles que caçam em mar revoltoso
E outros que devoram com gênio assombroso
As vidas que caem na beira do mar
É na beira do mar

E até que a morte eu sinta chegando
Prossigo cantando, beijando o espaço
Além do cabelo que desembaraço
Invoco as águas a vir inundando
Pessoas e coisas que vão se arrastando
Do meu pensamento já podem lavar
Ah! no peixe de asas eu quero voar
Sair do oceano de tez poluída
Cantar um galope fechando a ferida
Que só cicatriza na beira do mar
É na beira do mar


13 comments on “Beira-mar

  1. Sephiroth disse:

    Não há o que interpretar. É simplesmente uma das letras do Zé onde a fuga da realidade é o foco e onde a imaginação enxarca a música de imagens e fantasia. É apenas escutar e viajar.

    Obviamente, há interpretações pessoais. Eu, por exemplo, como misantropo, gosto de me ver só. Então no final nós temos:

    ´´Além do cabelo que desembaraço
    Invoco as águas a vir inundando
    Pessoas e coisas que vão se arrastando
    Do meu pensamento já podem lavar
    Ah! no peixe de asas eu quero voar
    Sair do oceano de tez poluída
    Cantar um galope fechando a ferida
    Que só cicatriza na beira do mar“

    Neste trecho, encontro um sentimento que trago desde antes mesmo de ouvir essa música: O de expulsar, da minha mente, todas as pessoas inconvenientes e, após isso, me me sentir livre [voar no peixe]. Considerando q o oceano é o povo ´´de tez poluída“ [tez: pele], então eu interpreto como se libertar dos sentimentos ruins q o convívio humano proporciona, e ir ´´fechar as feridas“ causadas por esses sentimentos sozinho, na beira do mar…

  2. Fire disse:

    Meu Comentario (como Nordestino que sou )

    Acredito que o conterraneo se refere, e a vida na noite ou seja todo um comercio, pessoas que tentam sobreviver. Como tambem o medo, as fantasias, imaginacoes dos que vivem no periodo diurno. Registros de sonhos frustados que so e possivel se ver quando ja nao ha luz do sol que incandeia a visao daqueles que corre no dia a dia. Ha peixes que lutam pra se salvar da lei que os perseguem outros que se aproveitam da inocencia, curiosidade ou necessidade daqueles que buscam a noite como refugio. Porem enquanto o ZE se sentir vivo ele continuara cantando, sonhando e invocando as aguas noturnas para lavar vivencias indesejaveis e por fim cantar um galope fechando as feridas que so cicatriza ao tirar os pes fora da noite! na beira do mar.

  3. Prixilim disse:

    No programa do Jô Soares, Zé Ramalho declarou falar nessa musica do apocalipse

  4. Fiz uma interpretação psicológica junguiana da letra de Zé Ramalho. Dá uma olhada: http://apsiqueeomundo.blogspot.com/2011/07/beira-mar-ze-ramalho.html.

  5. roberto disse:

    Essa musica me deixa em transe, eu interpreto ela como uma libertaçao e renovação do espírito. o zé é o máximo.

  6. thiago disse:

    eu acho que nessa música quando ele fala “oceano” ele quer se referir ao universo ou ao espaço, no primeiro verso onde ele diz “Eu entendo a noite como um oceano” e “Prossigo cantando, beijando o espaço”
    e a beira do mar seria a fronteira do universo e o mundo dos vivos. Um peixe de asas seria uma nave ou disco-voador onde ele quer escapar daqui antes que o apocalipse chegue.

  7. Lino disse:

    Como já foi citado acima, também acho que bem no início da canção ele já dá o significado. Ou seja, a o mar é a noite. A noite é um mar que banha de sombras o mundo de sol. O resto são os medos,estórias,tentações que só a noite guarda. Interprete-as como quiser.

