Virada filosófica e formal de Drummond no contexto da Guerra Fria: retorno ao decassílabo, ao soneto e à meditação ontológica sobre o tempo, o nada, a memória familiar ("A Mesa") e a recusa desencantada em "A Máquina do Mundo".
💡 Tese Central da Obra
Diante dos enigmas insolúveis da existência e do desencanto histórico pós-1945, o poeta contempla a totalidade do cosmos ("A Máquina do Mundo"), mas segue seu caminho de mãos pensas.
Carlos Drummond de Andrade
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Dialoga por contraste com o Canto X de Os Lusíadas de Camões: enquanto Vasco da Gama aceita maravilhado a revelação da Máquina do Mundo, o caminhante moderno de Drummond recusa a oferta e segue calado.
O rigor formal do soneto e do decassílabo reflete a busca de contenção intelectual e equilíbrio clássico diante do caos existencial.
Expressa o paradoxo da memória humana: nada do que foi vivido desaparece por completo, pois as coisas findas permanecem gravadas na consciência.