"Essa canção foi composta também por Tânia Menna Barreto (uma das mulheres de Raul) e isso explica a razão de ser tão plácida, tão suave, tão romântica, apesar de ser repleta de conotação sexual.
O título da música - Mata Virgem, fazendo alusão à mulher virgem - já nos é bastante sugestivo. Como se não bastasse isto, a única pretensão de Raul Seixas nessa música é descrever a sua amada.
Você é um pé de planta que só dá no interior,
no interior da mata,
coração do meu amor.
Nesta fase da música, é Raul quem fala. Ele caracteriza a sua amada como rara e única, como a fonte dos seus mais belos sentimentos.
Você é roubar manga com os moleques no quintal,
é manga rosa, espada,
guardiã do matagal.
Aqui, quem já roubou manga do quintal do vizinho, saberá bem a sensação que Raul quer passar. Roubar é uma aventura, roubar manga é gostoso, é prazeroso, é, além de tudo, algo que faz o coração palpitar, a adrenalina correr nas veias, ainda mais quando se é moleque. É assim que Raul a vê, como o ato de roubar manga, como a manga suculenta, deliciosa, com qual se lambuza.
Estes versos estão na música para dar suavidade, para dar uma ar infantil de ingenuidade.
Qual flor de uma estação,
botão fechado eu sou:
se amadurecendo pra se abrir pro meu amor.
Neste momento, não é Raul quem fala, mas sim Tânia. E aqui nos deparamos com a questão virgindade. Não estamos necessariamente falando de virgindade sexual (e estamos!). Quando diz estar se amadurecendo, Tânia sugere que seja virgem, ou que não está pronta para o sexo, ainda se preparando para isso.
Úmida de orvalho que o sol não enxugou,
você é mata virgem pela qual ninguém passou.
É capinzal noturno, escuro e denso, protetor
de um lago leve e morno:
teu oásis, seu amor.
Raul retorna a falar e a descrever Tânia. É então que tocamos no quesito "desejo sexual". Ela é virgem, mas nem por isso deixa de sentir desejo, de excitar-se. E é sobre isso que fala esses últimos versos: excitação feminina, pelos pubianos... Tânia e Raul, amor, sexo."