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O Bêbado e A Equilibrista
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Elis Regina
Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos…
A lua
Tal qual a dona do bordel
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel
E nuvens!
Lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas
Que sufoco!
Louco!
O bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil
Prá noite do Brasil.
Meu Brasil!…
Que sonha com a volta
Do irmão do Henfil.
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete
Chora!
A nossa Pátria
Mãe gentil
Choram Marias
E Clarisses
No solo do Brasil…
Mas sei, que uma dor
Assim pungente
Não há de ser inutilmente
A esperança…
Dança na corda bamba
De sombrinha
E em cada passo
Dessa linha
Pode se machucar…
Asas!
A esperança equilibrista
Sabe que o show
De todo artista
Tem que continuar…
LUA ADVERSA
Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua…
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua…)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua…
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu…
Cecília Meireles
tipo a musica é muito legal
Caro Sidney,
Agradeço muito pelos elogios. Quanto a proposta de compor músicas, melhor deixar isso pro Chico Buarque.
Gostaria de parabenizar ao Sergio Soeiro pela interpletação MARAVILHOSA PERFEITA!!
e vai uma dica …componha algumas musicas voce mesmo.Voce tambem é um mestre da comunicação. SIDNEY.RH@HOTMAIL.COM ADD NO ORKUT
gente, a interpretaçao do Sérgio esta certíssima, aproveitem e vejam a novela “amor e revoluçao” que retrata bem como foram os anos de ditadura, que insistem em apagar da nossa história, muitas pessoas nem sabe que aconteceu tanta barbaridade no Brasil. essa como outras músicas foi escrita em “código” para criticar a ditadura militar. outros exemplos: o que será que será, apesar de você, pra nao dizer que nao falei das flores,alegria alegria…
Sérgio, Sérgio, Sérgio, sempre se superando nas interpretações!
Obrigado mesmo!
abç
Exelente interpretação matou a paa…
Qual é a base para dizer que a tarde caia como um viaduto tem haver com o viaduto que caiu e não com o caimento do viaduto?
contundente e bem feita
muito bom
Parabéns a análise está de excelente categoria e de contextualização histórica . Nossos alunos precisam ouvir e aprender o valor de uma letra como esta.
Sérgio, excelente.
Tenho 30 anos parece que essa geração do Dom Bosco está em outro patamar de criação.
Cabe saliantar tembém a feliz escolha de Elis Regina como intérprete; é de arrepiar. Considero a segunda melhor voz do Brasil, atrás apenas do Tiririca.
Sérgio Parabéns!
Estou fascinada pela sua análise, estava procurando o significado desta letra havia bastante tempo. Muito legal!
Gente, fico imensamente agradecido pelos elogios à interpretação. Obrigado, mesmo!
Muito, muito, muito boa a sua análise.
Fazia um bom tempo que eu queria entender esta letra e hoje pude entendê-la.
muito Obrigado e parabéns!!!
Cara, sem comentários, viu? Sem palavras… Agora entendo porque as pessoas falam que as músicas de hoje em dia não têm letra. Não vivi a época da ditadura, tenho 28 anos, mas hoje viajei na sua intrepretação desta múscia.
Parabéns mesmo. Muito legal.
Parabéns ao Sérgio e outros comentários…brilhantes;
Vou colocar mais uma azeitona na empada tão recheada.
“As Marias” citadas na letra., além da mãe do Metalurgico, homenageia tb a mãe do Betinho, do Henfil e Chico Mário., de um lado uma chorava pela morte do filho, outra chorava pelo exilio.
Mas em dúvida é uma letra pra se tirar o chapeú
forte abraço
parabéns ao sergio e ao rafael!
Caro Carlos Alberto. Muito obrigado pelos elogios.
Um abraço.
Sergio, que análise fantástica!
Posso afirmar isso pois andei buscando em diversos sites os significados da música, já que tive que representá-la em um trabalho Universitário. Seguramente a melhor análise que encontrei foi a sua! Meus parabéns!
Um abraço!
SÉRGIO, ESTOU FASCINADA COM SUA ANÁLISE DA LETRA Q DESDE CRIANÇA OUÇO MEU PAI CANTAR E DA QUAL CRESCI APAIXONADA. TENHO 28 ANOS E NÃO VIVI ESSE TEMPO SANGRENTO E VERGONHOSO DA DITADURA, PORÉM TENHO MUITA VONTADE DE FAZER DESTE TEMA, UM ESTUDO CONSTANTE SEM ENVEREDAR PELA ORLA POLÍTICA, MAS SIM ARTÍSTICA DA ÉPOCA…ESSA ANÁLISE SÓ ME DEU MAIS VORACIDADE EM MINHA PAIXÃO…ESPERO VER MAIS TEXTOS EXPLICATIVOS SEUS…UM FORTE ABRAÇO(AINDA INEBRIADA POR SUS PALAVRAS!)
Muito boa a análise Sergio. Só Levantando mais dois pontos: Há quem diga que a Lua, na música, representa a Rede Globo. Um dos(quisá o)maior instrumento de mídia durante o regime militar. As estrelas frias seriam os militares. A lua, dona do bordel, destaca a importancia da Globo no setor atístico da época. Ela tinha, vamos dizer o “poder de criar ídolos, imagens e pensamentos para a massa brasileira”. Dessa forma a música denuncia os subsidios que a emissora recebia dos militares e troca de progamação pro-governo:”Pedia a cada estrela fria/Um brilho de aluguel “. O que é evidenciado no fato da emissora ter seu maior salto de estruturação durante o regime militar.
