Couro de boi

“Conheço um velho ditado que é dos tempos dos zagais,
Diz que um pai trata déiz fio, déiz fio num trata um pai,
Sentindo o peso dos anos, sem podê mais trabaiá,
O véio peão estradeiro, com o seu fio foi morá,
O rapaiz era casado, e a muié deu de impricá,
Você mande o veio imbora, se não quisé que eu vá,
O rapaiz coração duro, com véinho foi falá:”

Para o senhor se mudá
Meu pai eu vim lhe pedi
Hoje aqui da minha casa
O sinhô tem que saír

Leva esse couro de boi
Que eu acabei de curtir
Pra lhe servi de coberta
Daonde o sinho dormir

O pobre véio calado
Pegou o couro e saiu
Seu neto de oito ano
Que aquela cena assistiu

Correu atráis do avô
Seu palitó sacudiu
Metade daquele couro
Chorando ele pediu

O véinho comovido
Pra não vê o neto chorando
Partiu o couro no meio
E pro netinho foi dando

O menino chegou em casa
Seu pai foi lhe perguntando
Pra que você qué este couro
Que seu avô foi levando

Disse o menino ao pai
Um dia vou me casar
O senhor vai ficar véio
E comigo vem morar

Pode ser que aconteça
De nóis não se cumbiná
Essa metade do couro
Vou dar pro senhor levar

Boneca cobiçada

Quando eu te conheci,
Do amor desiludida,
Fiz tudo e consegui,
Dar vida à tua vida.

Dois meses de ventura,
O nosso amor viveu,
Dois meses com ternura,
Beijei os lábios teus.

Porém eu já sabia,
Que perto estava o fim,
Pois tu não conseguias,
Viver só para mim.

Eu poderei morrer,
Mas os meus versos não,
Minha voz hás de ouvir,
Ferindo o coração.

Boneca cobiçada,
Das noites de sereno,
Teu corpo não tem dono,
Teus lábios têm veneno.

Se queres que eu sofra,
É grande o teu engano,
Pois olha nos meus olhos,
Vê que não estou chorando.

Se queres que eu sofra,
É grande o teu engano,
Pois olha nos meus olhos,
Vê que não estou chorando.