Terral

Eu venho das dunas brancas
Onde eu queria ficar
Deitando os olhos cansados
Por onde a vida alcançar

Meu céu é pleno de paz
Sem chaminés ou fumaça
No peito enganos mil
Na Terra é pleno abril
No peito enganos mil
Na Terra é pleno abril

Eu tenho a mão que aperreia
Eu tenho o sol e areia
Sou da América, sul da América
South America
Eu sou a nata do lixo, eu sou do luxo da aldeia
Eu sou do Ceará

Aldeia, Aldeota
Estou batendo na porta pra lhe aperriar
Pra lhe aperriar, pra lhe aperriar
Eu sou a nata do lixo, eu sou do luxo da aldeia
Eu sou do Ceará

A Praia do Futuro, o farol velho e o novo
Os olhos do mar
São os olhos do mar, são os olhos do mar
O velho que apagado, o novo que espantado
O vento a vida espalhou
Luzindo na madrugada, braços, corpos suados
Na praia fazendo amor

Pavão mysteriozo

Pavão misterioso, pássaro formoso
Tudo é mistério nesse teu voar
Mas se eu corresse assim
Tantos céus assim
Muita história eu tinha pra contar

Pavão misterioso nessa cauda aberta em leque
Me guarda moleque de eterno brincar
Me poupa do vexame de morrer tão moço
Muita coisa ainda quero olhar

Pavão misterioso, pássaro formoso
Tudo é mistério nesse teu voar
Ai, se eu corresse assim
Tantos céus assim
Muita história eu tinha pra contar

Pavão misterioso, meu pássaro formoso
No escuro dessa noite me ajuda a cantar
Derrama essas faíscas, despeja esse trovão
Desmancha isso tudo que não é certo não

Pavão misterioso, pássaro formoso
Um conde raivoso não tarda a chegar
Não temas minha donzela
Nossa sorte nessa guerra
Eles são muitos, mas não podem voar

Enquanto engoma a calça

Arrepare não, mas enquanto engoma a calça eu vou lhe contar
Uma história bem curtinha, fácil de cantar

Porque cantar parece com não morrer
É igual a não se esquecer
Que a vida é que tem razão

Esse voar maneiro foi ninguém que me ensinou
Não foi passarinho, foi olhar do meu amor
Me arrepiou todinho e me eletrizou assim
Quando olhou meu coração

Porque cantar parece com não morrer
É igual a não se esquecer
Que a vida é que tem razão

Ai, mais como é triste
Essa nossa vida de artista
Depois de perder Vilma pra São Paulo
Perder Maria Helena pro dentista

Porque cantar parece com não morrer
É igual a não se esquecer
Que a vida é que tem razão