"Nesta linda homenagem, Caetano Veloso nos ensina com sua música que a identidade cultural é aquilo que aproxima e une os indivíduos, formando a base para que uma pessoa se sinta pertencente a um grupo social, pois não se obtém isto apenas dividindo um espaço comum ou só praticando atividades no meio em que se está inserido. É preciso mais.
E o mergulho de Caetano na cultura paulistana é intenso, passando pela música, pela poesia, pelos movimentos de vanguarda, pela arquitetura, por questões ambientais, políticas e sociais.
Como a se sentir parte do todo, o poeta, inspirado, compôs Sampa, que não é só uma música, ela é um verdadeiro hino, que foi feito de coração para homenagear a capital desta linda terra. É difícil que alguém diga que não sabe cantar sua melodia, com sua letra que diz muito sobre a experiência de um baiano ao chegar de ônibus em São Paulo.
SAMPA – CAETANO VELOSO
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruzo a Ipiranga e a avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas
Ainda não havia para mim Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E a mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos mutantes
E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vende outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso
Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva
Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
Mais possível novo quilombo de Zumbi
E os novos baianos passeiam na tua garoa
E novos baianos te podem curtir numa boa
ANÁLISE DA LETRA DA MÚSICA “SAMPA”
Alguma coisa acontece no meu coração
Enquanto Vinicius de Morais provocava os amigos, ao dizer que São Paulo era o túmulo do samba,Caetano iniciou sua linda homenagem à cidade de maior força econômica brasileira, enaltecendo seus mitos e seus símbolos. Ele começou SAMPA fazendo uma paráfrase musical de RONDA, do poeta e compositor Paulo Vanzolini (Ronda, que foi lindamente interpretada por Maria Betânia, irmã do poeta e cantor baiano).
Prova disso é que quando João Gilberto toca Sampa, ele sempre inicia com o último verso da criação inesquecível de Vanzolini: “Cenas de sangue num bar na avenida São João”, que musicalmente casa com perfeição com “Alguma coisa acontece no meu coração”. Durante a música, Caetano retomou esse artifício melódico para deixar claro que não foi uma construção feita por mero acaso…
Que só quando cruzo a Ipiranga e a avenida São João
E Caetano nem desconfiava que naquele momento, em 1965, estaria imortalizando o mais famoso cruzamento do Brasil: a Ipiranga com a São João. Ali ele desceu, vindo da cidade maravilhosa, cheia de praias, encantos e belezas, apregoados por seu amigo e parceiro Gilberto Gil em Aquele Abraço, antes de seguir para o exílio (nela, Gil homenageia os baianos Dorival Caymmi, João Gilberto e Caetano Veloso).
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Ele, que havia se acostumado com o Rio de Janeiro e sua descontração, pisou na selva de concreto, como era conhecida, e ficou chocado com o que via, pois ali não daria para viver “sem lenço e sem documento”, mas teria que acompanhar o ritmo frenético paulistano, com sua diversidade cultural e sua vida noturna encantadora.
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas
Caetano, numa sacada genial, associa o Movimento Poético do Concretismo com as esquinas de São Paulo, uma clara referência aos poetas paulistas Augusto e Haroldo de Campos. Naquela época ainda não havia o São Paulo Fashion Week, e o Rio é que ditava a moda, embora a endumentária de um dos pais do Tropicalismo fosse de uma extravagência sem medidas, o que atraía risinhos discretos daquelas meninas que passavam bem perto dele. Meninas que não eram bem o estereótico da Garota de Ipanema (composição de Vinicius de Moraes de 1962), que quando caminhava, cheia de graça, gingava num doce balanço a caminho do mar e não a caminho do trabalho, como era o caso das paulistanas, em suas roupas de escritório.
Ainda não havia para mim Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
No afã de ressaltar os valores da terra da garoa, o poeta apresenta para o Brasil aquela que ainda não era tão badalada, mas que logo se consagraria como a rainha do rock, a cantora e compositora Rita Lee, líder da banda Os Mutantes (em companhia de Arnaldo Baptista e Sérgio Dias). Com o tempo, como a vaticinar a profecia de Caetano, a roqueira foi considerada a maior tradução daquilo que é São Paulo.
Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
Há muitas rivalidades entre o Rio e São Paulo, mas, deixando o bairrismo de lado, e toda a violência, o Rio de Janeiro continua lindo. Sempre foi e dificilmente deixará de sê-lo. Com tantas imagens dos recortes mágicos daquele belíssimo litoral, o baiano se assustou com tantos prédios e tanta modernidade de suas linhas arquitetônicas.
