"Li atentamente todos os comentários. Aqueles que associam a música à caminhada de Jesus para o Calvário estão mais próximos da correta interpretação; quem associa a canção a uma luta interior com as drogas está absolutamente enganado. Música é uma maneira muito simples de contar uma história sobre algo, e por mais que ela tente o ouvinte a uma variedade de interpretações, há apenas uma única forma correta de interpretar. Vejamos.
[&] "Eu não quero mais mentir". Na música há frases extremamente difíceis de interpretar porque todas desdobram de possíveis pensamentos de Jesus não-presentes na Bíblia, ou seja, pensamentos que o autor da canção arriscou adivinhar para escrever a letra; isso impede o ouvinte de compreender a canção porque cogitar materializar algo que Jesus poderia ter pensado é inconcebível para o fiel (seja ele cristão, evangélico etc.). Nessa primeira frase Jesus diz para si mesmo que argumentar com Pilatos, ainda que com calma e dignidade, era um esforço em vão porque o Governante não seria capaz de compreender o Reino dos Céus.
[&] "Usar espinhos que só causam dor". Nessa segunda frase Jesus percebe a dor que os espinhos causam nas pessoas que o amam e o estão vendo enquanto argumenta com Pilatos. A dor física não é pessoal de Jesus porque ele a estava disposto a suportar; e se suportava, não era incômoda. A dor, em vista do legado de Jesus, era aquela causada nos seus seguidores, emocionalmente impactados com as primeiras notas do seu sacrifício.
[&] "Eu não enxergo mais o inferno que me atraiu". Nessa terceira frase Jesus expressa estar completamente liberto da traição de Judas e da conspiração articulada com Caifás para colocá-lo naquela situação de julgamento, visto que estava há muito consciente do seu destino.
[&] "Dos cegos do castelo me despeço e vou". Nessa terceira frase Jesus reafirma sua postura humilde e verdadeira, pois se despede dos sujeitos cegos que habitam o castelo terreno em que foi julgado, ou seja, Caifás (o Sacerdote que articulou com Judas a prisão de Jesus), os Homens (os Soldados que o açoitaram e coroaram; os Populares que apoiaram a condenação) e Pilatos (o Governante que lhe julgou e condenou). A cegueira, aqui, é metafórica sobre tais pessoas serem incapazes de ver a ele, Jesus, e o Reino dos Céus.
[&] "A pé até encontrar". Nessa quarta frase Jesus começa a caminhada até o Calvário já na sua própria mente.
[&] "Um caminho, um lugar. Pro que eu sou". Nessa quinta frase Jesus afirma o Calvário como lugar que aclarará ao mundo o que ele é: amor, redenção e sacrifício.
[&] "Eu não quero mais dormir. De olhos abertos me esquenta o Sol". Nessa sexta frase Jesus coteja a maravilha do Sol tocando seu corpo enquanto já crucificado. O Sol, aqui, dada sua grandiosidade, magnitude, é Deus.
[&] "Eu não espero que um revólver venha explodir." Nessa sétima frase de difícil de interpretação o autor da letra arrisca mais uma vez, dentre tantas, o que Jesus teria pensado. E, para falar a verdade, essa é a frase mais difícil de toda a música Numa entrevista no YouTube (https://youtu.be/xCGvc9j5NjY?t=233), Nando Reis (autor da canção) fala que escreveu "Cegos do Castelo" pautado na sua luta contra as drogas e que a canção é sobre a autodestruição. Francamente... A má interpretação da própria música é indício de que não foi ele quem a compôs, eis que claramente não a entende. Acredito que, no original da letra, por quem quer que a tenha composto, estivesse-se referindo a "revolver" ou invés de "revólver". "Revolver" é verbo, cujo sinônimo próximo é "revolta". Nessa frase Jesus não cogita uma revolta, um revolver explosivo dos seus seguidores para livrá-lo do Calvário, encerrando pontualmente sua jornada terrena para, posteriormente, ser encontrado no Reino dos Céus. É por isso que não tem nada a ver com apontar uma arma para a própria cabeça, como muitos comentaristas anterior falaram; quiçá autodestruição. Lendo sobre Nando Reis, entendi que ele não é religioso e que definitivamente não se interessa por religião. Creio que por isso ele não tenha notado a finalidade da canção; e caso tenha notado depois, optou por manter a errônea interpretação interpessoal para manter a máscara de que a música não é autoral. A propósito, sou ateu, mas isso não quer dizer que não compreendo o amor das pessoas por Jesus; isso que me ajudou a compreender a letra quase instantaneamente quando a ouvi misturada num compêndio de canções brasileiras no Spotify. Depois de trocar algumas palavras com as pessoas que também ouviram, percebi que nenhuma delas compreendeu a letra e fique intrigadíssimo com a interpretação debatida na internet.
