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Roseane Frexiella
17 Jun, 2010
"“Será só imaginação...”, a intenção de Renato Russo?!!
Reflexo da visão de mundo que o autor tem, “Geração Coca-Cola” é sem dúvida uma música instigante.
Partindo da premissa de que o autor não mais se encontra entre nós, torna-se, religiosamente discutível, qualquer interpretação de sua obra. Partimos, então, para nossa “discutível intenção”, expressão cunhada por Eco (1990, p.91).
Decodificar o subjetivo?!! OK! Vamos lá...
Renato Russo mobilizou o imaginário de uma geração com suas letras altamente politizadas. Apesar de ser escrita há algum tempo, é bastante atual, ou seja, nada mudou!
Ao dizer que “quando nascemos somos programados”, Renato Russo pode estar fazendo uma alusão a John Locke que dizia que somos como “tabula rasa”, enfim... Filosofando um pouco menos, podemos entender de outra forma: nada se questionava no que dizia respeito ao que muito nos atingia. A sociedade, por conta também de uma fase ditatorial, era apática, inerte de tudo o que ocorria ao seu redor. Havia muita repressão. Os movimentos de todos os setores que ousaram transpor esse regime foram brutalmente combatidos. Não diferente, no espaço escolar.
A abertura do mercado, subordinando o país ao capitalismo internacional do qual recebemos recursos financeiros (endividamento externo) e suporte tecnológico (por meio de empresas multinacionais), revela a “cordialidade brasileira” - “a receber o que vocês nos empurraram”.
O “lixo” que ao nosso país restava e que “desde pequenos nós comemos” pode ser entendido como em referência a produtos e serviços obsoletos para as grandes nações. É sabido também, que o liberalismo “vendido/imposto” para o Brasil foi em sua forma mais cruel e radical do que o implantado nos demais países europeus, daí a expressão “lixo”. Outra hipótese, não menos intrigante, seria a das grandes empresas de fast food`s, como por exemplo, Mc Donald`s, Coca Cola e afins, levando a população ao consumismo quase que compulsivo.
Já dizia o ditado: “você é o que você come”, aplicado no momento é bem constrangedor, quando não, deprimente.
Esse “lixo” é também o produzido pela mídia, reforçadora de ideologias das elites, acredito ser esta a hipótese mais coerente.
“Vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês”. Adotando medidas ditadas pelo acordo MEC-USAID, a quem iria atingir uma má formulação das políticas educacionais, que se não a nós mesmos. Como daria bons frutos, se a semente não foi bem tratada? Escolas públicas descentralizadas, poucos investimentos na educação, analfabetismo em números alarmantes, falta de vagas no ensino superior etc.
“Somos burgueses sem religião”, aqui podemos lembrar que a religião havia perdido sua representatividade no espaço escolar, a escola passou a ser laica.
“Somos filhos da revolução”, sim somos, e sustentados na ideia de que nossos pais irão nos proteger, nada fazemos a não ser ter orgulho. Somos, mediocremente, os filhos DA revolução.
Quando, enfim, iremos nos tornar adultos? Responsáveis? Críticos? E então sermos “O FUTURO DA NAÇÃO”, com toda a conotação positiva que a frase possa carregar?
“Depois de vinte anos na escola”. Seria conspiração excessiva? Quero acreditar que Renato Russo está nos lembrando aqui o período de, também, vinte anos de ditadura militar no Brasil. Tempo suficiente para lembrar de outro jargão: “Já que não dá pra vencê-los, junte-se a eles”, “não é assim que tem que ser”. Difícil descobrir se é uma pergunta ou uma afirmação positivista. Renato... Sempre devolvendo, como nossos professores, a pergunta para nós mesmos.
Renato atemporal! Russo profeta! “Suas crianças derrubando reis”. Geração Coca-Cola, cara-pintada, internet, desempregada, não importa. Fato é que (fora do regime militar) temos voz e corremos atrás, bem menos do que deveríamos, mas “vamos fazer nosso dever de casa”. A primeira lição foi a campanha pelas Diretas-Já, um memorável movimento cívico popular. Não conseguimos, inicialmente, mas houve mudanças significativas. Também não dá para deixar de comentar o impeachment do então Presidente Collor de Mello (nesse eu estava lá, cara-pintada, cheia de esperança... ilusões), a verdade é que falta mais esclarecimento, uma visão mais crítica, mais apurada da política atual...
Para não ficar só no faz-me rir... E quanto à “fazer comédia no cinema com as suas leis”, “seria cômico se não fosse trágico” o sucesso do filme “Tropa de Elite” de José Padilha, que revela toda a sujeira por trás dos sistemas no país. Que vergonha a realidade quando revelada, assim, abertamente.
Geração Coca-Cola, mas bem que podia ser Geração Enem do Magistério!
“Quem roubou nossa coragem?”
Este foi um trabalho para a faculdade, adorei fazê-lo,e busquei inspiração nas postagens de "look at" e "Natasha".
Qualquer dúvida, sugestão ou crítica: roseane.frexiella@hotmail.com"
"Acredito que essa música seja bastante interessante... porque mesmo tendo sido escrita a alguns anos ela continua extremamente nova.
