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Adílio Ferreira Soares
08 Jun, 2020
"Gostaria de acrescer, também, que minha interpretação se refere aos últimos versos, e não contradiz, mas complementa do Rogério, acima. "Enquanto isso", diz a música, ou seja, enquanto não se dá a segunda vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo (ou nossa ida até Ele através da morte?), tal qual afirmaram os anjos após a ascensão de Jesus (cf. Atos 1, 11), "só nos resta insistir, na questão do desejo", na questão da vida, da alegria, do entusiasmo das crianças ante coisas simples, insistir na questão da alegria, da vontade de viver, de eros, na questão de "não deixar se extinguir" o amor, "desafiando de vez a noção", pregada por muitos recalcados, reprimidos, diria Freud, mórbidos, diria Nietzsche, de "que o inferno é aqui". Ou seja, a noção de que essa vida é apenas uma vida de expiação, de sacrifício, de dor, para se merecer a outra vida, no "céu". Invés "da noção na qual se crê que o inferno é aqui", talvez o autor prefira a de se "construir o paraíso agora, para merecer o que vem depois", como canta Beto Guedes, na canção "Sal da Terra". Talvez o autor interprete João 10,10, "Eu vim para que todos tenham vida, e vida em abundância", não apenas em relação à vida após a morte, mas também em relação a ter vida nesta vida, pois uma coisa é estar vivo, outra coisa é ter a vida em você. Ainda que, segundo Santo Agostinho/Agostinho de Hipona, só poderemos ter 100% de felicidade, de plenitude, no "céu", penso que o autor, então, almeja os 99%. Curiosidade: a etimologia da palavra "entusiasmo" sugere algo como repleto, transbordante (sufixo "ismo") de Deus (tus=teos, do grego) dentro (en=para dentro ou de dentro, do latim). Prof. Ms. Adílio Soares."