""te vejo errando e isso não é pecado
exceto quando faz outra pessoa sangrar"
Ela quer dizer que mesmo eles tendo uma grande amizade, ele está com outra e e a segunda parte é que ela está sofrendo e/ou se cortando de tanto sofrer por amor, pois ela o ama muito
"Te vejo sonhando e isso dá medo
Perdido num mundo que não dá pra entrar"
Ele está fazendo planos para o futuro e ela não está incluída nestes planos, por isso ela está com medo e diz que não há como entrar nesse mundo de sonhos que ele cria
"Você está saindo da minha vida
e parece que vai demorar"
Ele está concretizando os planos que ele estava sonhando, só que isso levaria um tempo, por isso a demora
"Se não souber voltar ao menos mande notícia
cê acha que eu sou louca mas tudo vai se encaixar"
na primeiro verso ela diz isso a ele "se não souber voltar ao menos mande notícia" pois os planos estão quase concretizados, ou seja ele já está quase indo embora da vida dela, então ele responde algo do tipo "você é louca", pois ele não percebe o que ela está passando e o que vai acontecer entre eles, já ela lhe diz que tudo vai se encaixar pq ela conseguiu entender o que vai acontecer entre eles.
"Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia"
Ela está aproveitando os últimos segundos ao lado dele, antes que... A "tragédia" aconteça, a tragédia é/são a(s) consequência(s) de quando ele for embora, como se algo muito ruim fosse fosse acontecer após ele a deixar, como ela sofrer, entrar em depressão, etc. Mas ela não sabe exatamente quais serão as consequências por isso as chama de "tragédia"
E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu
Ou seja, depois que ele foi embora, ele começou a sentir falta dela e percebeu que a amava e que havia cometido um erro e ela diz responde isso à ele:
"E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu"
Essa parte é o refrão, creio eu, que mesmo ela sofrendo na música toda, nessa parte ela "da a volta por cima"
"Você tá sempre indo e vindo, tudo bem
Dessa vez eu já vesti minha armadura
E mesmo que nada funcione
Eu estarei de pé, de queixo erguido
Depois você me vê vermelha e acha graça
Mas eu não ficaria bem na sua estante"
Ele está sempre passando por ela e que ela o vê todo dia, deviam ser vizinhos e/ou estudavam na mesma escola, e com a "armadura" ela diz estar preparada para vê-lo distante (emocionalmente dela) ou contra garota, como assim? Tipo quando você vê seu/sua crush e por ele não sentir por você o mesmo que você sente por ele/ela, você fica triste, magoado, etc.
E mesmo se a "armadura" não funcionar ela estará "de pé de queijo erguido" ou seja não vai deixar deixar desanima-lá, entristece-lá, etc. Mas mesmo ela dizendo isso, ela fica vermelha (tipo aquelas pessoas bem brancas que quando ficam com vergonha ou timidez ficam com a bochecha vermelinha) e ele ri da cara dela. Quando essa situação acontece ela responde mentalmente pra ele "mas eu não ficaria bem na sua estante" ou ela se recorda dessa cena em uma discussão futura à cena com ele e da essa resposta. Essa resposta (mas eu não ficaria bem na sua estante, significa que ela gostava dele, mas não queria ficar na segunda opção, não queria ficar la juntando pó na estante até o que dia que ele quisesse "usá-la" pois ela conclui que se ele a amasse ele estaria sempre com ela, não só quando ele precisasse de uma melhor amiga ou uma segunda opção).
"Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia"
Mesmo ela tentando negar com todas as forças que o ama, ela ainda sabe o que sente por ele, e por isso continua igual trouxa aproveitando os segundos ao lado dele, ainda que ela esteja tentando se preparar mentalmente para parar com isso e fracassando.
"Só por hoje não quero mais te ver
Só por hoje não vou tomar minha dose de você
Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se curam
E essa abstinência uma hora vai passar…"
Ela compara ele à uma droga, que ela se viciou, e que os efeitos dessa "droga" criam feridas por dentro que doem e não se fecham, não se curam, que a fazem sofrer cada vez mais, por isso ela está tentando se afastar dele e enfrentar a crise de abstinência, do que continuar sofrendo sem saber se um dia ele ele tomaria jeito e as feridas acabariam (é horrível essa crise, só quem já passou por isso, sabe como é, eu por exemplo já passei por isso com computador e com um verdadeiro amor, a do amor foi muito pior que a do computador)"
"Ao lermos a letra inteira, vemos que a música fala de relacionamento. Mas vamos aos poucos.
"Te vejo errando e isso não é pecado
Exceto quando faz outra pessoa sangrar"
O "eu" quem fala afirma para um "alguém" que errar é inerente a todos, mas o problema é quando isso fere o outro (provavelmente este outro é o próprio "eu" quem fala).
