Zélia Duncan

Jura Secreta

Só uma coisa me entristece
O beijo de amor que não roubei
A jura secreta que não fiz
A briga de amor que não causei
Nada do que posso me alucina
Tanto quanto o que não fiz
Nada que eu quero me suprime
De que por não saber ‘Inda não quis

Só uma palavra me devora
Aquela que meu coração não diz
Sol que me cega
O que me faz infeliz
É o brilho do olhar
Que não sofri.

0 comentário sobre “Jura Secreta

  • vanessa disse:

    A música parece ter sido escrita quase como um epitáfio, onde o eu-lirico se arrepende por todas as ações e emoções que por consequência de insegurança, medo ou um outro sentimento qualquer deixou de viver.

    “Só uma coisa me entristece
    O beijo de amor que não roubei
    A jura secreta que não fiz
    A briga de amor que não causei”

    Neste trecho o eu-lírico analisa seus casos de amor e descobre que poderia ter vivido cada um deles mais intensamente.

    “Nada do que posso me alucina
    Tanto quanto o que não fiz”

    Este trecho deixa cada vez mais forte a sensação de que ele SÓ se arrepende do que NÃO fez.

    “Sol que me cega
    O que me faz infeliz
    É o brilho do olhar
    Que não sofri”

    O eu-lírico declara banais todos os seus casos de amor, como se nenhum deles tivesse sido suficientemente forte para suprir suas carências emocionais.

    10
    1
  • Mayra Rabelo Borgneth disse:

    Essa música foi composta durante ditadura militar, no intuito de falar sobre o silêncio involuntário que era imposto naquela época.

    2
    1
    • ADINIZ MENDES DA SILVA JUNIOR disse:

      Nada a ver. Mania que esse povo tem de analisar tudo sob a ótica social. A letra é clara, são sensações, sentimentos, lamentações intensas e agonizantes de um eu-lírico expressas pelo que não viveu em seus amores, sua vida amorosa. É o lamento por aquilo que foi sublimado, recolhido, amordaçado e agora no presente retorna em forma de uma “reflexão” embebecidamente dolorosa. A voz rouca da intérprete consegue transferir aos ouvintes essa agonia, pelo que não foi, poderia ter sido e nunca mais poderá ser. O tom quase balbuciante, toda a sonoridade suave leva -nos a imaginar um ser em uma confissão íntima, um diálogo interior, mas que irrompe quase em fúria contra si, quando a voz da intérprete aumenta as notas da música. A interpretação é forte e quase realista, emocionante, toca nossa alma e nos faz explodir também em análises de nossas vidas, com perguntas difíceis de responder: “teria eu vivido o que me foi oferecido e desejei, ousei arriscar, ir em busca dos meus sentimentos, daquilo que, nalgum momento me indicava a felicidade?

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