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Vai passar nessa avenida um samba popular
Cada paralelepípedo da velha cidade essa noite vai se arrepiar
Ao lembrar que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais
Num tempo página infeliz da nossa história,
passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações
Dormia a nossa pátria mãe tão distraída
sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações
Seus filhos erravam cegos pelo continente,
levavam pedras feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais
E um dia, afinal, tinham o direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia que se chamava carnaval,
o carnaval, o carnaval
Vai passar, palmas pra ala dos barões famintos
O bloco dos napoleões retintos
e os pigmeus do boulevard
Meu Deus, vem olhar, vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade até o dia clarear
Ai que vida boa, ô lerê,
ai que vida boa, ô lará
O estandarte do sanatório geral vai passar
Ai que vida boa, ô lerê,
ai que vida boa, ô lará
O estandarte do sanatório geral… vai passar



Qual é a sua interpretação?





*



30 Comentários

“Dormia a nossa pátria mãe tão distraída
sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações”
E ainda dorme…

protestando contra os militares opressores dos movimentos culturais no brasil

Não interpreto.Está tudo aí.Passado, presente e futuro.Honra ser brasileiro como Chico Buarque de Holanda.Artista da praxis do poema, da prosa.,do povo.

A música Leva composta por Michael Sullivan e Paulo Massadas e interpretada por Tim Maia refere-se ao Rádio. É uma homenagem clara a este aparelho e sua programação.

Esta letra é realmente o Retrato do Brasil! Um povo que desde seu nascimento se misturou com outros povos de outras raça; que sempre foi enganado, sofrido e humilhado por poderes que já existiam desde o início; junto aos que se introduziam constantemente no país. Mesmo assim nunca deixou que a alegria de poucas épocas fossem abaladas. É da alegria nata, que vem da música orquestrada, da dança,dos cantos, dos sonhos, que o brasileiro retira sua força para reagir sobre o sofrimento de tudo e sobre todos que o enganam, que o fraudam e que constantemente usam da injustiça e desonestidade para tirar dele, seus mínimos direitos materiais. Graças a Deus, existe o Carnaval como válvula de escape pelos sofrimentos do ano inteiro. São dias de alegria e brincadeiras que ninguém pode lhe tirar! E, o grande Chico Buarque soube muito bem retratar tudo isso. Parabéns!

Reafirmando para não ficar dúvida:(…) que tentativas das “tenebrosas transações” sejam abolidas.

Os autores procuram, com letra, chamar a atenção para fatos lamentáveis ocorridos na nossa sociedade, injusta, a propósito. Escravidão, torturas, ditaduras, corrupção, negociatas e outras mazelas, estão envolvidas aí. Por isso, chama-se a atenção das “novas gerações” para que, tomando conhecimento, não se acomodem, resistam, lutem, e não permitam que tentativas das “tenebrosas transações” sejam abolidas.

Pra mim, os baroes, Napoleoes e etc, significam o povao nas ruas vivendo a fantasia de ter esses titulos durante o carnaval. Por isso sao famintos, retintos e etc…Uma obra de arte essa letra!! Pena que o povo continua dormindo….

barões famintos são aqueles pseudos burgueses de aparencia,que não comem bem para vestir dior,armani,gucci.
bloco dos napoleões retintos são nossos “mandantes” manchados de todas as porcarias
e os pigmeus do boulevard são todas as minorias que nesse momento estão em extase por estar num lugar “chic”

A inspiração de Chico para esse fantástico poema, veio do que ele via e vivia, mas não é restrito àquele tempo. Efetivamente, é atemporal porque sintetiza o que sempre foi este país, da alma aos pés. Aliás, o movimento dos pés deste povo traduzem o que está empedernido na sua alma, fruto do adestramento ibero-católico.
“Olha lá vai passando a procissão, se arrastando que nem cobra pelo chão…” (Gilberto Gil).
FRANCISCO DE LIMA GOMES
f_l_gomes@hotmail.com

Eu entendi a musica. Mas eu não consegui decifrar o significado de:
barões famintos
napoleões retintos
e os pigmeus do boulevard.
ALGUEM PODE MIM AJUDAR ???

