De Marília de Dirceu e Espumas Flutuantes a A Rosa do Povo, Morte e Vida Severina e Poemas da Recordação: explore a tese central, os poemas essenciais e as pontes com a MPB.
Obra-prima absoluta da lírica social brasileira, publicada no fim da Segunda Guerra Mundial e do Estado Novo, onde Drummond une angústia existencial, solidariedade política ("Mãos Dadas", "A Flor e a Náusea", "Procura da Poesia") e reflexão metalinguística.
Livro de estreia de Drummond que inaugurou o sujeito poético "gauche" ("Quando nasci, um anjo torto...") e eternizou a repetição hipnótica de "No Meio do Caminho" e o lirismo irônico de "Quadrilha".
Epopeia lírica composta por 85 romances que reconstroem a conjuração mineira de 1789, a ambição do ciclo do ouro, a traição de Joaquim Silvério dos Reis e o martírio de Tiradentes, Tomás Antônio Gonzaga e Cláudio Manuel da Costa.
Marco de consolidação da liberdade modernista, reunindo poemas-manifesto como "Poética" ("Estou farto do lirismo comedido"), "Pneumotórax", "Evocação do Recife" e a utopia libertária de "Vou-me Embora pra Pasárgada".
Virada filosófica e formal de Drummond no contexto da Guerra Fria: retorno ao decassílabo, ao soneto e à meditação ontológica sobre o tempo, o nada, a memória familiar ("A Mesa") e a recusa desencantada em "A Máquina do Mundo".
Único livro publicado em vida pelo "Poeta dos Escravos", ao lado dos poemas abolicionistas de Os Escravos ("O Navio Negreiro", "Vozes d'África"), combinando oratória grandiosa, hipérboles cósmicas e denúncia veemente da escravidão.
Conjunto de liras pastoris divididas entre a idealização campestre (Locus Amoenus, Fugere Urbem, Carpe Diem) da 1ª parte e o tom pré-romântico de dor e justiça escrita na masmorra da Ilha das Cobras após a prisão na Inconfidência Mineira.
Obra emblemática do spleen romântico brasileiro, dividida em duas faces ("Ariel" — lirismo angelical, saudade da infância e sonho amoroso; e "Caliban" — ironia byroniana, humor macabro e quebra da idealização).
Obra singular na literatura mundial que funde rigor métrico parnasiano, sonoridade simbolista, angústia expressionista e vocabulário da biologia e da química ("carbono", "verme", "átomo", "putrefação") em sonetos inesquecíveis.
Reunião dos célebres sonetos parnasianos de Olavo Bilac, unindo o trabalho de ourives da linguagem em "Profissão de Fé", o lirismo amoroso de "Via Láctea" ("Ora (direis) ouvir estrelas!") e a exaltação histórica em "Língua Portuguesa".
Auto de Natal Pernambucano que acompanha a trajetória do retirante Severino desde o sertão seco do rio Capibaribe até os mangues do Recife, musicado de forma histórica por Chico Buarque em 1966 ("Funeral de um Lavrador").
Marco que uniu a alta tradição do soneto camoniano ("Soneto de Fidelidade", "Soneto de Separação") à reinvenção da canção popular brasileira ao lado de Tom Jobim, Baden Powell e Toquinho.
Obra inaugural do Simbolismo no Brasil, escrita pelo poeta negro catarinense filho de pais escravizados, célebre pela musicalidade aliterante ("Vozes veladas, veludosas vozes"), pela sinestesia e pelo grito de revolta racial em "Emparedado".
Antologia poética obrigatória nos grandes vestibulares brasileiros, na qual Conceição Evaristo cunha na prática o conceito de "escrevivência" em poemas monumentais como "Vozes-Mulheres", "Da Calma e do Silêncio" e "Certidão de Óbito".
Síntese elétrica entre o rigor visual da poesia concreta, a leveza zen do haicai japonês, o humor coloquial da geração mimeógrafo e a canção pop brasileira (parcerias com Caetano Veloso, Moraes Moreira, Arnaldo Antunes e Itamar Assumpção).