Vanguarda lançada na Exposição Nacional de Arte Concreta (1956) por Augusto de Campos, Haroldo de Campos e Décio Pignatari (Grupo Noigandres), seguida pela dissidência sensorial do Neoconcretismo (Ferreira Gullar).
📜 CONTEXTO HISTÓRICO & SOCIAL
Industrialização acelerada dos anos 1950, nascimento da televisão, publicidade gráfica moderna, arquitetura de Brasília e diálogo com a Tropicália.
📐 MANIFESTO & DIRETRIZES ESTÉTICAS
Abolição do verso linear tradicional em favor do espaço gráfico da página como campo de forças; palavra tratada na sua dimensão "verbivocovisual" (som + forma visual + sentido semântico simultâneos).
“Devia ter amado mais / Ter chorado mais”
“Caminhando contra o vento / Sem lenço e sem documento”
“Olhei até ficar cansado / De ver os meus olhos no espelho”
“Tem dias que a gente se sente / Como quem partiu ou morreu”
“Alguma coisa acontece / No meu coração”
“O pulso ainda pulsa / O pulso ainda pulsa”
“Existirmos: a que será que se destina? / Pois quando tu me deste a rosa pequenina”
“Quando eu me encontrava preso na cela de uma cadeia / Foi que vi pela primeira vez as tais fotografias”
“gosto muito de te ver leãozinho / caminhando sob o sol”
“Me larga, não enche / Você não entende nada”
“Abacateiro acataremos teu ato / Nós também somos do mato como o pato e o leão”
“Sobre a cabeça os aviões / Sob os meus pés, os caminhões”
“Fonte de mel / Nos olhos de gueixa”
“Todo dia o sol da manhã / Vem e lhes desafia”
“Estava a toa na vida / O meu amor me chamou”
“Um dia vivi a ilusão de que ser homem bastaria / Que o mundo masculino tudo me daria”
“Eu quis cantar / Minha canção iluminada de sol”
“Criar meu web site / Fazer minha home-page”
“Meu pai não tinha educação / Ainda me lembro, era um grande coração”
“Um dia a areia branca / Seus pés irão tocar”
“A mãe da virgem diz que não / E o anúncio da televisão”
“I'm wandering round and round, nowhere to go / I'm lonely in London, London is lovely so”
“A Rita levou meu sorriso / No sorriso dela”
“O rei da brincadeira / Êh José!”
Termo emprestado de James Joyce que define o poema concreto como uma estrutura que atua ao mesmo tempo no nível semântico (verbi), sonoro/fonético (voco) e gráfico/espacial (visual).
Gullar considerava o Concretismo paulista excessivamente matemático e mecanicista; no Manifesto Neoconcreto (1959) e depois nos CPCs da UNE, ele defendeu uma arte mais orgânica, subjetiva e posteriormente engajada nas questões sociais.
Além de inspirar diretamente a Tropicália nos anos 60, a estética concretista moldou a obra de Arnaldo Antunes (nos Titãs e carreira solo, como em "O Pulso" e "Nome") e os haicais/epigramas de Paulo Leminski.