Essa música do grande Chico tem partes que refletem exatamente o que foi o governo de Fernando Henrique, o FHC e sua corja, quando executaram a maior lavagem de grana publica do mundo na Privataria Tucana.
(“Dormia a nossa pátria mãe tão distraída, sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações”)
Abençoado seja, Chico.

Acho que agora – depois das palavras do procurador geral da República no caso Mensalão – essa música passará a representar, também, a corrupção dos governos pós 1985…

HOJE EM PLENO REGIME DEMOCRATICO A PATRIA MÃE ESTÁ SENDO SUBTRAIDA ACORDADA….

Esta letra é um manifesto contra o histórico de colonização, consolidação do poder da aristocracia e clero, vindo até o Brasil de 1964 a 1985, onde tivemos os nossos Napoleões retintos, uma edição repaginada de coronolelismo.
A colonização portuguesa que subtraia nossas riquezas até o “acidente de percurso com Napoleão”, obrigando a Coroa a mudar de continente.Trazendo sua melhor máquina. Nossos ancestrais africanos que ao lado dos “índios” expunham-se as epidemias que nunca deixaram de grassar nesta nação. Nada aqui é novidade. Contudo, passando pela estória mal contada dos ensaios de “loucura” ou opressão social “medicalizada”, a epidemia de consolo agora chamada de carnaval foi a única doença que deu certo (aprendemos a viver com as diferenças na avenida – branco, negro e índio – de árabe , italiano a oriental e com a miséria, cantando juntinho nossas ilusões até o dia clarear).
Quem aqui é insano? Que se cure ou com carnaval ou futebol.Para que se perpetue sob nossas palmas, tenebrosas transações subtraidora. Desbote de nossa memória este samba ancestral. Busque outros ritmos e batidões que possam te trazer alegria tão fugaz na atualidade, até aos novos prósperos e pentecostes-rítmos ou gospel…como queira as novas gerações.
E podemos ter até o dia de hoje ver estas crianças mestiças e barrigudas oriunda dos vários “Boulevard”, nas pistas (Dutra/Aparecida), para receberem seus presentes ou oferendas a estes pigmeus ou me engana que eu gosto com balinha criança, como diz o André: são bobas crianças. http://aelacerda.blogspot.com.br/2009/10/os-pigmeus-do-boulevard.html
Se cantava subliminarmente o que se gostaria de dizer sem a percepção do inteligente sensor(sensura). Afinal são verdades sobre uma ditadura que disfarçada até hoje podem arrepiar. Por isso é mais cômodo ver a cidade cantar “que vida boa lelê, a evolução da liberdade, mas só até o dia clarear” afinal de conta é uma liberdade ancestral nas noites do gueto do asfalto das comunidades. E por favor…pelo menos lá né?

Esta música retrata, mescladamente, o período da Colonização e ditadura militar.

TB VEJO ASSIM,LETRA QUE RETRATA UM MOMENTO DE INOCENCIA E ATRASO NA MENTE DO POVO QUE ACEITARAM OU NÃO…TUDO O QUE VINHAM DOS COLONIZADORES DESGRAÇADOS QUE NOS ROUBARAM,APRONTARAM DE TUDO CONTRA UM POVO CEGO E DESINFORMADO E QUE AINDA CONTINUA DO MESMO JEITO,PRINCIPALMENTA AS ULTIMAS GERAÇOES QUE SEGUEM AS ORDENS DO SISTEMA QUE AI ESTA E FAZ QUESTÃO DE MANTER O ENTREGUISMO DOS NOSSOS PATRIMONIOS…E VAI POR AI…BRASIL…QUINTAL DO MUNDO…ONDE ENTRA QUEM QUER…E FAZ O QUE QUER…SEM DONO

que interpretaçao genial da famosa vila rica em seus aureos tempos da fartura em pedras e o domínio portugues que levavam nossas riquesas e nos deixavam em templos como o pouco que restaram em suas subtraçoes de muito metal precioso!

