Geração de poetas dos anos 1970 que produzia e distribuía seus próprios livros artesanais rodados em mimeógrafo, vendidos de mão em mão em bares, teatros e portas de cinema à margem das grandes editoras e da censura.
📜 CONTEXTO HISTÓRICO & SOCIAL
Anos de Chumbo da Ditadura Militar pós-AI-5, censura prévia estatal, desbunde contracultural e busca de liberdade cotidiana e corporal.
📐 MANIFESTO & DIRETRIZES ESTÉTICAS
Poema curto, instantâneo ("poema-minuto"), coloquialismo radical, gírias urbanas, humor irônico, mistura entre diário íntimo, carta e flash fotográfico do cotidiano.
“-"Um dia, numa rua da cidade / Eu vi um velinho”
“O que será que me dá / Que me bole por dentro, será que me dá”
““Eu que já andei pelos quatro cantos do mundo procurando”, / “Foi justamente num sonho que ele me falou””
“Mirem-se no exemplo / Daquelas mulheres de Atenas”
“Quando, seu moço, nasceu meu rebento / Não era o momento dele rebentar”
“Pai, afasta de mim esse cálice / Pai, afasta de mim esse cálice”
“Muitas vezes, Pedro, você fala / Sempre a se queixar da solidão”
“Essa noite eu tive um sonho / de sonhador”
“Eu devia estar contente / Porque eu tenho um emprego”
“Numa folha qualquer / Eu desenho um sol amarelo”
“Amor da minha vida / Daqui até a eternidade”
“Caminhando contra o vento / Sem lenço e sem documento”
“Meu partido / É um coração partido”
“Olhei até ficar cansado / De ver os meus olhos no espelho”
“Ainda é cedo amor / Mal começaste a conhecer a vida”
“Alguma coisa acontece / No meu coração”
“Não me convidaram / Prá esta festa pobre”
“Se eu quiser falar com Deus / Tenho que ficar a sós”
“Plantei um sítio / No sertão de Piritiba”
“Me dê um porco vivo / Para eu encher minha pança”
“Ah Ah Ah! / Ah Ah Ah!”
“Disparo contra o sol / Sou forte, sou por acaso”
“Amou daquela vez / Como se fosse a última”
“Veja / Não diga que a canção está perdida”
Porque os poetas utilizavam o mimeógrafo a álcool (equipamento escolar de reprodução manual) para imprimir tiragens independentes de seus poemas, driblando tanto a censura oficial quanto o bloqueio das grandes editoras.
A antologia "26 Poetas Hoje" (1976), organizada pela crítica literária Heloisa Buarque de Hollanda, reunindo nomes como Ana Cristina Cesar, Cacaso, Chacal, Torquato Neto e Waly Salomão.
A fusão genial entre a tradição erudita/oriental (o haicai japonês e a Poesia Concreta) e a cultura pop/coloquial brasileira (trocadilhos rápidos, humor, ditados populares reprogramados e letras de MPB).