Raimundos

Andar na Pedra

Ia pra praia sempre sem chinelo
E tinha o peito-do-pé amarelo
A sola grossa era feito um pneu
Corria sempre muito mais que eu

Andar na pedra, muleque, em cima da pedra
O novo som vem da lapada do povo falando merda
Porque a planta do pé dói mais quando pisa nas pontudas
Escolho as mais redonda que chama pedra buchuda

Caminha pela trilha que leva por outra trilha
E lá você vai ver a queda d’água e que senhora queda
Lhe peça pra limpar do mal que a tanto tempo assola a Terra.
Pra saber só quem erra que sangra o pé na subida da serra.

Carcaça grossa deixa a marca no chão
Andar na pedra que ‘cê seca o pé
Andar na pedra nêga
Carcaça grossa deixa a marca no chão
Andar na pedra que ‘cê seca o pé
Andar na pedra nêga

Segura a onda menina, levanta a saia
Eu fico louco ela me enrola e me ensina o rumo da praia
É que o pintor falou que o lado do quadro não tá pra cima.
Conserta que isso é mal da parede que contamina.
Mas feio do que chinelo havaiana a farda de cana é brega

O mato vai crescer no Samanda que ali não pega.
Rumando a rocha eu sigo a dobra
E deixo a onda vir como ela vier
Água me leva e é nisso que eu ponho fé

Carcaça grossa deixa a marca no chão
Andar na pedra que cê seca o pé
Andar na pedra nêga
Carcaça grossa deixa a marca no chão
Andar na pedra que cê seca o pé
Andar na pedra nêga
Carcaça grossa deixa a marca no chão
Andar na pedra que cê seca o pé
Andar na pedra nêga

Carcaça grossa deixa a marca no chão

0 comentário sobre “Andar na Pedra

  • John, The Revelator disse:

    O eu-lírico parece descrever uma caminhada no mato e os diversos macetes para andar nesse terreno. Também é possível que tenha levado junto uma paquera, provavelmente, já com segundas intenções.

    “ABRANGÊNCIA, SEM RODEIOS. É NÓIS, FILHOTE!”

  • Leandro Parente disse:

    Ele está falando sobre quem gosta de usar drogas pesadas. É o cara que “corre mais do que eu”, “pisa nas pontudas”, “Caminha pela trilha que leva por outra trilha” e no avançar do comportamento descobre “Pra saber só quem erra que sangra o pé na subida da serra.” .
    A letra diz que o sujeito se acha “casca grossa”, mas vai colher as consequências, isto é, deixar marca no chão. A pessoa não liga mais pra si, anda descalça. O seu fim é cair cada vez mais “E lá você vai ver a queda d’água e que senhora queda”. Todavia, o sujeito se acha casca grossa e se esfola na pedra.

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