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Matheus Elidio
15 Jul, 2015
"Será que só eu vi claramente a vida de um usuário/traficante de drogas nessa música ?
"A ideia lá comia solta, subia a manga amarrotada social" - retrata as conversas que os usuários/traficantes tem uns com os outros, 'manga' em alguns lugares de São Paulo e outras cidades se remete a maconha, que é descriminada 'amarrotada' socialmente... "no calor alumínio" as embalagens de maconha no tempo quente geralmente é alumínio pra conservar mais, "nem caneta, nem papel, uma idéia fugia" a criatividade que tiveram na hora da brisa pra fazer alguma coisa ou compor uma música, " era o rodo cotidiano" o cotidiano em círculos, todo dia a mesma rotina, "o espaço é curto quase um curral" os locais aonde se buscam drogas, a biqueira, cracolandia, um curral é sujo e fede porcos, "na mochila amassasa, uma quentinha abafada" serve pra ambos trabalhador e usuários ou traficantes, a marmita que se guarda na mochila, a droga quentinha pronta pra consumo abafada na mochila, "meu troco é pouco, quase nada" o pouco dinheiro que sobra dos usuários de drogas com seu consumo ou o trocado que fica para traficantes pequenos, "não se anda como se gosta, mas por aqui não tem jeito, todo mundo se encosta" - o fato de não poder andar bem usando tanta droga, todo mundo nos becos do tráfico se encosta, "ela some lá no ralo de gente, ela é linda mas não tem nome, é comum e é normal" a droga some consumida naquelas pessoas que vivem no esgoto, no lixo de vida descendo ralo abaixo, linda mas não tem nome, falcão elogia a maconha e diz que não se tem nome, hoje em dia já está comum ela já é algo normal de se encontrar, "sou mais um do Brasil na central" ele é mais um que usa, "da minhoca de metal que entorta as ruas" qualquer pessoa que pegue um trem ou metrô, ou que usa algo que deixa a visão distorcida das ruas, "como um concorde apressado, cheio de força que voa voa mais pesado que o ar", pode ser um trem ou aquela brisa boa que bate apressadamente na mente cheia de força, a brisa que passa rápido, ele descreve a brisa dizendo que a consciência sobre uso de drogas te faz voar mesmo sendo mais pesado que o ar, e o avião, o avião, o avião do trabalhador" realmente acha que é somente um avião comum? Nome dado aos traficantes, avião, que traficam pra trabalhadores... ô ô ô ô ô my brother, ele chamando o usuário/traficante , como um brother, um amigo, um irmão... agradeço a humildade de não me julgarem pela minha interpretação !"
W
Wanderley Júnior - Odontolgia UFC
26 Set, 2010
"Depois de ler a letra e/ou ouvir a música. Responda às questões a seguir:
1. Quem fala nesta letra de música? Explicite algumas características desse “eu”.
O “eu” que fala no texto é um trabalhador, tipicamente brasileiro, que usa o metrô como seu meio de transporte para ir e voltar do trabalho. Ele parece ser uma pessoa de uma classe economicamente menos favorecida.
2. A letra fala, em geral, sobre o quê?
A letra fala do dia-a-dia, do cotidiano de um trabalhador brasileiro, que vai e volta do trabalho utilizando o metrô. O personagem fala, no decorrer da música, de como é o trajeto, como é dentro do próprio metrô e como ele se sente nesse meio de transporte.
3. A que se referem as expressões “no calor alumínio”, “minhoca de metal” e “Concorde apressado”? A personagem está confortável nesse ambiente? Que elementos do texto comprovam sua resposta?
A primeira se refere ao calor que faz dentro do metrô e as outras se referem ao próprio meio de transporte. Não. Os versos em que ele fala que o espaço é tão curto que parece um curral, que sua mochila está amassada e principalmente quando fala: “não se anda por onde gosta, mas por aqui não tem jeito, todo mundo se encosta”.
