Calice
(refrão)
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue
Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta
(refrão)
Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa
(refrão)
De muito gorda a porca já não anda
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade
(refrão)
Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça
Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguem me esqueça
Muitoo boom!!!
Ele faz uso das palavras de Jesus quando na cruz, para comparar seu sofrimento durante o regime da ditadura militar. Entende-se que as armas seriam suas letras, sempre criticando o governo e convidando o povo a se rebelar contra o autoritarismo…
eu achei a letra da musica muito boa pois retrata com foi a ditadura brasileira
Vale lembrar também, que a palavra Cálice, tem o mesmo fonema que o verbo: cale-se ..
CHico cria assim um jogo de palavras ..
seria tambem uma forma de desprezo: como beber dessa bebida amarga…
complementando de novo… essa letra faz mencao ao AI-5 (ato inconstitucional numero 5 se nao souber de uma googlada)
Achei que se tratava propriamente da igreja católica e seus dogmas, não havia olhado esse lado referente a ditadura. Legal, mas vocês tem certeza que se trata da ditaduta?
Realmente a letra fala sobre o AI-5, criticando a ditadura e a falta de liberdade de expressão:
“Pai,afasta de mim esse cálice”
sendo sua intençao:
“Pai,afasta de mim esse cale-se”!
Infelizmente sim, o calice pode ser entendido com a emilia colocou como uma censura que ocorria nesta epoca…
Essa letra em si diz o tudo que passamos na era de chumbo, Ditadura Militar antes, quando e depois do AI5. Cálice realmente refere-se a mordaça imposta pela Ditadura quando implica “cale-se”. Visto que na época a luta travada contra o fechamento de teatros, jornais (procurem nos sites de busca o que se detalha sobre o Jornal “O Sol” jornal de vida curta daqui da Cidade do Rio de Janeiro e olhem fundo a letra dessa música que que retrata em tudo por tudo o desaparecimento de presos políticos, o exílio, as torturas, a censura a dor apalacada ao povo devido suas perdas, o desprezo a opinião pública e o tudo que envolve as grades que nos aprisionavam mesmo dentro de nossa liberdade por completa vigiada. A quem interessa possa, procurem também estudar a letra da música “Vai passar” (Sanatório Geral) e façam uma comparação no que diz as duas épocas quais foram lançada “Cálice” e a última citada. O Chico mescla nisso tudo a contra cultura do que insistiam em empregar a cultura de um povo, nós, que éramos impedidos e caminharmos com nossas próprias pernas. Cálice eu a tenho como o alerta ao tudo que relacionava repressão e, que ainda mesmo por debaixo dos panos apesar dessa falsa democracia, vivemos. Um abraço em todos e parabéns por todos os comentários que são mais do que reais. Eu Guerreiro (Se alguém tiver algum material e queira me enviar em relação a época e a música e letra Cálice, fiquem a vontade. O meu endereço eletrônico é: guerreiro6591rjjpa@gmail.com
A música “Cálice” de Chico Buarque é uma das mais belas canções produzidas no período militar, momento este em que foi censurada pelo governo brasileiro da época, por ser absolutamente hostil ao regime ditatorial. O refrão da letra é o ápice da crítica à censura, onde a palavra “cálice” revestida de um contexto religioso, refere-se discretamente e propositalmente à expressão “cale-se”, cuja sonoridade é a mesma.
Tenho minha opinião sobre esta obra, e que obra!
Porém, humildemente, chego a conclusão de que toda e qualquer análise sobre ela seria vã para explicar o que sentia o autor ao escrevê-la…
Lembrando também que comentar uma obra é relativo demais, principalmente esta em questão. É na verdade uma tarefa muito complexa e sujeita a erros, mesmo que imperceptíveis à visão de quem se manifesta aqui.
O que significa “tragar a dor”?
“Cálice” uma das músicas mais panfletárias do Chico Buarque, somando-se o fato dele ter como parceiro a genialidade do Gil, fizeram uma grande obra. A análise é extensa por conta de que todos os versos vêm imbuídos de metáforas usadas para contar o drama da tortura no Brasil no período da ditadura militar.
(Pai, afasta de mim esse cálice)
Sintetiza uma súplica por algo que se deseja ver à distância. Boa parte da música faz uma analogia entre a Paixão de Cristo e o sofrimento vivido pela população aterrorizada com o regime autoritário. O refrão faz uma alusão à agonia de Jesus no calvário, mas a ambigüidade da palavra “cálice” em relação ao imperativo “cale-se”, remete à atuação da censura.
(De vinho tinto de sangue)
O “cálice” é um objeto que contém algo em seu interior. Na Bíblia esse conteúdo é o sangue de Cristo, na música é o sangue derramado pelas vítimas da repressão e torturas.
(Como beber dessa bebida amarga)
A metáfora do verso remete à dificuldade de aceitar um quadro social em que as pessoas eram subjugadas de forma desumana.
(Tragar a dor, engolir a labuta)
Significa a imposição de ter que agüentar a dor e aceitá-la como algo banal e corriqueiro. “Engolir a labuta” significa ter que aceitar uma condição de trabalho subumana de forma natural e passiva.