  8. José Obed disse:

    “eu entendo a noite como um oceano que banha de sombras o mundo de sol”.
    Entendo que o Zé que expressar o abismo que é o oceano, trazendo-o para a realidade vivida nas noites escuras (vidas que se perdem nos problemas atuais).
    “há peixes que lutam para se salvar daqueles que cassar no mar revoltoso”
    Zé mais uma vez deixa claro que “os peixes” são pessoas que vestidas e encorajadas, assumem uma postura de caçadores da noite, ou seja, pessoas que oferecem inúmeras possibilidades de se entrar no mundo sombrio e a dificuldade de se ver livre dele.
    Enfim, são as pessoas de bem, que por algum momento, cometeram certa má conduta e que se sentem quase que impotentes para se verem livres daqueles problemas que tanto os atormentam.

  9. Alexandre Araújo disse:

    Concordo com o amigo que disse que a letra tem símbolos. Mas não tão ocultos. Um velho analfabeto do sertão do nordeste intende essa letra, Por usar palavras de seu cotidiano e de histórias conhecidas. O ocultismo nos fascina r nos faz achar que sempre existe muito mais do que está na frase. ” eu entendo a noite como um oceano que banha de sombras o mundo de sol” nada mais é que o entendimento do avesso. A noite não é o fim do dia, não e a falta de luz. E cono se ela tivesse o o poder de domínio sobre a luz. Que mesmo que o sol ficasse o tempo todo no céu a noite chegaria a iria se impor. Pois e ela quem domina. Não o sol.

  10. Sílvio disse:

    Pra mim, essa música é um plágio da música VENTO NORTE, do Grupo Os Karetas, de Peranmbuco! Ou então, alguém copiou alguém, não sei quem!!!

  11. Zoar Vasquez disse:

    Que cantem no meu velório.
    A “Beira do mar” é a divisa entre a vida e a morte. A noite é o oceano do mundo dos mortos. A terra o mundo dos vivos. Voar sobre o oceano (a morte) montado no peixe-voador é viver perigosamente. Enquanto as ondas não vierem nos buscar, vamos vivendo, cantando e beijando o espaço. O que há no Oceano de tez poluída? Que insetos nocivos existem lá? Que sonham o mundo dos vivos? (vida após a morte).
    As vidas acabam quando elas caem na beira do mar. E as feridas que arrumamos na vida, apenas cicatrizam no momento da morte, na beira do mar.

  12. Bruno de Paula Manguinho disse:

    Acho que todos aqui que pelo menos ouviram essa música e imaginaram sua interpretação, fazem parte de um restrito grupo de pessoas quando ainda tem bom gosto musical nesse Brasil.
    Eu interpreto essa música de uma maneira bem peculiar. Quando ele diz “eu entendo a noite como um oceano que banha de sombras o mundo do sol” ele nos entendo chegar de metáforas, a noite é um mundo escuro, sem sol. O sol representa vida, idéias (iluminismo nasceu daí) e então ele diz que a noite além de representar a obscuridade das sombras desse sol, ela é sufocante como viver por debaixo d’gua de um oceano. Mas ele encara a noite (oceano de sombras) “além muito além de onde eu quero chegar caindo a noite me lanço no mundo”, ou seja, ele sabe que vai viver um período obscuro e aufocante da vida dele, mas que quer atravessar isso por que tem fé de que vai conseguir, daí mistura uma frase de Jesus com a metáfora criada por ele (Jesus: mesmo que eu ande pelo vale de sombra de a morte; Zé: além do limite do vale “profundo”) onde o profundo é maravilhosamente substituído pela sombra, e que esse mundo obscuro começa na beira do mar. Ou seja….ele esta aceitando o seu destino…ele está aceitando que vai passar por um momento sufocante em sua vida.
    Dito isto a segunda parte da música mostra as dificuldades e devaneios que fazem o homem se desenganar.
    E na terceira parte ele já se sente preparado pra sair de vez desse mundo sufocante invocando aquelas mesmas águas que uma vez lhe sufocaram, hoje já podem tirar de seu pensamento pessoas e coisas que lhe sufocavam anteriormente, e que agora pode sair voando no peixe de asas cantando e fechando a ferida que só cicatriza na beira do mar…lá na outra beira do mar…Por que aquele mar sufocante ele já atravessou, e só encarando seus medos e passando por momentos sufocantes é que podemos fechar uma ferida.

    Desculpem por alguns erros de português, é que estou digitando do celular.

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