O Divã

Relembro a casa com varanda
Muitas flores na janela
Minha mãe lá dentro dela
Me dizia num sorriso
Mas na lágrima um aviso
Pra que eu tivesse cuidado
Na partida pro futuro
Eu ainda era puro
Mas num beijo disse adeus.

Minha casa era modesta mas
eu estava seguro
Não tinha medo de nada
Não tinha medo de escuro
Não temia trovoada
Meus irmãos à minha volta
E meu pai sempre de volta
Trazia o suor no rosto
Nenhum dinheiro no bolso
Mas trazia esperança.

Essas recordações me matam
Essas recordações me matam
Essas recordações me matam
Por isso eu venho aqui.

Relembro bem a festa, o apito
E na multidão um grito
O sangue no linho branco
A paz de quem carregava
Em seus braços quem chorava
E no céu ainda olhava
E encontrava esperança
De um dia tão distante
Pelo menos por instantes
encontrar a paz sonhada.

Essas recordações me matam
Essas recordações me matam
Essas recordações me matam
Por isso eu venho aqui.

Eu venho aqui me deito e falo
Pra você que só escuta
Não entende a minha luta
Afinal, de que me queixo
São problemas superados
Mas o meu passado vive
Em tudo que eu faço agora
Ele está no meu presente
Mas eu apenas desabafo
Confusões da minha mente.

Essas recordações me matam
Essas recordações me matam
Essas recordações me matam
Essas recordações me matam.

Comentários

Tico Terpins

16/11/2023

Eu vou contar a história Da perna que eu tinha (inha) E que eu perdi num desastre Nos trilhos da vida (vida) Não era grande nem média, Era pequenininha (ninha) Minha perninha eu perdi O trem decepou (Mas que trenzinho, hein?) Eu fiz de tudo pra ver Se a perninha cortada (ada) Ficava juntinho do resto Só que não colava (lava) Fui na seção de emergência Do pronto socorro (corro) Só que não houve remédio E a doutora falou: (Mas que trenzinho, hein?) Perna... Minha perna querida Já que não estás comigo Eu uso a Margarida (Mas que trenzinho, hein?) Perna... Muito bom, muito bem Hoje eu não ando a pé Mas você vai de trem (Mas que trenzinho, hein?)

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Cleilson

08/10/2023

Era o paletó, não era?

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Cleilson

08/10/2023

Era o Paletó de linho branco ok?

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EDILSON VELOSO

12/11/2010

PARABÉNS, CELSO. VC CONHECE MESMO. SÓ QUERO FAZER UMA RESSALVA: "o sangue no linho branco",FAZ REFERÊNCIA AO PALETÓ DE LINHO QUE O RAPAZ USOU NO SOCORRO, FAZENDO ESTANCAR A HEMORRAGIA. O NOME DA PESSOA QUE O SOCORREU É RENATO ESPÍNOLA E CASTRO. PARABÉNS.

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Celso

10/11/2010

Essa letra conta com maestria parte da infancia de Roberto Carlos.Ele começa falando da vida modesta que viveu para finalmente falar do que realmente ele estava querendo,que é o acidente que ele sofreu quando era ainda criança.No trecho "Relembro bem a festa,o apito,e na multidão um grito,o sangue no linho branco..." ele se refere ao acidente de trem que sofreu e que teve a perna,na altura do joelho amputada.O sangue no linho branco é em referencia ao rapaz que o socorreu e teve sua calça de linho encharcada com o sangue.Essa é a passagem principal da letra,o rsto,apesar de poeticamente bonito não revela muita coisa além de uma vida pobre,como a maioria das familias brasileiras.

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