Geração da música e poesia brasileira do século XXI que dissolveu as fronteiras entre MPB, indie rock, pop acústico, samba e cultura digital, privilegiando a subjetividade afetiva, a diversidade identitária e a produção independente.
📜 CONTEXTO HISTÓRICO & SOCIAL
Era da internet, democratização dos estúdios caseiros, plataformas de streaming e pluralização dos festivais em todas as regiões do Brasil.
📐 MANIFESTO & DIRETRIZES ESTÉTICAS
Liberdade pós-gênero musical: diálogo afetuoso com os mestres dos anos 60/70 aliado a letras intimistas sobre vulnerabilidade emocional, autoconhecimento, equidade de gênero e cotidiano contemporâneo.
“De tudo que é nego torto / Do mangue e do cais do porto”
“Fiz aquele anuncio e ninguem viu / Pus em quase todo lugar”
“O que você me pede eu não posso fazer / Assim você me perde, eu perco você”
“Te vejo errando e isso não é pecado / Exceto quando faz outra pessoa sangrar”
“Não sei porque você se foi / Quantas saudades eu senti”
“Devia ter amado mais / Ter chorado mais”
“Um velho cruza a soleira / De botas longas, de barbas longas”
“Muito prazer, meu nome é otário / Vindo de outros tempos mas sempre no horário”
“Agora eu era o herói / E o meu cavalo só falava inglês”
“Todos os não se agitam / Toda adolecencia acata”
“Deixo tudo assim. / Não me importo em ver a idade em mim,”
“Há um vilarejo ali / Onde areja um vento bom”
“Ouvi dizer, do teu olhar ao ver a flor / Não sei por quê achou ser de um outro rapaz”
“Havia um tempo em que eu vivia / Um sentimento quase infantil”
“Eu que falei: Nem pensar / Agora me arrependo, roendo as unhas”
“Nenhuma verdade me machuca / Nenhum motivo me corrói”
“Preciso não dormir / Até se consumar”
“Olha só, que cara estranho que chegou / Parece não achar lugar”
“Meu caminho é cada manhã / Não procure saber onde estou”
“Eu não quero mais mentir / Usar espinhos”
“Monstro invisível que comanda a horda / Arrasando tudo o que é de praxe”
“Nego drama, / Entre o sucesso e a lama,”
“As ondas de vaidade / Inundaram os vilarejos”
“É uma índia com colar / A tarde linda que não quer se pôr”
A convivência orgânica entre tradição acústica brasileira e sonoridades globais (indie folk, R&B, rock alternativo, eletrônica), com produção autoral independente e forte conexão direta com os ouvintes nas plataformas digitais.
"Máscara" defende a autenticidade subjetiva contra a padronização social ("O importante é ser você, mesmo que seja estranho"), enquanto "Desconstruindo Amélia" faz intertextualidade crítica com o samba antigo "Ai, Que Saudades da Amélia" (1942) para discutir a emancipação feminina.
Lançado em 2002, o projeto uniu três matrizes da música brasileira (o samba/MPB carioca de Marisa, o rock concretista paulista de Arnaldo e a percussão afro-baiana de Brown) em canções de simplicidade poética universal.