Vai Passar, música ironicamente alegre, feita anos após a ditadura militar. Feita em ritmo de samba enredo, que nos remete diretamente ao carnaval. Único momento de liberdade da época.

“Vai passar nessa avenida um samba popular
Cada paralelepípedo da velha cidade essa noite vai se arrepiar”.
Trecho que serve de introdução, inclusive explica porque “cada paralelepípedo da velha cidade essa noite vai se arrepiar. Era no chão que estavam as marcas dos acontecimentos, sangues e etc…

“Ao lembrar que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais”.
Ainda falando do chão, dos grandes sambas que por ele passaram e do sangue derramado também, na revolta popular contra a ditadura.

“Num tempo página infeliz da nossa história,
passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações”.
E esse tempo que o autor se refere é justamente o tempo de repressão, tempo em que o país esteja sob a ditadura militar, o que desbota ou mancha a memória das novas gerações.

“Dormia a nossa pátria mãe tão distraída
sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações”.
É que no geral, o povo não sabia das conspirações, das torturas, dos assassinatos e outras tenebrosas transações. Os militares alegavam que eles estando no poder trariam “ordem”
à nação, tanto é que até hoje muitos idosos ainda acham que a ditadura era boa.

“Seus filhos erravam cegos pelo continente,
levavam pedras feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais”.
“Erravam cegos pelo continente”, era justamente os exilados, que opostos à ditadura eram obrigados a sair do país. “Levavam pedras feito penitentes”, eram os militantes, que tinham apenas pedras como armas contra o exército e “erguendo estranhas catedrais”, os protestante(evangélicos)erguendo suas igrejas com arquiteturas diferentes (estranhas, até então) da barroca usada pela igreja católica.

“E um dia, afinal, tinham o direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia que se chamava carnaval,
o carnaval, o carnaval”
Uma alegria passageira que se estendia a todo o povo como uma epidemia; apenas nos quatro dias de carnaval, acabando na quarta-feira de cinzas e,então a tristeza voltava… por isso fugaz.

“Vai passar, palmas pra ala dos barões famintos
O bloco dos napoleões retintos
e os pigmeus do boulevard”.
Os barões famintos são os ricos que quanto mais tem, mais querem; os napoleões retintos são as altas patentes do exército e retintos não por serem carregados de cor, mas comparados a cavalos e bois, devido a grosseria que exerciam o poder. “Os pigmeus do boulevard” era mesmo o povo pobre e as crianças e sua crianças a margem do poder público, feitos de bobo.

“Meu Deus, vem olhar, vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade até o dia clarear
Ai que vida boa, ô lerê,
ai que vida boa, ô lará
O estandarte do sanatório geral vai passar
Ai que vida boa, ô lerê,
ai que vida boa, ô lará
O estandarte do sanatório geral… vai passar”.
“A evolução da liberdade” era o carnaval em si, único momento para extravasar… “estandarte do sanatório geral”, como símbolo do carnaval, o estandarte representa mesmo a loucura de um povo, que apesar das dificuldades ainda conseguem se divertir e pensar que é liberdade. No final o “vai passar” é ambíguo, primeiro fala da loucura (o carnaval) que vai passar na avenida e também lembra que apesar daquela liberdade parecer permanente ela é passageira.
Vai Passar! Parabéns Chico!!!
Cristóvany Fróes

Vai Passar, música ironicamente alegre, feita anos após a ditadura militar. Feita em ritmo de samba enredo, que nos remete diretamente ao carnaval. Único momento de liberdade da época.

“Vai passar nessa avenida um samba popular
Cada paralelepípedo da velha cidade essa noite vai se arrepiar”.
Trecho que serve de introdução, inclusive explica porque “cada paralelepípedo da velha cidade essa noite vai se arrepiar. Era no chão que estavam as marcas dos acontecimentos, sangues e etc…

“Ao lembrar que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais”.
Ainda falando do chão, dos grandes sambas que por ele passaram e do sangue derramado também, na revolta popular contra a ditadura.

