O tempo e o relógio encarnam a tensão entre o tempo cronológico implacável (Cronos, que devora a juventude e impõe a rotina fabril) e o tempo psicológico/poético da memória e da intensidade afetiva (Kairós).
📜 LINHAGEM LITERÁRIA & MUSICAL
Da lírica barroca e simbolista à reflexão madura de Mario Quintana ("O Tempo"), Carlos Drummond de Andrade ("Mãos Dadas"), Caetano Veloso ("Oração ao Tempo"), Legião Urbana ("Tempo Perdido") e Chico Buarque ("Roda Viva").
🎯 CHAVE DE LEITURA PARA O ENEM & VESTIBULARES
Verifique se o texto personifica o Tempo como um deus criador/transformador ("Oração ao Tempo"), como urgência juvenil ("Temos todo o tempo do mundo") ou como opressão da rotina moderna.
“Todos os dias quando acordo / Não tenho mais o tempo que passou / Mas tenho muito tempo: temos todo o tempo do mundo”
Tempo Perdido — Legião Urbana (1986) →
“És um senhor tão bonito / Quanto a cara do meu filho / Tempo, tempo, tempo, tempo”
Oração ao Tempo — Caetano Veloso (1979) →
“A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.”
O Tempo Passa — Mario Quintana (1980) →
“- Não tinha medo o tal João de Santo Cristo, / Era o que todos diziam quando ele se perdeu.”
“Não quero lhe falar meu grande amor das coisas que aprendi nos discos / Quero lhe contar como eu vivi e tudo o que aconteceu comigo”
“Disparo contra o sol / Sou forte, sou por acaso”
“Parece cocaína / Mas é só tristeza”
“Quem um dia irá dizer / Que não existe razão”
“Todo dia ela faz tudo sempre igual / Me sacode às seis horas da manhã”
“Mirem-se no exemplo / Daquelas mulheres de Atenas”
“Alguma coisa acontece / No meu coração”
“Quando tudo está perdido / Sempre existe um caminho”
“(Crescendo) Amanhã vai ser outro día x 3 / Hoje você é quem manda”
“Sobre a cabeça os aviões / Sob os meus pés, os caminhões”
“Não se afobe, não / Que nada é pra já”
“Estava a toa na vida / O meu amor me chamou”
“Saia do meu caminho, eu prefiro andar sozinho / Deixem que eu decido a minha vida”
“Arrasa o meu projeto de vida / Querida, estrela do meu caminho”
“De tudo que é nego torto / Do mangue e do cais do porto”
“Estátuas e cofres / E paredes pintadas”
“Quando, seu moço, nasceu meu rebento / Não era o momento dele rebentar”
“Pai, afasta de mim esse cálice / Pai, afasta de mim esse cálice”
“Todos os dias quando acordo / Não tenho mais”
“Uma menina me ensinou / Quase tudo que eu sei”
“Amor da minha vida / Daqui até a eternidade”
“Agora eu era o herói / E o meu cavalo só falava inglês”
“Tem dias que a gente se sente / Como quem partiu ou morreu”
Renato Russo articula o paradoxo entre a perda irremediável do passado ("não tenho mais o tempo que passou") e a potência aberta do presente e da juventude ("temos todo o tempo do mundo").
Utilizando o apóstrofe (invocação direta) e a prosopopeia, o eu lírico dirige uma prece filosófica ao Tempo, reconhecendo-o como o compositor de todos os destinos e pedindo equilíbrio entre memória e invenção.
Em "Mãos Dadas" (Sentimento do Mundo, 1940), Drummond recusa a fuga nostálgica para o passado ou para o futuro utópico, afirmando o compromisso ético do poeta com "o tempo presente, os homens presentes, a vida presente".