"Só sei de uma coisa. Raul Seixas, juntamente com P. Coelho, dois gênios. Apesar de estarem à frente de seu tempo, o contexto em si não permitia que o nosso grande astro estivesse fazendo uma apologia à poligamia, ao tal "poliamor", que à epoca eram tratados como libertinagem, coisas antinaturais. Apesar de, já naquela época (meados dos anos 75, sociedade conservadora e controlada pela censura), há de se convir que já havia, na socidade brasileira, uma revolução sexual e de costumes - Woodstock e outros movimentos contemporâneos mostram.
Mas enfim, vamos pensar no contexo da época. Raul teve o caso extra-conjugal, que também se tornou fracassado pela não aceitação da nova mulher em ver o astro, rodeado de fãs, se aventurando com outras mulheres.
Para mim a letra foi feita de modo cuidadoso ao abordar os dois temas, mas acho muita fraqueza de sensatez, carnal e de humanidade, achar que Raul estava prevendo um situação atual, dos anos 2020, de amor livre e consensual. Que por mais que tenha se tornado mais comum nos dias de hoje, e cresça ainda mais nas próximas décadas, séculos, ainda vai ser mera exceção à sociedade em geral, independente de imposição ou não de valores conservadores. Jamais que um gênio como Raul Seixas, por mais que tenha feito letras complexas, por influência da cultura comportamental diferente de Paulo Coelho, com uma visão transgessora dos valores de então, tenham pensado nessa letra de "A Maçã" voltado para uma questão que, como disse, ainda que tenha se fortalecido e sido mais assumido na sociedade atual - o tal "poliamor", que passem milênios, por questão até de lógica, sempre será excepecional ao resto da sociedade. Questão de lógica, e abordagem de AMOR que ele faz jamais seria excepcional ou fora de lógica. Por mais que tenha passado por crise amorosa no mmomento da composição - aliás, talvez pela falta de compreensão da então companheira, houve o desgaste que ele fala na primeira estrofe.
Logo, na minha humilde opinião, por mais que Raul esteja anos luz à frente de compositores da epoca, ele estava abordando sobre as várias interpretações lógicas do que é o Amor, que não é só o carnal entre um homem e mulher (Eros), mas também há o amor incondicional aos filhos, pais, parentes e irmãos e pessoas próximas de confiança (Philia), e também, aquele que transcende todos estes que é o querer bem, irracional e inexplicável, a todos os humanos à sua volta (Ágape). A maçã representa o Eros, e realmente, o amor carnal entre homem e mulher (e veja, a letra parece até machista, quando alguns adeptos da poligamia interpretam que ele está falando de mais de uma mulher... mas que "modernidade" é essa que não inclui os outros componentes da quase infinita lista de "personas" da ideologia de gênero?), e este amor carnal atrapalha os outros tipos de amor: de amizade com amigos, sejam homens e mulheres sem envolver sexo, com os parentes, filhos, pais, e o parceiro quer exclusividade (por isso ele fala de egoísmo).
Enfim, esta é a interpretação a meu ver mais plausível, em consideração ao contexto da época, e Raul Seixas, por mais que em outras obras tente ser trangressor com religião, comportamento, quando fala de amor, está alertando e pregando sobre o conceito lato de amor, que o amor carnal entre um casal faz cegar os outros tipos de amor por mero ciúme e egoísmo. E me perdoem os adeptos do poliamor/poligamia/poli não sei quê, ele jamais faria uma letra para algo que, pela lógica, sempre vai ser exceção, possam passar mil anos, pois o homem é ser racional, e este tipo de amor, exclusivamente carnal, não significa evolução alguma, pois não tem e nunca vai ter qualquer lógica com a convivência em sociedade, muito menos com a expressão universal do Amor, essa que nunca vai mudar, e é dessa expressão que obviamente nosso gênio brasileiro da música, juntamente com o brilhante Paulo Coelho, estava se referindo ao compor esta canção, e fizeram para dar este multiplo sentido, mas jamais para pregar algo que não tem qualquer racionalidade ou lógica na sociedade, mesmo que passem milhões de anos."
"Ao meu entender dessa linda letra de Raul, eu vejo como um pensamento liberal, no qual defende que nós devemos fazer oque bem entendermos, confiando único, e exclusivamente no coração. Raul era contra qualquer tipo de opressão, sendo assim, ele não achava errado que a pessoa que você ama, se relacionasse com outras pessoas, pois isso é um desejo carnal, instintivo. E que isso não fará com que os laços de amor se desprendam. Isso é deixado em evidencia nos versos: "Se eu te amo e tu me amas
E outro vem quando tu chamas
Como poderei te condenar
Infinita tua beleza
Como podes ficar presa
Que nem santa no altar…" Neste trecho fica em evidencia que, se a pessoa que ele ama, esta em "chamas" e vem o outro, ele não poderá condena-la, pois é um desejo que provem do ser humano, todos tem desejos, e eles são oprimidos na sociedade em que vivemos,sendo elas, por razões culturais e religiosas.
