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Pedro Guerra
08 Jun, 2013
"De fato, a letra possui muitas interpretações.
A minha interpretação é essa:
"Monstro invisível que comanda a horda
Arrasando tudo o que é de praxe"
Para Thomas Hobbes, o homem em "estado natural" desconhece as leis e a idéia de Justiça. Todos têm direito a tudo e, para conseguir o que desejam, lançam mão da força e da astúcia. A conseqüência é a "guerra de todos contra todos" (Bellum omnium contra omnes).
A única forma de refrear essa guerra seria realizando o pacto social, quando todos abrem mão de seu direito em nome de um único soberano. O governo central seria uma espécie de monstro - o Leviatã - que concentraria todo o poder em torno de si, e ordenando todas as decisões da sociedade.
O pacto de Hobbes requer um governo absoluto, daí sua defesa da monarquia, simbolizada na figura do monstro bíblico.
No caso, o Estado, sendo uma ficção jurídica, que é algo invisível, seria, portanto, o “monstro invisível”. O Estado é que comanda a horda (sinônimo de multidão; povo em desordem, tribo).
Aqui, seria uma crítica ao Estado, pois, no Brasil, como de costume, as ações estatais são ineficientes, “arrasando tudo que é de praxe”.
"Eles já sabiam, mas deixaram a sina guiar a sorte"
As autoridades já sabiam o resultado do descaso social, porém, deixaram os desamparados serem guiados pela própria sorte. Daí, surge a questão do envolvimento de jovens carentes com o tráfico de drogas.
"Ouço lado e sujo, cria do descaso
Alimentando folhas em branco e preto
Outra epidemia desanima quem convive com medo"
O descaso do poder público faz com que a violência aumente. Logo, mais crimes são cometidos, estampando as folhas de jornais ( que são preto e branco ). A epidemia pode ser entendida como as "ondas" de violência.
"Botões e atalhos amplificam a distância
E a preguiça de estar lado a lado veste a armadura
Esse é o poder solitário"
"Botões e atalhos" podem ser entendidos como meios ineficazes de resolver a problemática da desigualdade social, pois não solucionam o problema na fonte. Pelo contrário, deixam os setores da sociedade ainda mais distante.
"A preguiça de estar lado a lado" pode ser compreendido como a indisposição do Poder Público em ouvir os cidadãos carentes. Logo, "a preguiça veste a armadura", isto é, se fortalece.
"Esse é o poder solitário": significa que as ações públicas são implementadas unilateralmente, isolando ainda mais o povo dos seus respectivos representantes eleitos.
"Vejo a minha história com a sua comungar
Vejo a história, ela comungar"
A ênfase dada a esse refrão é a mensagem principal da música.
Essencialmente, quer dizer que as histórias (vidas) dos que convivem em sociedade (sejam ricos ou pobres) em algum momento se entrelaçarão. Exemplo: o "playboy" da Zona Sul do Rio que consome drogas pode estar financiando a arma de fogo que pode lhe tirar a vida (em um assalto) na próxima esquina, ou seja, "a história" dele pode comungar com a do assaltante.
Bem, foi só isso que consegui interpretar.
O Rappa, uma das melhores bandas do Brasil."