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Franciele Santos
08 Fev, 2019
""Boa noite, acredito que ninguém pretende mudar a história de Raul Seixas,(Cantor e compositor)Me considero uma amiga de Raul Seixas, e desconhecia toda essa história contada. Creio que cada uma sabe de si.
Conheci o Raul, em uma Festa na República,que aconteceu em final de 1971, era a chegada de uma revista informativa, sobre ¨a Maior Feira de Artesanato de todos os tempos¨Eu sou maria aparecida,uma moça muito querida entre os artesãos,frequentava a casa, o atelier, e me juntava á família dos artesões Isso desde 1969.nesta época existia alguns festivais de músicas, e eu sempre fui muito participativa, em vários eventos.
Mas, no dia da Festa na República,sobre a chegada da revista, em 1971, fui chamada para participar individualmente de uma entrevista, com um produtor musical, Raul Seixas ...Era o meu sonho ser artista, pois nos anos de 1964, 1965, e 1966, eu cantava no Orfeon , como primeira voz ao lado da amiga Verinha, que já cantava nas rádios há uns dois anos. E eu já assistia e participava das bandas de garage,rock´n´roll, que se formavam na época.
O Raul considerou eu a pessoa certa para uma entrevista.E ele tinha razão, porque eu já andava dentro das gravadoras pedindo emprego.
O Raul se apresentou como produtor, fez a entrevista, e desta entrevista ele faria músicas para mim. hoje eu entendo que era o trabalho dele, no qual me sinto honrada.
Eu esperava pela música, comparecia no local marcado, as vezes conversando em rodas de amigos, o Raul me chamava para dialogar, e não me falava sobre a vida pessoal dele, isso ocorreu até 1972 á 1973, envolvidos em um romance amoroso, quando o Raul me informou que ia viajar a negócios, e eu o perdi de vista.
Me casei em 1974, com o Né, voltei a ver o Raul, mas imediatamente eu não o reconheci, depois testando um pouco a memória me lembrei dele, e mostrei á ele um chaveiro no formato de um coração transparente cor de rosa escrito, I Love You, com as chaves de casa pendurada.
Certamente fui embora um pouco assustada.
Em 1975,eu estava viúva, voltei a Vê-lo, também em 1976. Em 1977 fui para o Rio de Janeiro, em seguida Bahia. Voltei a vê-lo em 1978,Ele estava bem preocupado, falando pouco, não era o estado normal dele,então perguntei oque se passava, porque estamos juntos sentados um do lado do outro a mais de meia hora, e nenhuma palavra,Me respondeu "Menas" ele estava visivelmente triste.Entrou no Teatro e desapareceu. Eu não havia entendido, mas agora eu entendo como " Mulheres" Nunca falou sobre assunto de mulher. Apenas em 1973, falou sobre uma filha e uma separação com quem ele estava casado. eu quase Morri, chorei minha vida deste dia.
Eu me considerava uma amiga dele, das horas difíceis.Queria ajudá-lo, mas eu mesma precisava de ajuda.
Voltei a vê-lo, andamos lentamente pela cidade, ele contando oque estava produzindo, só não consigo me lembrar o ano. Me convenceu a ir ao apartamento dele, eu fui , cansada dormi no sofá, quando eu acordei, com ele falando delicadamente,me chamando "Si", acordei assustada, pensando que estava perdendo a hora do trabalho, e que eu já estava incomodando, desde esse dia, vi mais uma vez, em abril ou maio,de 1989, não me lembro o mês, eu estava grávida ,trabalhando puxado em empresa de pesquisa fazendo Ibope, já se passava das onze da noite vi o Raul Seixas acompanhado por dois ou três amigos, e eu quase correndo para pegar o último ônibus. Esse amigo que me fez sonhar muitas vezes,que me ensinou oque é amor e amar,que respeitar nem sempre, que a vida é uma eterna brincadeira séria.
Foi só isso, desculpe algum constrangimento." - Depoimento extraído do blog https://wwwblogtche-auri.blogspot.com/2012/04/as-mulheres-de-raul-seixas.html?showComment=1549644460226&m=1#c3304378893433491180"
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Walter Portela
09 Jul, 2013
"RELEMBRANDO O MMDC
O dia 23 de maio de 1932 ficou marcado na história do país pela sigla MMDC, que são as iniciais dos nomes de quatro estudantes mortos em choque com a polícia getulista e que tornaram-se mártires da revolução constitucionalista, dando origem ao Movimento MMDC. Anos depois, a data foi oficializada como o "Dia da Juventude Constitucionalista", que lembra a participação dos jovens na revolução.
