A moça que dançou com o diabo

Numa sexta feira santa
Há muitos anos atrás
Na cidade de são carlos
Publicaram nos jornais,
Uma moça muito rica,
Contrariou o gosto dos pais,
Num baile que fez em casa,
Ela dançou com o satanás.

Quando o baile começou
Regulava as nove horas
Chegou um moço bem vestido,
Arrastando um par de esporas,
Dando viva para o povo,
Como vai minha senhora!
Quero conhecer a festeira
Porque estou chegando agora.

O velho disse pra filha
Hoje o baile esta mudado
Estamos no fim da quaresma
E isso pode ser pecado.
A mocinha respondeu,
O senhor que está cismado
Jesus cristo está no céu,
E nós aqui dança largado.

Pegando na mão da moça o moço saiu dançando
Tocava valsa e mazurca,
O cabra tava virando.
Com o chapéu na cabeça
A moça foi incomodando,
O senhor dança direito
Que mamãe não está gostando,
Ele foi e disse pra moça, minha hora já chegou,
Eu preciso ir embora que o galo já cantou
Tirou o chapéu da cabeça e os
Dois chifres ele mostrou,
Parecia um touro velho,
Daqueles mais pegador,

O diabo soltou um bufo e sumiu numa explosão,
Pra aquela gente sem fé isso serviu de lição,
No meio da correria, dois grito e confusão
Ficou louca a moça rica,
Filha do major simão

Roubei uma casada

Comprei um carro na praça
Estava bem conservado
Tinha quatro pneu novo
Que pouco tinha rodado
Dei um repasso no freio
Pra viajar mais sossegado
Pus gasolina no tanque
E saí acelerado
Pra roubar uma casada
Que eu já tinha combinado

Em frente a casa dela
Eu pus o carro na calçada
Dei um toque na busina
Ela saiu na sacada
Assim que ela me viu
Correu descendo a escada
Com duas mala na mão
Me falou dando risada
Vou levando a minha jóia
Que é pr’ocê vende na estrada

Ela me falou tristonha
Uma coisa eu vou deixando
É um lindo garotinho
No berço ficou chorando
Respondi no pé da letra
Vá buscar que eu to mandando
Coitadinho não tem curpa
Nós dois acaba cuidando
Pus mãe e filho no carro
E pro mundo sai rodando

Ela deixou seu conforto
Num prédio lá da ladeira
Com telefone na mesa
E rádio de cabeceira
E televisão na sala
Pertinho da cristaleira
Deixou vinho e champanha
E fruta na geladeira
Pra fugir com um boiadeiro
E levar vida campeira

A dona era casada
Esposa de um ricaço
Ele espalhou telegrama
Gastou dinheiro no espaço
Avisou toda a cidade
Pra me ver eu no embaraço
Mas um cabra viajado
Não pode cair no laço
Com tudo minha pobreza
Eu pus o rico no fracasso

Minha vida

Trago na lembrança 
Quando era criança 
Morava na roça
Gostava da tróça 
Do monjolo d’água 
Da casa de tabua

Quando o sol saía 
A invernada eu subia 
Pras vacas leitera 
Tocar na mangueira 
Fui muleque sapeca 
Levado da breca
Gostava da viola 
E ainda ia na escola 
Eu ia todo dia 
Numa égua tordilha

Já era meu destino que desde menino 
Pra ir no fandango era igual curiango 
As vezes no arreio meu irmão já veio
Fazia loro de imbira pra ir na catira 
Ficava do lado com os olhos estalados 
E vendo o sapateado mas não podia entrar
Bebia quentão ficava então 
Uma moda com alguém eu cantava também

Com quinze anos de idade 
Mudei pra cidade 
Saí da escola 
Era rapazola 
Deixei de estudar fui caxero num bar
Trinta mil réis por mês 
Pra servir os freguês
Vendendo cachaça 
Aturando ruaça

Pra mim só foi boa a minha patroa 
Vivia amolado com meu ordenado
Trabalhei sete mês 
Recebi só uma vez

Eu não via dinheiro 
Entrei de pedreiro 
Pra aprender o ofício 
Mais foi um suplício 
Sol quente danado 
Embolsando o telhado
A escadeira doía 
E eu me arrependia
Mas não tinha jeito 
Era meter os peitos

No duro enfrentei 
Mas não me acostumei 
São pouco retaco 
Meu físico é fraco 
Só de falar no trabalho 
Quase que eu me desmaio

Tive grande empulso 
Com outro recurso 
A viola é tão fácil 
É só mexer nos traço 
Fazer modas boas 
Quando o povo enjoa
Fazer modas dobradas 
E bem selecionadas
Pras festas que for 
Não passar calor

Evitar de beber 
Pra voz não perder 
Dinheiro no bolso 
Vem com pouco esforço 
Neste sol de anil 
Divertindo o Brasil