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E a mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos mutantes
E o lado narcisista de Caetano aflorou, pois ali não enxergou a beleza que nele refletia, através do seu espelho interior. Tudo que vem de encontro ao que você pensa e de como vê o mundo, choca, causando impactos, deixando a sensação de expectativa frustada. Ele desejaria ser mutante para rapidamente transformar o impacto primeiro e o pavor causado em sua mente.
E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vende outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso
São Paulo é assim: você se assusta no começo, mas depois se apaixona e não consegue mais sair de suas entranhas. Caetano, que vinha de um sonho “feliz cidade”, isto é, de um sonho chamado felicidade,aprendeu depressa que aquele novo mundo era a própria realidade. Não um viver de ficção, mas a cara de um Brasil que luta para tornar esta nação maior.
Porque São Paulo é o próprio avesso de outras realidades brasileiras. Na letra, ao falar do “avesso”, na verdade Caetano dialoga com o poeta paulista Décio Pignatari, que fundou com Augusto e Haroldo de Campos o movimento estético do Concretismo, que punha ênfase no avesso das formas e brincava com a estética dos versos e das palavras.
Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Como megalópolis, São Paulo vive formando filas, para pôr ordem na casa, senão tudo se transforma em caos urbano. O paulistano adora suas “vilas”, que são os chamados bairros em outras capitais. A própria capital paulista se chamava Vila de São Paulo, da mesma forma hoje muitos “points” se encontram nas suas famosas vilas, espalhadas nas áreas nobres e também nas menos favorecidas. Como o Rio de Janeiro, São Paulo também possui suas favelas, onde vivem aqueles de menor renda aquisitiva, mas que abrigam a mão de obra que move a maior economia da América do Sul. Tudo isso não passou despercebido por Caetano Veloso, que descreveu em pormenores sua musa, que não dista daquilo que ela é ainda hoje.
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
O crescimento sustentável é o sonho dos ambientalistas e crescer sem causar impactos é uma meta a ser alcançada por aqueles empresários que não apenas desejam o enriquecimento, mas buscam também a manutenção do ecossistema existente em suas áreas de atuação, procurando manter as coisas belas, sem destruir completamente a natureza. Aqui a gente percebe já naquela época a preocupação de Caetano com as causas ambientais.
Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas
Para Caetano, apagar as estrelas com a fuligem da fumaça é como roubar do poeta sua fonte de inspiração.
Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços
Mais uma referência aos poetas e irmãos Augusto e Haroldo de Campos, construtores de versos poéticos que brincavam com os espaços, sem a preocupação da rima ou da musicalidade, mas sim da forma.
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva
Uma clara homenagem ao teatro paulistano que fazia “Oficinas de Florestas” nas mãos do diretor José Celso Martinez Corrêa. Já “deuses da chuva” é uma referência clara à obra do seu amigo e poeta Jorge Mautner, que escreveu “Deuses da Chuva e da Morte” (Editora Martins – 1962).
Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
Mais possível novo quilombo de Zumbi
E os novos baianos passeiam na tua garoa
E novos baianos te podem curtir numa boa
Aqui no final, o poeta enaltece os Novos Baianos, que era composto, entre outros, por Moraes Moreira, Pepeu Gomes de Baby. Usa o nome do grupo para se referir a todos aqueles que vêm para São Paulo em busca de melhores oportunidades de vida.
São Paulo é um misto de raças, de nacionalidade e de culturas. Um “pan” (conjunto, reunião) das pessoas que vêm do Sul e do Norte e de todo lugar, como também dos países vizinhos, em busca de sonhos utópicos que muitas vezes são obrigados a sepultá-los frente à dura realidade. E aquilo que parecia sonho se torna uma prisão, um “novo quilombo de Zumbi”, fazendo-os prisioneiros, vivendo atrelados aos grilhões em filas, vilas e favelas.
A despeito de “Sampa” ter sido composta no final dos anos 70, Caetano procurou colocar nos versos a primeira impressão que teve da grande metrópole quando lá desembarcou, ainda na década de 60. Vindo de um espaço ainda muito ligado à natureza, o baiano sentiu o estranhamento diante de tudo o que viu, e procurou mostrar o conflito estabelecido entre inocência versus ciência, com esta última tornando-se responsável pela destruição dos valores realmente humanos, do aniquilamento e da insignificância do homem na cidade. Este conflito fica bem evidente nos versos: “E foste um difícil começo (…)"
E
Edson Matosinho
28 Maio, 2015
"Coluna do professor Pasquale
Terminei o texto da semana passada com uma referência a esta passagem de "Sampa", de Caetano Veloso: "Alguma coisa acontece no meu coração ("¦) / É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi da dura poesia concreta das tuas esquinas...". Perguntei ao leitor o que entende (além do óbvio) da passagem "da dura poesia concreta das tuas esquinas". Para "ajudar", lembrei que a capital paulista é o berço de um movimento artístico importante.