(Mesmo calada a boca, resta o peito)
Os poetas afirmam que mesmo a pessoa tendo a sua liberdade de pronunciar-se cerceada, ainda lhe resta o seu desejo, escondido e inviolável dentro do seu peito.
(Silêncio na cidade não se escuta)
O silêncio está metaforicamente relacionado à censura, que, desta forma, é entendida como uma quimera, um absurdo inexistente, porque, na medida em que o silêncio não se escuta, o silêncio não existe.
(De que me vale ser filho da santa / Melhor seria ser filho da outra)
Não fugindo à temática da religião, Chico e Gil usam de metáforas para mostrar suas descrenças naquele regime político e rebaixam a figura da “pátria mãe” à condição inferior a de uma “puta”, termo que fica subentendido na palavra “outra”.
(Outra realidade menos morta)
Seria uma outra realidade, na qual os homens não tivessem sua individualidade e seus direitos anulados.
(Tanta mentira, tanta força bruta)
O regime militar propagandeava que o país vivia um “milagre econômico” e todos eram obrigados a aceitar essa realidade como uma verdade absoluta.
(Como é difícil acordar calado / se na calada da noite eu me dano)
O eu-lírico admite a dificuldade de aceitar passivamente as imposições do regime, principalmente diante das torturas e pressões que eram realizadas à noite. Tudo era tão reprimido que necessitava ser feito às escondidas, de forma clandestina.
(Quero lançar um grito desumano / que é uma maneira de ser escutado)
Talvez porque ninguém escutasse as mensagens lançadas por vias pacíficas e ordeiras, uma das possibilidades, por conta de tanto desespero, seria partir para o confronto.
(Esse silêncio todo me atordoa)
Esse verso denuncia os métodos de torturas e repressão, utilizados para conseguir o silêncio das vítimas, fazendo-as perderem os sentidos.
(Atordoado, eu permaneço atento)
Mesmo atordoado o eu-lírico permanece atento, em estado de alerta para o fim dessa conjuntura, como se estivesse esperando um espetáculo que estaria por vir.
(Na arquibancada, pra a qualquer momento ver emergir o monstro da lagoa)
Entretanto, o espetáculo pode ser, ironicamente, somente o surgimento de mais um mecanismo de imposição de poder do regime, representado pelo monstro da lagoa.
(De muito gorda a porca já não anda)
Essa “porca” refere-se ao sistema ditatorial, que, de tão corrupto e ineficiente, já não funcionava. O porco também é um símbolo da gula, que está entre os sete pecados capitais, retomando a temática de religiosidade e elementos católicos.
(De muito usada a faca já não corta)
Demonstra inoperância, ou seja, mostra o desgaste de uma ferramenta política utilizada à exaustão.
(Como é difícil, pai, abrir a porta)
É expresso o apelo para que sejam diminuídas as dificuldades, mas ao mesmo tempo apresenta a tarefa como sendo muito difícil. A porta representa a saída de um contexto violento. Biblicamente, sinaliza um novo tempo.
(Essa palavra presa na garganta)
É a dificuldade para encontrar a liberdade, a livre expressão. É o desejo de falar, contar e descrever a todos a repressão que está sendo imposta.
(Esse pileque homérico no mundo)
Refere-se ao desejo de liberdade contido no peito de cada cidadão dos países vivendo sob os vários regimes autoritários existentes no mundo.
(De que adianta ter boa vontade)
É um autoquestionamento sobre a ânsia de lutar pela liberdade, uma vez que o mundo estava ao avesso. Refere-se a uma frase bíblica: “paz na terra aos homens de boa vontade”.
(Mesmo calado o peito resta a cuca dos bêbados do centro da cidade)
Mesmo sem liberdade o homem não perde a mente e pode continuar pensando.
(Talvez o mundo não seja pequeno nem seja a vida um fato consumado)
A partir deste verso o eu-lírico sugere a possibilidade de a realidade vir a ser diferente, renovando suas esperanças.
(Quero inventar o meu próprio pecado)
Expressa a vontade de libertar-se da imposição do erro por outros para recriar suas próprias regras e definir por si só, quais são seus erros, sem que outros o apontem. Tem o significado de estar fora da lei. O verbo aproxima-se do desejo urgente e real de liberdade.
(Quero morrer do meu próprio veneno)
Neste verso está implícito que ele deseja ser punido pelos erros que ele vier a praticar seguindo o seu livre-arbítrio, e não, tendo seu desejo cerceado, punido por erros que o sistema acha que ele poderá vir a cometer.
(Quero perder de vez tua cabeça / minha cabeça perder teu juízo)
Traz a idéia de que o eu-lírico deseja ter seu próprio juízo e não o do poder repressor. Quer decapitar a cabeça da ditadura e libertar-se do juízo imposto por ela, para ser dono de suas próprias idéias.
