Estudo dirigido das obras-primas de Carlos Drummond de Andrade mais exigidas pelas bancas brasileiras: do humor irônico e da "pedra no meio do caminho" em Alguma Poesia (1930) ao engajamento solidário de Sentimento do Mundo (1940) e A Rosa do Povo (1945).
🎯 Por Que Esta Obra / Lista É Obrigatória
Drummond é o poeta mais cobrado da história dos vestibulares brasileiros. Suas obras sintetizam a passagem do verso livre coloquial modernista para a grande meditação sobre a guerra, o capitalismo, a memória familiar e o fazer poético.
🔗 Ponte Intertextual com a Música Brasileira
Dialoga diretamente com "Construção" e "Pedro Pedreiro" (Chico Buarque), "Cajuína" (Caetano) e toda a canção de protesto e crônica urbana brasileira.
O "gauche" drummondiano: timidez irônica, deslocamento do sujeito no mundo moderno e humor autodepreciativo.
Poesia participante e solidariedade humana diante do autoritarismo e da Segunda Guerra Mundial em A Rosa do Povo.
Metalinguagem ("Procura da Poesia"): a luta corporal com as palavras no "reino das palavras".
“Analise o símbolo da "rosa" e da "pedra" na poética de Drummond como expressões da resistência lírica diante da opressão histórica.”
Chico Buarque
“Estava a toa na vida O meu amor me chamou Pra ver a banda passar Cantando coisas de amor A minha gente sofrida Despediu-se da dor Pra ver a banda passar Cantando coisas de amor O homem sério que contava dinheiro parou O...”
Chico Buarque
“Ouve a declara??o, oh bela De um sonhador tit? Um que d? n? em paralela E almo?a rolim? O homem mais forte do planeta T?rax de Superman T?rax de Superman E cora??o de poeta N?o brilharia a estrela, oh bela Sem noite por...”
Chico Buarque
“Ah, se já perdemos a noção da hora Se juntos já jogamos tudo fora Me conta agora como hei de partir Ah, se ao te conhecer Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios Rompi com o mundo, queimei meus navios Me diz pra onde é que...”
Chico Buarque
“(Crescendo) Amanhã vai ser outro día x 3 Hoje você é quem manda Falou, tá falado Não tem discussão, não. A minha gente hoje anda Falando de lado e olhando pro chão. Viu? Você que inventou esse Estado Inventou de inventa...”
Chico Buarque
“Amou daquela vez Como se fosse a última Beijou sua mulher Como se fosse a última E cada filho seu Como se fosse o único E atravessou a rua Com seu passo tímido Subiu a construção Como se fosse máquina Ergueu no patamar Q...”
Chico Buarque
“Agora eu era o herói E o meu cavalo só falava inglês A noiva do cowboy era você além das outras três Eu enfrentava os batalhões, os alemães e seus canhões Guardava o meu bodoque e ensaiava o rock para as matinês Agora eu...”
Chico Buarque
“Todo dia ela faz tudo sempre igual Me sacode às seis horas da manhã Me sorri um sorriso pontual E me beija com a boca de hortelã Todo dia ela diz que é pr'eu me cuidar E essas coisas que diz toda mulher Diz que está me...”
Chico Buarque
“Pai, afasta de mim esse cálice Pai, afasta de mim esse cálice Pai, afasta de mim esse cálice De vinho tinto de sangue Como beber dessa bebida amarga Tragar a dor, engolir a labuta Mesmo calada a boca, resta o peito Silê...”
Chico Buarque
“Tem dias que a gente se sente Como quem partiu ou morreu A gente estancou de repente Ou foi o mundo então que cresceu... A gente quer ter voz ativa No nosso destino mandar Mas eis que chega a roda viva E carrega o desti...”
Chico Buarque
“Acorda amor Eu tive um pesadelo agora Sonhei que tinha gente lá fora Batendo no portão, que aflição Era a dura, numa muito escura viatura Minha nossa santa criatura Chame, chame, chame lá Chame, chame o ladrão, chame o l...”
Chico Buarque
“Arrasa o meu projeto de vida Querida, estrela do meu caminho Espinho cravado em minha garganta Garganta A santa às vezes troca meu nome E some E some nas altas da madrugada Coitada, trabalha de plantonista Artista, é do...”
