"Temática relacionamento tóxico.
A música Na Sua Estante pode ser interpretada de várias formas, de acordo com o que cada um traz de informação na sua vida, achei interessante as pessoas que a interpretaram como se ela estivesse falando de suicídio e depressão, embora seja trágico, é uma reflexão bastante considerável. Também percebi nos comentarios pessoas falando de amor não correspondido e de como essa pessoa vai conseguir superar essa dependência emocional, esse vício pelo outro, após ter sido deixado. Mas não acho válido ficar romantizando, as pessoas tem que perder essa mania de achar que amor tem que ter sofrimento e que se meu amor não é correspondido vou me matar, o amor não precisa ser trágico como em Romeu e Juieta, aprendam a lidar com suas perdas e frustrações.
Pois bem, vou lhes contar o que senti quando li a letra dessa música, vocês já ouviram falar em relacionamento tóxico? Alguém aqui já se relacionou ou se relaciona com uma pessoa com comportamento narcisista? Pois bem, eu já, essas pessoas são extremamente egoístas e procuram por pessoas inteligentes e bonitas só pra colocá-las nas suas estantes, como verdadeiros troféus, mas na verdade não as amam de verdade. Então elas não percebem o que elas tem de verdade, e por mais que vc esteja ali o tempo todo ele/ela nunca verá você e não dará valor a coisas simples e únicas que só você tem, como o seu riso e o seu timbre de sua voz.
No início da musica temos: Te vejo errando e isso não é pecado, exceto quando faz o outro sangrar. Te vejo sonhando e isso dá medo, perdido num mundo que não dá pra entrar.
Errar não é pecado, todo mundo tem direito de errar. Mas um narcisista geralmente não sente empatia, não se coloca no lugar do outro, então ele não se importa que o erro dele machuque os outros. Também são pessoas que vivem num mundo que é só deles, onde eles são perfeitos, especiais e extremamente inteligentes, o centro das atenções, mas você nunca conseguirá entrar nesse mundo, porque você vê as coisas de forma diferente, e esse mundo que ele cria e te convence que é verdade, realmente dá medo, pois ele vai dizer que você não é bonita/o, não é inteligente e que não vai encontrar ninguém no mundo que goste de você como ele gosta, porque é o único que está disposto a ama-lo/la. Então o gatilho da insegurança está instalado.
De repente você percebe que esse amor está te fazendo mal e que tem algo de errado, com um pouco de sorte você descobre a tempo que está num relacionamento tóxico e tenta sair disso, aí vem as frases: você está saindo da minha vida e parece que vai demorar. Você acha que estou louca, mas tudo vai se encaixar. Você está sempre indo e vindo, mas dessa vez eu já vesti minha armadura...
Nesse ponto é bastante difícil, as pessoas vão dizer que você está louca/o por tentar deixar uma pessoa tão perfeita como seu parceiro. E esse afastamento demora, porque o manipulador não quer perder sua vítima, então ele fica indo e vindo. Mas você tem que ser forte, manter sua cabeça erguida e continuar tentando. Depois que você entendeu os gatilhos instalados você veste sua armadura e luta contra eles.
Porém de forma inconsciente a vítima está viciada nesse tipo de relacionamento, a dor é viciante. A única forma de tratar isso é a abstinência, só por hoje não quero mais te ver, só por hoje não vou tomar minha dose de você, cansei de chorar feridas que não se fecham, não se curam.... Acredite, é um processo bastante doloroso, mas isso tudo uma hora vai passar.
E por último quero falar das frases: estou aproveitando cada segundo antes que isso aqui vire uma tragédia... Nessa parte fica o alerta para a luta contra a depressão e a possível tentativa de suicídio, que é onde a vítima vai chegar se não perceber logo que está vivendo um relacionamento tóxico. E também pode remeter a possibilidade que seu parceiro tente algo contra você já que ele não aceita te perder (olha a agressão e o feminicídio aí minha gente). Se você sente que corre risco com o rompimento dessa relação procure ajuda, não dê sinais ao seu agressor que você o está deixando, se estruture antes com seus amigos e familiares pra evitar uma tragédia. Planeje, vai dar certo, seja forte. Você é uma pessoa maravilhosa, única e capaz de superar isso. Vai ficar tudo bem."