Pois bem. Que movimento é esse? É justamente o "concretismo" ("...a dura poesia concreta..."), engendrado em São Paulo na década de 40 por Haroldo e Augusto de Campos, Décio Pignatari, José Lino Grünewald, entre outros. No concretismo, a arte materializa (concretiza) visualmente o que expressa, por meio de diversos recursos. Na poesia concreta, o texto não se vale da palavra só como elemento de significado; vale-se dela como elemento também imagético, sonoro, ideogramático, ideográfico. No concretismo, enfim, a palavra é um "tijolo", que participa da construção de uma mensagem visual, sonora, transmitida por uma sintaxe ideogramática.
Vamos traduzir isso com um exemplo concreto (perdão pelo trocadilho), o poema "Beba Coca-Cola", do grande Mestre Décio Pignatari:
Reprodução
Leia de novo, com toda a atenção do mundo, para não se deixar levar pelo piloto automático, isto é, para não ler "beba" onde está escrito "babe", por exemplo. Note a importância do visual e do sonoro para a composição da mensagem do poema, que desemboca no estranhamento causado por "cloaca", palavra que contém os fonemas presentes em "cola", em "coca" e em "caco". Se o leitor não sabe o que é "cloaca", vale a pena ir a um dicionário.
Na letra de "Sampa", ao se referir à poesia concreta, Caetano reitera a importância dessa estética na sua produção e na de outros grandes nomes da poesia musical brasileira, como Gilberto Gil, Walter Franco, Jorge Portugal, Paulo Leminski, Arnaldo Antunes, entre outros. Muitas das letras desses nossos grandes autores devem ser ouvidas com o texto nas mãos, para que a poesia seja não só ouvida, mas também vista.
Por que será que em "Sampa" Caetano escreveu "Eu vejo surgir teus poetas de campos e espaços / Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva"? "Campos" aí é uma referência direta aos irmãos Campos (Haroldo e Augusto), dois dos pais da poesia concreta brasileira. Em "tuas oficinas de florestas", é preciso levar em conta a elipse do verbo: "(vejo surgir) tuas oficinas de florestas", ou seja, as oficinas (= industrialização) surgem das florestas, mas... Mas com "oficinas" Caetano faz referência a um dos mais importantes centros de cultura de São Paulo e do Brasil, o teatro Oficina, fundado em 1958.
E lá vou eu repetir o que já disse aqui inúmeras vezes: a (boa) leitura vai muito além da mera decodificação dos caracteres, letras, palavras etc. É preciso perceber o texto no contexto, o que implica conhecer os assuntos dos quais o texto fala e, consequentemente, conhecer também os textos com os quais ele dialoga. Letra de música não é só um blá-blá-blá para preencher a melodia, sobretudo no caso da (boa) música brasileira, em que as letras muitas vezes são verdadeiras obras-primas. É isso."
S
Sérgio Darwich
12 Fev, 2013
"A primeira vez que ouvi e vi Caetano Veloso cantar Sampa foi na tv, num especial sobre ele, o Caetano, realizado pela tv Bandeirantes, de São Paulo. Me emocionei muito ao ouvir este sama-choro de grande beleza e profundidade poética. Ele traduziu o que é São Paulo de forma precisa, elegante e crítica. Há, no entanto, paulistanos/paulistas burros e de direita, conservadores e cegos, (como há também nordestinos, cariocas, mineiros, gaúchos, paraenses e paranaenses burros, cegos e de direita, pois só entendem o que é bom aquilo que é elogioso e que adere sem críticas e sem alguma pessoalidade aquilo que diz que lhe pertence, como a cidade de São Paulo - que não pertence a ninguém, pois é uma cidade do mundo. Morei por 17 anos em São Paulo e, certamente, é uma ciade mutante, que destrói coisas belas, sim; é só recordar dos lindos casarões da Av. Paulista que foram postos abaixos para que se construíse os espigões que agora estão lá. Há claro a deselegância discreta das moças de São Paulo. E isto é real. Isto quer dizer que muitas meninas lindas de Sampa se vestem mal, combinam mal as roupas. Vestem calsas de moleton com casaco jeans ou vestidos longos roxos com botas brancas, blusas estampadas e casaco de couro azul marinho. São discretas, mas deselegantes. Ao contrário do norte e nordeste onde as meninas, quando são deselegantes são também muito indiscretas e espalhafatosas. Mas eu vejo isso com muito bom humor. ;E, sim, muito engraçado e poético. Tem a dura poesia concreta das esquinas - q nada mais são do que as informações sintéticas das propagandas luminosas do alto dos prédios, que informam, divulgam uma marca de produto com extrema precisão e síntese, que é mais vista do que lida - e isto influenciou a poesia conreta dos poetas concretos de Sampa. caetano cita Deuses da Chuva e da Morte de Jorge Mautner, cita Ronda, cita a poesia concreta, cita Panamérica é um livro de Agripino de Paula, cita a banda Os Mutantes, cita Rita Lee, cita um monte de coisas interessantes e bonitas de Sampa sem deixar de ver que ela tem, sim, muitos problemas e "feiosidades". São Paulo é apaixonante, sem ser bela. Como muitas mulheres que, sem ser bonitas, apaixonam."