No primeiro paragrafo ele fala do que o pessoal já falou aqui em cima: Que nós eramos "mandados" pelo EUA, jogavam os produtos importados em cima da gente.
No segundo, ele começa falando que "desde pequenos nós comemos lixo, comercial industrial", obviamente falando de coisas como McDonald's e afins. Que são comidas totalmente não saudaveis... (acredito que não preciso me delongar muito sobre isso.. ate porque continua sendo uma assunto extremamente atual.). Quanto a segunda parte dessa estrofe... não concordo muito com o que disseram. Como a lu(?) falou precisamos contextualizar a música no periodo em que ela foi escrita. Nos anos 80 houve uma intensa valorização do que é brasileiro, valorização do nacional, tanto que foi nessa época que surgiram algumas das melhores bandas que existiram nesse país. (Nem falo nada sobre a "musica" de agora TT Não sei qual o conceito depravado de musica que as pessoas tem ao colocar "Rebolation" e "Bicicletinha" nessa categoria FATO)Voltando, acredito que o "Mas agora chegou nossa vez / Vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês" está se referindo a isso, a valorização da musica, da cultura nacional e a "expulsão" do americano. Pra voces terem uma ideia, festa de 15 anos nessa epoca, dos anos 80 eram apenas musicas brasileiras, tudo tudo.
Ok, terceira estrofe agora ^^
"Somos os filhos da revoluçao" -- A geraçao dos anos 60/70 é que foram REALMENTE os revolucionarios, os jovens revolucionarios, os jovens da decada de 80 ficariam como os que vieram apos a revoluçao, que nasceram DA revoluçao.
"Somos burgueses sem religião" -- Foi uma epoca de liberalismo e certo ceticismo com relação a religião. Então muitos jovens realmente estavam "sem religião", só se importavam com dinheiro, festas e bebidas ("burgeses")
"Somos o futuro da nação" -- UAHSAHS Adooro essa parte. Ele usa uma ironia, muito bem medida nesse momento. Algo tipo "nós somos o que voces criaram! filhos da revoluçao, burgueses sem religiao, voces apenas esqueceram que nos somos o futuro da naçao. Percebem o "monstro" que voces criaram?" Acho beeem interessante essa parte, porque ele critica abertamente, mas de uma maneira camuflada (como só o Renato faz)
"Geração Coca-Cola" -- Foi a maneira que ele usou pra descrever essa geração (obvio z/ UHAUHSUAS). Uma geraçao que "viveu" a base de coca-cola, foi o boom dessa marca.
Quarta estrofe, bem essa eh a que eu mais gosto. Talvez porque eu seja adolescente (15 anos) e esteja na escola. Mas enfim:
"Depois de 20 anos na escola / Não é difícil aprender / Todas as manhas do seu jogo sujo" -- Como estudante eu posso dizer que isso é "verdade". Hoje provavelmente menos do que naquela época. Contextualizando a musica, ela foi escrita no ano em que foi derrubada a ditadura, nessa epoca as escolas era controladas pelos militares, e como qualquer regime ditatorial eles não iam abri espaço pra revoltas e afins, foi ai que acabou o ensino brasileiro TT Nós passamos a ser ensinados pra passar no vestibular e apenas isso. O pensamento, a reflexão critica... tudo isso foi "abolido" do ensino. Depois de 20 anos de escola, as pessoas já sabiam todo o jogo sujo de controle e manipulaçao usado pela ditadura e nao apenas essa, mas tambem todo o lance com os Estados Unidos e tal.
"não é assim que tem que ser" -- Acho legal isso... porque ele afirma que aprendeu "todas as manhas do jogo sujo", mas tb diz que nao é dessa maneira que deve ser. As pessoas nao devia aprender [b]isso[/b] na escola, deveria ser algo beeem alem! Ele diz que o "sistema" os transformou naquilo, mas que não é assim que deveria ser, ele dá uma esperança tipo, "ainda podemos mudar!"
Quinta estrofe [Terminaandoo o/o/o/]
Ele diz que vão "fazer o dever de casa" e diz que eles vao ver "suas crianças derrubando reis, faze[endo] comedia no cinema com a suas leis", ou seja as "crianças" que eles manipulavam, achando que eram inocentes e que nao iam ligar pra nada, agora estao crescidinhos e fizeram o dever de casa, aprenderam as manhas do jogo sujo e agora estao ali pra "acabar" com eles. Vão derrubar os reis (nesse caso pode ser interpretado como os militares que estavam no poder, como os pais, os EUA.... E adiantando alguns anos, se aplicaria muito bem ao Collor, por exemplo.) e fazer comedia no cinema com as leis (ou seja, vao ridicularizar as leis estupidas e regras inuteis ditadas pela sociedade e os governantes.)
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Espero que tenho sido uma analise critica interessante... É a primeira vez que venho ao site, e parece q tem o Sergio Soeiro, que comenta vaarias musicas (#vozdarazao)... Se voce estiver afim de comentar o que achou do que eu escrevi, agradeço xS E nao so ele, mas todos. Se alguem quiser falar comigo: natashacmedeiros@hotmail.com
Beijoos ;**
PS- perdao se tiverem partes meio confusas ou repetitivas, eu escrevi e nao revisei nada z/ Reflitam q ja são duas da manha.. entao, acho que e compreensivel xD"