W
Wilma Ramos dos Anjos
11 Mar, 2020
"Na Sua Estante - Pitty
Para mim, tanto a letra quanto o videoclipe retratam a vida de um codependente-emocional. Essas pessoas se entregam tanto ao outro a ponto de se prejudicarem, como aconteceu com o homem de lata que virou bicicleta e teve o coração posto numa estante sem a menor consideração.
A obsessão dele estava em todas as paredes do quarto, tal qual acontece com um codependente, que vive e respira o mesmo ar de outra pessoa. Quer saber onde esteve, o que pensa, se está comendo direito, se tomou a decisão certa, leva no médico, prepara as refeições, resolve problemas que dizem respeito somente ao outro e não a si próprio.
Ele [o codepente homem de lata] não era visto pela mulher amada. Na verdade ele não era visto por ninguém, nem por ele mesmo. Ele não via que a pessoa mais importante da vida dele era ele mesmo! Ele não enxergava isso, por isso encheu a cara e desistiu de lutar no final do clipe. Notem que em nenhum momento a mulher falou ou menção de falar com ele. Tudo existiu só na cabeça dele. É literalmente uma relaçao unilateral, onde só um lado doa pelos dois e depois reivindica a parte que o outro nunca prometeu.
"Te vejo errando e isso não é pecado, exceto quando faz outra pessoa sangrar" - O codependente-emocional sabe que a pessoa de quem ele é dependente (geralmente um ser humano auto destrutivo, como um adicto ou alcoólatra) está passando dos limites, mas ele [o codependente] tem uma espécie de 'amarra' mental-emocional que tolera atitudes que normalmente pessoas de relacionamentos mais saudios não aceitariam.
"Te vejo sonhando e isso dá medo, perdido num mundo que não dá pra entrar" - o codependente é tão obsecado por seu dependente que tenta a todo custo fazer parte de todos os momentos de sua vida. Não controlar os pensamentos do dependente é um pesadelo para um codependente. Gera uma assombrosa insegurança e sua percepção distorcida de mundo fantasiará tudo que há de pior, como por exemplo que ele será abandonado a qualquer momento por seu dependente - a pior coisa que poderia acontecer, acredita.
"Você está saindo da minha vida e parece que vai demorar" - um dependente químico e/ou um alcoólatra tem uma vida marcada pela instabilidade. Ora sóbrio, ora doidão, eles não se estabilizam em nada. Seus pensamentos são confusos e nunca sabem se vão ou se ficam. Essa entrada e saída feito uma porta giratória se transforma numa rotina doentia nessa relação de codependência. Em um momento o codependente acredita que o dependente químico/alcoólatra de sua vida foi embora de vez, nunca mais voltará, pela demora que faz contato. Mas nem sempre é assim. Como a relação é doentia, um nutre a codependência do outro e a qualquer momento o dependente pode voltar. Ou não! Por isso o verbo é "parece" e não somente "vai" demorar.
"Se não souber voltar ao menos mande notícias, 'cê acha que eu sou louca mas tudo vai se encaixar". - o codependente tem dificuldade de abrir mão do controle. No verso acima ele disse que achava que o dependente saiu da vida dele, mas logo abaixo ele pede que notícias sejam mandadas. Esse padrão de comportamento de querer controlar a vida do outro, de achar que as decisões do outro estão erradas e somente as suas estão certas faz o codependente entrar num labirinto de ilusões. Com a realidade distorcida, ele acha mesmo que veio para salvar o dependente, por isso protesta que não é louco, que seu excesso de cuidado fará todo o sentido um dia para o dependente. Isso nunca acontecerá!
"Tô aproveitando cada segundo antes que isso aqui vire uma tragédia" - esse é o momento que, ocasionado pela distância física, o codependente começa a despertar para o seu padrão negativo de comportamento. Ele aproveita a ausência do dependente de sua casa para cuidar de si próprio, se amar mais. Mas ele tem receio que a qualquer momento o dependente voltará para casa e trará toda a tragédia de volta. Ele não consegue resistir o retorno do depentede em sua vida.
