"Ah, Engenheiros... Pra entender bem suas letras você tem por vezes de ir até outras canções da banda... Apenas uma música é explicitamente ligada ao amor entre pessoas (pai e filha) que é "Parabólica"... "Piano Bar", "Infinita Highwai", "Eu que não amo você, entre outras que dão tudo a entender que se trata de paixões platônicas, na verdade tratam de existencialismo, baseados em versos e teorias de Sartre, Nietszche, Romanegeus, entre outros grandes filósofos...
Pra ser sincero não é diferente, aqui, Gessinger expõe um conflito entre um eu lírico do presente e do passado (que no final, flerta com seu futuro...):
"Pra ser sincero não espero de você, mais do que educação,
Crimes sem castigo, aperto de mãos, apenas bons amigos..."
O eu lírico do presente fala para o eu do passado que não espera dele mais do que um espaço quando se pede "com licença, chegou minha vez", ou consequências que o presente irá viver por atos cometidos no passado, cordialidade entre os tempos e as lembranças boas.
"Pra ser sincero Não espero que você Minta!
Não se sinta capaz De enganar, Quem não engana A si mesmo…"
Aqui há o confronto do eu do passado com o que foi dito anteriormente pelo eu do presente, falando do seu aparente desapego ao seu passado, querendo enganar-se... ...a si mesmo.
"Nós dois temos Os mesmos defeitos
Sabemos tudo A nosso respeito
Somos suspeitos De um crime perfeito
Mas crimes perfeitos Não deixam suspeitos…"
E aí o eu presente retruca o eu do passado, sabendo que sabe da forte ligação entre eles, mas que o passado fica pra trás de maneira tal que é como "não se deixar rastros num crime", não há como se viver sempre do passado, tem que obrigatoriamente se seguir em frente...
"Pra ser sincero Não espero de você
Mais do que educação Beijo sem paixão
Crime sem castigo Aperto de mãos Apenas bons amigos…"
E o eu presente reforça sua decisão, acrescentando o "beijo sem paixão", totalmente inverso ao único sentimento para ele, que fizesse uma pessoa voltar atrás: o amor...
"Pra ser sincero Não espero que você
Me perdoe Por ter perdido a calma
Por ter vendido a alma Ao diabo…"
Aqui, o eu passado, já quase como entregue ao que está acontecendo, essa passagem de uma fase da vida a outra, passa pro eu presente o que ele acha que está causando tudo isso: a perca de sua pureza, daquilo que não lhe permitia viver novas sensações e experimentar certos prazeres (certamente a passagem da vida infantil para a vida adulta).
"Um dia desse Num desses Encontros casuais
Talvez a gente Se encontre Talvez a gente Encontre explicação…
Um dia desses Num desses Encontros casuais
Talvez eu diga: -Minha amiga
Prá ser sincero Prazer em vê-la! Até mais!…
Nós dois temos Os mesmos defeitos
Sabemos tudo A nosso respeito
Somos suspeitos De um crime perfeito
Mas crimes perfeitos Não deixam suspeitos…"
E aí, no gran finale, o eu presente (adulto) se despede meio que consolando o eu passado (menino), falando que talvez eles se reecontrem, através de fotos, vídeos, e aí possam fazer uma reflexão de tudo que aconteceu, e simplesmente, seguir adiante ("prazer em vê-la, até mais...). E reforçando mais uma vez que não há como voltar atrás, é biologicamente impossível viver pra sempre como menino...
E os passos no final da música sinalizam pra nós que o presente seguiu em frente, ao encontro de seu futuro..."