“Num tempo página infeliz da nossa história,
passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações”.
E esse tempo que o autor se refere é justamente o tempo de repressão, tempo em que o país esteja sob a ditadura militar, o que desbota ou mancha a memória das novas gerações.

“Dormia a nossa pátria mãe tão distraída
sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações”.
É que no geral, o povo não sabia das conspirações, das torturas, dos assassinatos e outras tenebrosas transações. Os militares alegavam que eles estando no poder trariam “ordem”
à nação, tanto é que até hoje muitos idosos ainda acham que a ditadura era boa.

“Seus filhos erravam cegos pelo continente,
levavam pedras feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais”.
“Erravam cegos pelo continente”, era justamente os exilados, que opostos à ditadura eram obrigados a sair do país. “Levavam pedras feito penitentes”, eram os militantes, que tinham apenas pedras como armas contra o exército e “erguendo estranhas catedrais”, os protestante(evangélicos)erguendo suas igrejas com arquiteturas diferentes (estranhas, até então) da barroca usada pela igreja católica.

“E um dia, afinal, tinham o direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia que se chamava carnaval,
o carnaval, o carnaval”
Uma alegria passageira que se estendia a todo o povo como uma epidemia; apenas nos quatro dias de carnaval, acabando na quarta-feira de cinzas e,então a tristeza voltava… por isso fugaz.

“Vai passar, palmas pra ala dos barões famintos
O bloco dos napoleões retintos
e os pigmeus do boulevard”.
Os barões famintos são os ricos que quanto mais tem, mais querem; os napoleões retintos são as altas patentes do exército e retintos não por serem carregados de cor, mas comparados a cavalos e bois, devido a grosseria que exerciam o poder. “Os pigmeus do boulevard” era mesmo o povo pobre e as crianças e sua crianças a margem do poder público, feitos de bobo.

“Meu Deus, vem olhar, vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade até o dia clarear
Ai que vida boa, ô lerê,
ai que vida boa, ô lará
O estandarte do sanatório geral vai passar
Ai que vida boa, ô lerê,
ai que vida boa, ô lará
O estandarte do sanatório geral… vai passar”.
“A evolução da liberdade” era o carnaval em si, único momento para extravasar… “estandarte do sanatório geral”, como símbolo do carnaval, o estandarte representa mesmo a loucura de um povo, que apesar das dificuldades ainda conseguem se divertir e pensar que é liberdade. No final o “vai passar” é ambíguo, primeiro fala da loucura (o carnaval) que vai passar na avenida e também lembra que apesar daquela liberdade parecer permanente ela é passageira.
Vai Passar!
Cristóvany Fróes

O Fernando (7), pode ser novo e não conheceu “os anos de chumbo”, por isso fala de coisas de 500 anos atrás. Na mesma linha de pensamento de “vai passar” encontra-se “Cálice” que não é o objeto e sim o “CALE-SE” de não poder falar. Acorda Fernando. 12/11/11

Nãao entendi naaaaaaaaaada /2 :p

nao entendi nnada kkkkkkkkkkk

A musica Maria Maria relata a vida de uma mulher trabalhadora e guerreira, que tem ideais mas que no entanto tem suas dificuldades ,e mesmo assim sabe levar a vida ,é uma mulher com gana,manha, graça e tem fé na vida para alcançar seus desejos, sonhos e objetivos .
Sendo o nome “Maria” um nome popular brasileiro se entende que o auto ou citar na musica “Maria, Maria É o som, é a cor, é o suor “ ele se refere a todas as mulheres brasileiras trabalhadoras, guerreiras.
Portando a musica de Maria Maira de Milton nascimento relata a vida de uma mulher brasileira com dificuldades, mas que nunca deixa de batalhar no seu dia a dia pelos seus ideais.

E um dia, afinal, tinham o direito a uma alegria fugaz/Uma ofegante epidemia que se chamava carnaval…

Na época, as pessoas ainda estavam vivendo resquícios por intensas emoções e sufoco (pela ditadura) e o carnaval parecia uma fuga da realidade que tinha acabado de terminar.