"E não adianta nem me procurar em outros timbres, outros risos. Eu estava aqui o tempo todo só você não viu" – adictos e alcoólatras são extremamente sedutores, porque tudo que querem é mais um trago, e por isso são mentirosos, dissimulados e manipuladores, com outros timbres de voz, outras abordagens mais carinhosas. Como o codependente se vê como vítima, ele não percebe que tem escolhas e tem muita dificuldade de sair dessa relação-problema. Nesse trecho da música o codependente tenta desesperadamente erguer um muro de distância emocional entre ele e o dependente. Mas são só palavras, porque nem o codependente quer isso de verdade, nem o dependente desistirá de suas investidas. O codependente de fato não faz nada para se proteger do dependente. São só promessas vazias, porque, por mais estranho que pareça para pessoas sadias, o codependente se sente mais familiar nessa relação tóxica que tem vínculo.
"Você tá sempre indo e vindo, tudo bem. Dessa vez eu já vesti minha armadura" - o codependente jura que buscou todos os meios para não recair nessa relação. Pode ser verdade, mas para isso é necessário um esforço diário para não se entregar à facilidade de retornar à situação “familiar” para ele. Um inferno, sem dúvida, mas “pelo menos” é seguro permanecer onde “se sabe” o que está acontecendo. O codependente sequer tem uma referência do que seria um relacionamento saudável para jugar que está seguro.
"E mesmo que nada funcione. Eu estarei de pé, de queixo erguido" - o codependente reconhece o risco de recair e voltar ao relacionamento. Porém dessa vez ele já trouxe à consciência que tem um problema sério e perceberá mais rapidamente se está repetindo o mesmo padrão doentio de antigamente.
"Depois você me vê vermelha e acha graça. Mas eu não ficaria bem na sua estante". - O dependente tenta minimizar a barreira erguida pelo codependente, fazendo piadinha do momento. Mas o codependente avisa que não vai ceder a mais uma bateria de abusos. Não colocará seu coração em uma estante.
"Só por hoje não quero mais te ver. Só por hoje não vou tomar minha dose de você" - o codependente é de fato viciado na vida do outro, a ponto de esquecer de sua própria vida. De colocá-la em um cabide para viver a vida do dependente, achando que conseguirá salvá-lo de alguma coisa. A relação é assim mesmo, de dependência. Como se fosse uma droga. Aqui o codependente está lutando contra sua adicção, que é em uma pessoa e não numa substância química propriamente dita. Um dia de cada vez, só por hoje, ele [o codependente] não tomará a dose de seu dependente, que é a sua droga.
"Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se curam (não). E essa abstinência uma hora vai passar". - O laço foi cortado de alguma maneira. Ainda é recente, ainda há abstinência. Não chorar feridas que não se curam é aceitar que não é possível mudar o outro. Tentar fazer isso é enlouquecedor para qualquer um, homem ou mulher. O codependente-emocional agora está disposto a aprender a ter relacionamentos mais saudáveis. Um dia de cada vez para aprender essa lição que é para o resto de sua vida. Um deslize, e ele recai no mesmo padrão obsessivo de relacionamento."
""te vejo errando e isso não é pecado
exceto quando faz outra pessoa sangrar"
Ela quer dizer que mesmo eles tendo uma grande amizade, ele está com outra e e a segunda parte é que ela está sofrendo e/ou se cortando de tanto sofrer por amor, pois ela o ama muito
"Te vejo sonhando e isso dá medo
Perdido num mundo que não dá pra entrar"
Ele está fazendo planos para o futuro e ela não está incluída nestes planos, por isso ela está com medo e diz que não há como entrar nesse mundo de sonhos que ele cria
"Você está saindo da minha vida
e parece que vai demorar"
Ele está concretizando os planos que ele estava sonhando, só que isso levaria um tempo, por isso a demora
"Se não souber voltar ao menos mande notícia
cê acha que eu sou louca mas tudo vai se encaixar"
na primeiro verso ela diz isso a ele "se não souber voltar ao menos mande notícia" pois os planos estão quase concretizados, ou seja ele já está quase indo embora da vida dela, então ele responde algo do tipo "você é louca", pois ele não percebe o que ela está passando e o que vai acontecer entre eles, já ela lhe diz que tudo vai se encaixar pq ela conseguiu entender o que vai acontecer entre eles.
"Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia"
Ela está aproveitando os últimos segundos ao lado dele, antes que... A "tragédia" aconteça, a tragédia é/são a(s) consequência(s) de quando ele for embora, como se algo muito ruim fosse fosse acontecer após ele a deixar, como ela sofrer, entrar em depressão, etc. Mas ela não sabe exatamente quais serão as consequências por isso as chama de "tragédia"
E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu
Ou seja, depois que ele foi embora, ele começou a sentir falta dela e percebeu que a amava e que havia cometido um erro e ela diz responde isso à ele:
"E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu"
Essa parte é o refrão, creio eu, que mesmo ela sofrendo na música toda, nessa parte ela "da a volta por cima"
"Você tá sempre indo e vindo, tudo bem
Dessa vez eu já vesti minha armadura
E mesmo que nada funcione
Eu estarei de pé, de queixo erguido
Depois você me vê vermelha e acha graça
Mas eu não ficaria bem na sua estante"
Ele está sempre passando por ela e que ela o vê todo dia, deviam ser vizinhos e/ou estudavam na mesma escola, e com a "armadura" ela diz estar preparada para vê-lo distante (emocionalmente dela) ou contra garota, como assim? Tipo quando você vê seu/sua crush e por ele não sentir por você o mesmo que você sente por ele/ela, você fica triste, magoado, etc.
E mesmo se a "armadura" não funcionar ela estará "de pé de queijo erguido" ou seja não vai deixar deixar desanima-lá, entristece-lá, etc. Mas mesmo ela dizendo isso, ela fica vermelha (tipo aquelas pessoas bem brancas que quando ficam com vergonha ou timidez ficam com a bochecha vermelinha) e ele ri da cara dela. Quando essa situação acontece ela responde mentalmente pra ele "mas eu não ficaria bem na sua estante" ou ela se recorda dessa cena em uma discussão futura à cena com ele e da essa resposta. Essa resposta (mas eu não ficaria bem na sua estante, significa que ela gostava dele, mas não queria ficar na segunda opção, não queria ficar la juntando pó na estante até o que dia que ele quisesse "usá-la" pois ela conclui que se ele a amasse ele estaria sempre com ela, não só quando ele precisasse de uma melhor amiga ou uma segunda opção).
"Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia"
Mesmo ela tentando negar com todas as forças que o ama, ela ainda sabe o que sente por ele, e por isso continua igual trouxa aproveitando os segundos ao lado dele, ainda que ela esteja tentando se preparar mentalmente para parar com isso e fracassando.
"Só por hoje não quero mais te ver
Só por hoje não vou tomar minha dose de você
Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se curam
E essa abstinência uma hora vai passar…"
Ela compara ele à uma droga, que ela se viciou, e que os efeitos dessa "droga" criam feridas por dentro que doem e não se fecham, não se curam, que a fazem sofrer cada vez mais, por isso ela está tentando se afastar dele e enfrentar a crise de abstinência, do que continuar sofrendo sem saber se um dia ele ele tomaria jeito e as feridas acabariam (é horrível essa crise, só quem já passou por isso, sabe como é, eu por exemplo já passei por isso com computador e com um verdadeiro amor, a do amor foi muito pior que a do computador)"
"Ao lermos a letra inteira, vemos que a música fala de relacionamento. Mas vamos aos poucos.
"Te vejo errando e isso não é pecado
Exceto quando faz outra pessoa sangrar"
O "eu" quem fala afirma para um "alguém" que errar é inerente a todos, mas o problema é quando isso fere o outro (provavelmente este outro é o próprio "eu" quem fala).
"Te vejo sonhando e isso dá medo
Perdido num mundo que não dá pra entrar"
Aqui temos algo interessante. Primeiro, a letra. Ao analisarmos toda a letra da música, podemos imbuir que este sonho do outro, nada mais é que o modo de vista dele, ou para o relacionamento, ou para com o mundo. O "eu" discorda deste ponto de vista (a palavra disfórica "perdido" reforça a tese disto). Deixando um pouco de lado a análise fria, o modo como são colocados os versos, podemos arriscar que o "eu" acusa o outro de estar vivendo uma realidade utópica.
O ponto interessante fica para a referência que podemos linkar com as obras 'Alice no Pais das Maravilhas' e o 'Mágico de OZ' (como na referência do clipe, algo que não gosto de comparar em conjunto), sobre estar perdido em sonhos.
