Composto entre o autoexílio na Itália e o retorno ao Brasil sob o AI-5, o álbum 'Construção' (1971) com arranjos orquestrais de Rogério Duprat reúne 'Construção', 'Deus Lhe Pague', 'Cotidiano', 'Valsinha' e 'Samba de Orly' (com Toquinho e Vinicius).
💡 Tese Central da Obra
Na faixa-título, Chico constrói um edifício verbal de dodecassílabos terminados exclusivamente em palavras proparoxítonas ('última', 'única', 'máquina', 'lógico', 'tráfego'), permutando os mesmos versos para denunciar a coisificação do operário.
Chico Buarque
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🎵 MúsicaMilton Nascimento
A raridade e o peso rítmico das proparoxítonas em português produzem um efeito mecânico, solene e vertiginoso que imita a rotina repetitiva e a queda física do operário.
Ao trocar 'como se fosse o último' por 'como se fosse o único' ou 'como se fosse máquina', Chico mostra que o trabalhador é peça descartável na engrenagem urbana.
Ambas compartilham motivos orquestrais de Rogério Duprat, formando uma suíte trágica e irônica sobre exploração do trabalho e censura.