Nem preciso dizer mais nada sobre essa poesia, o colega Fernando bem descreveu.Mas não podia deixar passar em branco e dizer que essa letra é uma das mais lindas que já escutei na minha vida um verdadeiro poema, não tem nada a acrescentar nem tirar somente ouvir a belissíma letra e arranjo do Chico Buarque.Obrigado por nos presentear com tamanha cultura, sorte minha que vivenciei esta época e tive a chance de escutá-la várias vezes.

Penso que a letra retrata um momento em que duas alegrias se imbricam, seria o fim da ditadura e o carnaval como remédio para curar as feridas, é como se o carnaval fizesse com o o povo esquecesse o sofrimento, é eviente no trecho: “E um dia, afinal, tinham o direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia que se chamava carnaval”, no entanto não podemos deixar de lado um ponto dessa festa…vejam que o compositor chama o carnaval de “o fegante epidemia” é como se em nossas cabeças passasse o filme de pessoas dançando ofegantes e de maneira incontrolavel, de maneira contagiosa, ou seja, foi uam festa de dominou o pais.
mais abaixo está:”Vai passar, palmas pra ala dos barões famintos
O bloco dos napoleões retintos
e os pigmeus do boulevard” quem são os barões famintos?
talvez seja um ponto de ironia no meio do carnaval.

Em minha opinião a letra fala sobre o surgimento do carnaval.
“No tempo, página INFELIZ da nossa história, passagem desbotada da memória das nossas novas gerações”.
A página infeliz é a nossa escravidão, já esquecidas por muitos mas que ainda deixa suas mazelas em nossa sociedade.
“Dormia a nossa pátria mãe tão distraída sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações”.
Chico Buarque fala da relação Portugal x Inglaterar, onde quem, literalmente, pagou os prejuízos da dívida portuguesa foi o Basil. Daí ele dizer que ela (pátria mãe) não percebia ser subtraída em tenebrosas transações.
“Seus filhos erravam cegos pelo continente, levavam pedras feito penitentes, erguendo estranhas catedrais”.
Quem são os filhos desta ‘pátria mãe gentil’ (equivocado por pátria vir de ‘pai’) que erraram cegos pelo continente? Que eu sei foram os negros, vieram para ‘carregar pedras feito penitentes’, e ergueram estranhas catedrais: trabalharam para a construção de uma cultura que não era a deles de modo forçado.
“E um dia, afinal, tinham direito a uma alegria fugaz, uma ofegante epidemia que se chamava carnaval”.
O carnaval era onde os negros tomavam as ruas descendo os morros, e nenhum um branco podia participar. É a expressão da liberdade que conquistaram, da vida oprimida que levavam (levam) pelos ‘brancos’, que tinham que deixar as ruas livres (deixar o espaço do poder livre) para os negros brilharem.
O fim, muito mais subjetivo (‘palmas pra ala dos barões famintos, o bloco dos napoleões retintos e os pigmeus do boulevard) pode, aí sim, ser comparada metaforicamente com o período do fim da ditadura militar, cheia de ‘barões famintos’ (que reinam até hoje), ‘napoleões retintos’ (hoje imperadores em plena democracia) e os ‘pigmeus do boulevard’ (o brasil convive com o ‘atrasado’ [pigmeu] e o ‘avançado’ [boulevard], base das nossas contradições).
“Meu Deus, vem olhar, vem ver de perto uma cidade a cantar a evolução da liberdade até o dia clarear”.
Aqui mesclam-se a história dos negros oprimidos que fizeram do carnaval a expressão da liberdade obtida após anos de trevas (andaram errando cegos) e a sociedade brasileira do período da ditadura.

“Dormia a nossa pátria mãe tão distraída
sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações” Fala sobre toda a corrupção na época da ditadura. É comemoração pelo final de todo sangue derramado e toda a tristeza oprimida na ditadura, escrita com toda a genialidade do chico.

Música do ano de 1984. Fim da ditadura militar. Parece a comemoração do fim desse período sendo manifestada por um carnaval.

Qual é a sua interpretação?

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