Um Par

Mesmo quando ele consegue o que ele quis,
Quando tem já não quer!
Acha alguma coisa nova na TV,
O que não pode ter,
E deixa de gostar,
Larga mão do que ele já tem.
Passa então a amar
Tudo aquilo que não ganhou!

Dê motivo pra outra vez acreditar
Na cascata da vez…
Que você comprou assim 0+10
Um presente pra mim
Mas se eu perguntar
De onde veio esse agrado
Você vai gritar!
Diz que é homem feito, sei não!
Ah faça-me o favor!
Diga ao menos o que foi
E se eu faltei em te explicar…
Diz que a gente sempre foi
Um par…

Sai domingo diz que é o dia de jogar
Mas que jogo eu não sei.
Fica até segunda o dia clarear
E troféu não se vê!
Entra sem falar.
Sai correndo e volta outra vez
Sem cumprimentar!
Nem parece aquele!…
Eu rezo, ai deus do céu
Ou alguém no chão
Diga-me o que foi
Que eu deixei faltar!
O que eu não consigo é entender
Como é que um filho meu é tão diferente assim
De mim!
Me faz entender.


Letra Composta por: Rodrigo Amarante
Melodia Composta por:
Álbum: Ventura
Ano: 2003
Estilo Musical:

25 comentários em “Um Par”

  1. Eduardo Ribeiro

    Um pai fala sobre seu filho em uma fase onde este começa a se envolver com pessoas erradas, drogas, talvez crime(…Que você comprou assim 0+10 um presente pra mimMas se eu perguntar De onde veio esse agrado Você vai gritar!). O pai está desnorteado, sem saber qual o motivo do filho ter se envolvido nesse mundo (Diga ao menos o que foi e se eu faltei em te explicar…) o fato do filho gritar e esbravejar com a dúvida do pai de “onde veio” o presente, é uma atitude típica de jovens que começam a se envolver principalmente na venda de drogas, digo que é referente a um fato que está começando pela própria dúvida que o pai tem (Sai domingo diz que é o dia de jogar mas que jogo eu não sei. Fica até segunda o dia clarear), ele começa a desconfiar que há algo de muito errado com seu filho.
    Amarante compõe com muitas metáforas além de escrever de um modo muito cotidiano e abrasileirado, com termos como ” ai deus do céu” que é bem típico de um pai ao saber de algum problema tão grave…
    A música passa por uma evolução, começa com o garoto pequeno, que queria sempre mais, tendo tudo, até sua adolescência, onde o clímax da letra cita as drogas e o crime.

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    1. Rodrigo Cortez

      Acredito que a letra fale sim de um pai preocupado com o filho desvirtuado, mas ao contrário do que se diz, o que vem em minha mente não são drogas e sim, vício em jogos de azar. Apostas. Principalmente quando ele diz (Sai domingo é dia de jogar, mas o jogo eu não sei).
      Tanto é que a música chama-se “Um par”, que é uma combinação de duas cartas do mesmo valor ou naipe do pôquer.

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  2. Davi Figueirêdo

    essa música é de um pai para um filho!!!qndo o filho começa a andar por caminhos q ñ são bons!!ai o pai se pergunta o q fez de errado!!!ai o filho sai dizendo q é pro futebol mas na verdade vai pra outros cantos!!!tmb mostra o drama do pai por tentar entender o filho e pq ele está agindo assim!!!mas tmb vem da criação q sempre ele qria algo novo,e com essa nova vida ele vai conseguir!!!!
    vlw!!!
    eu entendo assim

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  3. pra mim retrata todas as fases de um filho. Não é que ele seja ladrão, ou qualquer coisa do tipo. Só mostra as mudanças do relacionamento entre pai e filho. Como o mundo em geral muda o convivio. É isso.

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  4. “Mas se eu perguntar
    De onde veio esse agrado”

    “Sai domingo diz que é o dia de jogar
    Mas que jogo eu não sei.
    Fica até segunda o dia clarear
    E troféu não se vê!”

    Qualquer coisa em primeira pessoa é discutível, pois apresenta apenas um lado da história. Vide Dom Casmurro.

    Talvez a música mostre a preocupação levada ao extremo que os pais de hoje em dia tem com seus filhos.

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  5. Jones Ribeiro

    Não vejo na letra drogas e nem que o filho é ladrão e vejo sim o consumismo que hoje é excessivamente excessivo, mesmo tendo de tudo, sempre se quer mais, se compra coisas que não são necessárias, e de fato dependendo do filho ele joga mesmo, e eu vejo com os que eu convivo que o jogo e o consumismo aumenta o individualismo, e de fato não se cumprimenta mais… E nao se ganha nada com isso, não há troféu. E depois o agrado, o presente é a forma que ele aprendeu de preencher o espaço vazio pelo individualismo, ele quer comprar o seu pai ou mãe… Mas é só a minha opinião e eu não tenho a menor idéia se ela esta certa ou não se discorda manda ai e discutimos, mas sempre de forma civilizada, abç

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  6. a música fala sobre a adolescência do século XXI, onde tudo é exagerado, onde nada ganha o valor que merece. não acho que seja sobre drogas ou roubo; nos trechos que aqui dizem que ele quis dizer isso, eu interpreto como apenas um sentimento de pai, no qual ele lembra do filho pequeno e sente saudades, não vê mais a mesma pessoa quando olha para o filho já crescido. ele se pergunta se o educou de forma errada, mas na verdade são só hormônios e uma cultura diferente de quando o pai tinha essa idade.