(Quero cheirar fumaça de óleo diesel / me embriagar até que alguém em esqueça)
Para encerrar, Chico e Gil usaram uma imagem forte das táticas de tortura. Para fazer com que os subjugados perdessem a noção da realidade, dentro da sala os repressores queimavam óleo diesel, cuja fumaça deixava-os embriagados. Entretanto, os subjugados também possuíam táticas antitortura, e uma das artimanhas era justamente fingir-se desmaiado, pois, enquanto nesta condição, não eram molestados pelos torturadores.
vale lembrar tb q cálice é o titulo da musik…
Nossa! Raffa, jura que “Cálice” é o título da música? Se vc não fizesse essa observação, jamais saberíamos. :-O
não achei isso nada bom a e os seus comentario estão todos feios seus troxas
Nossa, Sergio, você analisou cada verso da música e muito bem! Parabens! Ajudou-me muito na construçao de um trabalho.
Obrigado, Laura!
Fico muito feliz que a minha análise lhe tenha sido útil.
Abraços.
respondendo a sua pergunta bruno ferreto é facil vc descobrir é só vc estudar um pouco mais sobre a ditadura militar e depois colocar as criticas de alguns trechos interessantes ai vc descobre.
eu entendi que as pessoas não tinham direito de falar o que eles pensavam eles eram muito rudes não podia ficar nenhuma pessoa na rua (mendingos)eles saiam empurrando.
atibaia, de dezembro de 2009 eu tenho 11 anos
Existe um video muito interessante em que o Chico e o Caetano estao cantando essa música num show e, de repente, recebem ordens da polícia pra pararem de cantar por causa da crítica escancarada que aparece na letra. Assim, eles cantam de uma maneira que não dá para entender absolutamente nada, mas dá pra ouvir somente o CALICE(cale-se), ou seja, era o que estava acontecendo naquela época e naquele momento por estarem censurados de cantar…até que eles desligam os aparelhos de som e retiram os microfones.
respondendo a sua pergunta bruno ferreto é facil vc descobrir é só vc estudar um pouco mais sobre a ditadura militar e depois colocar as criticas de alguns trechos interessantes ai vc descobre.
eu entendi que as pessoas não tinham direito de falar o que eles pensavam eles eram muito rudes não podia ficar nenhuma pessoa na rua (mendingos)eles saiam empurrando.
atibaia, de dezembro de 2009 eu tenho 11 anos
Só acrescentando, nos dois últimos versos
(Quero cheirar fumaça de óleo diesel / me embriagar até que alguém me esqueça), também são uma referência à morte do filho de Zuzu Angel, Stuart, que depois de torturado, foi amarrado em um jipe e arrastado com a boca colada junto ao cano de escape, morrendo por asfixia e envenenamento, devido à fumaça.
REVELAÇÃO / EXORTAÇÃO:
Urge propagarmos na terra, a certeza de que Jesus Cristo ja vive agindo entre nós, espargindo a luz do saber, criando Irmãos espirituais, e a nova era Cristã. Eu não minto, e a Espiritualidade que esperava pela sua volta, pode comprovar que digo a verdade. Por princípio, basta recompormos as 77 letras e os 5 sinais que compõem o titulo do 1º. livro bíblico, assim: O PRIMEIRO LIVRO DE MOISÉS CHAMADO GÊNESIS: A CRIAÇÃO DOS CÉUS E DA TERRA E DE TUDO O QUE NÊLES HÁ: Agora, pois, todos podem ver que: HÁ UM HOMEM LENDO AS VERDADES DO SEU ESPÍRITO: ÊLE É O GÊNIO CRIADOR QUE CRIA ESSA AÇÃO DE CRISTO. (LC.15.28) E cumpriu-se a escritura que diz: (JB.14.17) O Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem conhece, vós o conheceis, porque Ele habita convosco e estará em vós. Regozijemo-nos ante a presença do Nosso Senhor, e façamos jus ao poder que o Filho do Homem traz às Almas Justas, para a formação da verdadeira Cristandade.
(MT.26.24) – O FILHO DO HOMEM VAI, COMO ESTÁ ESCRITO A SEU RESPEITO, MAS AI DAQUELE POR INTERMÉDIO DE QUEM O FILHO DO HOMEM ESTÁ SENDO TRAIDO! MELHOR LHE FORA NÃO HAVER NASCIDO.
E, ao recompormos as 130 letras e os 7 sinais que compõem esse texto, todos já podem ler, saber e entender quem é o Filho do Homem.
E O FILHO DO HOMEM É O ESPÍRITO QUE TESTA AS ALMAS DO HOMEM E DA MULHER, NA VERDADE DO SENHOR, COMO CRISTO: E EIS A PROVA QUE O FILHO DO HOMEM FOI TREINADO NA LEI CRISTÃ
(MC.14.41) – CHEGOU A HORA, O FILHO DO HOMEM ESTÁ SENDO ENTREGUE NAS MÃOS DOS PECADORES. E hoje, quem quiser interagir com o Filho do Homem, deve buscar “A Bibliogênese de Israel”, que já está disponível na internet. E quem não quiser, pode continuar vivendo de esperança vã, assistindo passivamente a agonia da vida terrena, à par da auto-destruição do nosso planeta….
Certamente ele comenta a realidade da epoca de ditadura, principalmente da censura e não esquecendo de criticar a igreja católica enfatizando no fim da musica o livre arbitrio do homem que é sufocado pela ditadura e religião.