"Você está saindo da minha vida
E parece que vai demorar"
O "eu" revela algo que prevê. A saída do outro de sua vida, ou o fim do relacionamento.
"Se não souber voltar ao menos mande notícia
Cê acha que eu sou louca
Mas tudo vai se encaixar"
O "eu" pede que, pelo menos, que mantenham um mínimo de contato. E aqui podemos entender que o outro não acredita na previsão do "eu" ("cê acha que sou louca"), que por sua vez fala que tudo fará sentido no futuro ("tudo vai se encaixar").
"Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia"
Aqui temos a decisão do "eu" de experenciar ao máximo o relacionamento, antes que ele propriamente termine ("vire uma tragédia").
"E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu
E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu"
O refrão. O "eu", como uma auto-afirmação, defende sua singularidade (afinal, somos seres únicos, certo?), que o outro não encontrará em outros. O "eu" antecipa o outro com quem fala, alertando que o amor agora não correspondido não poderá ser encontrado mais depois em outro lugar. Não como aquele.
"Você tá sempre indo e vindo, tudo bem
Dessa vez eu já vesti minha armadura
E mesmo que nada funcione
Eu estarei de pé, de queixo erguido
Depois você me vê vermelha e acha graça
Mas eu não ficaria bem na sua estante"
Ah, o mais interessante dos estrofes. O "eu" revela que isto (o fim do relacionamento) já aconteceu algumas vezes antes ("Você tá sempre indo e vindo, tudo bem"), mostra também, intencional ou não, a inconstância do outro (e do próprio "eu", de certo modo, que insiste no relacionamento). Mas afirma que agora vai ser diferente ("Dessa vez eu já vesti minha armadura/ E mesmo que nada funcione/Eu estarei de pé, de queixo erguido). O "eu" está preparado agora para o fim definitivamente, até as últimas consequências, mesmo que nada do que ele planejou não funcione.
"Depois você me vê vermelha e acha graça
Mas eu não ficaria bem na sua estante"
Continuando a estrofe interessante, temos a afirmação, ou protesto do "eu", em relação ao relacionamento. Defende que não é um objeto, um brinquedo que pode ser usado pelo outro como bem entender ("Mas eu não ficaria bem na sua estante"). Não se brinca com o sentimento dos outros.
"Só por hoje não quero mais te ver
Só por hoje não vou tomar minha dose de você
Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se curam
E essa abstinência uma hora vai passar…"
Apesar de ainda manter a estrutura de conversa como nas outras estrofes, nota-se um tom bem mais intimista, como se o "eu" falasse para si somente. Revela-se a necessidade que este sente pelo outro, comparado aqui como um vício, e o desejo que isto seja superado. E o desejo de se livrar disso, de se livrar da dor.
Conclusão e muitas pitadas pessoais com pouco embasamento:
A letra é linda, fala de algo que todos passamos ou passaremos um dia, do amor complicado, do amor não-correspondido, da falta de amor-próprio, da submissão ao egoísmo de alguém. Do fim, do desejo do fim disto tudo.
Gosto da inconstância do "eu" da música, que é bem humano, que por hora ergue-se forte para evitar que o erro seja cometido novamente (com armadura e tudo), e que por outra pede que mantenham contato, que é um simples viciado pelo outro, que tenta em vão se livrar.
Algo legal que tem na música e que podemos esticar em uma discussão de bar é a abstinência (aproveitando a palavra da música) que costumamos sentir quando notamos que tudo realmente terminou. Que tudo o que era lindo e maravilhoso acabou, que ficou apenas o vazio. O sentimento de falta, o buraco no estômago sentido, pode muito bem ser comparado à abstinência de algo. A abstinência de um relacionamento que acabou. O desejo de voltar para o tempo em que tudo estava bem, em que o tempo poderia ser aproveitado ao máximo se soubéssemos que acabaria em tragédia, em um fim. Por isso compreendo a fraqueza do "eu", o desejo de se suprir do outro pode ser grande, e você fatalmente se sente um lixo. Um lixo de outro. Um lixo reciclável (aproveitando o clipe).
Queria dizer tanto sobre esta música, mas estou com tanto sono que vou deixar minha análise assim, incompleta, imperfeita. Como a música."