As duas vertentes poéticas do final do século XIX: o Parnasianismo da "arte pela arte" e ourivesaria métrica (Olavo Bilac, Raimundo Correia, Alberto de Oliveira) e o Simbolismo musical, místico e sinestésico (Cruz e Sousa, Alphonsus de Guimaraens).
📜 CONTEXTO HISTÓRICO & SOCIAL
Abolição da Escravatura (1888), Proclamação da República (1889) e reformas urbanas da Belle Époque no Rio de Janeiro.
📐 MANIFESTO & DIRETRIZES ESTÉTICAS
No Parnasianismo: culto à forma perfeita (soneto decassílabo ou alexandrino), rimas ricas, vocabulário erudito e trabalho de "ourives" sobre o verso ("Profissão de Fé"). No Simbolismo: sugestão em vez de descrição, sinestesia, aliterações musicais e transcendência espiritual.
“Quando Ismália enlouqueceu, Pôs-se na torre a sonhar...”
“Gargalha, ri, num riso de tormenta...”
“Ó Formas alvas, brancas, Formas claras...”
“Última flor do Lácio, inculta e bela...”
“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo Perdeste o senso!...”
“Invejo o ourives quando escrevo: Imito o amor...”
“De onde ela vem?! De que matéria bruta...”
“Meia-noite. Ao meu quarto me recolho...”
“Vês! Ninguém assistiu ao formidável Enterro de tua última quimera...”
O Parnasianismo busca a escultura plástica visível, racional e descritiva ("arte pela arte"), enquanto o Simbolismo busca a música invisível, o mistério do inconsciente, a sinestesia e a espiritualidade.
A aliteração (repetição de sons consonantais, como o som de /v/ e /s/ em "Vozes veladas, veludosas vozes") e a sinestesia (cruzamento de sentidos, como "formas alvas, brancas, formas claras").
Porque embora mantenha a perfeição formal do soneto decassílabo e das rimas ricas, Bilac expressa um subjetivismo amoroso ardente ("Ama, com fé e orgulho, a quem te ama / Só quem ama pode ter ouvido capaz de ouvir e de entender estrelas").