S
Sérgio Soeiro
06 Nov, 2008
"A despeito de “Sampa” ter sido composta no final dos anos 70, Caetano procurou colocar nos versos a primeira impressão que teve da grande metrópole quando lá desembarcou, ainda na década de 60. Vindo de um espaço ainda muito ligado à natureza, o baiano sentiu o estranhamento diante de tudo o que viu, e procurou mostrar o conflito estabelecido entre inocência versus ciência, com esta última tornando-se responsável pela destruição dos valores realmente humanos, do aniquilamento e da insignificância do homem na cidade. Este conflito fica bem evidente nos versos: "E foste um difícil começo (...) E quem vem de outro sonho feliz de cidade / Aprende depressa a chamar-te de realidade...". Os versos de “Sampa” expressam o fascínio e a repulsa, o conflito diante do novo e desconhecido, deixando implícita a ambigüidade da questão: Seria a felicidade possível naquela cidade?
Conhecer seus segredos, seus mistérios, encantar-se com sua sedução, atingir o topo das realizações, enfim tornar realidade os seus sonhos, eis o que todos os migrantes esperam ao chegar em “Sampa”.
A emoção ao “cruzar a Ipiranga com a São João” se dá pelo fato que ele desceu do ônibus que veio do Rio de Janeiro cujo ponto final era exatamente naquela esquina. Diante dos seus olhos lá estavam a Cinelândia, o bar Jeca, e o Brahma.
No verso “Da dura poesia concreta e tuas esquinas...” ele faz uma homenagem aos poetas paulistanos criadores do movimento modernista, onde se incluía a poesia concreta.
“A deselegância discreta de tuas meninas...” Se dá pelo fato de que naquele tempo Caetano era uma figurinha um tanto quanto exótica, daí sua grande cabeleira ter chamado a atenção das meninas que cochichavam com risinhos discretos.
Enquanto atravessava a São João para a Ipiranga, ainda atônito, procurava na multidão um rosto com quem pudesse se identificar, e na sua visão tropicalista achou de mau gosto o jeito dos paulistanos, mas também faz uma auto-crítica e considera que o erro estético não está, necessariamente, nos paulistanos, mas sim nele mesmo, pois sua mente se “apavora no que ainda não é mesmo velho / nada do não era antes" (da visão que trazia da sua cidade) e que ele talvez ainda não seja capaz de alcançar aquela modernidade pois ainda não é um “mutante”, e aqui ele faz uma homenagem aos seus amigos do grupo “Mutantes”, bem como à Rita Lee.
Refeito do primeiro impacto, o sentimento seguinte foi de solidão, pois embora no meio da multidão, não encontrava a sua própria imagem refletida nas feições dos paulistanos.
Diante da realidade do momento acha que encontrou o avesso do que sonhava.
Para se justificar da decepção, fala do lado ruim do que vê: filas, poluição, o povo oprimido, da modernidade, o novo excluindo o antigo, tudo tão diferente da simplicidade da sua terra natal.
No verso “da força da grana que ergue e destrói coisas belas...” quer mostrar a dualidade para o bem e para o mal que existe em tudo e em todos.
Quando cita “Panaméricas”, ele se refere a um amigo escritor paulistano, José Agripino de Paula, autor do livro "Panamérica".
“Túmulo do samba” é uma expressão atribuída a Vinicius de Moraes que afirmava que os compositores paulistas não possuíam ritmo e gingado de sambistas, que batizou São Paulo como o túmulo do samba, e considerava que o único local onde se fazia samba de verdade era nos “Quilombos”.
E por fim já aclimatado com a garoa, ele, junto com seus amigos baianos, curtem “Sampa” numa boa."