4. No verso “A ideia lá comia solta” o que seria essa “ideia” e o que, no contexto em questão, significa “comia solta”?
Seria a conversa, o “papo” entre os passageiros do metrô. E “comia solta” é uma expressão muito utilizada na linguagem coloquial que quer dizer que a conversa fluía, as pessoas conversavam bastante.
5. Nos versos “o espaço é curto / quase um curral”, você consegue enxergar alguma crítica social? Explique.
Sim. Porque quando o narrador compara o espaço do metrô a um curral, ou seja, um local onde são criados animais, ele denuncia as condições desumanas às quis o trabalhador é submetido e as precariedades dos meios de transporte públicos. Dessa forma, cria-se uma crítica apontando como os trabalhadores são, muitas vezes, tratados como animais.
6. Na terceira estrofe, o “eu” que fala no texto se refere a uma mulher. Quem seria ela?
Seria uma mulher que o narrador enxergara em meio à multidão do metrô. E, como ele mesmo diz, uma mulher comum e normal, a qual ele nunca mais pode rever no metrô.
7. A Central do Brasil é uma estação de metrô do Rio de Janeiro. É um lugar muito movimentado e, por lá, passam cerca de 42 mil pessoas de segunda a sábado. O que o autor quis mostrar ao dizer “Sou mais um no Brasil da Central”?
Ele mostra que é apenas mais um trabalhador brasileiro, homem comum que passa todos os dias pela Centra do Brasil e que utiliza o metrô como meio de transporte.
8. No verso “Como um Concorde apressado” há uma comparação. Explique o sentido dessa comparação no texto.
Neste verso, o metrô é comparado ao Concorde, um avião apressado. Essa comparação mostra que o metrô é tão forte e tão veloz como o avião.
9. A última estrofe da música se refere a quê? Apresente a sua interpretação deste trecho da música.
Essa última estrofe se refere a uma possível identificação do narrador com outros milhares de brasileiros trabalhadores como ele, uma vez que, traduzida, a expressão significa “meu irmão”.
10. Com base na letra da música, o que você entendeu como sendo o Rodo Cotidiano? Explique como o título da música se relaciona com a letra.
O título se refere, inicialmente, à rotina do trabalhador. Rotina essa que é extremamente massacrante, cansativa e da qual não há como fugir. E a palavra “rodo”, nesse contexto, pode estar ligada à expressão “passar o rodo”, no sentido de jogar no ralo. Sendo assim, rodo cotidiano é a vida cotidiana, é a rotina dura de muitos trabalhadores em meio ao desconforto dos meios de transporte do Brasil.
Objetivos:
- Acionar conhecimentos necessários para construir sentidos para o texto.
- Interpretar expressões com sentido figurado.
- Construir uma interpretação para um poema/letra de música.
Avaliação:
É importante considerar, nesse tipo de atividade, o processo de interpretação e não apenas o produto. Deve-se avaliar cada passo e estratégia utilizados para que o texto seja compreendido. Durante as discussões sobre as possíveis interpretações do texto os alunos provavelmente surgirão algumas que não eram esperadas pelo professor, mas que, no entanto, não deixam de ser plausíveis e devem ser avaliadas pelo grupo. È importante que os alunos percebam que o sentido em muitos casos exigem esforço do leitor, que precisa montar o “quebra-cabeça” proposto pelo autor.
Sugestão:
O professor pode trabalhar com outras músicas que falem sobre o dia-a-dia do trabalhador para fazer comparações com a música em questão. A música “Cotidiano”, de Chico Buarque, por exemplo, poderia ser trabalhada numa atividade comparativa.
O professor pode também chamar a atenção dos alunos para expressões como “My brother”, que significa meu irmão, o que nos leva a inferir uma possível identificação do narrador com os outros milhares de trabalhadores brasileiros, “quentinha abafada”, que se refere à marmita levada pelos trabalhadores. Enfim, trata-se de expressões que fazem parte de uma linguagem que revela o meio social em que vive a personagem."