"Te vejo sonhando e isso dá medo
Perdido num mundo que não dá pra entrar"
Aqui temos algo interessante. Primeiro, a letra. Ao analisarmos toda a letra da música, podemos imbuir que este sonho do outro, nada mais é que o modo de vista dele, ou para o relacionamento, ou para com o mundo. O "eu" discorda deste ponto de vista (a palavra disfórica "perdido" reforça a tese disto). Deixando um pouco de lado a análise fria, o modo como são colocados os versos, podemos arriscar que o "eu" acusa o outro de estar vivendo uma realidade utópica.
O ponto interessante fica para a referência que podemos linkar com as obras 'Alice no Pais das Maravilhas' e o 'Mágico de OZ' (como na referência do clipe, algo que não gosto de comparar em conjunto), sobre estar perdido em sonhos.
"Você está saindo da minha vida
E parece que vai demorar"
O "eu" revela algo que prevê. A saída do outro de sua vida, ou o fim do relacionamento.
"Se não souber voltar ao menos mande notícia
Cê acha que eu sou louca
Mas tudo vai se encaixar"
O "eu" pede que, pelo menos, que mantenham um mínimo de contato. E aqui podemos entender que o outro não acredita na previsão do "eu" ("cê acha que sou louca"), que por sua vez fala que tudo fará sentido no futuro ("tudo vai se encaixar").
"Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia"
Aqui temos a decisão do "eu" de experenciar ao máximo o relacionamento, antes que ele propriamente termine ("vire uma tragédia").
"E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu
E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu"
O refrão. O "eu", como uma auto-afirmação, defende sua singularidade (afinal, somos seres únicos, certo?), que o outro não encontrará em outros. O "eu" antecipa o outro com quem fala, alertando que o amor agora não correspondido não poderá ser encontrado mais depois em outro lugar. Não como aquele.
"Você tá sempre indo e vindo, tudo bem
Dessa vez eu já vesti minha armadura
E mesmo que nada funcione
Eu estarei de pé, de queixo erguido
Depois você me vê vermelha e acha graça
Mas eu não ficaria bem na sua estante"
Ah, o mais interessante dos estrofes. O "eu" revela que isto (o fim do relacionamento) já aconteceu algumas vezes antes ("Você tá sempre indo e vindo, tudo bem"), mostra também, intencional ou não, a inconstância do outro (e do próprio "eu", de certo modo, que insiste no relacionamento). Mas afirma que agora vai ser diferente ("Dessa vez eu já vesti minha armadura/ E mesmo que nada funcione/Eu estarei de pé, de queixo erguido). O "eu" está preparado agora para o fim definitivamente, até as últimas consequências, mesmo que nada do que ele planejou não funcione.
"Depois você me vê vermelha e acha graça
Mas eu não ficaria bem na sua estante"
Continuando a estrofe interessante, temos a afirmação, ou protesto do "eu", em relação ao relacionamento. Defende que não é um objeto, um brinquedo que pode ser usado pelo outro como bem entender ("Mas eu não ficaria bem na sua estante"). Não se brinca com o sentimento dos outros.
"Só por hoje não quero mais te ver
Só por hoje não vou tomar minha dose de você
Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se curam
E essa abstinência uma hora vai passar…"
Apesar de ainda manter a estrutura de conversa como nas outras estrofes, nota-se um tom bem mais intimista, como se o "eu" falasse para si somente. Revela-se a necessidade que este sente pelo outro, comparado aqui como um vício, e o desejo que isto seja superado. E o desejo de se livrar disso, de se livrar da dor.
Conclusão e muitas pitadas pessoais com pouco embasamento:
A letra é linda, fala de algo que todos passamos ou passaremos um dia, do amor complicado, do amor não-correspondido, da falta de amor-próprio, da submissão ao egoísmo de alguém. Do fim, do desejo do fim disto tudo.
Gosto da inconstância do "eu" da música, que é bem humano, que por hora ergue-se forte para evitar que o erro seja cometido novamente (com armadura e tudo), e que por outra pede que mantenham contato, que é um simples viciado pelo outro, que tenta em vão se livrar.
Algo legal que tem na música e que podemos esticar em uma discussão de bar é a abstinência (aproveitando a palavra da música) que costumamos sentir quando notamos que tudo realmente terminou. Que tudo o que era lindo e maravilhoso acabou, que ficou apenas o vazio. O sentimento de falta, o buraco no estômago sentido, pode muito bem ser comparado à abstinência de algo. A abstinência de um relacionamento que acabou. O desejo de voltar para o tempo em que tudo estava bem, em que o tempo poderia ser aproveitado ao máximo se soubéssemos que acabaria em tragédia, em um fim. Por isso compreendo a fraqueza do "eu", o desejo de se suprir do outro pode ser grande, e você fatalmente se sente um lixo. Um lixo de outro. Um lixo reciclável (aproveitando o clipe).
Queria dizer tanto sobre esta música, mas estou com tanto sono que vou deixar minha análise assim, incompleta, imperfeita. Como a música."