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  7. Este comentário foi o mais sensato que li aqui:
    “Qualquer coisa em primeira pessoa é discutível, pois apresenta apenas um lado da história.”

    Sou um filho do tipo desse citado na música, e posso afirmar que em casos assim, talvez a família seja até mais culpada pelo comportamento que o próprio filho.
    A obsessão por coisas que não se pode ter, seguida do abandono por coisas que já se tem, pode ser reflexo de uma insegurança inconsciente de se apegar a algo, devido a problemas afetivos passados ou presentes.
    Na sequência da música, o filho sente a necessidade de agradar os pais com presentes caros, pois não consegue fazê-lo através de uma relação saudável, baseada em confiança e afeto.
    O fato de o filho sair sempre de casa e dar desculpas esfarrapadas deixa explícito o desconforto em ficar em casa e a insegurança de ter uma conversa franca sobre seus sentimentos.
    Por fim, para matar a charada, o pai se pergunta “como é que um filho meu é tão diferente assim de mim?”, desconsiderando diferenças nas personalidades, nas culturas e desejando que o filho seja sua cópia.

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  8. Diego Oliveira

    Na primeira parte da música, o jovem, diante de um mundo consumista e que dita moda na midia, se vê sem recursos para conquistar aquilo que deseja. Entre conflitos com os pais, esse jovem chega com um presente. Tecnicamente um jovem dependente não teria de onde retirar dinheiro para isso. O Jovem tenta mostrar-se maduro ao dar presentes aos pais, mas ao ser questionado sobre onde conseguiu o dinheiro, mostra-se desequilibrado. O jovem começa a mostrar atitudes estranhas e não abre o jogo com a família, sai de casa num dia, volta no outro e não dá satisfação aos pais. Presume-se que o jovem esteja envolvido em algum ato ilícito (que gere renda pra si, como tráfico de drogas ou assaltos). No final, o pai/a mãe questiona o porquê do filho ser tão diferente dos pais, o que deixaram faltar na educação dele para que estivesse onde está. Fica externalizado que o filho está no mundo do crime.

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  9. Pra mim essa fala de um jovem obcecado por coisas matérias, e que para suprir essa sua ânsia, ele acaba virando um ladrão, e ele achando que agora com coisas matérias a mãe dele teria orgulho dele, mas é totalmente ao contrário sua mãe fica muito triste com o rumo que seu filho tomou, e o pior disso que ela não sabe se é culpa dela ou não, e ela acaba ficando com um peso na consciência.

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  10. mjsignorini@gmail.com

    A música, na minha humilde opinião, fala do modo de criação contemporâneo que produz uma geração mimada, manhosa, materialista, desacostumada do afeto e, ao mesmo tempo, inquieta e hiperativa. Fala de um filho que não aprendeu a conquistar as coisas, porque sempre as ganhou sem esforço. A falta da conquista não lhe permite valorizar o que já tem, causando-lhe um vazio que só pode ser suportado por meio da ambição cada vez maior por aquilo que não tem e/ou não poderá ter. O eu lírico (mãe ou pai) está, apenas agora (adolescência do filho), se dando conta, por meio das mentiras e desvios de conduta do filho, que este não desenvolveu alguns valores dos quais tentaram lhe passar pela educação. Fica claro que a situação do filho é irreversível, pois está “criado”, homem feito, não aceita mais conselho algum. Isto traz arrependimento e sofrimento ao ao pai. Todavia, ainda que ciente desses desvios, o pai ou mãe se recusa a assumir ou enxergar a sua culpa, pergunta a Deus o que teria faltado, mas faz a pergunta erradada, porque a causa é exatamente essa: Não faltou nada!

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  11. Jonathan Panta dos Santos Lins

    Assim como todas as canções dos “Los Hermanos”, “Um par” não foge do adjetivo “inexata” em sua descrição. Vejo na letra uma tendência à uma relação entre pais e filhos. Porém, o verso “Um Par” confunde as ideias, quebra um ciclo. Mesmo que fosse uma “família-dupla” não se costuma usar o termo “par” como definição.

    Há quem diga interpretar a canção como um canto de traição. Há que veja dois interlocutores ao invés de um…

    É uma verdadeira obra do “Los Hermanos”.

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  12. Acredito, como dito, que se trate de um filho envolvido em ato ilícito (roubo, tráfico, ou ludomania) com fins lucrativos, para sustentar seu consumismo. O interessante é que, parando um pouco pra pensar na letra, a primeira conexão que me surgiu foi com “Meu guri”, do Chico Buarque. Alguém acha coerente?

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  13. Sempre que ouço, imagino uma mãe solteira e muito preocupada com o filho, o qual está se envolvendo com coisas erradas…

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  14. Leandro Soares

    Olá colegss, muito bacana esse espaço. Trocando ideias. Muitas interpretações bacanas. Eu, como professor de Filosofia, costumo pensar essa letra em uma perspetiva dialética. Tanto de uma crítica ao consumismo, como do próprio pai (não vi ninguém chamar atenção para a crítica a postura do pai, suposto sentimento de culpa do pai) que como não dá atenção adequado ao filho ao longo da sua vida, procura, isso sim, substituir a presença e o afeto por bens materiais. E em relação ao filho fiquei satisfeito com as interpretações dos colegas.

    Inclusive pretendo trabalhar essa letra em sala de aula no ensino médio propondo uma relação com o pensamento do filósofo grego Epicuro. (Tema dos prazeres naturais e necessários) e o conceito de Ataraxia.

    Essa é minha singela contribuição.

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