[&] "Na minha testa se anunciou". Nessa oitava frase de difícil de interpretação o autor da letra arrisca mais uma vez o que Jesus teria pensado. Nela, Jesus vislumbra o momento de partir, concluindo a frase anterior.
[&] "A pé, a fé devagar. Foge o destino do azar. Que restou". Nessa nona frase Jesus aborda que a fé , como destino, é o que resta para cada um. E caminhar com a fé, ainda que devagar, conecta-se às frases seguintes da canção.
[&] "E se você puder me olhar". Nessa décima frase Jesus desafia o homem a olhar sua imagem crucificado. Pense: a imagem de Jesus crucificado é a imagem de um homem morto, cruelmente morto. É desafiador para qualquer um olhar para uma imagem tão impactando e não pensar a respeito da história de Jesus, do seu significado (verdadeiro ou não).
[&] "E se você quiser me achar". Nessa décima primeira frase Jesus apenas conclui que para achá-lo é preciso fé. Fé é, também, uma disposição de coragem; quem abraça a fé, quer Jesus.
[&] "E se você trouxer o seu lar". Nessa décima segunda frase Jesus conclui que se uma pessoa o olhou e o achou, poderá trazer sua família de duas maneiras: a) trazendo, literalmente, a família; b) formando a família sob o Espírito Santo.
[&] "Eu vou cuidar (Eu cuidarei dele), eu vou cuidar (Eu cuidar do seu jardim), eu vou cuidar (Eu vou cuidar, Eu cuidarei muito bem dele), eu vou cuidar. Eu vou cuidar." Nessa décima terceira frase Jesus dispõe-se além do próprio sacrifício na terra para cuidar dos fiéis com amor incondicional (veja quantas e quantas vezes o autor da canção reitera "cuidar"). Ao receber esse amor e aceitar a fé em Jesus, as pessoas depositam sua confiança nele para cuidar delas. Através desse ato de confiança e fé, Jesus retribui cuidando daqueles que acreditam nele. Essa relação de confiança e cuidado é uma expressão do amor de Jesus, que se manifesta na proteção, orientação e conforto que ele oferece àqueles que depositam sua fé nele (o jardim é tudo aquilo externo ao lar que também está sendo cuidado). Assim, a entrega de Jesus como amor e a fé das pessoas nele formam um ciclo de amor e cuidado mútuo, fortalecendo o vínculo entre o divino e o humano.
[&] "Eu cuidarei do seu jantar." Nessa décima quarta frase Jesus dispõe-se como provedor de quem necessitado. Numa passagem de Mateus (14:13-21), Jesus multiplica pães e peixes mesmo sib recursos sejam limitados. Essa parte da canção simboliza Jesus como milagre capaz de satisfazer as necessidades espirituais.
[&] "Do céu e do mar, de você e de mim". Nessa décima quinta, e última frase, Jesus, afirma que cuidará do céu da maneira como popularmente referendado no Novo Testamento, ou seja, como sendo Deus. Sim, essa é uma questão teológica complexa. Mas fato é que com habitualidade as pessoas (e porque não, também o autor da canção), se referirem a Jesus como Deus na crença na Trindade e na natureza divina de Jesus como o Filho de Deus. Por fim, Jesus afirma que cuidará do mar e o mar tem um tratamento peculiar na bíblia: o mar é tratado simbolicamente para representar o desconhecido, o perigo, a instabilidade e a força da natureza (que Jesus acalma em Mateus 8:23-27, Marcos 4:35-41 e Lucas 8:22-25)."