Movimento musical e comportamental surgido em torno do programa "Jovem Guarda" (TV Record, 1965), comandado por Roberto Carlos ("O Brasa"), Erasmo Carlos ("O Tremendão") e Wanderléa ("A Ternurinha").
📜 CONTEXTO HISTÓRICO & SOCIAL
Ascensão da televisão e da indústria fonográfica voltada ao público adolescente urbano no Brasil dos anos 1960.
📐 MANIFESTO & DIRETRIZES ESTÉTICAS
Linguagem direta, coloquial e carregada de gírias juvenis ("uma brasa, mora", "tremendão", "barra limpa"), guitarras elétricas, órgão Hammond e temáticas de velocidade, carros, brotos, liberdade juvenil e romantismo.
“Não sei porque você se foi / Quantas saudades eu senti”
“Caminhando contra o vento / Sem lenço e sem documento”
“Tem dias que a gente se sente / Como quem partiu ou morreu”
“Existirmos: a que será que se destina? / Pois quando tu me deste a rosa pequenina”
“Relembro a casa com varanda / Muitas flores na janela”
“Sobre a cabeça os aviões / Sob os meus pés, os caminhões”
“Estava a toa na vida / O meu amor me chamou”
“Eu quis cantar / Minha canção iluminada de sol”
“-"É, engraçado, ás vezes a gente sente, e fica pensando / Que está sendo amado, que está amando, e que”
“A Rita levou meu sorriso / No sorriso dela”
“O rei da brincadeira / Êh José!”
“Hoje eu tive um sonho que foi o mais bonito / Que eu sonhei em toda a minha vida”
“Acabei com tudo / Escapei com vida”
“Vou cavalgar por toda a noite / Por uma estrada colorida”
“Chocolate! Chocolate! Chocolate! / Eu só quero chocolate”
“Eu, cada vez que vi você chegar, / Me fazer sorrir e me deixar”
“Se você pretende saber quem eu sou / Eu posso lhe dizer”
“Eu cheguei em frente ao portão / Meu cachorro me sorriu latindo”
“Vou pedir prá você voltar / Vou pedir prá você ficar”
“Ela partiu / Partiu e nunca mais voltou”
“Eu vou seguir uma luz lá no alto eu vou ouvir / Uma voz que me chama eu vou subir”
“Meu pai um dia me falou / Pra que eu nunca mentisse”
“Não adianta nem tentar / Me esquecer”
“Não é possivel que você suporte a barra / De olhar nos olhos do que morre em suas mãos”
A Jovem Guarda consolidou o rock e a instrumentação elétrica no Brasil, criou o mercado jovem de cultura pop e abriu espaço para que a linguagem coloquial das ruas entrasse definitivamente no rádio e na TV.
Sim: setores mais ortodoxos da MPB viam a guitarra elétrica da Jovem Guarda como "alienada" ou "americanizada", até que a Tropicália (1967) derrubou essa fronteira ao unir o rock da Jovem Guarda à tradição brasileira.
A imensa maioria foi composta pela dupla Roberto Carlos e Erasmo Carlos, uma das parcerias mais longevas e bem-sucedidas da história da música mundial.