Na noite do dia 23, um grupo de populares saiu da Praça do Patriarca e se dirigiu para a sede do Partido Popular Paulista (PPP) e da Legião Revolucionária, um clube de tenentes favorável a Getúlio Vargas, na Praça da República, em São Paulo. Dentro do prédio, os legalistas resistiram. Como os revolucionários não conseguiam entrar, chegaram duas escadas para que populares invadissem. Um jovem subiu e tomou um tiro. Mais três tentativas foram feitas e os jovens foram baleados, resultando em quatro mortos: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo (MMDC). Um outro jovem, Orlando Oliveira Alvarenga, também foi baleado, mas faleceu meses depois, ficando fora da sigla MMDC. Para homenageá-lo e a outros estudantes anônimos, o governo do Estado criou o Colar Cruz de Alvarenga e dos Heróis Anônimos".
No dia seguinte ao tumulto, num jantar no restaurante Posilipo, foi fundado o MMDC, uma organização civil que passou a atuar na clandestinidade e exerceu importante papel na organização, apoio e treinamento aos revolucionários paulistas.
A morte dos jovens estimulou mais ainda a articulação dos paulistas. Minas Gerais e Rio Grande do Sul acenaram com apoio ao movimento armado em São Paulo. Flores da Cunha, interventor no Rio Grande do Sul, chegou a prometer pegar em armas contra Vargas. A data da revolução foi marcada para o dia 14 de julho, mas os acontecimentos se anteciparam. Bertoldo Klinger, comandante militar do Mato Grosso, que garantira apoio ao movimento, foi destituído do posto e transferido para a reserva. Diante do imprevisto, os paulistas resolveram apressar o início da revolução, que acabou estourando no dia 9 de julho.
TESTEMUNHA: O jornalista e escritor Silveira Peixoto testemunhou a morte dos estudantes Miragaia, Martins, Dráusio e Camargo, durante o confronto com a Legião Revolucionária em 23 de maio. Durante a Revolução, Peixoto fez a cobertura jornalística pelo Diário Nacional e numa entrevista publicada em julho de 1999 contou o que aconteceu.
"Na noite do dia 23, alguém lembrou que a Legião Revolucionária, o Partido Popular Paulista, ficava na Praça da República. Uma multidão partiu para lá. Já era noite fechada. Quando chegamos, mais ou menos na esquina da Dom José de Barros, veio uma rajada de metralhadora, dispersando o grupo. Juntamo-nos de novo e fomos correndo para lá, o último prédio à direita de quem vai para a Praça da República, na esquina com a Barão de Itapetininga. Tentamos abrir o portão reforçado e não conseguimos. Arrumamos escadas para subir à sede do PPP na sobreloja. Subiu um, que tenho a impressão que foi o Martins e... teve o peito picotado pela metralhadora. Eu ajudei a socorrê-lo, carregando-o dali mas já devia estar morto. Enquanto isto, subiram outros e aconteceu a mesma coisa. Nisso, a Força Pública, cercou o quarteirão e na base da conversa, conseguiu resolver o problema. Fomos então tratar dos baleados. Quatro estavam mortos e o Alvarenga ainda estava vivo. Imediatamente tratamos de levá-lo ao hospital. Ficou 15 dias internado e morreu. A sigla MMDC aproveitou Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo. Foi fundada antes da morte do Alvarenga, mas mesmo assim, nós o reverenciamos também."
- Mário MARTINS de Almeida
31 anos, solteiro, fazendeiro em Sertãozinho.
Nascido em São Manoel (SP).
- Euclydes Bueno MIRAGAIA
21 anos, solteiro, auxiliar de Cartório em São Paulo.
Nascido em S. José dos Campos(SP).
- DRÁUSIO Marcondes de Souza
14 anos, ajudante de farmácia em S. Paulo.
Nascido em São Paulo.
- Antonio Américo de CAMARGO Andrade
30 anos, casado, 3 filhos, comerciário em S. Paulo.
Nascido em São Paulo."