O segundo ponto: As nuvens pode ser interpretada tembem como os torturadores, uma vez que elas estava no “mata-borrão do céu”, colocando o céu com o alto (governo) .O mata borrão que tira o excesso da tinta,ou seja, que tira as informações “em excesso” , informações que incomodam(que interessam) o governo . As “manchas torturadas” são as vítimas do regime militar, que passaram pelo mata borrão.
Marcos, muito obrigado pelo incentivo. Valeu!
Abraços.
Nossa Sérgio. Parabéns, nunca pensei que teria tanta coisa assim por trás dessa música.
Abraços.
Atendendo a solicitação da Gabrielle:
Gravada em 1979, esta música de João Bosco (melodia) e Aldir Blanc (letra), retrata uma época marcante da história do Brasil e tornou-se um hino à anistia no período final da ditadura militar iniciada no golpe militar de 1964.
Ao fim da década de 1970 a ditadura brasileira sofria grandes reveses. A pressão pela abertura democrática vinha de todos os lados, mas o regime se mantinha duro e firme. As incertezas eram imensas e quem ousava levantar a voz contra o regime corria o risco de pagar, até com a própria vida, pelo ato.
Assim, este texto é um discurso de denúncia e esperança: O “Bêbado” é a classe artística, representada pelo seu símbolo-maior, Carlitos, personagem de Charles Chaplin, com toda sua aura de liberdade e utopia.
Chaplin foi um artista cujo trabalho visava as pessoas menos favorecidas, e no final dos seus filmes havia sempre uma estrada e uma esperança, onde Carlitos andava em direção ao infinito. A “Equilibrista” representa aquele fio de esperança que estava surgindo, a democracia. Aldir Blanc foi muito feliz em representar algo tão tênue e incerto quanto nossa abertura política, na figura de uma equilibrista.
Desta forma, ambos, a classe artística e a esperança de democracia tinham que se equilibrar em suas “cordas-bambas” para poderem atingir seus objetivos.
Aldir Blanc é considerado um poeta-repórter, pois seus textos geralmente são fatos de uma época, e o discorrer desta música são imagens deste período de incertezas.
No verso “Caía a tarde feito um viaduto”… Ele quer dizer que a tarde caia abruptamente, tal qual parte do Viaduto Paulo Frontin, no Rio de Janeiro, que desabou em 1971.
“E um bêbado trajando luto me lembrou Carlitos”… O “traje de luto” simboliza o estado no qual a classe artística encontrava-se na época, pela falta de liberdade de criação.
Invariavelmente, todo fim de tarde sugere melancolia e tristeza, uma vez que estamos saindo da claridade do dia para a escuridão da noite. Aldir Blanc utilizou esta imagem para representar a situação na qual vivia o Brasil. Além de quê, sabe-se que as sessões de torturas eram realizadas nos porões do DOI-CODI durante a noite.
Sem luz própria, “A lua” assume as funções de “dona de bordel”, pegando emprestado um pouco de brilho das estrelas, exatamente como faz a cafetina com suas contratadas, e também para fixar a imagem de que naquele início de noite, tal qual prostitutas, as estrelas eram de brilho falso e sem vontade de brilhar.
Ainda com os olhos para o alto, há “as nuvens e o céu”. Estas imagens nos remetem ao universo da religiosidade. No final da década de 1970, quando o país discutia a anistia geral e irrestrita, a igreja católica demorou a se posicionar e acabou defendendo a anistia, mas com restrições. A imagem de “mata-borrão do céu” demonstra o poder político e balsâmico da igreja.
Dentro do texto, o protesto contra as torturas que ocorriam na calada da noite fica evidente. Para saudar essa noite do Brasil, só se justificava se fosse na alegria etílica de um bêbado. Somente num estado de loucura poderia se reverenciar aquela realidade.
O nacionalismo aparece nas entrelinhas com o Hino Nacional. “A nossa pátria, mãe gentil” abrigava as esposas e mães que choraram por seus filhos e maridos. A primeira entidade organizada para lutar pela anistia foi o MFA – Movimento Feminino pela Anistia, criado em 1975.
O texto também fala dos exilados, como foi o caso do sociólogo Betinho, irmão de Henfil, e relembra as mortes do jornalista Vladimir Herzog e do metalúrgico Manuel Fiel Filho ao citar os nomes de suas esposas, Maria e Clarisse, respectivamente.
Este texto traz a voz de alguém que num momento de consciência, acorda para um mundo totalmente adverso, observa o que está à sua volta, o céu da cidade, um bêbado, o cair da tarde. Tudo é estranho e triste. Mesmo assim há uma esperança que não abandona a sua missão. Por isso pode-se vislumbrar a liberdade e sonhar com ela, mesmo quando os olhos só vêem a opressão.
Fica claro no texto que o desejo de liberdade sempre vai estar no coração do homem. Esta é a sua arte.
alguém poderia analisar essa musica por favor?