Acorda Amor

12 comentários

Chico Buarque

Acorda amor
Eu tive um pesadelo agora
Sonhei que tinha gente lá fora
Batendo no portão, que aflição
Era a dura, numa muito escura viatura
Minha nossa santa criatura
Chame, chame, chame lá
Chame, chame o ladrão, chame o ladrão

Acorda amor
Não é mais pesadelo nada
Tem gente já no vão de escada
Fazendo confusão, que aflição
São os homens
E eu aqui parado de pijama
Eu não gosto de passar vexame
Chame, chame, chame
Chame o ladrão, chame o ladrão

Se eu demorar uns meses
Convém, às vezes, você sofrer
Mas depois de um ano eu não vindo
Ponha a roupa de domingo
E pode me esquecer

Acorda amor
Que o bicho é brabo e não sossega
Se você corre o bicho pega
Se fica não sei não
Atenção
Não demora
Dia desses chega a sua hora
Não discuta à toa não reclame
Clame, chame lá, chame, chame
Chame o ladrão, chame o ladrão, chame o ladrão
(Não esqueça a escova, o sabonete e o violão)


12 comments on “Acorda Amor

  1. Pauline disse:

    Bom, com ceteza é uma crítica ao regime militar doa anos 60.
    A qual ele é bem claro na música.

  2. Giovanna disse:

    … que no caso, estava alertando a sua esposa, amante ou o que for que estavam invadindo sua casa

  3. Essa música é um retrato de como agia a ditadura militar,em que os policiais sequestravam,torturavam,matavam,etc.Mostra também a ironia de Chico que chama os ladrões para o socorrer,ja que o ivasor é a propria policia.

  4. Menino disse:

    TChau pra você, Pauline… não adianta só falar…. tem que explicar, como fez a Emylly…

    “Se eu demorar uns meses
    Convém, às vezes, você sofrer
    Mas depois de um ano eu não vindo
    Ponha a roupa de domingo
    E pode me esquecer”

    Isso fala dos ‘desaparecimentos’ que ocorriam na ditadura…

    faltou só isso.

  5. Angelo disse:

    Inclusive, devido a repressão, nesta época ele assinava Julinho de Adelaide, já que suas músicas eram quase sempre vetadas pela censura, por puro preconceito ao nome Chico Buarque

  6. Livia disse:

    Quando a policia, que deveria assegurar o direito de integridade fisica e moral do cidadão e defender os principios de familia e lar, se comporta com violência, intolerancia, preconceito e desrespeito, a quem recorrer? Ao ladrão?

  7. Livia disse:

    Fala sobre o terror da ditadura mas, em alguns pontos pode-se aplicar aos dias atuais, quando a policia não passa de bandidos legalizados.

  8. Mateus disse:

    Completando o que já disseram…
    “Dia desses chega a sua hora”
    Durante a ditadura, muitas pessoas iam presas por ter qualquer relação com quem fosse contra o regime.

  9. Os comentários são suficientes
    Mas é importante destacar a figura do Julinho da Adelaide e “seu irmão” Leonel Paiva., ambos personagens “ficticios” brilhantemente criado pelo Chico Buarque para driblar a censura.
    Pra quem não leu ainda ; Vale a pena acessar o site :ChicoBuarque/julinhoda adelaide.com.br
    Tem uma entrevista histórica que o Mario Prata com muita coragem publicou no jornal Ultima HOra.
    Imperdivel

  10. Júlio disse:

    Eu entendo “o chame o ladrão”, no caso para substítuí-lo. Ora, polícia é para ladrão, em não tendo ladrão serei eu preso, chame o ladrão!

  11. carlos moreira disse:

    kkkkkkkkkkk……..melhor é a parte ” era a dura” ….Era a dura, numa muito escura viatura.. dura = ditadura!

  12. Higor Inácio disse:

    A música é auto explicativa: trata-se de um militante político de esquerda com dificuldades pra dormir pelo medo de ser alcançado pela OBAN (Operação Bandeirantes) que tinha como integrantes o Delegado Fleury e o Esquadrão da Morte, cujo qual tinha como missão a execução sumária de comunistas, esquerdistas e opositores em geral ao regime comunista. “Era a Dura”, refere-se aos carros da OBAN que eram, em maioria esmagadora viaturas a paisana sem nenhuma identificação da polícia, com policiais civis também sem nenhum uniforme ou identificação. Grande parte dos presos e torturados nos porões do DOPS foram capturados em casos como esse, sem quaisquer chance de defesa.
    Existiam também casas de tortura na região rural das grandes cidades, principalmente na cidade de São Paulo (cidade que sediava a OBAN). “Se eu demorar uns meses, convém as vezes você sofrer. Mas depois de um ano eu não vindo, põe a roupa de domingo e pode me esquecer.” refere-se à grande possibilidade de que, após a captura o mesmo fosse torturado, assassinado e descartado, tornando-se assim mais um dos muitos desaparecidos durante a ditadura militar. A parte da roupa de domingo refere-se a um pedido para que a parceira finja que nada aconteceu, e não corra atrás de esclarecimentos ou algo do tipo por sua própria segurança. Podemos pegar como exemplo o caso da Zuzu Angel, que procurou seu filho durante anos e depois disso foi assassinada por forças do regime.

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