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Rodrigo Filgueira
24 Jan, 2017
""Se meus joelhos não doessem mais diante de um bom motivo que me traga fé", faz referência a busca por algo de forma incessante, algo importante pra ele, mas "o algo" parece ser uma ilusão, pois os seus joelhos já doem e ele ainda não foi atendido. Se por "alguns segundos" eu observar "e só observar" a "isca e o anzol", significa a isca e o anzol estão prontos para a pesca, mais ainda não vejo peixe, "ainda sim eu estarei pronto pra comemorar" --> se eu me tornar menos faminto e curioso, ou seja, devemos ter paciência, somos muitas vezes imediatistas<--, pois o mar escuro trará o medo, as dificuldades, tensões, pressões, derrotas, é cansativo, doído, traz medo como o mar escuro, mas logo do lado do mar escuro ou dentro do mar escuro estão os corais mais coloridos, a recompensa o colorido da vida ou depois da tempestade, essa recompensa é como se fosse uma ilusão, o peixe que não veio ainda também poderá vir. Se eu ousar catar as palavra de um livro sem final, a sempre o que aprender neste livro que é a Bíblia, o seu contexto não tem um fim, pode até falar de um final, o fim do pecado, Apocalipse pode ser o último livro da Bíblia, entretanto contextualmente isso não faz dele o ponto final, ele é um livro muito importante pois revela um dos acontecimento mais importantes da Bíblia a volta de Jesus, o Juízo dos ímpios (destruição destes), salvação dos Justos, entre outras revelações, porém não tem fim as suas instruções e ensinos, "a Bíblia sem final", diferente desse outros livros que tem um final, pois se deixar de ler o Apocalipse não vai deixar de saber que Jesus é Deus e estar escrito em João, e se ousar catar as palavras deste Livro sem final, vai saber que valerá a pena ser um pescador de ilusões, ilusões, pois elas não existem por momentos até tornarem-se realidades pela fé, por isso vale a pena ser um pescador de ilusões, Jesus não voltou ainda como Apocalipse diz que Ele voltará, no momento é uma ilusão, até em outro momento tornar-se realidade."
S
Sérgio Soeiro
11 Nov, 2009
"Nesta música, embora a riqueza de metáforas permita mais de uma possibilidade de interpretação, há várias pistas textuais que nos levam a concluir que sua temática é a religião.
Já nos versos iniciais percebemos esta idéia:
"Se meus JOELHOS não DOESSEM mais
Diante de um bom motivo
Que me traga FÉ".
Analisando as duas primeiras palavras destacadas, podemos observar idéias implícitas que nos remetem a sacrifícios religiosos. Como vivemos em uma sociedade predominantemente cristã e “estar de joelhos” é uma ação significativa no ritual cristão, principalmente por traduzir sacrifício, não é difícil associar as duas idéias. Mas não podemos nos esquecer que “ficar de joelhos” não é uma prerrogativa exclusiva dos rituais cristãos.
Na seqüência aparece a palavra FÉ. Esta associação FÉ-DOR-SACRIFÍCIO logo no início do texto anuncia a temática e já dá indícios de como o eu-lírico se posiciona a respeito da questão.
No verso seguinte:
"Se por ALGUNS segundos eu OBSERVAR
A Isca e o Anzol".
O verbo retira, ainda que por pouco tempo (alguns segundos) o eu-lírico do contexto. Ele passa à condição de observador. Na seqüência, quando mostra o que está sendo observado, fica mais clara a posição dele. Se pensarmos no cenário religioso de nosso país, o que seria a “isca e o anzol?”.
Certamente que uma das possibilidades de resposta seria a maneira como muitos líderes religiosos conduzem suas igrejas, utilizando artifícios para “pescar” novos adeptos. Não são raros os escândalos que envolvem abuso de poder por parte de pessoas que estão à frente das igrejas. A partir destas constatações, dá para entender a metáfora.
Na seqüência ele fala em "comemoração". Também não é muito difícil entender este verso, considerando que estamos no Brasil. Em nosso país parece haver uma disposição constante para promover festas, carnaval, etc.
Logo em seguida o trocadilho:
"Menos faminto que curioso"
Qual é a condição de quem está “faminto”? Como se comporta um “curioso”? O que significa ser menos curioso? Este verso traduz idéia de acomodação, afinal, deixar a curiosidade de lado é assumir uma atitude que traduz uma certa passividade, ou uma ausência de questionamentos.
Interpretando as idéias implícitas nos versos seguintes:
"O mar escuro trará o medo lado a lado
Com os corais mais coloridos"
Se ele estiver menos “curioso”, ele terá “medo”, mas, em troca, terá “corais coloridos”. Se considerarmos a doutrina de várias religiões cristãs e a representatividade céu-inferno, o medo está intimamente ligado a eles. Onde estariam os “corais coloridos?” Provavelmente no céu, mas para se chegar lá são necessários alguns requisitos, dentre eles “temer a Deus”.
No refrão:
“Valeu a pena, Sou pescador de ilusões”
Dentro do contexto religioso, que referência há sobre pescadores? Nos apóstolos que acompanham Jesus Cristo. Eles eram pescadores. Quanto às ilusões, elas representam acreditar em alguma coisa que não existe (ou seja, a Fé). Então, o que seria um “pescador de ilusões?”. Uma das possibilidades a ser considerada é que seria alguém a procura de algo em que acreditar. Outra possibilidade seria alguém que se utiliza de elementos religiosos para explorar a fé e o medo de pessoas simples.
Na última estrofe, aparece a palavra “livro”. Se formos analisar o termo dentro da perspectiva cristã, a idéia implícita é a Bíblia. Como sabemos, o último livro do Novo Testamento é o Apocalipse, que narra a volta de Jesus Cristo e o fim do mundo. Segundo a narrativa, as pessoas que não tenham se comportado de acordo com os mandamentos de Deus não irão para o reino dos céus.
No final da letra, o eu-lírico propõe “As palavras de um livro sem final”. Seria, portanto, o desejo de encontrar uma prática religiosa na qual ele não precisasse manifestar tanto sacrifício, baseado nas idéias de que Deus não deseja o sacrifício de ninguém, e que são os homens que detêm o poder quem criam as diversas religiões, e por intermédio destas subjugam outros homens."