Da crônica lírica de Rubem Braga, Paulo Mendes Campos e Fernando Sabino à epifania de Clarice Lispector, ao Sertão metafísico de Guimarães Rosa, ao humor crítico de Luís Fernando Veríssimo e Stanislaw Ponte Preta e à escrevivência de Conceição Evaristo: explore os 15 autores mais cobrados no ENEM e nos vestibulares.
Consagrado como o maior cronista puro da literatura brasileira (sem jamais publicar romances), Rubem Braga elevou o jornal diário à alta poesia com O Conde e o Passarinho (1936), A Borboleta Amarela (1955) e Ai de ti, Copacabana (1960), contemplando o mar, as árvores na cobertura de Ipanema e a passagem silenciosa do tempo.
Em contos como Laços de Família (1960), romances como A Paixão Segundo G.H. (1964) e A Hora da Estrela (1977), e nas crônicas de A Descoberta do Mundo, Clarice Lispector desestabiliza a sintaxe convencional para investigar o instante de epifania em que a rotina doméstica se rompe diante do mistério bruto de existir.
Médico e diplomata poliglota, Guimarães Rosa transfigurou o Sertão mineiro em palco metafísico universal ("O sertão está em toda parte") com Sagarana (1946), Grande Sertão: Veredas (1956) e os contos poéticos de Primeiras Estórias (1962) ("A Terceira Margem do Rio", "Sorôco, sua mãe, sua filha").
Mestre absoluto da crônica de humor inteligente e do diálogo ágil, Luís Fernando Veríssimo retratou as neuroses da classe média brasileira em Comédias da Vida Privada (1994), criou tipos antológicos (O Analista de Bagé, A Velhinha de Taubaté, Ed Mort) e faz das suas crônicas material recorrente de interpretação textual no ENEM.
Revolucionário do palco brasileiro com Vestido de Noiva (1943), Nelson Rodrigues também reinventou a crônica diária em A Vida Como Ela É... e a crônica de futebol em À Sombra das Chuteiras Imortais, criando expressões definitivas como "complexo de vira-lata", "óbvio ululante" e elevando o Maracanã à tragédia grega.
Primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras (1977) e vencedora do Prêmio Camões (1993), Rachel de Queiroz estreou aos 20 anos com O Quinze (1930) e assinou por três décadas a "Última Página" da revista O Cruzeiro, unindo sobriedade estilística, protagonismo feminino (Conceição e Maria Moura) e memória nordestina.
Integrante dos lendários "Quatro Cavaleiros do Apocalipse" mineiros (com Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos e Hélio Pellegrino), Fernando Sabino escreveu o romance geracional O Encontro Marcado (1956) e crônicas antológicas como O Homem Nu (1960), transformando pequenos acidentes domésticos em comédias humanas.
O mais poeta dos cronistas mineiros no Rio, Paulo Mendes Campos dissolveu as fronteiras entre prosa de jornal e verso livre em O Cego de Ipanema (1960), Homenzinho na Ventania (1962) e na célebre crônica "O Amor Acaba", usando enumerações vertiginosas e imagens surrealistas.
Jornalista brilhante, contista de atmosfera sombria em Boca do Inferno (1957) e romancista de O Braço Direito (1963), Otto Lara Resende reuniu suas crônicas da Folha de S.Paulo em Bom Dia para Nascer (1993), imortalizando aforismos como "O mineiro só é solidário no câncer".
Sob o heterônimo satírico Stanislaw Ponte Preta, o jornalista e crítico de jazz/MPB Sérgio Porto criou o FEBEAPÁ (Festival de Besteira que Assola o País, 1966) e as máximas da Tia Zulmira e Rosamundo, desmontando pelo riso o autoritarismo e a burocracia moralista pós-1964.
Escritor negro, morador de Todos os Santos e crítico feroz da Primeira República ("A Bruzundanga"), Lima Barreto escreveu Triste Fim de Policarpo Quaresma (1915), Clara dos Anjos e centenas de crônicas em Bagatelas e Marginália, rejeitando o beletrismo parnasiano da Belle Époque em favor de uma língua viva e militante.
Criador da crônica-reportagem moderna no Brasil, João do Rio caminhou como um flâneur baudelairiano pelas avenidas recém-abertas e pelos becos ocultos da capital federal em A Alma Encantadora das Ruas (1908) e As Religiões no Rio (1904), ouvindo tatuadores, seresteiros, presos e trabalhadores invisíveis.
Cronista dominical da Folha de S.Paulo (ocupando o espaço que foi de Rubem Braga e Carlos Heitor Cony), Antonio Prata escreveu o clássico contemporâneo Nu, de Botas (2013), resgatando o olhar de espanto poético da infância nos anos 1980 e radiografando com humor autodepreciativo os dilemas políticos e digitais do século XXI.
Autor de Relato de um Certo Oriente (1989), Dois Irmãos (2000) e Cinzas do Norte (2005), além das crônicas de Um Solitário à Espreita (2013), Milton Hatoum entrelaça a herança imigrante libanesa, as populações ribeirinhas e indígenas de Manaus e a decadência das famílias patriarcais sob a ditadura militar.
Doutora em Literatura Comparada e vencedora do Prêmio Jabuti com Olhos d’Água (2014), Conceição Evaristo cunhou o conceito teórico e poético de "Escrevivência" — a escrita que nasce da experiência histórica e corporal das mulheres negras brasileiras em Ponciá Vicêncio (2003), Becos da Memória (2006) e Poemas da Recordação.