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Marshmello no Rock in Rio: O mistério por trás da máscara que conquistou a música eletrônica

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EDITORIAL ANÁLISE

Com sua icônica máscara de marshmallow e olhos em X, o DJ Marshmello se apresenta no dia 3 de setembro no Rock in Rio, dividindo a noite com Post Malone e Alok. Desde sua estreia em festivais em 2015, o artista mantém sua identidade envolta em mistério, alimentando especulações sobre ser o DJ americano Chris Comstock, conhecido como Dotcom – rumor nunca confirmado oficialmente.

O músico, que alcançou fama global com seu remix de 'Where Are Ü Now' de Jack Ü e Justin Bieber, raramente concede entrevistas. Em sua biografia oficial, justifica o anonimato de maneira direta: 'Eu só quero fazer boa música. E para isso não é necessário você saber quem eu sou.' Marshmello segue uma tradição de artistas mascarados que inclui Deadmau5, Daft Punk, Sia, Kiss, Slipknot e Gorillaz, transformando o enigma em parte fundamental de sua identidade artística.

Thiago Soares, professor e pesquisador de música e cultura pop da UFPE, analisa que cada artista mascarado tem motivações distintas. 'No caso do Kiss, a maquiagem esconde a idade; sobre Sia, há uma estratégia poética e crítica ao formato pop', observa. Sobre Marshmello, ele destaca: 'Pode ser uma crítica à supervalorização dos DJs popstars, além de usar uma estética ligada à cultura digital, como emojis e o anonimato da internet.'

Soares também ressalta que o uso de máscaras na arte é ancestral, remetendo a tradições teatrais e circenses onde atores encenavam emoções através de disfarces. Na era digital, figuras como o youtuber brasileiro Zangado, que mantém o anonimato com 4 milhões de seguidores, reforçam essa conexão entre máscaras e internet. 'Moro em uma cidade pequena e sou engenheiro. Não queria que a fama interferisse na minha vida', explica Zangado, ecoando o pensamento de artistas como Slipknot e Daft Punk sobre focar no conteúdo em vez da imagem.

À medida que Marshmello se prepara para o palco do Rock in Rio, o fascínio por sua persona misteriosa continua a gerar discussões sobre arte, identidade e o papel do anonimato na cultura contemporânea – provando que, às vezes, o que está escondido pode ser tão impactante quanto o que é revelado.

NOTA EDITORIAL

Este artigo foi apurado e escrito pela equipe editorial do Análise de Letras com base em fontes públicas.

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