Muitos de nós, fazemos analogias dessa letra mesmo que não concordando 100% com essa ideologia, justamente pelos fatores culturais em que vivemos, Raul tinha um pensamento diferenciado, muitos dizem ser a frente de sua época, Vejamos dessa maneira que sua linha de pensamento é valida, afinal todos temos vontades, porém não aceitaremos bem essa ideologia, pois a maioria de nós, provém de uma cultura exercida pelo cristianismo, ou seja, pregam por um relacionamento mutuo entre duas pessoas. Já Raul tinha uma ideologia mais liberal. Exemplos como este, podem ser facilmente percebidos em vários trechos da música, e que com uma analogia mais cuidadosa, irá mostrar justamente isso, vejam também, na seguinte estrofe: "Quando eu te escolhi
Para morar junto de mim
Eu quis ser tua alma
Ter seu corpo, tudo enfim
Mas compreendi
Que além de dois existem mais" Ele acha de certa forma um egoísmo, esse tipo de atitude, que se for pensada mais a fundo, todos temos essa postura, em nosso relacionamento. Pois diariamente, "queremos ser o outro", "ser sua alma", "ter seu corpo", e isso nunca será possível, pois são pessoas diferentes, com corpos diferentes, almas, e possuem sim, desejos. Isso pode ser melhor observado por exemplo, na opressão do homem a mulher, e vice versa durante um relacionamento. Então quando ele diz, que compreendeu que "alem de dois, existem mais" foi justamente isso. Que o outro como um ser humano, também tem "vontades", e que "quem gosta de maça irá gostar de todas porque todas são iguais" É isso, porque o outro não vai gostar de outra maça, se todas são iguais? Essa foi minha analogia, me desculpem se não ficou bem redigido, tentei explicar minha analogia. Achei muito interessante este site, Obrigado e tudo de bom a todos! ;)"
"Eu acho q esse cara estava há anos luz à frente de seu tempo em todas as letras de suas músicas. Nessa música em especial, me parece ser ele o traído e não ela. Embora ele sofra com a traição e ame a mulher, ele tenta justificar a atitude dela e entendê-la, por mais q ele sofra. Pois, como ele diz "o amor só dura em liberdade", e "se esse amor ficar somente entre os dois vai se gastar, pois a estará privando de um sentimento natural, da natureza humana, q é o de desejar "outras maçãs" ainda q goste de uma (ainda q ame uma pessoa).A maçã representa a tentação, o interesse, o desejo por outra pessoa a que todos estamos expostos mesmo quando amamos alguém. Pois isto seria algo natural, da natureza humana. Por isso creio q aqui ele usa o trecho da letra para representar isso: "pq quem gosta de maçã irá gostar de todas, pq todas são iguais" (a tentação de provar outras, quando já se conhece o sabor de uma, se quer provar outras.) Então a meu ver, aqui nessa parte, ele fala desse desejo, dessa atração por outra pessoa q é algo natural de acontecer, ainda que amemos alguém. Então, por isso ele diz q "um amor a dois profana o amor de todos os mortais", quer dizer, um amor monogâmico vai contra a natureza humana.Embora os dois se amem,ele entende q se esse amor ficar somente entre os dois vai se desgastar, ou seja, se ele não a libertar, ele vai perdê-la. O ciúme, seria só o ego ferido(a "vaidade"),esse sentimento de posse,de querer ter a pessoa amada só p si, como "uma santa no altar", ou seja, intocada, só p a veneração dele. Eu entendo essa música como um momento de reflexão de raul seixas, passado p o papel em forma de poema, uma racionalização do fato, justificando p ele mesmo q como poderá condená-la qdo ela "chama outro", se ele a estará privando do q ele mesmo mais venera q é a beleza de deitar (fazer sexo)que seria um desejo natural, da natureza humana e não somente limitado a um parceiro, ainda q se ame. Qdo ele escolheu ela p ser sua mulher ele imaginou, fantasiou, sonhou com um amor sublime, tipo paixão, desejo q nunca acabaria, como os dois sendo tudo um p o outro e q isso bastaria, mas agora ele compreendeu q isso não é o bastante. As coisas mudam.
Lindo!!!!
Queria esse cara p mim.
A maçã, nesse contexto, seria a tentação."