Chico Buarque
“O meu amor tem um jeito manso que é só seu E que me deixa louca quando me beija a boca A minha pele toda fica arrepiada E me beija com calma e fundo Até minh'alma se sentir beijada O meu amor tem um jeito manso que é só...”
Chico Buarque
“De tudo que é nego torto Do mangue e do cais do porto Ela já foi namorada O seu corpo é dos errantes Dos cegos, dos retirantes É de quem não tem mais nada Dá-se assim desde menina Na garagem, na cantina Atrás do tanque,...”
Chico Buarque
“O que será que me dá Que me bole por dentro, será que me dá Que brota à flor da pele, será que me dá E que me sobe às faces e me faz corar E que me salta aos olhos a me atraiçoar E que me aperta o peito e me faz confessa...”
Chico Buarque
“Quando você me deixou, meu bem Me disse pra ser feliz e passar bem Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci Mas depois, como era de costume, obedeci Quando você me quiser rever Já vai me encontrar refeita, pode crer Olhos...”
Chico Buarque
“Quando nasci veio um anjo safado O chato do querubim E decretou que eu estava predestinado A ser errado assim Já de saída a minha estrada entortou Mas vou até o fim "inda" garoto deixei de ir à escola Cassaram meu boleti...”
Chico Buarque
“Quero ficar no teu corpo Feito tatuagem Que é prá te dar coragem Prá seguir viagem Quando a noite vem... E também prá me perpetuar Em tua escrava Que você pega, esfrega Nega, mas não lava... Quero brincar no teu corpo...”
Chico Buarque
“Não se afobe, não Que nada é pra já O amor não tem pressa Ele pode esperar em silêncio Num fundo de armário Na posta-restante Milênios, milênios No ar E quem sabe, então O Rio será Alguma cidade submersa Os escafandrist...”
Chico Buarque
“Mirem-se no exemplo Daquelas mulheres de Atenas Vivem pros seus maridos Orgulho e raça de Atenas Quando amadas se perfumam Se banham com leite, se arrumam Suas melenas Quando fustigadas não choram Se ajoelham, pedem imp...”
Chico Buarque
“Quando, seu moço, nasceu meu rebento Não era o momento dele rebentar Já foi nascendo com cara de fome E eu não tinha nem nome pra lhe dar Como fui levando, não sei lhe explicar Fui assim, levando, ele a me levar E na sua...”
Chico Buarque
“Agora falando sério Eu queria não cantar A cantiga bonita Que se acredita Que o mal espanta Dou um chute no lirismo Um pega no cachorro E um tiro no sabiá Dou um fora no violino Faço a mala e corro Pra não ver a banda pa...”
Chico Buarque
“Súbito me encantou A moça em contraluz Arrisquei perguntar: quem és? Mas fraquejou a voz Sem jeito eu lhe pegava as mãos Como quem desatasse um nó Soprei seu rosto sem pensar E o rosto se desfez em pó Por encanto voltou...”
Chico Buarque
“Preciso não dormir Até se consumar O tempo da gente Preciso conduzir Um tempo de te amar Te amando devagar e urgentemente Pretendo descobrir No último momento Um tempo que refaz o que desfez Que recolhe todo sentimento E...”
Chico Buarque
“O Rancho do Novo Dia O Cordão da Liberdade E o Bloco da Mocidade Vão sair no carnaval É preciso ir à rua Esperar pela passagem É preciso ter coragem E aplaudir o pessoal O Rancho do Novo Dia Vem com mais de mil pastoras...”
Alguma Poesia marca a estreia modernista com poemas curtos, coloquiais, irônicos e centrados no "eu" gauche; já A Rosa do Povo mergulha na angústia histórica da Segunda Guerra e do Estado Novo, unindo consciência social e alta elaboração formal.
"No Meio do Caminho", "Poema de Sete Faces", "Sentimento do Mundo", "Mãos Dadas", "Procura da Poesia", "A Flor e a Náusea", "José" e "A Máquina do Mundo".
O verso de "A Flor e a Náusea" funciona como repertório sociocultural clássico para discutir resiliência cidadã, educação, cultura e resistência diante da desumanização urbana.