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Daniel Gomes Ribeiro
23 Ago, 2016
"A filosofia nos fala sobre a diferença entre o que é FUNDAMENTAL E ESSENCIAL.
Essa música é, obviamente, uma crítica ao sistema ditatorial no Brasil marcado pela cegueira espiritual/social, onde a cultura, a liberdade, a ideologia etc, perdiam espaço...
Raul quer nos dizer que a ditadura, a partir da oferta, apenas, do que era fundamental, desejava suprir e avassalar o essencial... O essencial para qualquer governo anti-democrático é um grande perigo.
A música utiliza a ironia como protesto, pois hora hora nenhuma ele fala que devia estar alegre ou feliz por ter conquistado coisas essenciais... Apenas pelas fundamentais...
Contudo, o "devia" mostra, também, que ele "não está"... Mas pelo o que o sistema o impunha como felicidade, ele "devia"...
O próprio nome da música é irônico... "Ouro de tolo".
Ele diz:
"Eu devia estar contente" (Por um emprego)
"Eu devia agradecer ao Senhor" (Por sucesso)
"Eu devia estar feliz" (Por comprar um carro)
"Eu devia estar alegre e satisfeito" (Por ter enriquecido)
"Eu devia estar sorrindo e orgulhoso" (Por ter "vencido na vida")
"Eu devia estar contente" (Por ter conseguido tudo o que quis - acima)
Após uma enxurrada de vitórias materiais ele começa a acusação fatídica quando declara:
"Eu devia estar contente
Por ter conseguido tudo o que eu quis
Mas confesso abestalhado
Que eu estou decepcionado
Porque foi tão fácil conseguir
E agora eu me pergunto: E daí?
Eu tenho uma PORÇÃO DE COISAS GRANDES
Pra conquistar, e eu não posso ficar aí parado"
Essas tais coisas grandes podemos compreender como as essenciais à vida.
Ele acusa, como dito anteriormente, de forma irônica, o excesso de horas na jornada de trabalho...
"Eu devia estar feliz pelo Senhor
Ter me concedido o domingo
Pra ir com a família
No Jardim Zoológico
Dar pipoca aos macacos"
Mas não é isso o que ele quer... Isso é, apenas uma vida animal, fundamental... Ele quer ser sujeito da sua vida. Quer poder vivenciar tudo o que é essencial... Tudo aquilo que, de fato, o torna humano...
"Ah! Mas que sujeito chato sou eu
Que não acha nada engraçado
Macaco, praia, carro
Jornal, tobogã
Eu acho tudo isso um saco…
É você olhar no espelho
Se sentir
Um grandessíssimo idiota
Saber que é humano
Ridículo, limitado
Que só usa dez por cento
De sua cabeça animal…"
Ele acusa o sistema que vê a vocação pelo prisma fundamental, ou seja, o serviço em si, e, não pelo ponto de vista essencial que é, independente da profissão, o seu chamado ao servir o outro, a sociedade, a Deus, a vida!
"E você ainda acredita
Que é um doutor
Padre ou policial
Que está contribuindo
Com sua parte
Para o nosso belo
Quadro social…"
Por fim, vem o grito de liberdade! O grito de quem não concorda com o sistema alienante, que resume a vida a uma falsa liberdade, a uma falsa felicidade, a partir de conquistas, apenas, capitais...
"Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar…"
Ele termina a música afirmando que longe do sistema de capital simbolizado pelos EUA...
"Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais"
...Ele vê a esperança vindo de cima, do alto...
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador…"
"Voces perceberao ai exatamente a critica do raul ao modo de vida normal de todo mundo olha,poxa eu fiz sucesso consegui comprar um carro do ano um corcel 73 eu devia estar feliz comprei um apartamento a beira mar nos bairros mais carros e chiques do rio de janeiro mas confesso abestalhado que estou decepcionado,por nao ser feliz,nao encontrou a razao,ele fez sucesso como todo mundo almeja,todo cidadao comum na sociedade almeja comprar um carro do ano,comprar uma casa,morar num lugar maravilhoso,mais as pessoas que chegam la percebem que tudo isso e vazio,lutou a vida inteira que nem um doido,um doente mental para conquistar.E ai chega....e ai,nao tem nada e um vazio,ai começa a depressao,comeca vim a angustia,pq nao tem sentido as pessoas lutam,e lutam para viver uma vida sem sentido.
E muito claro quando ele fala...e vc ainda acredita que e um doutor,um padre,um policial que esta contribuindo com sua parte para esse belo quadro social,em todas a musicas do raul ele retrata as mesmas coisas,a repressao,a mesmice,a tolice vc vai ver que ele prefere fazer uma transformacao em sua vida,mudar parametros profundos,para ter uma nova busca,uma nova conciencia,ele começa ir atras,O Raul vai atras das filosofias indianas tambem,vai atras de grandes mestres,vai atras da magia,procurar solucoes pessoas que fizeram essas revolucoes no passado,quiseram sair da mesmice,buscarao uma nova trancendencia.
vc v nossa sociedade e tao idiota que quando se aposentao nao tem mais o que fazer da vida,fazer o que?ficar sentado jogando baralho no banco da praça?olhando um pra carra do outro?Nao sabem ler um livro,nao sabem estudar,buscar conhecimento,sabedoria,os carras tem tempo e nao sabem o que fazer com o tempo,foram tao androidizados a fazer so aquilo,que eles nao sabem mais viver,ser felizes e ai so dormem a base de remedios,pq sao depressivos,sao angustiados,vivem mais em casa,mal com a familia pq nao tem mais o que fazer na vida,parece que deixou de existir a vida,parece que acabou so estao esperando a morte chegar.Por isso que o raul fala...eu que nao me sento em um trono em um apartamento com a boca cheia de dentes esperando a morte chegar pq eu sei que de longe dessas cercas embandeiradas que separam os quintais,que sao as fronteiras dos paises,no meu culme e calmo do meu olho que ve a sombra sonora de um disco voador.
O disco voador sempre foi para o Raul sinal de uma coisa cosmica de uma coisa trancendente de uma mensaguem superior de algo que existe nose universo,e so vc olhar as estrelas e v um universo gigantesco ai,e se vc nao for buscar conhecimento vc fica trelado a esse mundo quadrado,esse mundo depressivo,onde a unica saida das pessoas e encher a cara na bebida,para tentar ser feliz.
e muito interpretativo as musicas do Raul espero ter ajudado!!"